Os Crotalíneos (Crotalinae) por vezes chamados de crotalídeos e pelo nome vulgar de cobra-covinha ou víboras-de-fosseta Mehrtens JM (1987). Living Snakes of the World in Color. New York: Sterling Publishers. 480 pp. .Sometimes spelled "pitvipers" – Campbell & Lamar, 2004 são uma subfamília de serpentes peçonhentas pertencentes á família dos Viperídeos. No passado essas víboras costumavam ser classificadas numa família própria: Crotalidae. Entretanto, atualmente a monofilia dos viperíneos e os crotalíneos é bem estudada, com ambos tratados como subfamílias de Viperidae, respectivamente. Atualmente a subfamília é representada por 23 gêneros e cerca de 155 espécies reconhecidas. Como os demais viperídeos, são considerados animais de interesse médico, sendo importantes causadoras de acidentes ofídicos ao longo de sua faixa de ocorrência.
Os crotalídeos variam bastante em tamanho, desde a diminuta víbora-de-nariz-corcunda (Hypnale hypnale), que cresce até um comprimento total de 30–45 cm até o porte soberbo da surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta), conhecida por atingir um comprimento total máximo de 3,65 m.Campbell JA, Lamar WW (2004). The Venomous Reptiles of the Western Hemisphere. Ithaca and London: Comstock Publishing Associates. 870 pp., 1,500 plates. .
Os crotalíneos distinguem dos demais viperídeos porque todos os membros desta subfamília partilham uma sinapomorfia em comum – um orifício externo profundo na região loreal, entre o olho e a narina, em cada lado da cabeça denominado fosseta loreal sendo órgãos detectores térmicos de radiação infravermelha extremamente sensíveis, que as auxilia a localizar e talvez até mesmo avaliar o tamanho de potenciais presas endotérmicas das quais se alimentam. Outra carcaterísticas única é a presença de um músculo especializado para inoculação de peçonha, chamado muscularis pterigoidius glandulae, localizado entre a glândula de veneno e o ectopterigóide. A contração deste músculo, juntamente com a do músculo muscularis compressor glandulae, ejeta o veneno para fora da glândula.
Evolução Os restos fósseis mais antigos conhecidos de crotalíneos são do início do Mioceno do Nebraska, EUA. Hipotetiza-se que os crotalíneos tenham uma origem asiática antes de, eventualmente, se expandirem e colonizarem as Américas. Durante o final do Mioceno, crotalíneos chegaram até o leste da Europa, onde atualmente não são mais encontrados.
Distribuição geográfica e habitat Crotalíneos são ocorrem na América e regiões da Ásia. Na Ásia, ocorrem no Japão, Taiwan, Indonésia, Índia peninsular, Nepal e Sri Lanka. Na América, os crotalíneos ocorrem a partir do sul do Canadá e extendem seu alcance até o extremo sul da Argentina. São os únicos viperídeos americanos.McDiarmid RW, Campbell JA, Touré T (1999). Snake Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference, Volume 1. Washington, District of Columbia: Herpetologists' League. 511 pp. (series). (volume).
Ao longo de sua ditribuição, habitam uma ampla gama de ambientes que variam de desertos áridos (ex: Crotalus cerastes, Crotalus scutulatus) a florestas tropicais (ex: Lachesis, Bothriechis, Bothrops,Trimeresurus) e de altitude (ex: Atropoides, Cerrophidion,Tropidolaemus,Gloydius). Podem ser arborícolas ou terrícolas, e pelo menos uma espécie, Agkistrodon piscivorus, é semiaquática. O recorde de altitude é compartilhado por Crotalus triseriatus, no México, e Gloydius strauchi na China, ambos encontrados a mais de 4.000 m acima do nível do mar.
Comportamento A maioria dos crotalíneos tem hábitos crepusculares e noturnos, preferindo evitar altas temperaturas diurnas e caçar quando suas presas favoritas também estão ativas no mesmo período, embora também existam espécies com maior atividade diurna. Sendo predadores de emboscada, os crotalíneos normalmente esperam pacientemente em algum local que uma presa potencial utilize. Pelo menos uma espécie, a arborícola Gloydius shedaoensis da China, é documentada por selecionar um local específico de emboscada e retornar a ele todos os anos a tempo da migração de primaveril das aves. Estudos indicam que as serpentes desta espécie aprendem a calibrar a precisão de seus ataques ao longo do tempo.Richard Shine, Sun L, Kearney M, Fitzgerald M (2002). "Why do Juvenile Chinese Pit-Vipers (Gloydius shedoaensis) Select Arboreal Ambush Sites?" Ethology 108: 897–910. ISSN 0179-1613. PDF at University of Sydney School of Biological Sciences Acredita-se também que as fossetas sensíveis ao calor das cobras auxiliem na localização de áreas mais frescas para descanso.
Reprodução Com poucas exceções, os crotalíneos são majoritariamente vivíparos, o que significa que os embriões se desenvolvem no interior do corpo materno até que os filhotes estejam prontos para eclodir, quando emergem como jovens funcionalmente independentes. Dentre os gêneros ovíparos estão Lachesis, Deinagkistrodon, Calloselasma, Ovophis, Protobothrops e algumas espécies dogênero Trimeresurus. O tamanho das ninhadas varia de dois filhotes para espécies muito pequenas, até 80 para a jararaca Bothrops atrox, que está entre as serpentes vivíparas mais prolíficas. Jovens crotalíneos têm caudas de cores vivas que contrastam dramaticamente com o resto do corpo. Sabe-se que essas caudas são usadas por várias espécies em um comportamento conhecido como engodo caudal; as cobras jovens fazem movimentos vermiformes com suas caudas para atrair presas desavisadas até o raio de ataque.Sazima, I. 1991. Caudal luring in two neotropical pitvipers, Bothrops jararaca and B. jararacussu. Copeia, 1991:245‑248. . Em certas espécies, principalmente arborícolas, os adultos retêm a coloração e o comportamento de engodo caudal Greene, H. W. 1973. Defensive tail display by snakes and amnphisbaenians. J. Herpetol. 7:143- 161. J. A. CAMPBELL. 1972. Notes on the use of caudal lures by arboreal green pit vipers. Herpetologica 28:32-34.Andrade, D. V., Marques, O. A., Gavira, R. S., Barbo, F. E., Zacariotti, R. L., & Sazima, I. (2010). Tail luring by the golden lancehead (Bothrops insularis), an island endemic snake from south-eastern Brazil. South American Journal of Herpetology, 5(3), 175-180.
Géneros Agkistrodon Palisot de Beauvois, 1799 Atropoides Werman, 1992 Bothriechis Peters, 1859 Bothrocophias Gutberlet & Campbell, 2001 Bothrops Wagler, 1824 Calloselasma Cope, 1860 Cerrophidion Campbell & Lamar, 1992 Crotalus Linnaeus, 1758 Deinagkistrodon Gloyd, 1979 Garthius Malhotra & Thorpe, 2004 Gloydius Hoge & Romano-Hoge, 1981 Hypnale Fitzinger, 1843 Lachesis Daudin, 1803 Metlapilcoatlus Campbell, Frost & Castoe, 2019 Mixcoatlus Jadin, Smith & Campbell, 2011 Ophryacus Cope, 1887 Ovophis Burger, 1981 Porthidium Cope, 1871 Protobothrops Hoge & Romano-Hoge, 1983 Sistrurus Garman, 1883 Trimeresurus Lacepede, 1804 Tropidolaemus Wagler, 1830
Ver também
Trimeresurus albolabris
Ver também Instituto Butantan
Ligações externas Instituto Butantan
Categoria:Crotalíneos