Os Sete Samurais (, Shichinin no Samurai) é um filme épico chanbara japonês de 1954, dirigido por Akira Kurosawa a partir de um roteiro coescrito com Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni. Ambientado em 1586, no período Sengoku, o longa-metragem conta a história de uma aldeia de fazendeiros desesperados que buscam contratar samurais para combater bandidos que retornam após a colheita para tentar roubar suas plantações.

Na época, o filme era o mais caro feito no Japão. Levou um ano para ser filmado e enfrentou muitas dificuldades, sendo então o segundo longa-metragem de maior bilheteria em terras japonesas em 1954. Muitas críticas o compararam as obras de faroestes dos anos 50.

Os Sete Samurais é atualmente considerado um dos maiores e mais influentes filmes da história do cinema. Desde o seu lançamento, tem consistentemente se classificado em listas de melhores filmes da crítica, como as pesquisas Rotten Tomatoes, Sight & Sound e do BFI. Também foi eleito o maior longa-metragem estrangeiro de todos os tempos na pesquisa da crítica internacional da BBC de 2018. Os Sete Samurais é considerado um dos roteiros e temática mais "refeitos, retrabalhados e referenciados" da história do cinema.

Enredo Em 1586, uma gangue de bandidos discute invadir uma aldeia nas montanhas, mas seu chefe decide esperar até depois da colheita para conseguir uma colheita melhor. Os aldeões ouvem isso e recorrem a Gisaku, o ancião e moleiro da aldeia. Como o magistrado local é inútil, Gisaku planeja contratar samurais para proteger a aldeia. Como eles não têm dinheiro e só podem oferecer comida como pagamento, Gisaku aconselha os aldeões a encontrarem samurais pobres.

Viajando para uma cidade próxima, os aldeões encontram Kambei, um rōnin idoso, porém experiente , que eles veem resgatando um jovem de um ladrão. Um jovem samurai chamado Katsushirō pede para se tornar discípulo de Kambei. Os aldeões pedem a ajuda de Kambei, e ele concorda relutantemente. Então acaba recrutando seu velho companheiro de armas Shichirōji, juntamente com Gorobei, Heihachi e Kyūzō, um mestre espadachim taciturno a quem Katsushirō olha com admiração. Kikuchiyo também acaba sendo aceito também após tentativas frustradas de o afastar.

Ao chegarem à aldeia, os samurais e os agricultores começam lentamente a confiar uns nos outros. Katsushirō conhece Shino, a filha de um agricultor disfarçada de menino pelo pai, e inicia um relacionamento com ela, apesar de saber que a diferença de classes sociais os impede. Mais tarde, os samurais se enfurecem quando Kikuchiyo lhes traz armaduras e armas, as quais os aldeões adquiriram matando outros samurais feridos ou fugindo da batalha. Kikuchiyo retruca, furioso, que eles são responsáveis por grande parte do sofrimento dos agricultores, revelando ser filho órfão de um agricultor.

Kambei arma os aldeões com lanças de bambu, organiza-os em esquadrões e treina-os. Três batedores bandidos são avistados; dois são mortos, enquanto o último revela a localização do acampamento antes que os aldeões o executem. Os samurais incendeiam o acampamento em um ataque preventivo. Rikichi, um aldeão problemático que o ajudam, desaba ao ver sua esposa, que foi sequestrada e transformada em concubina durante um ataque anterior. Ao ver Rikichi, ela corre de volta para uma cabana em chamas para a morte. Heihachi é morto por um tiro ao tentar impedir Rikichi de persegui-la. No funeral de Heihachi, os aldeões entristecidos são fortalecidos por Kikuchiyo, que levanta uma bandeira para representar o falecido e a aldeia.

Quando os bandidos chegam, surpreendem-se com as fortificações da aldeia e incendeiam as cabanas periféricas, incluindo o moinho de Gisaku, cuja família morre tentando salvá-lo, exceto um bebê resgatado por Kikuchiyo. Apesar do cerco, os camponeses, com ajuda dos samurais, repelem os ataques, matando muitos inimigos. Os bandidos possuem três mosquetes; Kyūzō captura um sozinho, e Kikuchiyo, tomado pela inveja, abandona seu posto para pegar outro, permitindo uma invasão que mata fazendeiros e resulta na morte de Gorobei. Kambei prevê um ataque final iminente. Enquanto isso, o romance entre Katsushirō e Shino é revelado, e o pai da jovem a espanca por perder a virgindade, sendo contido pelos demais, que defendem o casal.

