O período da história entre 1865 e 1918 é marcado pela ascensão dos Estados Unidos como uma das maiores potências militares, políticas e econômicas do mundo.

O início deste período caracteriza-se pela reconstrução de um país destruído pela Guerra Civil Americana. O crescimento da industrialização americana que iniciava-se no início do século XIX aumentou drasticamente após a Guerra Civil Americana, onde o país passou por uma Revolução industrial. Técnicas mais modernas, rápidas e eficientes de produção industrial aumentaram drasticamente a capacidade de produção das fábricas americanas. A construção de uma grande malha ferroviária ao longo do país fez com o transporte de produtos de um ponto a outro do país tornasse prático e rápido. Inventores desenvolveram diversos novos produtos. O comércio por atacado e varejo do país prosperou, e grandes indústrias surgiram.

Durante este período, o crescimento industrial dos Estados Unidos renderam-lhes grandes efeitos. Cidades tornaram-se os principais centros econômicos do país, e a indústria de manufaturação e finanças superaram a agricultura e a pecuária como as principais fontes de renda dos Estados Unidos. O processo de industrialização elevou drasticamente a migração rural. No final da Guerra Civil Americana, cerca de um quarto da população americana vivia em cidades. Em 1918, metade da população do país vivia em áreas urbanas. Além disso, este período também é marcado pela grande e sem precedentes imigração de europeus ao país.

Porém, mesmo com o fim da Guerra Civil Americana e da derrota dos estados do Sul, que haviam se cedido dos Estados Unidos em 1861, o país continuava dividido politicamente, socialmente e economicamente. Logo após a guerra, a política de Reconstrução perdurou por mais de uma década. A política de Reconstrução, tendo imposto termos humilhantes aos estados do Sul, ajudou a atiçar a diferença entre o Sul e o resto do país. A maior parte da industrialização e do crescimento econômico americano entre 1865 e 1918 ocorreu no Centro-Oeste e principalmente no Norte - enquanto que a economia do Sul, completamente destruída pela Guerra Civil, demoraria décadas para recuperar-se, e grande industrialização ocorreria somente após as primeiras décadas do século XX.

Este período da história americana também é marcado pelo aumento da participação americana em eventos internacionais. O poder das Forças Armadas dos Estados Unidos aumentou drasticamente, a influência do país no cenário mundial cresceu, e os Estados Unidos tornaram-se uma potência mundial.

Reconstrução

miniaturadaimagem|250px|Muitas cidades do sul dos Estados Unidos estavam em ruínas após a guerra civil. O período da Reconstrução foi um momento em que os negros americanos inicialmente ganharam mais direitos perante a lei, mas logo em seguida, o status quo retornou para a maioria das cidades sulistas, com muitos estados aprovando as chamadas leis Jim Crow.Ayers, Edward L. The Promise of the New South. New York: Oxford University Press, 1992. A Reconstrução foi o período que sucedeu a Guerra Civil Americana, onde os Estados da Região Sul do derrotado Estados Confederados da América, que havia se cedido-se dos Estados Unidos, foram reintegradas à União. A destruição causada pela Guerra Civil - que afetara especialmente os Estados do Sul - a derrota dos sulistas, ataques da União em civis do Sul, bem como políticas econômicas e sociais humilhantes aos sulistas nas regiões derrotadas após a guerra, causaram grande ressentimento entre a população sulista contra o governo americano. O presidente americano Abraham Lincoln pediu por um plano leniente para a reconstrução dos Estados do Sul, onde bastaria a realização de um juramento e lealdade à União, bem como a abolição da escravidão, para que estes Estados fossem readmitidos à União. Porém, o grande custo humano da guerra - onde cerca de 620 mil americanos morreram - e as mudanças sociais trazidas pela guerra fizeram com que o Congresso dos Estados Unidos resistisse à proposta de Lincoln. Quando o último foi assassinado, em 15 de abril de 1865, grande controvérsia reinava entre Lincoln e o Congresso. Apenas o Tennessee foi readmitido à União segundo as políticas propostas por Lincoln, em 1866. O processo de readmissão da Louisiana e do Arkansas foi rejeitado pelo Congresso.

Uma das principais controvérsias da Reconstrução foi a questão dos direitos civis para os escravos do Sul liberados durante e após a guerra. Em resposta aos esforços dos Estados sulistas em recusar a ceder direitos civis para os escravos libertados, o Congresso americano criou um Ato de direitos civis em 1866, e outro em 1875. Isto levou ao conflito com o presidente americano Andrew Johnson, que havia sucedido Lincoln após o último ter sido assassinado por John Wilkes Booth. Johnson - um sulista - vetou o Ato de Direitos Civis de 1866, que fora então aprovado em ambas as câmaras do Congresso americano, mas seu veto foi anulado através de uma nova votação no Congresso, que juntou os dois terços de votos a favor da anulação do veto necessários para anular o veto de Johnson. Este ato por parte de Johnson fez com que a Câmara dos Representantes iniciasse um processo de impeachment contra Johnson. O impeachment foi aprovado na Câmara dos Representantes, mas foi rejeitada, por apenas um voto, no Senado. A falha do governo federal em reunir efetivamente o país fez com que os novos direitos civis dos afro-americanos, anteriormente escravos, não fossem aplicados no Sul. A escravidão terminara, mas racismo e ódio contra afro-americanos perduraria por cerca de um século no Sul.

