Álvaro Vaz de Almada ou Álvaro Vasques de Almada KG (1390 - 20 de Maio de 1449), valido do infante D. Pedro,Os Privilégios e os Abusos da Nobreza em um Período de Transição: o reinado de D. Afonso v em Portugal (1448- 1481), por Renata Cristina de Sousa Nascimento, Doutoramento em História na linha de pesquisa: Cultura e Poder, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil, 2005, nota da p. 58 e seu conselheiro régioMonumenta Henricina Volume VII (1439-1443), UC Biblioteca Geral, pág. 109, foi o primeiro conde de Abranches (no original francês Avranches, mas, sempre dito Abranches em Portugal, nomeadamente na carta de reconhecimento do título. Ainda assim é possível encontrá-lo em escritos antigos como Davarans<ref>[https://archive.org/details/brasesdasalade03braauoft/page/270/mode/2up Anselmo Braamcamp Freire, «Brasões da Sala de Sintra», livro terceiro, pág. 270, Imprensa da Universidade, Coimbra, 11 de Março de 1930]</ref> ou AbranxesD. Afonso V confirma o contrato de casamento entre Martinho de Ataíde e Catarina de Castro., Lisboa – 28 de janeiro de 1452, Referência: Torre do Tombo, Chancelaria de D. Afonso V, livro 12, fls. 7-7v, Aristocracia, parentesco e reprodução social em Portugal no final da Idade Média, Miguel Pereira Aguiar, 2021, Volume 1 de anexos, Doc. 12 e até no estrangeiro como Branches, sem o A inicial.)

Foi dos únicos estrangeiros que não da realeza a ser agraciado cavaleiro da Ordem da Jarreteira, a mais nobre ordem da Inglaterra,Hugh E.L. Collins, The Order of the Garter, 1348-1461: Chivalry and politics in Late Medieval England, Oxford : Clarendon Press, 2000 preenchendo o lugar por morte do 1º duque de Somerset.A diplomacia no reinado de D. João I – breve reflexão sobre os oiciais de armas, por Maria Alice Pereira dos Santos, Estudos de Heráldica Medieval, Caminhos Romanos, Lisboa, 2012, pág. 203

É considerado dos últimos a usar o reduzido título medieval de rico-homem em PortugalOs Privilégios e os Abusos da Nobreza em um Período de Transição: o reinado de D. Afonso v em Portugal (1448- 1481), por Renata Cristina de Sousa Nascimento, Doutoramento em História na linha de pesquisa: Cultura e Poder, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil, 2005, p. 58 e, fazendo parte do Concelho Régio, exerceu o lugar de Capitão-mor do Reino e do Mar,Monumenta Henricina Volume VII (1439-1443), UC Biblioteca Geral, notas a partir de 23 de Junho de 1423 por D. João INomeado Álvaro Vasques de Almada como «capitam moor da nossa afrota polla guiza que o era Gonçalo Tenreiro no tempo d'el rei D. Fernando e per guiza que o foi Affomso Furtado em nosso tempo» - Os Furtado de Mendonça portugueses. Ensaio sobre a sua verdadeira origem, por Manuel Abranches de Soveral e Manuel Lamas de Mendonça, Setembro de 2004 e confirmado pelo filho D. Duarte I de Portugal em 5 de Julho de 1434.Crimes do Mar e Justiças da Terra, Luís Miguel Duarte, Revista da Faculdade de Letras, pág. 61 Em 4 de Abril de 1440, foi nomeado Alcaide-mor da capital, Lisboa.Anselmo Braamcamp Freire, «Brasões da Sala de Sintra», livro terceiro, pág. 270-273, Imprensa da Universidade, Coimbra, 11 de Março de 1930.Monumenta Henricina Volume VII (1439-1443), UC Biblioteca Geral, pág. 91 e 109

É reconhecido, nas antigas descrições e pelos historiadores, que terá sido o maior amigo do Infante D. Pedro e que o acompanhou a várias cortes estrangeiras. Assim como, tudo faz indicar que terão lá combatido juntos, contra "os turcos", auxiliando o imperador Segismundo da Hungria,António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal, na Off. de Valentim da Costa Deslandes, 1708, pág. 60 na defesa das fronteiras da Europa e contribuindo fortemente para que se fizessem várias alianças com o seu país, o reino de Portugal.

