A Lockheed Martin Corporation é uma empresa americana da indústria de defesa e da indústria aeroespacial. Sua sede fica em North Bethesda, Maryland, Estados Unidos. A empresa foi formada pela fusão da Lockheed Corporation com a Martin Marietta em 15 de março de 1995.
A Lockheed Martin opera quatro divisões. A Lockheed Martin Aeronautics respondeu por 39% das receitas de 2024, a Lockheed Martin Missiles and Fire Control por 18%, a Lockheed Martin Rotary and Mission Systems por 24% e a Lockheed Martin Space por 18%.
Em 2023, era a maior contratada do governo federal dos Estados Unidos, posição que ocupava pelo menos desde 2008. Em 2024, 73% da receita da empresa veio do governo federal, incluindo 65% do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Em 2024, 26% da receita veio das vendas do caça F-35.
A Lockheed Martin também é contratada do Departamento de Energia dos Estados Unidos e da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). Também fornece produtos e serviços ao Departamento de Defesa, ao Departamento de Energia, ao Departamento de Agricultura e à Agência de Proteção Ambiental. Está envolvida em vigilância e processamento de informações para a CIA, o FBI, o Internal Revenue Service (IRS), a NSA, o Pentágono, o Departamento do Censo e o Serviço Postal.
A empresa recebeu o Troféu Collier seis vezes, inclusive em 2001 por participar do desenvolvimento do sistema de propulsão LiftFan do X-35/F-35B, United States Patent 5209428, PDF do original e em 2018 pelo Automatic Ground Collision Avoidance System (Auto-GCAS). A Lockheed Martin produz o F-35 e lidera sua cadeia internacional de suprimentos. Também chefia a equipe responsável pelo desenvolvimento e pela implementação de soluções tecnológicas para o novo Space Fence da Força Aérea dos Estados Unidos, substituto do AFSSS, e é a principal contratada para o desenvolvimento do módulo de comando da Orion. A empresa investe em sistemas de assistência médica, energia renovável, distribuição inteligente de energia e fusão nuclear compacta.Emily W. Prehoda, et al. 2017. U.S. Strategic Solar Photovoltaic-Powered Microgrid Deployment for Enhanced National Security. Renewable & Sustainable Energy Reviews 78, 167–175.
História Década de 1990 thumb|O C-130 Hercules está em produção desde a década de 1950. Sua variante C-130J permanece em produção.
As negociações de fusão entre a Lockheed Corporation e a Martin Marietta começaram em março de 1994, e as empresas anunciaram a fusão planejada, avaliada em 10 bilhões de dólares, em 30 de agosto de 1994. A sede das empresas combinadas ficaria na sede da Martin Marietta em North Bethesda, Maryland. O acordo foi concluído em 15 de março de 1995, quando os acionistas das duas empresas aprovaram a fusão. Os segmentos das duas empresas que não foram mantidos pela nova companhia formaram a base da L-3 Communications, que se tornou uma contratada de defesa de médio porte. Mais tarde, a Lockheed Martin também separou a empresa de materiais Martin Marietta Materials.
Os executivos da empresa receberam grandes bônus diretamente do governo como resultado da fusão. Norman R. Augustine, então diretor-executivo da Martin Marietta, recebeu um bônus de 8,2 milhões de dólares.
thumb|left|Lançamento submarino de um UGM-133 Trident II SLBM As duas empresas levaram seus produtos para o novo portfólio. Entre os da Lockheed estavam o míssil Trident, a aeronave de patrulha marítima P-3 Orion, os aviões de reconhecimento U-2 e SR-71 Blackbird, o F-117 Nighthawk, o F-16 Fighting Falcon, o F-22 Raptor, o C-130 Hercules, o A-4AR Fightinghawk e o satélite DSCS-3. Entre os produtos da Martin Marietta estavam os foguetes Titan, os Sandia National Laboratories, cujo contrato de administração foi adquirido em 1993, o tanque externo do ônibus espacial, os módulos de pouso Viking 1 e Viking 2, o Transfer Orbit Stage, produzido sob subcontrato da Orbital Sciences Corporation, e modelos de satélites.
