Diego Ribas da Cunha (Ribeirão Preto, 28 de fevereiro de 1985) é um comentarista e ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista. É comentarista na TV Globo.
Em 2020, em um ranking elaborado por especialistas dos jornais O Globo e Extra, figurou na 28.ª posição entre os maiores ídolos de futebol da história do Flamengo.
Infância e juventude Filho de Djair Ribas da Cunha e Cecília Inês Ribas da Cunha, Desde cedo, Diego mostrou que tinha talento para o futebol. Logo aos seis anos, começou a treinar no infantil do Comercial, clube de sua cidade, sendo destaque em diversos campeonatos municipais e regionais que disputou. O bom desempenho chamou a atenção do Paulistinha de São Carlos, que convidou o garoto, então com nove anos, para participar de torneios na Argentina e no Chile.
Dois anos após a primeira experiência internacional, Diego deu um passo definitivo para seguir carreira no futebol, passando a integrar os juniores do Santos Futebol Clube. Antes de chegar à Baixada Santista, ele teve a oportunidade de jogar no São Paulo, mas não se adaptou ao clube. Segundo suas palavras, "não se deu bem com a cidade, com as instalações e com os próprios garotos", permanecendo apenas dois dias na capital paulista.
Os problemas enfrentados no São Paulo não se repetiram no Santos, onde mesmo longe da família, que permaneceu em Ribeirão Preto, Diego conseguiu se estabelecer e trilhar seu caminho até o time profissional, colecionando títulos, gols e convocações para as seleções de base do Brasil. O sucesso precoce com uma das camisas mais tradicionais do futebol, a 10 de Pelé, transformou o meia numa grande esperança santista, cercado de expectativas sobre seu futuro.
Carreira Santos No início de 2002, com apenas 16 anos, Diego foi incorporado ao elenco profissional do Santos pelo técnico Celso Roth, permanecendo no time principal mesmo após a saída do treinador, quando a equipe passou a ser comandada por Emerson Leão. A reformulação iniciada no time profissional depois da chegada do ex-goleiro prestigiava os pratas da casa. Entre os jovens promissores, os de maior destaque eram o meia de Ribeirão Preto e seu parceiro, Robinho. Juntos, lideraram o Santos rumo a conquista do Campeonato Brasileiro daquela temporada, após uma primeira fase ruim, incluindo a polêmica do jogo contra o São Paulo, onde ele comemorou um dos gols da derrota por 3 a 2 pisando no escudo do time mandante, tirando o clube do jejum de 17 anos sem títulos importantes. De quebra, Diego tornou-se o campeão nacional mais novo da história, sendo também o vice artilheiro da equipe com 10 gols e eleito para a seleção do campeonato.
No ano seguinte, o camisa 10 santista teria novos desafios e passaria a sofrer maior cobrança. Jogando a Copa Libertadores da América, Diego guiou a equipe da Vila Belmiro até a final ao anotar quatro gols em 14 jogos, além de distribuir inúmeras assistências, que lhe renderam o prêmio de jogador mais criativo da competição.
Corria à época o Campeonato Brasileiro de 2003 e, depois de um início instável na torneio, o Santos foi se recuperando aos poucos, apoiado em seu principal organizador de jogadas. Embora na metade da competição o bi brasileiro parecesse um objetivo distante, o time conseguiu reduzir a diferença em relação ao líder Cruzeiro e seguiu com chances de título até as últimas rodadas, terminando em segundo lugar. Diego, naquele momento, já era presença constante na Seleção Brasileira.
Em 2004, o meia participou novamente de uma edição da Libertadores. Marcou quatro gols em nove jogos e ajudou o Santos a atingir as quartas-de-final. No Campeonato Brasileiro, sob orientação do técnico Vanderlei Luxemburgo, foi elevado ao posto de capitão da equipe. Disputou mais nove jogos e balançou as redes em outras quatro oportunidades, até ser convocado para a disputa da Copa América no Peru. Após o título com a Seleção Brasileira, em julho Diego foi contratado pelo Porto por 7 milhões de euros.
Porto Em agosto de 2004, Diego desembarcou em Portugal para ocupar a vaga deixada pelo luso-brasileiro Deco, ídolo portista que havia se transferido para o Barcelona. Recebido como a grande contratação da temporada, assumiu de imediato o posto de titular no então campeão nacional e europeu, com a missão de ser o novo maestro do time.