Pode-se dizer que ele «encarnou» completamente o espírito de cavalaria medieval, que se ainda vivia na época no Ocidente e não só, e através da sua vida podemos ver o muito que ela continha. Isso na forma de pensar, pelo que se debateu e como agiu nas várias circunstâncias, e como os outros reagiram.

É recordado no canto IV, estrofe 25, d´Os Lusíadas». Simplesmente, como Camões abordava aí a sua presença na Batalha de Aljubarrota, não podia ser pois era demasiado novo nessa altura, sim seu pai e seu tio Álvaro Vasques de Almada lá citado. Esquecendo-se depois de o referenciar no canto VI, por ter sido um dos Doze de Inglaterra- Portugueses que ficaram famosos por terem sido campeões num torneio contra o mesmo número de cavaleiros britânicos que tinham ofendido as respectivas doze damas inglesas que tinham sido ultrajadas pelos segundos. O seu bom relacionamento com esse competitivo ambiente deveria ser grande e encontramos-lo como sendo um dos cavaleiros que foi receber o famoso cavaleiro vascão Jacques de Lalaing, com a insigne Ordem do Tosão de Ouro, ao serviço do Duque de Borgonha a Portugal.D. João I e a Aliança Inglesa, pelo Conde de Vila Franca, 2.ª Edição, Lisboa, 1950, nota

É igualmente referido no «Ulyssippo: poema heróico», de António de Sousa de Macedo, na seguinte forma. "Nesse trono de luz, que tanto cresce/Que em resplendores de luz própria esconde,/Álvaro Vaz de Almada resplandece/A quem seu braço fez de Abranches conde/".Ulyssippo: poema heroico, por António de Sousa de Macedo, Typographia Rollandiana, 1848, pág. 252

Muito mais tarde, em 1907, o republicano António José de Almeida adoptava, na loja maçônica Montanha, o nome simbólico de Álvaro Vaz de Almada.A. H. de Oliveira Marques, «Dicionário de Maçonaria Portuguesa», Vol. I, A-I, Editorial Delta, Lisboa, 1986, pág. 43

Teria como seu mote ou divisa o ímpeto «L' ARDENT DÉSIR» (Desejo Ardente), segundo refere o vianense Luís Figueiredo da Guerra, reconhecido arqueólogo e investigador de história local, numa carta de Abril de 1917, existente no cartório da Casa Almada que está hoje no Paço de Lanheses. Ou então teria antes o ímpeto «NIL TEMERE, NEE TIMORE" (Nada Temer) segundo entra na peça de teatro de Jacinto Heliodoro Loureiro ou ainda «LE PORTERAI FOI!» (Vou Aguentar) na poesia de Teófilo Braga, no decorrer do famoso torneio dos Doze de Inglaterra.Imagologia e Mitos Nacionais - O Episódio dos Doze de Inglaterra na Literatura Portuguesa (c. 1550-1902) e o Nacionalismo (Colonial) de Teófilo Braga, por Rogério Miguel Puga, Caleidoscópio – Edição e Artes Gráficas, SA, Lisboa e Goa, , pág. 156

O investigador Giuseppe Grilli deduziu que uma das míticas personagens mais importantes do romance épico e cavalheiresco Tirant lo Blanch, lá referida como Visconde Branches, seria uma mistura da representação de D. Álvaro e o seu filho mais velho, que andou por aquelas paragens aragonesas do seu autor.El Persiles desde la Ingenuidad, por Giuseppe Grilli, Edizioni Nuova Cultura, 30/4/2018, pág. 82 e 84

Igualmente, segundo alguns historiadores de arte é uma das personagens representadas num dos "Painéis de São Vicente de Fora" e para uns desses é naquele que é chamado de "Painel do Arcebispo (Painéis de São Vicente de Fora)"Os Painéis em Memória do Infante D. Pedro (Um estudo sobre os Painéis de S. Vicente de Fora), por Clemente Baeta, editado por Bubok Publishing S.L., Dezembro 2012, Registo IGAC: 5470/2012, ISBN Papel: 978-84-686-3045-8, pág. 33As Envolvências dos Painéis, por Clemente Baeta, Publishing S.L, 2016, pág. 42 ou no "Painel da Justificação", assim chamado por Vitorino de Magalhães Godinho.Os painéis de Nuno Gonçalves. Caminhos de pesquisa e hipóteses de trabalho, por Vitorino de Magalhães Godinho - Revista de História, 1959, pág. 151.

