Azul é uma das três cores primárias do modelo de cores RGB (aditivo), assim como do modelo de cores RYB (teoria tradicional das cores). Situa-se entre o violeta e o ciano no espectro da luz visível. O termo azul geralmente descreve as cores percebidas pelos seres humanos ao observarem luz com comprimento de onda dominante entre aproximadamente 450 e 495 nanômetros. O céu límpido durante o dia e o mar profundo parecem azuis em razão de um efeito óptico conhecido como dispersão de Rayleigh. Um efeito óptico denominado efeito Tyndall explica os olhos azuis. Objetos distantes parecem mais azuis devido a outro efeito óptico, chamado perspectiva atmosférica.

O azul é uma cor importante na arte e na decoração desde a Antiguidade. A pedra semipreciosa lápis-lazúli era utilizada no Egito Antigo em joias e ornamentos e, mais tarde, durante o Renascimento, para produzir o pigmento azul ultramarino, o mais caro de todos os pigmentos. No século VIII, artistas chineses usavam azul cobalto para colorir refinadas peças de porcelana azul e branca. Na Idade Média, artistas europeus utilizavam a cor nos vitrais das catedrais. Os europeus vestiam roupas tingidas com o corante vegetal pastel-dos-tintureiros até que este fosse substituído pelo índigo, de qualidade superior, proveniente da América. No século XIX, corantes e pigmentos azuis sintéticos substituíram gradualmente os corantes orgânicos e os pigmentos minerais. O azul-escuro tornou-se uma cor comum nos uniformes militares e, posteriormente, no final do século XX, nos ternos executivos. Como o azul é frequentemente associado à harmonia, foi escolhido como a cor das bandeiras da Organização das Nações Unidas e da União Europeia.Michel Pastoureau, Bleu – Histoire d'une couleur

Nos Estados Unidos e em toda a Europa, o azul é a cor que homens e mulheres têm maior probabilidade de escolher como favorita; pelo menos uma pesquisa recente encontrou o mesmo resultado em vários outros países, entre eles China, Malásia e Indonésia. Pesquisas anteriores realizadas nos Estados Unidos e na Europa constataram que o azul é a cor mais comumente associada à harmonia, confiança, masculinidade, conhecimento, inteligência, calma, distância, infinito, imaginação, frio e tristeza.

Óptica e teoria das cores

O termo azul geralmente descreve as cores percebidas pelos seres humanos ao observarem luz com comprimento de onda dominante entre aproximadamente 450 e 495 nanômetros. Os azuis de frequência mais elevada e, portanto, de menor comprimento de onda apresentam-se gradualmente mais violetas, enquanto os de frequência mais baixa e maior comprimento de onda parecem progressivamente mais cianos. Os azuis mais puros encontram-se no centro desse intervalo, por exemplo, em torno de 470 nanômetros.

Isaac Newton incluiu o azul como uma das sete cores em sua primeira descrição do espectro visível. Ele escolheu sete cores porque esse era o número de notas da escala musical, que acreditava estar relacionada ao espectro óptico. Newton incluiu o anil, tonalidade situada entre o azul e o violeta, como uma cor separada, embora atualmente seja classificada como azul.Arthur C. Hardy and Fred H. Perrin. The Principles of Optics. McGraw-Hill Book Co., Inc., New York. 1932.

Na teoria tradicional das cores, o azul é uma das três cores primárias — vermelho, amarelo e azul —, que podem ser misturadas para formar uma gama razoável de cores, embora o modelo moderno CMY consiga produzir uma gama muito mais ampla. A mistura de vermelho e amarelo forma o laranja; a de amarelo e azul, o verde; e a de azul e vermelho, o roxo. A mistura das três cores primárias produz um marrom-escuro. A partir do Renascimento, os pintores utilizaram esse sistema para criar suas cores (ver RYB).

O modelo RYB já era utilizado na impressão em cores por Jacob Christoph Le Blon em 1725. Posteriormente, os impressores descobriram que poderiam produzir cores mais precisas empregando combinações de tintas ciano, magenta, amarela e preta, aplicadas em chapas separadas e sobrepostas uma a uma sobre o papel. Esse método permitia reproduzir quase todas as cores com precisão razoável.