Em 22 de abril de 1996, a Lockheed Martin concluiu a aquisição dos negócios de eletrônica de defesa e integração de sistemas da Loral Corporation por 9,1 bilhões de dólares. O acordo havia sido anunciado em janeiro. O restante da Loral tornou-se a Loral Space & Communications. Em 16 de julho de 1998, a Lockheed Martin abandonou os planos de uma fusão de 8,3 bilhões de dólares com a Northrop Grumman, devido às preocupações do governo com a possível força do novo grupo. Uma empresa Lockheed/Northrop teria controlado 25% do orçamento de aquisições do Departamento de Defesa.
No projeto da Mars Climate Orbiter, a Lockheed Martin forneceu incorretamente à NASA software que usava medições em unidades de força usuais nos Estados Unidos, quando eram esperadas unidades métricas. Isso resultou na perda da sonda, a um custo de 125 milhões de dólares. O desenvolvimento da espaçonave custou 193 milhões de dólares.
Além de seus produtos militares, na década de 1990 a Lockheed Martin desenvolveu o chip de mapeamento de textura para o Sega Model 2 e todo o sistema gráfico do Sega Model 3, utilizados para executar alguns dos jogos de arcade mais populares da época.
Década de 2000 thumb|Antigo edifício Center For Leadership Excellence (CLE) da Lockheed Martin, localizado perto de sua sede corporativa
Em maio de 2001, a Lockheed Martin vendeu a Lockheed Martin Control Systems à BAE Systems. Em 27 de novembro de 2000, a Lockheed havia concluído a venda de seu negócio Aerospace Electronic Systems à BAE Systems por 1,67 bilhão de dólares, em um acordo anunciado em julho de 2000. Esse grupo incluía Sanders Associates, Fairchild Systems e Lockheed Martin Space Electronics & Communications. Em 2001, a Lockheed Martin venceu o contrato para construir o F-35 Lightning II. Esse foi o maior projeto de aquisição de aviões de caça desde o F-16, com uma encomenda inicial de 3.000 aeronaves. Em 2001, a Lockheed Martin encerrou mediante acordo uma investigação de nove anos conduzida pelo Escritório do Inspetor-Geral da NASA, com auxílio da Defense Contract Audit Agency. A empresa pagou 7,1 milhões de dólares ao governo dos Estados Unidos com base em alegações de que sua predecessora, Lockheed Engineering Science Corporation, havia apresentado à NASA pedidos falsos de reembolso de custos de arrendamento.
Em 8 de julho de 2003, uma fábrica da Lockheed Martin em Meridian, Mississippi, foi palco de um tiroteio em massa de motivação racial, no qual um trabalhador da linha de montagem assassinou seis colegas - cinco deles negros - e feriu oito antes de se matar. Imediatamente após o tiroteio, o presidente da Lockheed Martin recusou-se a informar se dirigentes da empresa já tinham conhecimento de sinais de alerta relacionados ao funcionário. A empresa havia iniciado sua própria investigação sobre o comportamento do trabalhador antes do massacre, após reclamações de empregados negros sobre incidentes envolvendo-o. Ele havia recebido ordens para frequentar cursos de controle da raiva e treinamento em diversidade, mas recusou-se.
Em 12 de maio de 2006, The Washington Post informou que, quando Robert Stevens assumiu o controle da Lockheed Martin em 2004, enfrentou o dilema de que, dentro de dez anos, 100 mil dos aproximadamente 130 mil funcionários da empresa - mais de três quartos - estariam se aposentando. Em 31 de agosto de 2006, a Lockheed Martin recebeu um contrato de 3,9 bilhões de dólares da NASA para projetar e construir a cápsula CEV, mais tarde batizada de Orion, para o foguete Ares I do Programa Constellation. Em 2009, a NASA reduziu os requisitos de tripulação da cápsula de seis assentos para quatro, para transporte até a Estação Espacial Internacional.
Em agosto de 2007, a Lockheed Martin adquiriu a 3Dsolve, empresa de Cary, Carolina do Norte, que criava simulações e módulos de treinamento para clientes militares e corporativos. Renomeada Lockheed Martin 3D Learning Systems, a empresa permaneceu em Cary, tendo o fundador da 3D, Richard Boyd, como diretor. O nome acabou sendo abreviado para Lockheed Martin 3D Solutions.
