Os períodos das histórias dos Estados Unidos entre 1918 e 1945 é marcado por um período de grande crescimento econômico. Porém, ao final da década de 1920, os Estados Unidos entrariam em um grande período de recessão econômica, marcado por altas taxas de desemprego, miséria e deflação, que se estenderia por toda a década de 1930, e cujos efeitos negativos abalaram diversos outros países ao redor do mundo. Em 1941, com o ataque japonês a Pearl Harbor, os Estados Unidos entrariam na Segunda Guerra Mundial, marcando assim o final da Grande Depressão. A guerra terminaria em 1945, e com seu fim, os Estados Unidos tornar-se-iam uma das duas grandes superpotências mundiais, sendo a outra a União Soviética.

Desfecho da Primeira Guerra Mundial

A popular música de Tin Pan Alley de 1919 perguntava - em relação às tropas americanas retornando dos campos de batalha na Primeira Guerra Mundial - "Como você irá guardá-los nas fazendas após eles terem visto Paris?" (do inglês: "How Ya Gonna Keep 'Em Down On the Farm After They've Seen Paree?".). De fato, muitos destes soldados, anteriormente fazendeiros, não retornaram às suas fazendas, e logo após o final da guerra ocorreu um grande fluxo de migração dos campos para as cidades. Porém, graças a avanços tecnológicos e à crescente mecanização da agricultura, com o crescente uso do trator, a produção agrícola necessitou de um menor número de trabalhadores.

O então Presidente do país, Woodrow Wilson, iniciou uma campanha no país para que os Estados Unidos se juntasse à recém criada Liga das Nações. Porém, tanto a população americana quanto o Congresso dos Estados Unidos, rejeitaram esta política internacionalista.

A década de 1920

Nas eleições presidenciais de 1920, o Partido Republicano retornou à Casa Branca, com a eleição de Warren G. Harding, que prometera em sua campanha o "retorno à normalidade", após os anos traumáticos da Primeira Guerra Mundial.

Durante grande parte da década de 1920, os Estados Unidos aproveitaram-se de um período de prosperidade não balanceada. Os preços de produtos agropecuários e os salários em geral caíram no país após o fim da guerra, enquanto que novas indústrias, tais como o rádio, filmes, automóveis e químicos, prosperaram. A falta de balanço também era geográfica: o padrão e a qualidade de vida em áreas urbanas melhorou gradualmente, à medida que diversas inovações em planejamento urbano foram implementadas em diversas cidades americanas, enquanto que o padrão e a qualidade de vida das áreas rurais pouco melhorava ou mesmo piorava para os fazendeiros. Este período de prosperidade econômica refletiu-se na expansão de crédito para um perigoso nível, incluindo no mercado de ações, que cresceram para níveis altíssimos dias antes da Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929.

O jazz tornou-se muito popular entre os jovens americanos durante a década de 1920, embora tenha sido visto como apenas barulho pela geração mais velha. A dança tornou-se uma recreação popular.

Lei Seca

Em 1920, a manufatura, venda, importação e exportação de bebidas alcoólicas foi proibida pela 18a Emenda à Constituição americana, em uma tentativa de resolver ou minimizar diversos problemas sociais. Esta política tornou-se conhecida como a "Lei Seca". Esta Emenda foi aprovada através do Ato de Volstead. Muitos Estados haviam ratificado a 18aEmenda enquanto grande parte de sua jovem população estava fora do país por causa da Primeira Guerra Mundial. thumb|left|200px|Agentes destruindo barris de álcool. A Proibição terminou em 1933, pela 21a Emenda à Constituição americana. A Proibição falhou em seus objetivos: o consumo de bebidas alcoólicas não diminuiu, enquanto o crime organizado fortaleceu-se. Foi a primeira vez que uma Emenda constitucional regulava diretamente a atividade social da população do país. A 18a Emenda, então, representava o crescente fortalecimento do Governo durante o século XX. Uma lei federal regulando a venda ou o uso de uma dada substância foi considerada uso de poderes além do aceito poder do governo federal em 1919, que uma Emenda à Constituição dos Estados Unidos foi visto como necessária. Desde a década de 1930, o governo federal americano tem regulado e proibido diversas substâncias sem o uso de Emendas adicionais.

O governo americano durante a década de 1920

thumb|right|200px|Herbert Hoover, o 31º Presidente dos Estados Unidos.

Enquanto que a década de 1920 é por vezes vista como os últimos anos da política de laissez-faire capitalista nos Estados Unidos, a década na verdade foi marcada pelo crescimento do papel do governo federal no país. Além da Proibição, o governo americano expandiu seus poderes e responsabilidades, tais como fundação, organização e administração da expansão do sistema rodoviário do país, a expansão das reservas monetárias dos Estados Unidos levou a uma improcedente expansão de crédito, que contribuiu tanto para a prosperidade econômica da década de 1920 quanto para a grande recessão econômica que perduraria ao longo da década de 1930.

A administração de Harding foi marcada pelo Escândalo de Teapot Dome. Neste caso de corrupção, até mesmo o Presidente Harding parecia estar envolvido. Porém, as acusações de corrupção por parte de Harding nunca foram comprovadas, pois o mesmo morreu em ofício, em 2 de agosto de 1923. Foi sucedido pelo seu Vice-Presidente, Calvin Coolidge. Coolidge era um político da Nova Inglaterra, renomado por sua honestidade. Coolidge foi eleito Presidente do país nas eleições presidenciais americanas de 1924, sob o slogan "Fique Frio com Coolidge" (Keep Cool With Coolidge).