No círculo cromático HSV, a cor complementar do azul é o amarelo, isto é, uma cor correspondente a uma mistura em partes iguais de luz vermelha e verde. Em um círculo cromático baseado na teoria tradicional das cores (RYB), no qual o azul era considerado uma cor primária, sua cor complementar é o laranja.

LED

Em 1993, LEDs azuis de alto brilho foram demonstrados por Shuji Nakamura, da Nichia Corporation.Iwasa, Naruhito; Mukai, Takashi and Nakamura, Shuji "Light-emitting gallium nitride-based compound semiconductor device" Issue date: 26 November 1996 Paralelamente, Isamu Akasaki e Hiroshi Amano, da Universidade de Nagoya, trabalhavam em um novo desenvolvimento que revolucionou a iluminação por LED.

Nakamura recebeu o Prêmio de Tecnologia do Milênio de 2006 por sua invenção.2006 Millennium technology prize awarded to UCSB's Shuji Nakamura. Ia.ucsb.edu (15 June 2006). Retrieved on 3 August 2019. Nakamura, Amano e Akasaki receberam o Prêmio Nobel de Física de 2014 pela invenção de um LED azul eficiente.

Lasers

Os lasers que emitem na região azul do espectro tornaram-se amplamente disponíveis ao público em 2010, com o lançamento de uma tecnologia barata de lasers díodo de alta potência, com comprimento de onda entre 445 e 447 nm. Antes disso, os comprimentos de onda azuis somente podiam ser obtidos por meio de lasers DPSS, comparativamente caros e ineficientes, mas ainda amplamente empregados por cientistas em aplicações como optogenética, espectroscopia Raman e velocimetria por imagem de partículas, devido à qualidade superior de seus feixes. Os lasers a gás azuis também continuam sendo utilizados com frequência em holografia, sequenciamento de DNA, bombeamento óptico e outras aplicações científicas e médicas.

Tonalidades e variações miniaturadaimagem|alt=Tonalidades de azul identificadas com nomes HSL, RGB e de cores da Web.|Diversas tonalidades de azul identificadas com nomes HSL, RGB e de cores da Web O azul é a cor da luz situada entre o violeta e o ciano no espectro visível. Entre suas tonalidades estão o anil e o azul ultramarino, mais próximos do violeta; o azul puro, sem mistura de outras cores; o azur, uma tonalidade azul mais clara semelhante à cor do céu; o ciano, situado no meio do espectro entre o azul e o verde; e outros tons azul-esverdeados, como o turquesa, o verde-azulado e o água-marinha.

O azul também varia em tonalidade ou matiz: os tons mais escuros contêm preto ou cinza, enquanto os mais claros contêm branco. Entre as tonalidades escuras estão o azul ultramarino, o azul cobalto, o azul-marinho e o azul da Prússia; entre as mais claras estão o azul-celeste, o azur e o azul egípcio (para uma relação mais completa, ver a lista de cores).

Como cor estrutural Na natureza, muitos fenômenos azuis resultam da coloração estrutural, produzida pela interferência entre reflexões provenientes de duas ou mais superfícies de filmes finos, combinada com a refração quando a luz entra nesses filmes e sai deles. A geometria determina que, em certos ângulos, a luz refletida pelas duas superfícies interfira construtivamente, enquanto, em outros, interfira destrutivamente. Assim, surgem diversas cores mesmo na ausência de corantes.