Em 13 de agosto de 2008, a Lockheed Martin adquiriu a unidade de negócios governamentais da Nantero, Inc., empresa que havia desenvolvido métodos e processos para incorporar nanotubos de carbono em dispositivos eletrônicos de nova geração. Em 2009, a Lockheed Martin comprou a Unitech.
Década de 2010 thumb|left|Logotipo da Lockheed Martin utilizado de 2011 a 2022
Em 18 de novembro de 2010, a Lockheed Martin anunciou que fecharia sua unidade em Eagan, Minnesota, até 2013, a fim de reduzir custos e otimizar a capacidade de suas instalações no país. Em janeiro de 2011, a Lockheed Martin concordou em pagar dois milhões de dólares ao governo dos Estados Unidos para encerrar alegações de que a empresa havia apresentado reivindicações falsas em um contrato governamental americano desse valor. As alegações decorriam de um contrato com o Naval Oceanographic Office Major Shared Resource Center, no Mississippi.
Em 25 de maio de 2011, a Lockheed Martin comprou o primeiro sistema de computação quântica da D-Wave. Lockheed Martin e D-Wave passaram a colaborar para aproveitar os benefícios de uma plataforma de computação baseada em um processador de recozimento quântico, aplicado a alguns dos problemas computacionais mais complexos da Lockheed Martin. A empresa estabeleceu um contrato plurianual que inclui um sistema, manutenção e serviços.
Em 28 de maio de 2011, foi noticiado que um ciberataque que utilizava arquivos da EMC anteriormente roubados havia conseguido acessar materiais sensíveis da contratada. Não ficou claro se o incidente envolvendo a Lockheed foi o motivo específico para que, em 1.º de junho de 2011, a nova estratégia militar dos Estados Unidos declarasse explicitamente que um ciberataque poderia constituir casus belli para um ato de guerra convencional.
Em 3 de março de 2012, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) afirmou que a Lockheed Martin havia concordado em encerrar alegações de que a contratada de defesa vendera ferramentas consumíveis com preços superfaturados usadas em contratos do governo. As alegações tratavam do aumento artificial dos custos pela subsidiária Tools & Metals Inc. entre 1998 e 2005. A Lockheed Martin repassou esses valores ao governo dos Estados Unidos em seus contratos. Em março de 2006, Todd B. Loftis, ex-presidente da TMI, foi condenado a 87 meses de prisão e ao pagamento de uma multa de 20 milhões de dólares após declarar-se culpado.
Em 10 de julho de 2012, a Lockheed Martin anunciou que cortaria 740 postos de trabalho para reduzir custos e permanecer competitiva, conforme necessário para o crescimento futuro. Em 27 de novembro de 2012, anunciou que Marillyn Hewson se tornaria diretora-executiva da corporação em 1.º de janeiro de 2013.
Em 7 de janeiro de 2013, a Lockheed Martin Canada anunciou que adquiriria os ativos de manutenção, reparo e revisão de motores da Aveos Fleet Performance em Montreal, Quebec, Canadá. Em 20 de fevereiro de 2013, a Lockheed Martin Corp. chegou a um acordo perante o United States District Court for the Southern District of New York, concordando em pagar 19,5 milhões de dólares para encerrar uma ação coletiva por fraude de títulos que acusava a empresa de enganar acionistas quanto às perspectivas de sua divisão de tecnologia da informação. Em 3 de julho de 2013, a Lockheed Martin anunciou parceria com a DreamHammer para utilizar o software da empresa no comando e controle integrados de seus veículos aéreos não tripulados. A Lockheed Martin uniu-se à Bell Helicopter para propor o V-280 Valor, um convertiplano, para o programa Future Vertical Lift (FVL). Em setembro de 2013, a Lockheed Martin adquiriu a empresa de tecnologia Amor Group, sediada na Escócia, afirmando que o negócio ajudaria seus planos de expansão internacional e para mercados não relacionados à defesa. Em 14 de novembro de 2013, a Lockheed anunciou que fecharia sua unidade em Akron, Ohio, demitindo 500 funcionários e transferindo outros para diferentes instalações.