Ageu Elivan Lopes de Azevedo (Monte Alegre, 10 de setembro de 1967), mais conhecido como Ageu ou Ageu Sabiá, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Foi um artilheiro reconhecido no futebol paraense, detendo o recorde de gols por equipes do Estado no Campeonato Brasileiro de Futebol considerando-se todas as divisões do mesmo: foram 37, pelos três principais clubes locais, marcando na ordem por Paysandu, Tuna Luso e Remo). Ageu destacou-se especialmente nos dois últimos, participando dos dois últimos títulos expressivos tunantes (o estadual de 1988, último do clube, e a terceira divisão brasileira de 1992); e de série de conquistas estaduais e vitórias remistas na década de 1990 sobre o arquirrival Paysandu,DA COSTA, Ferreira (2013). Ageu - Com 37 gols, é recordista do Pará em certames nacionais. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, p. 122-123 sendo inclusive o artilheiro (com sete gols) da invencibilidade azulina de 33 jogos no Re-Pa.
Primeiro parceiro de ataque do ídolo santista Giovanni, chegou a brigar pela artilharia do Brasileirão de 1993 e também se notabilizou por destacar-se mesmo com físico pouco compatível ao futebol profissional, dotado de abdômen saliente. Em contraste, suas pernas eram finas, rendendo-lhe o apelido de "Sabiá" a partir de sua chegada ao Remo. Considerando um antecessor de Walter nesse sentido, Ageu respondia desconfianças generalizadas fora do Pará com gols, jogadas velozes e afirmações como "o cavalo é barrigudo e também corre", embora admita que sua forma foi um entrave para contratações para equipes de mais prestígio das regiões Sudeste ou Sul.
Em 2013, admitiu também que costumava jogar com dez quilogramas acima do peso ideal, mas negando que fosse um problema: "eu deixava os treinamentos e atravessava a rua para comer hambúrguer. Se não tinha, o jeito era comer pão com manteiga e refrigerante. Aquela cervejinha também não podia faltar. Os preparadores físicos sabiam disso, mas não me questionavam, pois tinham consciência que dentro de campo eu me garantia. Eles não me botavam para correr seis quilômetros igual os outros. Eu fazia treinos específicos. No campo, corria 100 metros em dez segundos. Poucos jogadores conseguiam isso. (...) Eu desembarcava do ônibus para treinar e as pessoas pensavam que eu era o roupeiro do time. Eu deixava pensarem e respondia dentro de campo. Todo mundo ficava boquiaberto quando marcava os gols".
Ageu também é um dos maiores artilheiros do clássico Re-Pa desde a década de 1990, acumulando oito gols,DA COSTA, Ferreira (2015). Fatos e Personagens do Re-Pa. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 216-220 um pelo Paysandu os sete pelo Remo, clube pelo qual totalizou 52 gols registrados. Seria o 18º maior artilheiro do "Leão", e o maior desde a década de 1990. Acerca do clássico, declarou que "respeito o Paysandu, tenho carinho pela Tuna, mas sou torcedor do Remo. Meu diferencial era fazer gol em Re-Pa. Podia passar muitos jogos sem fazer gol, mas bastava fazer um no Re-Pa que a gente era rei".
Carreira Início
Antes de defender as três principais equipes de Belém, Ageu defendeu as duas principais de Santarém. Seu primeiro clube foi o São Raimundo, em 1985. No ano seguinte, passou ao rival São Francisco, onde começou a se destacar: no "Leão Azul" santareno, foi bicampeão municipal seguido, em 1986 e 1987. Naquela época, tais equipes ainda não disputavam o campeonato estadual.DA COSTA, Ferreira (2013). 1985 - Paysandu chega ao bicampeonato com 1 derrota em 19 partidas. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 229-232DA COSTA, Ferreira (2013). 1986 - Remo põe fim a jejum de 6 anos e comemora o título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 233-236DA COSTA, Ferreira (2013). 1987 - Paysandu traz Givanildo Oliveira e levanta o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 237-240 Ainda assim, a fama de Ageu chegou à capital, sendo contratado em 1988 pela Tuna Luso.
Já naquela época, causou desconfianças em função do físico, relembrando com humor em 2013 as primeiras impressões que gerou: "no início, foi muito difícil. A desconfiança era muito grande. Ninguém acreditava no meu potencial. Mas bastaram os primeiros treinamentos para que eu provasse o contrário. Quando viram que, mesmo tendo uma barriga saliente, eu conseguia fazer as jogadas de velocidade e finalizar com precisão, as pessoas começaram a me respeitar. Costumo dizer que jogador habilidoso, velocista, inteligente e, claro, gordinho, só existe um: Ageu Sabiá".