Corantes

Azuis artificiais O azul egípcio, primeiro pigmento artificial, foi produzido no Egito Antigo no terceiro milênio a.C. É obtido pelo aquecimento de areia pulverizada, cobre e natrão. Era usado em pinturas tumulares e objetos funerários para proteger os mortos na vida após a morte. Antes do século XVIII, os corantes azuis empregados em obras de arte eram principalmente baseados no lápis-lazúli e no mineral relacionado azul ultramarino. Um avanço ocorreu em 1709, quando o farmacêutico e fabricante de pigmentos alemão Johann Jacob Diesbach descobriu o azul da Prússia. O novo azul surgiu de experimentos que envolviam o aquecimento de sangue seco com sulfetos de ferro e foi inicialmente denominado Berliner Blau. Em 1710, já era utilizado pelo pintor francês Antoine Watteau e, posteriormente, por seu sucessor, Nicolas Lancret. Tornou-se extremamente popular na fabricação de papel de parede e, no século XIX, foi amplamente utilizado por pintores impressionistas franceses.Michel Pastoureau, Bleu – Histoire d'une couleur, pp. 114–16 A partir da década de 1820, o azul da Prússia foi importado pelo Japão através do porto de Nagasaki. Era chamado bero-ai, ou azul de Berlim, e tornou-se popular porque não desbotava como o pigmento azul tradicional japonês ai-gami, produzido a partir da trapoeraba. O azul da Prússia foi utilizado tanto por Hokusai, em suas pinturas de ondas, quanto por Hiroshige.Roger Keyes, Japanese Woodblock Prints: A Catalogue of the Mary A. Ainsworth Collection, R, Allen Memorial Art Museum, Oberlin College, 1984, p. 42, plate #140, p. 91 and catalogue entry #439, p. 185. for more on the story of Prussian blue in Japanese prints, see also the website of the Victoria and Albert Museum, London.

Em 1799, o químico francês Louis Jacques Thénard produziu um pigmento sintético de azul cobalto que se tornou extremamente popular entre os pintores.

Em 1824, a Societé pour l'Encouragement d'Industrie, na França, ofereceu um prêmio pela invenção de um azul ultramarino artificial capaz de rivalizar com a cor natural produzida a partir do lápis-lazúli. O prêmio foi conquistado em 1826 pelo químico Jean Baptiste Guimet, que se recusou a revelar a fórmula da cor. Em 1828, outro cientista, Christian Gmelin, então professor de química em Tübingen, descobriu o processo e publicou sua fórmula. Isso deu início a uma nova indústria de fabricação de azul ultramarino artificial, que posteriormente substituiu quase por completo o produto natural.Maerz and Paul (1930). A Dictionary of Color New York: McGraw Hill p. 206

Em 1878, a empresa química e de corantes alemã Badische Anilin- und Soda-Fabrik (BASF), dirigida pelo químico Adolf von Baeyer, sintetizou o índigo.Clarkson, Philip S. Indigo MLB: a Handbook of the Practical Application of Synthetic Indigo. New York: H.A. Metz & co., 1904. O produto substituiu rapidamente o índigo natural, eliminando vastas plantações dedicadas a seu cultivo. Atualmente, é o azul dos jeans. Com o avanço da química orgânica, foi descoberta uma sucessão de corantes azuis sintéticos, entre eles o azul de indantrona, ainda mais resistente ao desbotamento durante a lavagem ou sob a luz solar, e a ftalocianina de cobre. O trabalho da BASF com o azul de indantrona foi um subproduto de seus 17 anos de pesquisa sobre a síntese do índigo e da versão "Indigo Pure BASF", que seria produzida comercialmente antes de o azul de indantrona se tornar mais popular.

Corantes para tecidos e alimentos O pastel-dos-tintureiros e a anileira-verdadeira eram utilizados no passado, mas, desde o início do século XX, todo o índigo é sintético. Produzido em escala industrial, o índigo é o azul dos jeans. Os corantes azuis são compostos orgânicos, tanto sintéticos quanto naturais.

Em alimentos, o corante triarilmetano azul brilhante FCF é utilizado em doces. Prossegue a busca por corantes azuis naturais e estáveis adequados à indústria alimentícia.

Diversos alimentos com sabor de framboesa são tingidos de azul. Isso foi feito para diferenciá-los dos alimentos com sabor de morango, melancia e cereja. A empresa ICEE utilizou o Azul n.º 1 em seus produtos ICEE de framboesa azul.

Pigmentos para pintura e vidro