O primeiro Ato da Reconstrução foi aprovada em 2 de março de 1867, e o último em 11 de março de 1868. O primeiro Ato de Reconstrução dividia dez Estados confederados (o Tennessee fora readmitido à União em 1866) em cinco distritos militares. Governos que foram estabelecidos sob segundo as políticas de Reconstrução de Lincoln foram abolidos. O primeiro Ato da Reconstrução dizia que "nenhum governo estadual ou proteção adequada à vida e à propriedade existe nos estados rebeldes".

A Reconstrução foi caracterizado pela grande instabilidade da sociedade sulista. Nortistas que mudaram-se para o Sul para participar em governos sulistas foram chamados de carpetbaggers pelos sulistas. Os carpetbaggers eram vistos pelos sulistas como corruptos. Enquanto isto, pessoas locais que participavam nestes governos administrados pelo governo americano foram chamados de scalawags. Ambos os termos carpetbagger e scalawag eram e são termos considerados derogatórios, e não eram comumente usados a não ser para provocar alguém. Republicanos tomaram controle de todos os governos estaduais que haviam se cedido - com exceção do Tennessee - e muitas vezes instalaram afro-americanos em posições de poder. Estes eventos levaram à criação do Ku Klux Klan, em 1866.

Três emendas constitucionais foram aprovadas após o fim da Guerra Civil Americana. A 13ª Emenda à Constituição foi ratificada no final de 1865, e que acabou oficialmente com a escravidão no país. A 14a Emenda foi aprovada em 1868, definia cidadania e dava ao governo federal amplos poderes para forçar os estados a fornecerem proteção igualitárias às leis. A 15a Emenda foi aprovada em 1870, e dava a todos os afro-americanos do sexo masculino maiores de idade o direito de voto. Todas estas emendas - em especial, a 14a Emenda - foram recebidas com grande oposição no Sul. Os dez Estados do Sul militarmente e politicamente ocupados pelo Norte foram obrigados a aceitar a instalação destas emendas, uma vez que, de facto, haviam sido rebaixados à categoria de território, e que a readmissão aos Estados Unidos poderia ser realizada apenas com a aprovação de todas estas emendas.

O fim da Reconstrução 250px|miniaturadaimagem|Rutherford B. Hayes, o 19º presidente dos Estados Unidos. Através do Compromisso de 1877, ele encerrou a Reconstrução e retirou as tropas federais do sul, abrindo caminho para o retorno da repressão racial contra negros e a volta da supremacia política e social dos brancos por todo o sul dos Estados Unidos. Todos os Estados sulistas foram readmitidos por volta de 1870, mas o período da Reconstrução perduraria até 1877, quando Rutherford B. Hayes foi eleito presidente nas eleições presidenciais de 1876. Hayes, candidato suportado pelos Estados do Norte, derrotou seu oponente, Samuel J. Tilden. A eleição fora muito acirrada, com Tilden tendo recebido 184 votos contra apenas 165 votos a favor de Hayes. Uma segunda eleição, porém, foi realizada em quatro Estados, onde a votação era disputadíssima. Três destes Estados eram sulistas - Flórida, Louisiana e Carolina do Sul. Alguns historiadores acreditam que Handes venceu a eleição após garantir a estes Estados dar um fim à Reconstrução. Nem todos os historiadores concordam com esta teoria, mas em qualquer caso, o período da Reconstrução chegara ao seu fim.

O fim da Reconstrução marcou essencialmente o fim do breve período de direitos civis para afro-americanos. Em apenas alguns anos após o fim da Reconstrução, o Sul criou uma sociedade segregada, com brancos e afro-americanos tendo suas próprias vidas, e com os brancos com total controle dos governos de seus estados. O Norte permitiu o surgimento de movimentos de supremacia branca, e incentivou brancos ex-confederados a recuperarem seu lugar normal na sociedade como cidadãos americanos; assim, os brancos sulistas reintegraram-se à União.

Uma vez que os afro-americanos já haviam ganho sua liberdade ao custo de cerca de 620 mil vidas (a grande maioria brancos), pouca demanda existia para o prolongamento da intervenção militar nortista do Sul. A estrutura inicial dos Atos de direitos humanos passou a deteriorar-se rapidamente. Muitos das legislações dos Atos de direitos civis foram removidos do governo americano pela Suprema Corte, próximo ao término do século XIX. Mais notavelmente, a Suprema Corte julgou que o Artigo 109 US 3 da 14a Emenda, que estabelecia a cidadania dos afro-americanos, seria aplicável então a empresas, ao invés de afro-americanos. Um Congresso instituído e controlado por sulistas chegou a aprovar a segregação total de brancos e afro-americanos, desde lugares públicos até a realização de comércio, assim efetivamente rejeitando o Ato de Direitos Civis de 1875. Plessy v. Ferguson 163 US 537, de 1896, foi mais longe, legalizando leis de segregações aprovadas por um dado estado, desde que estes estados fornecessem facilidades "separadas mas iguais". A palavra "igual" não foi interpretada literalmente, mas este ato forneceu uma base institucional para a mobilização política dos afro-americanos, contra o segregacionismo e a discriminação, durante a década de 1950 em diante. Em uma sociedade onde pessoas e empresas passaram a competir umas com as outras por acumulação, o trabalho habilidoso de artesãos deu lugar a trabalhadores e engenheiros industriais, à medida que a base tecnológica da nação se desenvolvia. Enquanto isto, um grande fluxo de imigrantes fez com que mão-de-obra barata se tornasse comum no país, especialmente na indústria da mineração e da manufatura.

Imigração

250px|miniaturadaimagem|Imigrantes italianos em um bairro em Nova Iorque, no começo do século XX.