Ageu participou do título tunante no estadual daquele ano, ainda como reserva. Sua estreia deu-se na sétima rodada, substituindo Tiago no decorrer do clássico com o Remo, encerrado em 0-0, no Mangueirão. Esteve em outras sete das 24 partidas da campanha, sendo titular somente em uma, contra o Pinheirense já pelo quadrangular final. Contra este adversário, fez seu único gol, em empate em 1-1 encerrado de modo polêmico: o árbitro encerrou a partida ainda no minuto 42 do segundo tempo, para o protestos dos cruzmaltinos, que perseguiam a vitória. Inicialmente, o juiz assentiu e ordenou o retorno do adversário, que já havia se retirado. Mas, após espera-lo por quinze minutos, decidiu dar a partida por encerrada mantendo o placar empatado. O jogo foi válido pela rodada final do primeiro turno e após ele o treinador tunante Miguel Cecim pediu demissão.DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Após uma longa briga na Justiça, Tuna é confirmada Campeã. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 241-245
Como reserva, Ageu foi usado outras três vezes contra o Remo (2-2 no segundo turno, 0-0 no terceiro turno e derrota de 1-0 no quadrangular decisivo), participando também de dois clássicos com o Paysandu (1-0 no segundo turno e 0-0 no terceiro turno). A "Lusa", já sob o treinador Fernando Oliveira, terminou campeã tendo como atacantes fixos o artilheiro Luís Carlos e Cabinho, com Tiago e Gil Mineiro revezando-se no trio ofensivo titular. Foi o décimo título estadual do clube e o último desde então, embora só viesse a ser oficializado já no ano de 1992, após longa batalha contra o Paysandu nas justiças comum e desportiva.DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Somente uma derrota na conquista do décimo título da Tuna Luso. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 114-121
Após a Tuna não ter participado do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1988, foi incluída na segunda divisão de 1989. Ageu jogou somente duas das dez partidas, uma delas no clássico com o Remo (derrota de 1-0), sem marcar. O clube ficou na última colocação do Grupo C.DA COSTA, Ferreira (2013). 1989 - Segunda Divisão. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 168-170 Também em 1989, Ageu foi vice-artilheiro do estadual, sem evitar que o título ficasse com o Remo.DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233 O Remo seria novamente campeão em 1990, embora Ageu se destacasse enfrentando-o: em derrota de 3-2 no primeiro turno, marcou os dois gols tunantes. No terceiro turno, marcou o único gol da partida, em resultado que contribuiu para que o campeão do turno fosse o Paysandu. Foi uma das duas únicas derrotas remistas em 21 partidas.DA COSTA, Ferreira (2013). 1990 - Remo coloca a faixa de bicampeão, sob a batuta de Paulinho de Almeida. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 251-255
Em 1990, Ageu também foi um dos convocados ao último jogo da seleção paraense, que recebeu no Mangueirão a Bulgária, cuja seleção já estava repleta de futuras peças marcantes da Copa do Mundo FIFA de 1994, a exemplo de Hristo Stoichkov e Emil Kostadinov. O "Sabiá" protagonizou o principal lance do primeiro tempo, ao dominar entre os zagueiros adversários um lançamento, driblar um marcador e aparecer frente a frente ao goleiro Iliya Valov. Contudo, preferiu dribla-lo também e acabou perdendo a bola. Em 2020, o atacante assim relembrou aquele momento:
A Tuna não participou de nenhum campeonato brasileiro em 1990.DA COSTA, Ferreira (2013). 1990 - Não tomou parte. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, p. 171 Assim, Ageu foi emprestado ao Paysandu na disputa da terceira divisão daquele ano. Marcou um gol pelo time treinado por Givanildo Oliveira, justamente o da classificação aos mata-matas, no único da partida contra o Maranhão. O torneio ocorreu no segundo semestre. Os vencedores das quartas-de-final garantiriam o acesso e nessa fase os alviazuis foram derrotados pelo placar agregado de 4-2 pelo América Mineiro. Posteriormente, porém, uma mudança de regulamento da Confederação Brasileira de Futebol permitiu o acesso do "Papão".
Ainda pelo Paysandu, Ageu disputou no fim do ano seu primeiros Re-Pa, em derrota de 1-0 em amistoso válido pela Taça Cândido Neiva, na Curuzu, em 10 de dezembro.DA COSTA, Ferreira (2015). 1990. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 160-164 De volta à Tuna, Ageu participou da segunda divisão brasileira de 1991. A "Águia" não passou da primeira fase, com cinco vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Ainda sem ser titular absoluto na equipe treinada por Dutra, Ageu marcou um gol, justamente no clássico com o Paysandu;DA COSTA, Ferreira (2013). 1991 - Segunda Divisão. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 171-174 por ironia, a ex-equipe terminaria campeã da competição.DA COSTA, Ferreira (2002). 1991 - Segunda Divisão - Campeão Brasileiro de Futebol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 113-119
Destacando-se na Tuna Luso
O estadual de 1991 ocorreu no segundo semestre daquele ano. Ageu foi titular na campanha finalista do clube. A decisão foi contra o Remo e as duas partidas encerraram-se em 0-0, havendo prorrogação na segunda, realizada já em 1 de dezembro. Aos 8 minutos do tempo extra, um pênalti foi assinalado contra os tunantes, cujos dirigentes, em protesto, ordenaram a retirada de campo dos jogadores. A justiça desportiva então considerou o Remo vencedor por 1-0, e campeão.DA COSTA, Ferreira (2013). 1991 - Remo traz o técnico Waldemar Carabina, que comanda a conquista do Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 256-260
Logo, porém, os cruzmaltinos seriam campeões, a despeito de trajetória financeiramente deficitária e em viagens rodoviárias que chegavam a durar de dezenas de horas a dias inteiros. Em março de 1992, começou a terceira divisão brasileira daquele ano. Ageu foi o artilheiro do elenco vencedor, marcando seis vezes em quatorze partidas, todas como titular.DA COSTA, Ferreira (2013). 1992 - Terceira Divisão - Campeã Brasileira. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 175-187 Contribuiu ainda com pênalti sofrido, no 3-2 sobre Izabelense, contra quem marcou outro dos gols, além de iniciar o contra-ataque que resultou no gol da vitória sobre o goleiro Edson Cimento; um gol contra forçado, em lance que abriu o placar nos 3-0 sobre o Sampaio Corrêa, contra quem também converteu outro gol; e uma assistência, em derrota de 2-1 para o Flamengo-PI, todos jogos da primeira fase.