Biografia thumb|left|Nota bancária de 5 escudos de 1925 com o retrato de D. Álvaro Vaz de Almada Em uma idade precoce, Álvaro acompanhou seu pai ao Reino da Inglaterra. Ambos disseram ter lutado na Guerra dos Cem Anos e construiu um relacionamento com Henrique V de Inglaterra, antes de retornar a Portugal no início de 1415.

Por essa altura, estando ainda em Londres,Monumenta Henricina Volume I, UC Biblioteca Geral 1, 1969, pág. 123 e 124 primeiro o Almada pai recebeu autorização do rei inglês para levar para o rei de Portugal 400 lanças, enquanto, meses depois será o seu filho que obteve autorização para levar mais 350 lanças com o mesmo fim.A Campanha Militar de Ceuta (1415) Revisitada, pir João Gouveia Monteiro, Revista de História da Sociedade e da Cultura vol. 17, Universidade de Coimbra, 2.06.2019, pág. 71 Isso deve-se à preparação da Conquista de Ceuta, onde esse armamento foi usado, na qual ambos terão participado e Álvaro terá ficado a servir durante uns anos.O historiador Santos Cruz refere-se a ele na sua lista de "Os Nobres que Permaneceram e Serviram em Ceuta: 1415-1437" - . A nobreza portuguesa em Marrocos no século XV (1415-1464), por Abel dos Santos Cruz, Dissertação de Mestrado em História Medieval apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Porto, 1995, pág. 70 - repositorio-aberto.up.pt

Mais tarde terá feito parte do grupo que acompanhou o infante D. Pedro, Duque de Coimbra, na longa viagem que este efectuou pela Europa e que terminou em 1428.Os Painéis em Memória do Infante D. Pedro (Um estudo sobre os Painéis de S. Vicente de Fora), por Clemente Baeta, editado por Bubok Publishing S.L., Dezembro 2012, Registo IGAC: 5470/2012, ISBN Papel: 978-84-686-3045-8, pág. 34

Nesse mesmo ano, na qualidade de testemunha, assiste ao casamento do seu grande amigo infante com D. Isabel de Urgel, em Alcolema, em AragãoConselho, e voto da Senhora Dona Felippa filha do Infante Dom Pedro, sobre as terçarias, & guerras d... : com huma breve noticia desta Princesa... / escritta por o Doctor Fr. Francisco Brandão... - Em Lisboa : na Officina de Lourenço de Anveres, 1643, pág. 19.

Em 4 de Julho de 1436, o rei D. Duarte tinha enviado uma missiva a ele, D. Álvaro capitão-mor e enquanto Couteiro-mor do termo de Lisboa, limitando-lhe o número de couteiros de perdizes em Lisboa em seis.Arquivo Histórico, Livro I de Místicos de Reis, doc. 16 - Catálogo dos Documentos de D. Duarte (1433-1438)- Arquivo Municipal de Lisboa

Em 23 de Julho de 1437 partiu no comando da frota de navios e duma das alas do exército para a desastrosa tentativa de conquista de Tânger e aí, juntamente com o marechal da expedição,A Batalha de Tânger, por Frederico Mendes Paula, in Histórias de Portugal em Marrocos, 26 de Fevereiro de 2014 Vasco Fernandes Coutinho e futuro conde de Marialva, cobriu depois de pé a retirada que os portugueses se viram forçados, para que todos que estavam com ele pudessem embarcar salvos.Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 16. Apesar de ferido num braço em combate, logo no regresso fez um relato do que lá se passou, ao rei D. Duarte e ao infante D. Pedro. Será depois na qualidade de capitão-mor do mar que com ele, futuro conde de Marialva, mais os infantes D. Fernando e D. Henrique, assim como com o conde de Arraiolos, que assinará as chamadas estipulações de Tânger, na sequência do desastre das tropas portuguesas.DA DIGNIDADE DE MARECHAL E DOS SEUS TITULARES EM PORTUGAL ATÉ AO SÉC.XVII, por Fernando Larcher, Nota Sumária, 2012