Em um de seus primeiros jogos com a nova camisa, o Porto venceu o arquirrival Benfica e levantou a Supertaça de Portugal. Era o primeiro título que o jogador conquistaria no clube. O mais importante deles veio ainda em 2004, quando a equipe portuguesa bateu os colombianos do Once Caldas na final da Copa Europeia/Sul-Americana, torneio que antecedeu o Mundial de Clubes e reunia o campeão europeu e o campeão sul-americano de cada ano.
Por conta de suas boas atuações na Primeira Liga e na Liga dos Campeões da UEFA, Diego foi agraciado pelos torcedores do Porto com o "Troféu Dragão", dado ao destaque da temporada.
Em seu segundo ano no clube, o meia ajudou o time a conquistar a Primeira Liga e a Taça de Portugal da temporada 2005–06. Neste mesmo ano, Diego foi homenageado pelo Santos, que batizou com seu nome o Campo 2 do CT Meninos da Vila, destinado às categorias de base do alvinegro.
Werder Bremen thumb|left|200px|No Werder Bremen. Em 20 de maio de 2006, foi contratado pelo Werder Bremen, da Alemanha. O clube germânico pagou seis milhões de euros pelo jogador, que assinou por quatro anos.
Logo em sua primeira temporada Diego mostrou a que veio. Foi campeão da Copa da Liga Alemã, eleito o melhor jogador do primeiro turno da Bundesliga e, posteriormente, melhor jogador da temporada 2006–07, recebendo elogios até de Franz Beckenbauer. Com atuações convincentes e lances geniais, como o gol marcado contra o Alemannia Aachen desde o campo de defesa, Diego se transformou rapidamente em ídolo no clube e mania na Alemanha.
Na temporada seguinte, o meia seguiu brilhando e levou o Werder Bremen ao vice-campeonato da Bundesliga, atrás do poderoso Bayern de Munique, passando a ser cobiçado por gigantes europeus, como a Juventus e o Real Madrid.
Em seu terceiro ano no clube, o destaque ficou pelo desempenho do Werder e de seu camisa 10 na Copa da UEFA. Com seis gols em oito jogos, Diego conduziu o time a sua primeira final na competição, da qual ficou de fora pelo acúmulo de cartões amarelos. Na decisão, a equipe alemã sentiu falta de seu principal jogador e perdeu o título para o Shakhtar Donetsk na prorrogação.
Poucos dias depois do vice-campeonato europeu, o meia brasileiro ajudou o Werder Bremen a se reerguer e conquistar a Copa da Alemanha, vencendo o Bayer Leverkusen na final por 1 a 0. Foi a última partida do brasileiro, que se despediu do clube em grande estilo com o passe para o gol do título. Era o desfecho perfeito após três anos mágicos.
Juventus thumb|200px|esquerda|Atuando pela Juventus. Em 26 de maio de 2009, depois de dois anos observando o meia brasileiro, a Juventus anunciou sua contratação por cinco temporadas, desembolsando 24,5 milhões de euros pelo atleta.
A primeira partida de Diego pelo clube foi o amistoso contra o Seongnam Ilhwa, da Coreia do Sul, no qual o jogador desequilibrou ao marcar um gol e dar o passe para o tento de Mauro Camoranesi, ajudando a equipe a vencer por 3 a 0. Em sua estreia pela Serie A, voltou a se destacar com uma assistência para o gol de Vincenzo Iaquinta, na vitória da Juve por 1 a 0 sobre o Chievo. Os primeiros gols no Calcio vieram no jogo seguinte, anotando duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre a Roma, em 30 de agosto de 2009. O jogador manteve o começo avassalador nas rodadas que se seguiram, até sofrer uma lesão que o afastou por cerca de duas semanas. Ao retornar aos gramados, não conseguiu ter a mesma regularidade, oscilando junto com o time que terminou em sétimo lugar.
No começo da temporada 2010–11, a mudança de comando na equipe e consequente alteração tática realizada pelo novo treinador, o italiano Luigi Delneri, acabou proporcionando a saída de jogadores que atuavam como meias de ligação, como Diego, que ficaram sem espaço no esquema idealizado pelo técnico. Antes de deixar a Velha Senhora, o jogador conquistou o Troféu Luigi Berlusconi, torneio de pré-temporada disputado anualmente contra o Milan.