Na manhã seguinte, os defensores emboscam os bandidos remanescentes dentro da aldeia; na reta final da batalha, o chefe inimigo mata Kyūzō com um mosquete e é morto por Kikuchiyo, que também morre baleado. Com os bandidos eliminados, Kambei, Katsushirō e Shichirōji refletem diante dos túmulos dos companheiros, enquanto os camponeses retomam suas vidas felizes. Katsushirō e Shino se reencontram, mas ela o ignora para se juntar ao plantio, deixando-o desolado. Kambei conclui que, apesar da vitória, ela pertence aos camponeses, não aos samurais. Elenco Os Sete Samurais

Takashi Shimura como Kambei Shimada (島田勘兵衛, Shimada Kambei), um rōnin cansado das batalhas, mas honrado e estratégico tornando-se e o líder dos sete Yoshio Inaba como Gorōbei Katayama (片山五郎兵衛, Katayama Gorōbei), um arqueiro habilidoso, que atua como o segundo em comando de Kambei e ajuda a criar o plano mestre para a defesa da vila Daisuke Katō como Shichirōji (七郎次), amigo e ex-tenente de Kambei Seiji Miyaguchi como Kyūzō (久蔵), um espadachim sério Minoru Chiaki como Heihachi Hayashida (林田平八, Hayashida Heihachi), um lutador amável, embora menos habilidoso, cujo charme e inteligência mantêm o moral de seus companheiros diante da adversidade Isao Kimura como Katsushirō Okamoto (岡本勝四郎, Okamoto Katsushirō), o filho não treinado de um samurai rico e proprietário de terras, que Kambei relutantemente aceita como discípuloToho Masterworks. Akira Kurosawa: It Is Wonderful to Create (DVD) (em Japonês). Toshiro Mifune como Kikuchiyo (菊千代) , um patife bem-humorado, volúvel e temperamental que mente sobre ser um samurai, mas eventualmente prova seu valor, bravura e desenvoltura.

Aldeões

Yoshio Tsuchiya como Rikichi (利吉), um aldeão impetuoso Bokuzen Hidari como Yohei (与平), um velho tímido Yukiko Shimazaki como a esposa de Rikichi Kamatari Fujiwara como Manzō (万造), um fazendeiro que disfarça sua filha de menino para tentar proteger ela dos samurais Keiko Tsushima como Shino (志乃), a filha de Manzō Kokuten Kōdō como Gisaku (儀作), o patriarca da aldeia, conhecido como "Vovô" Yoshio Kosugi como Mosuke, um dos fazendeiros enviados à cidade para contratar o samurai

Outros

Shinpei Takagi como o chefe dos bandidos Shin Otomo como o bandido em segundo lugar no comando Haruo Nakajima como um bandido batedor morto por Kyūzō Eijirō Tōno como um ladrão Atsushi Watanabe como o vendedor de pão Toshio Takahara como Samurai com uma arma Jun Tatara como um coolie Sachio Sakai como um coolie Takeshi Seki como um coolie Tatsuya Nakadai (não creditado) como um samurai vagando pela cidade Produção Roteiro O diretor Akira Kurosawa originalmente queria dirigir um filme sobre um único dia na vida de um samurai. Mais tarde, no decorrer de sua pesquisa, ele descobriu uma história sobre samurais defendendo agricultores. De acordo com o ator Toshiro Mifune, o filme seria originalmente chamado de Six Samurai com Mifune interpretando o papel de Kyūzō. Durante o processo de escrita do roteiro que durou seis semanas, Kurosawa e seus roteiristas perceberam que "[uma história sobre] seis samurais sérios eram um tédio - eles precisavam de um personagem que fosse mais excêntrico".Toshiro Mifune interview (Pamphlet). The Criterion Collection. 25 de Agosto de 1993. O diretor então trocou a personalidade do papel de Mifune e permitiu licença criativa para ele incluir improvisações. Enquanto o script era escrito os roteiristas foram proibidos de receberem visitas ou telefonemas.

