Emotion (estilizado como E•MO•TION) é o terceiro álbum de estúdio da artista musical canadense Carly Rae Jepsen. Foi lançado em 24 de junho de 2015 no Japão e em 21 de agosto de 2015 mundialmente através da 604, Schoolboy e Interscope Records. Procurando fazer a transição da natureza bubblegum pop de seu segundo álbum de estúdio, Kiss (2012), Jepsen encontrou inspiração na música dos anos 1980 e em estilos alternativos. Ela alistou uma equipe de colaboradores, incluindo Sia, Mattman & Robin, Dev Hynes, Ariel Rechtshaid, Rostam Batmanglij, Greg Kurstin e Peter Svensson, do The Cardigans, culminando em um projeto amplamente centrado no synth-pop.

Emotion recebeu avaliações favoráveis dos críticos musicais contemporâneos, os quais elogiaram seu escapismo pop. O álbum não obteve grande sucesso mundialmente, estreando na 16ª posição da Billboard 200 com 16.153 cópias. No entanto, no país natal de Jepsen, tornou-se seu terceiro álbum a atingir o top dez, alcançando a oitava posição no Canadá com 2.600 cópias. O álbum se saiu melhor no Japão, estreando na oitava colocação com 12.189 cópias físicas vendidas e subsequentemente recebendo o certificado de ouro da Recording Industry Association of Japan (RIAJ) pelas mais de 100.000 unidades vendidas no território.

O álbum foi precedido pelo lançamento do seu primeiro single, "I Really Like You", que alcançou o top cinco em múltiplos territórios, incluindo Reino Unido e Japão. Foi secedido por "Run Away with Me" e "Your Type". Em divulgação ao álbum, Jepsen embarcou na Gimmie Love Tour em novembro de 2015, com uma segunda etapa começando em fevereiro de 2016. Em abril de 2016, ela também promoveu o álbum ao se apresentar como ato de abertura das datas canadenses da turnê Hello World Tour da banda Hedley.

Em vez do sucesso comercial, Emotion revigorou a carreira de Jepsen como uma "queridinha indie", conquistando-lhe ávidos seguidores. O álbum foi selecionado para o Polaris Music Prize de 2016. Em seu primeiro aniversário, Jepsen lançou Emotion: Side B (2016), um extended play (EP) que contém oito canções anteriormente descartadas do projeto original. Em comemoração ao seu décimo aniversário, o álbum foi relançado em 17 de outubro de 2025, com sete faixas adicionais.

Antecedentes Após o repentino sucesso mundial de "Call Me Maybe" em 2012, Jepsen percebeu que a canção havia se tornado "[essa] coisa enorme e gigantesca que realmente ofuscou o resto do nosso projeto" e outros singles lançados de Kiss não conseguiram ganhar força. Jepsen encarou sua situação como uma oportunidade de se afastar dos holofotes e refletir sobre a direção do próximo álbum. Ela se encontrou com sua gravadora e empresário após o término da The Summer Kiss Tour, no final de 2013, e declarou: "Quero que vocês tenham fé em mim, que voltarei quando estiver pronto", e eles confiaram. Tenho muita sorte de ter uma equipe que não se preocupava em produzir em massa, mas sim em priorizar a qualidade do trabalho".

Enquanto decidia seu próximo caminho, Jepsen procurou um "desvio", que acabou se tornando um papel na Broadway. "Pensei: como seria incrível virar à esquerda, de alguma forma, e ainda assim voltar para isso? [...] mas 'virada à esquerda' — eu não sabia o que isso significava". Ela foi abordada pelos produtores de Cinderella, de Rodgers + Hammerstein, para fazer um teste para o papel principal, e recebeu a oferta formal do papel após fazer testes em Los Angeles e passar por testes em Nova York. Jepsen interpretou o papel por doze semanas, de fevereiro a junho de 2014, e durante esse período cuidou de sua própria A&R. Com a ajuda do guitarrista Tavish Crowe, Jepsen começou a entrar em contato com artistas que admirava para ver se eles estariam interessados em colaborar, incluindo Tegan and Sara, Rostam Batmanglij, do Vampire Weekend, e Shellback.