Wolfsburg Em 27 de agosto de 2010, o jogador acertou seu retorno ao futebol alemão, assinando um contrato de quatro anos com o Wolfsburg. O valor da transferência girou em torno de 15 milhões de euros, mas o meia não conseguiu repetir o sucesso de sua primeira passagem pelo país.
No último jogo da temporada 2010–11, insatisfeito por não ter sido relacionado entre os titulares do Wolfsburg para esta partida, o jogador abandonou a concentração antes do jogo e foi multado. Ao fim da temporada, Diego foi afastado pelo treinador Felix Magath por indisciplina.
Empréstimo ao Atlético de Madrid No último dia da temporada de transferências, Diego ingressou no Atlético de Madrid por um empréstimo de uma temporada. Em 10 de setembro de 2011, ele estreou no Atlético contra o Valencia. Ele marcou seu primeiro gol pelos Colchoneros numa vitória de 2 a 0 contra o Celtic, pela Liga Europa, onde também deu assistência para Radamel Falcao García abrir o placar.
Como jogador principal do Atlético, Diego prestou assistência e se estabeleceu no primeiro time. Mas em 19 de fevereiro de 2012, contra o Sporting de Gijón, Diego sofreu uma lesão no tendão no segundo semestre. Foi anunciado que o meia ficaria fora por um mês. Depois de um mês, Diego recuperou-se de uma lesão e voltou ao treinamento. O brasileiro fez seu retorno no dia 26 de março de 2012, contra o Zaragoza.
O lateral Juanfran, seu companheiro de equipe no Atlético, revelou que Diego queria ficar em Madri em vez de voltar para a Alemanha, mas confessou que seria difícil para o clube comprá-lo imediatamente. Diego admitiu que seu tempo no Atlético foi "mágico", afirmando que seu tempo na Espanha foi mais do que ele poderia esperar: "Esta temporada foi positiva tanto no nível individual quanto no coletivo, e estou muito satisfeito." e fez uma mensagem de despedida para os fãs do clube, dizendo-lhes sobre o clube fará parte de sua vida.
Retorno ao Wolfsburg Após o período de empréstimo ao Atlético de Madrid na temporada 2011–12, no qual foi campeão da Liga Europa e despertou interesse do clube em uma proposta de transferência, Diego voltou ao Wolfsburg como titular para a temporada 2012–13 e 2013–14.
Atlético de Madrid Em 31 de janeiro de 2014, no último dia de janela de transferências, Diego foi anunciado como novo reforço do Atlético de Madrid, desta vez em definitivo, até o final da temporada. Em sua reestreia pelos Colchoneros, Diego marcou um dos gols na goleada por 4 a 0 na Real Sociedad. No dia 1 de abril, fez o gol do empate por 1 a 1 contra o Barcelona pela Liga dos Campeões.
Fenerbahçe Em 27 de maio de 2014, acertou com o Fenerbahçe por três anos. Rescindiu seu contrato com a equipe turca pouco mais de dois anos depois, no dia 19 de julho de 2016.
Flamengo 2016 Após 12 anos na Europa, Diego retornou ao Brasil e assinou com o Flamengo. Dois dias após o anúncio do acordo com o atleta, as ações realizadas nas redes sociais do Flamengo envolvendo sua contratação alcançaram mais de 5 milhões de pessoas, passando a ser o recorde de visualizações dos canais do clube na internet. Para se ter uma ideia, só uma foto do jogador teve quase 100 mil acessos. Durante todo o dia do anúncio de sua contratação, Diego ficou nos "trending topics" do Twitter.
Acostumado a vestir a camisa 10, Diego não pode vesti-la no Flamengo, já que o clube usa numeração fixa e a camisa 10 já pertencia a Ederson. Assim, Diego optou pelo número 35, em referência às idades dos filhos Matteo e Davi, respectivamente, com 3 e 5 anos à época que ele chegou ao clube. Na Copa Sul-Americana, como Ederson estava lesionado e não foi inscrito para a competição, Diego usou a camisa 10.