Lavra é uma vila portuguesa do Município de Matosinhos que é sede da Freguesia de Lavra que tem 12km² de área e 10 033 habitantes (2011).
A Freguesia de Lavra foi extinta em 2013 no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada às freguesias de Perafita e Santa Cruz do Bispo para formar a União das Freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo.Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 17 de março de 2014. Mas em 14 de março de 2025, as freguesias agregadas foram repostas às suas características iniciais pela lei n.º 25-A/2025, pelo que a Freguesia de Lavra foi de novo reposta.
Por seu lado, a povoação de Lavra foi elevada à categoria de vila em 2003.
Etimologia Tratando-se apenas de uma hipótese proposta pelo Dr. Alberto Sampaio, registada na revista Portugália, a palavra Lavra pode ter surgido de La-abra (que significa: a abra, a angra, o pequeno porto) tendo-se obtido labra e que posteriormente evoluiu para Lavra.
História Os mais antigos vestígios de presença humana na freguesia são datáveis do segundo milénio a.C.. Trata-se de fossas escavadas no solo da Idade do Bronze, confirmando a importância da região, tanto na Pré-História como na Antiguidade Clássica e Idade Média. Estes vestígios juntam-se a outros já identificados numa sondagem de 2004 junto à Igreja Paroquial que poderão remontar ao terceiro milénio a.C.. Existem ainda vestígios de antas, em particular junto à Igreja Paroquial e no lugar de Antela, que lhes toma o topónimo. Já nas inquirições feitas na compilação das Memórias Paroquiais de 1758, se destacava a presença dessas sepulturas na região:
Regista-se também a presença povoados fortificados dos períodos da Idade do Ferro e romano.
Com a conquista da Península por Augusto e a divisão que impôs à Hispânia, Lavra ficou integrada na província romana de Terraconense. Pela primeira vez, o domínio romano, nas suas mais variadas vertentes, se impôs neste território. É uma realidade nova que se começa a construir num território que, durante séculos, fora vivendo em povoados dispersos e onde o coletivismo era a forma de organização interna dominante nesses mesmos povoados. Os romanos criaram a indústria do garum, da salga do peixe, a qual é conhecida pela arqueologia. Também pela toponímia local (ainda hoje visível nos vários lugares da vila), pode concluir-se que Lavra foi uma importante vila rural romana, chamada vila labra.
No Catálogo dos Bispos do Porto, regista-se que no ano de 1287, a Igreja do Salvador de Lavra era pertença do Mosteiro de Santo Tirso, da Ordem de São Bento.da Cunha 1878, pp. 101-102. «Na Era de 1325. anno de Christo 1287. deu o Bispo po D. Viçẽte liçença ao Abbade do mosteiro de Santo Tirso, pera que nas suas Igrejas do Saluador da Laura, S. Lourēço de Armes, Sāta Maria de Villar, o Saluador de Folgoza, & S. Martinho de Couellas, pudessẽ aprezẽtar Abbades adnutũ Regulares, ou seculares, os quaes gastariaõ as rendas destas Igrejas, por ordẽ do Abbade do mesmo mosteiro, (...).» Certas fontes indicam inclusive a existência de um mosteiro desta ordem beneditina, o Mosteiro de S. Salvador de Lavra.
Regista-se ainda que em 1623, a freguesia do Salvador de Lavra registava 510 pessoas em comunhão e 92 menores, sendo comenda da Ordem de Cristo.da Cunha 1878, p. 328. «O Saluador da Laura. Tem o fantissimo Sacramẽto. De comunhao 510. pessoas, menores 92. He Comenda de Chrifto Rende duzētos mil reis. Vigairaria.»
Lavra foi também importante no período de restauração do Liberalismo em Portugal, nomeadamente nas Guerras Liberais (1828 - 1834), sendo palco do desembarque do rei D. Pedro IV na Praia dos Ladrões, em Pampelido, que, depois desse acontecimento, a 8 de Julho de 1832, se passou a chamar Praia da Memória, conservando um obelisco em memória do desembarque.