Coolidge recusou-se a concorrer novamente às eleições presidenciais americanas de 1928; o Partido Republicano escolheu o renomado engenheiro e então Secretário do Comércio, Herbert Hoover, como candidato. Hoover venceu facilmente as eleições, tendo sido visto como um dos mais promissores tecnocratas de sua geração. Hoover foi o único Presidente americano sem ter tido anteriormente um cargo eleito no governo americano ou em algum governo estadual, nem sido um vitorioso General de guerra.

Grande Depressão

As finanças internacionais nunca se recuperaram totalmente após a Primeira Guerra Mundial, o que causou um dramático crescimento da capacidade produtiva, particularmente fora da Europa, enquanto que o crescimento na demanda cresceu muito mais lentamente. As taxas de câmbio fixas e livre convertibilidade deram lugar a um compromisso - o padrão-ouro, que não tinha a estabilidade para reconstruir o comércio internacional.

Em 1929, a nação mais próspera do mundo era os Estados Unidos. Mas apesar do grande otimismo nos Estados Unidos e do aparente bem-estar em outros países, o estado da economia mundial era pouco saudável. Um a um, os pilares do sistema econômico dos anos pré-1914 - o comércio multilateral, o padrão ouro e a intercambialidade dos câmbios - caíram.

A economia americana mostrara alguns sinais de estresse meses antes de outubro de 1929, largamente considerada o início da Grande Depressão. Preços de produtos industrializados caíram gradativamente no mundo todo desde 1926, reduzindo a capacidade de exportações nas economias periféricas e não desenvolvidas da América Latina, Ásia e África, para a compra de produtos vindos das principais potências industriais, tais como o Estados Unidos ou o Reino Unido. A prateleira dos estabelecimentos comerciais americanos estavam três vezes mais cheias do que estiveram um ano antes - uma indicação que o público não estava comprando produtos tão rapidamente quanto no passado. Outros sinais do péssimo estado da economia americana antes de outubro de 1929 eram a queda no transporte de carga ferroviária, a queda na produção industrial e dos preços do comércio por atacado e varejo.

A Grande Depressão é considerada como o período que se seguiu à Terça-Feira Negra, 29 de outubro de 1929, quando ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Nos anos seguintes, uma depressão econômica mundial levou a grande deflação e a um grande aumento do desemprego. Em escala global, a quebra da bolsa de valores nos Estados Unidos foi o último golpe em um mundo cuja economia já estava muito frágil. A Alemanha já sofria com a hiperinflação, e os principais aliados da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia) tinham ou tinham tido sérios problemas para pagar grandes dívidas de guerra. Nos últimos anos da década de 1920, a economia dos Estados Unidos ainda parecia imune aos problemas da economia mundial, mas no início da década de 1930, a economia americana rapidamente entrou em colapso.

Má distribuição do poder de compra

Um dos principais fatores da Grande Depressão foi a má distribuição da renda ao longo da década de 1920. O crescimento nos salários dos trabalhadores não acompanhou o passo do aumento da produtividade. À medida que os custos de produção caíam, os salários cresciam lentamente, e os preços continuavam constante, sendo que o restante da produtividade em crescimento gerava lucro. À medida que a produção industrial e agropecuária aumentava, a proporção dos lucros indo para fazendeiros, trabalhadores industriais e outros consumidores em potencial passou a ser pequena demais para criar um mercado para os produtos que os mesmos produziam. Até mesmo em 1929, uma década depois de contínuo crescimento econômico, mais da metade das famílias americanas vivia à beira ou abaixo da linha de subsistência - pobres demais para conseguirem fazer parte da aparente época de prosperidade da década de 1920, pobres demais para comprar os carros e as casas e outros produtos que a economia industrial estava produzindo, e em muitos casos, pobres demais até mesmo para obter alimentação e abrigo adequados. À medida que as corporações continuaram a expandir suas facilidades econômicas - fábricas, depósitos, equipamentos e outros investimentos - a economia florescia. E graças à pressão da administração de Calvin Coolidge e do comércio, a Reserva Federal manteve as taxas de juro nacionais baixas, o que incentivava um excesso de investimento. No fim da década de 1920, empresas investiram mais em melhorias - expansão ou novas instalações industriais, depósitos, etc - do que o retorno que estas melhorias poderiam fornecer, e fábricas passaram a produzir mais produtos do que os consumidores podiam comprar. miniaturadaimagem|Uma fila de desempregados em Chicago, 1931.

Falta de diversidade

Outro fator foi a séria falta de diversidade da economia americana na década de 1920. A prosperidade fora dependente excessivamente de algumas indústrias - notavelmente, construção e a indústria automobilística. Durante o final da década de 1920, estas indústrias passaram a sofrer, entrando em declínio. Entre 1926 e 1929, os gastos na construção caíram de 11 bilhões para menos de 9 bilhões de dólares. A venda de automóveis passou a cair gradativamente algum tempo depois - a queda foi forte especialmente nos primeiros nove meses de 1929, onde a queda na venda de automóveis caiu em cerca de 35%. Uma vez que estas duas indústrias essenciais enfraqueceram-se, a economia americana não possuía outros setores fortes o suficientes para compensá-los. Mesmo durante a época de prosperidade destas indústrias, outras indústrias - especialmente a agropecuária - haviam caído gradativamente. Enquanto que as ações da Ford batiam recordes diários em valores, os preços dos produtos agrários caíram durante toda a década de 1920. Além disso, outros setores da economia que prosperaram foram estabelecimentos comerciais dependentes da indústria do rádio.

A estrutura do crédito