Sob pressão para igualar o sucesso de "Call Me Maybe", Jepsen gravou um álbum indie-folk durante sua temporada em Cinderella como um ato de "rebelião". Sentindo que o projeto foi desenvolvido pelos motivos errados, Jepsen acabou descartando-o: "Acho que há uma rebelião natural quando você tem sucesso em uma área para se rebelar completamente contra isso. Eu precisava tirar isso do meu sistema, eu acho. Eu fiz uma música muito estranha". O trabalho de Jepsen em Cinderella forneceu uma perspectiva valiosa em termos de ser definida por um único atributo, particularmente de sua colega de elenco Fran Drescher: "Todos ainda a chamam de 'Nanny'. Percebi que você não pode ceder à percepção que os outros têm de você. Todos serão conhecidos por alguma coisa".

Produção e desenvolvimento

Devido à sua insatisfação com o prazo limitado de dois meses de Kiss, Jepsen entrou em Emotion com a intenção de elaborar um projeto que fosse autêntico e lhe permitisse abordar diferentes caminhos. Enquanto Kiss foi desenvolvido de forma condescendente, já que Jepsen estava simplesmente grata pela oportunidade, Emotion foi estimulado por seu desejo de assumir mais controle criativo. Jepsen comentou que grande parte do álbum é sobre "tentar recuperar algum poder" depois de sair de um relacionamento e, posteriormente, se estabelecer em Nova York. Ela procurou canalizar uma "sensibilidade de coração na manga" que lembrava a música pop dos anos 1980 depois de assistir a um show de Cyndi Lauper no Japão. Esses temas foram explorados ainda mais por meio de discos "antigos" de Prince e Madonna nas corridas matinais antes dos ensaios de Cinderella: "O que eu amei foi o quão potentes algumas dessas letras [dos anos 1980] eram — quão comoventes, como as folhas de chá de todos estão bem ali em suas mangas. Na música de hoje, tudo é um pouco mais tímido, mas eu queria aquele romance e aquela fantasia, e acho que muitas pessoas da minha idade querem".

Uma epifania veio a Jepsen após terminar "Emotion", a faixa-título do álbum, onde ela descobriu que um som pop dos anos 1980, combinado com uma produção mais "alternativa", era o que ela estava procurando. Isso moldou completamente a direção do álbum — Emotion se desenvolveu como um ponto intermediário entre o pop "puro" que ela gravou em Los Angeles e o trabalho indie-folk que foi descartado em Nova York.

Jepsen vasculhou a discografia de Dev Hynes após se apaixonar por "Losing You", de Solange, cujo nome constava nos créditos de produção. Jepsen tentou colaborar, afirmando ser fã, o que Hynes hesitou em acreditar. Ele acabou sendo "conquistado" pela demonstração de Jepsen sobre sua habilidade vocal e ética de trabalho, e lhe atribuiu intenções genuínas de "[desenvolver] uma nova estética" em vez de buscar "artistas aprovados pela Pitchfork" em prol da credibilidade indie. A dupla trabalhou em um estúdio em Chelsea entre as apresentações de Jepsen em Cinderella. Hynes enviou uma demo do que se tornaria "All That", onde Jepsen escreveu a ponte e produziu os vocais ela mesma. Ariel Rechtshaid foi trazido para um trabalho adicional na canção. Em um caso semelhante, a admiração de Jepsen pelo trabalho de Sky Ferreira a levou a Rechtshaid e a dupla começou a se encontrar para cafés, planejando uma data para a sessão, já que ele estava no meio da produção com Brandon Flowers. Rechtshaid contribuiu ainda mais para Emotion auxiliando no processo de seleção de sua lista de faixas e finalizando a produção da faixa "When I Needed You".