A reforma administrativa de 6 de novembro de 1836, retirou Lavra, na altura constituída por 300 fogos, da administração de Leça do Balio e anexou-a ao concelho de Bouças (atual Matosinhos).
A 17 de junho de 1856, o surto de cólera morbus que atacava o país deu entrada no concelho de Bouças, sendo a freguesia de Lavra uma das mais afetadas. Um dos casos registados que acabou por recuperar foi o do médico Manuel Domingues dos Santos. Os depósitos de algas e sargaços usados para adubo foram apontados como causa da propagação da epidemia na vila de Matosinhos, enquanto que em Lavra a presença de terrenos pantanosos facilitaria a presença de febres intermitentes como a febre tifoide que já tinha atacado a freguesia.
A 3 de junho de 1945, quase um mês depois da rendição incondicional da Alemanha Nazi durante a Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-1277 foi afundado ao largo do Cabo do Mundo pela própria tripulação para evitar que este caísse em mãos inimigas. A tripulação abandonou a embarcação em barcos de borracha e chegou à costa com a ajuda de pescadores locais de Angeiras. Os tripulantes foram transferidos para o Forte de São João Baptista da Foz, no Porto, e posteriormente enviados para Inglaterra onde permaneceram prisioneiros durante três anos.
Foi elevada a vila em 1 de Julho de 2003.
Geografia Era a freguesia mais a norte do Município de Matosinhos. Era banhada a oeste pelo oceano Atlântico e fazia fronteira, a norte, com o Município de Vila do Conde, delimitada pelo Rio Onda, com o da Maia a este e a sul com a freguesia de Perafita. Englobava os lugares de Angeiras,Corazzi 1878, p. 117. Antela,Corazzi 1878, p. 136. Avilhoso,Corazzi 1878, p. 263. Cabanelas,Corazzi 1878, p. 603. Lavra, Paiço, Praia de Angeiras e Pampelido.
O relevo é pouco acidentado elevando-se suavemente desde a linha do mar até ao interior. Existem alguns cursos de água que aqui desaguam sendo o mais importante o Rio Onda.
População População da Freguesia de LavraInstituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 1 481 1 685 1 939 2 164 2 452 2 643 2 950 3 733 4 450 5 064 5 944 7 682 8 894 9 408 10 033
Distribuição da População por Grupos Etários Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 2001 1 520 1 383 5 379 1 126 16,2% 14,7% 57,2% 12,0%2011 1 515 944 6 051 1 523 15,1% 9,4% 60,3% 15,2%
Cultura Educação Atualmente, Lavra possuí três escolas de 1.º ciclo e uma de 2.º e 3.º ciclos, sendo esta última a sede do agrupamento. Escola Básica de Agudela Escola Básica de Cabanelas Escola Básica da Praia de Angeiras Escola E.B. 2,3 Dr. José Domingues dos Santos, cujo topónimo provém de José Domingues dos Santos, primeiro-ministro da Primeira República Portuguesa nascido na freguesia.
Património Conjunto de tanques da Praia de Angeiras do período romano, soterrados no areal, com réplicas abertas na rocha para exposição. Mosaico encontrado no Fontão. Obelisco da Memória entre as freguesias de Lavra e Perafita. Importante monumento sobre a história das guerras liberais. Submarino alemão da Segunda Guerra Mundial, U-1277, afundado a 30 metros de profundidade e a 2,5 milhas da costa, acessível a visita por mergulho. A Escola E.B 2,3 Dr. José Domingues dos Santos possuí um museu etnográfico.
Bibliografia Ramos, António Francisco. Lavra. Apontamentos para a sua Monografia. Porto: Imprensa Portuguesa, 1943. Sampaio, Alberto. Estudos Históricos e Económicos "As Vilas do Norte de Portugal". Lisboa: Editora Gráfica Portuguesa, Lda, 1903.
Corazzi, David. Diccionario de Geographia Universal, Tomo I. 1878. Google Books
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