Kurosawa e os escritores foram inovadores ao refinar o tema da reunião de personagens heróicos para realizar uma missão. De acordo com o comentário do DVD do historiador Michael Jeck, Os Sete Samurais foi um dos primeiros filmes a usar o elemento de enredo agora comum do recrutamento e reunião de heróis em uma equipe para atingir um objetivo específico, um dispositivo usado em obras posteriores como A Bug's Life (1998). O crítico Roger Ebert especula em sua crítica que a sequência que apresenta o líder Kambei (na qual o samurai raspa seu topete, um sinal de honra entre eles, para se passar por um monge para resgatar um menino de um sequestrador) pode ser a origem da prática, agora comum em filmes de ação, de apresentar o herói principal com um elemento não relacionado ao enredo principal.

Outros recursos de enredo, como o herói relutante, o romance entre uma mulher local e o protagonista jovem e o nervosismo dos cidadãos comuns com isto, já haviam aparecido em outros longa-metragem antes deste, mas foram todos combinados em Os Sete Samurais. Cenografia Kurosawa recusou-se a filmar a aldeia camponesa nos estúdios da Toho e mandou construir um cenário cenográfico completo em Tagata na Península de Izu em Shizuoka. Embora o estúdio tenha protestado contra o aumento dos custos de produção, o diretor foi inflexível ao afirmar que "a qualidade do cenário influencia a qualidade das atuações dos atores [...] Por esta razão, mando fazer os cenários exatamente como os reais. Isso restringe a filmagem, mas incentiva aquele sentimento de autenticidade". Ele também falou do "trabalho intenso" de fazer o longa-metragem: "Chovia o tempo todo; não tínhamos cavalos suficientes. Era exatamente o tipo de filme impossível de fazer neste país". Filmagem

Antes de seu lançamento, o filme já havia se tornado um tópico de ampla discussão. Após três meses de pré-produção, foram 148 dias de filmagem distribuídos ao longo de um ano — quatro vezes o período coberto pelo orçamento original, que acabou chegando a quase meio milhão de dólares. A Toho encerrou a produção pelo menos duas vezes. Em cada uma delas, Kurosawa argumentava contra a decisão afirmando que o estúdio já havia investido pesadamente na produção e a única solução era concluir as filmagens. A cena final de batalha do longa-metragem, originalmente programada para ser realizada no fim do verão, foi filmada em fevereiro com temperaturas ambiente quase congelantes. Mifune comentou posteriormente que nunca havia sentido tanto frio em sua vida.

Durante as filmagens da sequência em que os samurais chegam à vila, Kurosawa preparou uma tomada no topo da montanha, de onde a vila podia ser vista no vale. Para que isso funcionasse como uma tomada noturna, a equipe passou o dia inteiro se preparando para ela, mas o cinegrafista Asakazu Nakai e o diretor acabaram se debatendo de quando começar a cena, olhando para a luz através do visor da câmera. Apesar de passar o dia inteiro se preparando, a hesitação de Nakai em começar a filmar fez com que o sol se pusesse e por consequência, não fosse filmada.

Por causa da liberdade criativa fornecida pelo estúdio, Kurosawa fez uso de lentes telefoto que eram raras em 1954, bem como multicâmaras as quais permitiram que a ação preenchesse a tela e colocasse o público bem no meio dela. "Se eu tivesse filmado no método tradicional cena a cena, não havia garantia de que qualquer ação pudesse ser repetida exatamente da mesma maneira duas vezes." Ele achou isso muito eficaz e mais tarde o usou em longa-metragem menos focados em ação. Seu método era colocar uma câmera na posição de filmagem mais ortodoxa, outra câmera para tomadas rápidas e uma terceira câmera "como uma espécie de unidade de guerrilha". Esse método resultou em filmagens muito complicadas, para as quais Kurosawa criou a coreografia do movimento de todas as três câmeras usando diagramas.

A coreografia das artes marciais de Os Sete Samurais foi conduzida por Yoshio Sugino, do Tenshin shōden Katori shintō-ryū. Inicialmente, Junzo Sasamori, do Ono-ha Ittō-ryū, trabalhou com Sugino, mas ele foi convidado pelo Ministério da Educação para lecionar na Europa durante a produção.

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