Rostam Batmanglij era um antigo fã do trabalho de Jepsen quando a contatou no verão de 2014, depois de saber que ela estava em Los Angeles escrevendo com várias pessoas. Jepsen ficou "nas nuvens" e a dupla desenvolveu "Warm Blood" no ano seguinte, o primeiro verso gravado enquanto Jepsen estava sentada no tapete do estúdio caseiro de Batmanglij. Batmanglij anunciou a existência da faixa via Twitter em 29 de abril de 2015. Jepsen passou um mês na Suécia gravando o álbum, por sugestão de sua gravadora. Essas sessões se materializaram no primeiro single, "I Really Like You", co-escrito com Peter Svensson do The Cardigans, "Your Type" com Rami Yacoub e Carl Falk, e "Run Away with Me", produzido por Mattman & Robin, que se desenvolveu em duas viagens separadas ao país. A dupla voou para Los Angeles para uma última sessão com Jepsen, terminando "Gimmie Love" em um dia.

Antes de começar a trabalhar em Emotion, Jepsen havia esboçado várias de suas demos em seu ônibus da turnê promocional de Kiss em 2013. Destas, "Boy Problems" acabaria por finalizar sua forma com Sia e Greg Kurstin. Sia escreveu a ponte para "Boy Problems" e contribuiu com o corte externo "Making the Most of the Night", que Sia desenvolveu originalmente com as integrantes do Haim. "I Didn't Just Come Here to Dance" já existia em 2011, de acordo com letras correspondentes em um tweet escrito por Jepsen. Ela seria eventualmente apresentada a Max Martin depois que a dupla terminou de trabalhar em "Tonight I'm Getting Over You" em 2012; pretendendo encerrar a sessão à meia-noite, a gravação obrigou Martin a ficar por mais duas horas. Foi confirmado que ela havia trabalhado com Josh Ramsay, Ryan Stewart, Benny Blanco e Stargate, embora nenhum desses produtores tenha aparecido no projeto finalizado. Um total de 250 músicas foram compostas ao longo do desenvolvimento do álbum. Falando ao Herald, Jepsen afirmou que trabalhou em Emotion além do prazo e terminou pouco antes da data de lançamento no Japão em 24 de junho de 2015.

Composição e letras esquerda|miniaturadaimagem|Jepsen durante a Gimmie Love Tour. Emotion contém elementos de synth-pop e new wave. A Consequence of Sound resumiu o disco como uma "versão mais madura e sofisticada de seu [Kiss] hyperpop", com Jepsen elaborando: "Eu queria meio que borrar os limites do que [um álbum pop] precisava ser". Ela achou um desafio reaproveitar as influências dos anos 80 do álbum em um contexto moderno sem mergulhar na "nostalgia vazia", afirmando que o álbum não é estritamente uma "peça de época", mas é "matizado com tons daquela época". As letras de Emotion "sombream sua antiga ebulição com sentimentos mais sombrios e complexos", e é sonoramente fundamentada com as "texturas mais terrosas" do R&B dos anos 80 — limpando-se das performances de Cinderella durante a produção do disco. Em outro momento, Jepsen explora funk e disco em "Boy Problems" e house music em "I Didn't Just Come Here to Dance".

Jepsen destacou "All That" como a mais representativa dos objetivos que ela buscava alcançar com Emotion. Liricamente: "['All That'] ocupa um lugar especial no meu coração porque é muito reveladora: fala sobre o desejo de intimidade com alguém. E acho que com músicas como 'Call Me Maybe', que podem ser bem leves e um pouco mais superficiais, é divertido ir um pouco mais a fundo". Jepsen escreveu "Your Type" com Rami Yacoub e Carl Falk às quatro da manhã, quando estava "perdendo a cabeça": "Eles me viciaram por uma semana naqueles cigarrinhos falsos com gosto de morango. Dá para ouvir na minha voz, eu pareço toda áspera. É porque eu fiquei vaporizando por uma semana".