Urraca Viegas de Ribadouro (conhecida também como Meana D. Urraca) (antes de 1140 - 26 de setembro de 1218), foi uma rica-dona portuguesa, e senhora de várias honras..

Primeiros anos Urraca era filha do célebre Egas Moniz, o Aio, e da sua segunda (ou única) esposa, Teresa Afonso de Celanova, sendo provavelmente das filhas mais novas do prócere, tendo em conta a datação tardia do seu aparecimento na corte e inclusive da sua morte.

Deveria ser ainda muito jovem aquando da morte do seu pai, em agosto de 1146. Até então a família havia sido das mais influentes de então na corte portuguesa: o seu pai havia sido o aio do então Rei de Portugal, Afonso Henriques, e os filhos mais velhos, Lourenço e Afonso, provavelmente criados em conjunto com o próprio monarca, desfrutavam de uma relação bastante próxima com o mesmo.

Testamento paterno Aquando da morte de Egas Moniz, os irmãos regressariam provavelmente da corte para dividir os bens do pai com a mãe. Ao seu irmão Lourenço, Egas passara a honra de Fonte Arcada, os cargos curiais (tenente de Lamego), o títulos de “conde” e senhor de Neiva e ainda a responsabilidade de ajudante na governação do reino. A Afonso o seu pai doou, de entre várias posses, as suas honras de Resende, Alvarenga e Lumiares; a Soeiro, couberam as honras de Vila Cova e Fontelo. A si, a honra de Mezio, e às suas irmãs Dórdia e Elvira, couberam respetivamente as honras de Lalim e Britiande.. Dado que os filhos mais novos eram provavelmente menores, a sua mãe Teresa ter-se-á encarregado do governo das honras que lhes couberam.

Gestão fundiária Surge primeiramente documentada em 1160 (contando provavelmente com não mais de vinte anos), quando vende ao Mosteiro de Salzedas a sua parte da herança paterna no couto de Argeriz, à semelhança de vários dos seus irmãos.

De facto, Urraca destaca-se sobretudo pela sua ligação a vários mosteiros, de entre os quais, a destacar, os importantes cenóbios de Salzedas, Tuías e Tarouquela. numa carta datada de 28 de janeiro de 1173, o cardeal-legado Jacinto nomeia-a como possuidora, ampliadora e benfeitora do mosteiro de Tuías, ficando conhecida por meana de Tuías ou meana Urraca Viegas de Tuías.

O Mosteiro de Salzedas seria, contudo, o mais beneficiado por Urraca: entre 1174 e a sua morte, Urraca não parará de doar bens para o referido cenóbioHá doações onde existem inclusive informação de preços: Urraca vendeu ao mosteiro de Salzedas uma quintã em Paços, o casal em Joane e dois casais em Ventoselas por 280 maravedis.. Destaque para uma doação de umas casas herdadas do pai em Lamego, doação que realiza com os filhos, e outra de alguns bens em Queimada e Queimadela por alma de um seu filho, Fernando Gonçalves, morto provavelmente havia pouco tempo, se não nesse ano de.

Urraca não doou somente bens a instituições religiosas: em 1200 fez uma doação da sua parte de uma albergaria em Marco de Canaveses a um casal, Mem Pais e Ermesinda.

Funções na corte Segundo as Inquirições Gerais, Urraca terá sido aia da infanta Mafalda, filha de Sancho I de Portugal, e criou-a na sua honra de Louredo, perto de Penafiel. Mafalda é referida como adotada, sendo "recebida como filha" no testamento de Urraca.

Morte e posteridade Em outubro de 1199, Urraca redigiu o seu testamento: nele figurava-se a seguinte divisão: dos seus bens, metade reverteria para o Mosteiro de Salzedas, para lá garantir o seu sepultamento. A outra metade deveria ser dividida igualmente entre as suas netas de sangue, filhas de Rui Vasques de Barbosa, e a outra metade deveria ser herdada pela infanta Mafalda. Pelos bens que possui após a morte de Urraca, é provável que a infanta-rainha tenha herdado, entre vários bens, o Mosteiro de Tuías. Faleceu a 26 de setembro de 1218, e sepultou-se, como manifestara vontade, no Mosteiro de Salzedas.

Em 1222, sabe-se que a infanta-rainha doou parte do padroado da igreja de Britiande pela sua alma e a da sua ama.

Matrimónio e descendência Urraca casou duas vezes. A ordem atribuída aos casamentos não é ainda consensual.

Terá desposado pela primeira vez com Gonçalo Rodrigues da Palmeira , provavelmente por volta de 1160, de quem teve:

Gonçalo Gonçalves de Palmeira, casado com Maria Pais de Valadares; Fernão Gonçalves de Palmeira (m. c.1195). A mãe doa posses e Queimada e Queimadela ao Mosteiro de Salzedas pela sua alma.

Viúva por volta de 1177, voltaria a casar com o Conde Vasco Sanches de Celanova , através do qual se passaria inclusive a intitular-se Condessa. Deste casamento resultou a seguinte descendência:

Rodrigo Vasques de Celanova, casado com Maria Pais de Valadares. As duas filhas que teve, Maria e Teresa Rodrigues de Celanova, serão beneficiárias do testamento da avó, juntamente com a infanta-rainha Mafalda. Gonçalo Vasques de Celanova, sem descendência.

Bibliografia

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - 50 vols. , Vários, Editorial Enciclopédia, Lisboa. vol. 16-pg. 887. Gayo, Manuel José da Costa Felgueiras, Nobiliário de Famílias de Portugal, Carvalhos de Basto, 2ª Edição, Braga, 1989, vol. IV-pág. 377 (Coelhos).

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