Cláudio Bomfim de Castro e Silva (Santos, 29 de março de 1979) é um advogado e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL). Foi governador do Rio de Janeiro de 2021 a 2026. Antes, foi vice-governador de 2019 a 2021, assumindo interinamente o governo do Estado em 28 de agosto de 2020 em decorrência do afastamento do titular Wilson Witzel, e tomando posse como titular em 1.º de maio de 2021. Foi eleito para o cargo de governador na eleição de 2022 com 58,67% dos votos, tornando-se o segundo governador mais jovem da história e o mais jovem eleito após a redemocratização brasileira.

Em 15 de maio de 2026, foi alvo da Operação Sem Refino da Polícia Federal (PF), que realizou busca e apreensão em sua residência. A PF investiga se a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, foi usada em supostas fraudes fiscais para ocultação patrimonial. A ordem partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Primeiros anos Cláudio Castro nasceu em Santos (SP), mas ainda criança mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Em 2005, formou-se em Direito pelo Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), instituição de ensino particular descredenciada pelo Ministério da Educação em 2014. Além de advogado, também é músico, compositor e cantor, autor de dois álbuns de música católica.

Castro também é membro da Renovação Carismática Católica há mais de vinte anos e foi coordenador arquidiocesano do Ministério de Fé e Política da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Além disso, foi um dos animadores oficiais do evento Rio de Água Viva, maior retiro popular da Renovação Carismática Católica do Rio, que já chegou a reunir mais de dez mil participantes durante os dias de Carnaval.

Carreira política

Chefe de gabinete de Márcio Pacheco Cláudio Castro começou sua trajetória política em 2004 como chefe de gabinete do então vereador Márcio Pacheco, com quem seguiu para Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro até 2016, também como chefe de gabinete.

Em 2013, trabalhou como assessor especial na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Vereador do Rio de Janeiro Em 2016, Cláudio Castro foi eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro com votos, sendo o 56º candidato a vereador mais votado. Isso veio depois de uma primeira tentativa sem êxito em 2012, quando obteve votos.

Castro é autor do projeto que originou a Lei municipal n.º /2018, promulgado após a derrubada do veto do prefeito Marcelo Crivella, que estabelece a obrigatoriedade da utilização de percentual mínimo de 10% do valor arrecadado com as multas de trânsito para assegurar a mobilidade e acessibilidade a pessoas com deficiência.

Vice-governador do estado do Rio de Janeiro esquerda|miniaturadaimagem|Cláudio Castro, então vice-governador, participa da posse de Wilson Witzel como Governador do Rio de Janeiro, em janeiro de 2019 Em 6 de agosto de 2018, o Partido Social Cristão (PSC) confirmou que Claudio Castro seria o candidato a vice-governador do estado do Rio de Janeiro na chapa de Wilson Witzel (PSC), e que a legenda não teria alianças na corrida pelo governo do estado. Em 28 de outubro de 2018, a chapa foi eleita no segundo turno das eleições com 59,87% () dos votos válidos, para um mandato de quatro anos.

Governador do Rio de Janeiro miniaturadaimagem|Cláudio, à direta e no microfone, ao lado dos governadores Ibaneis Rocha (do Distrito Federal) e o vice-governador Rodrigo Garcia (de São Paulo), no VI Fórum Nacional dos Governadores.|alt= miniaturadaimagem|Logomarca do governo do Rio de Janeiro adotada sob Cláudio CastroEm 28 de agosto de 2020, Cláudio Castro assumiu interinamente o governo do estado do Rio de Janeiro em decorrência do afastamento do titular Wilson Witzel. Após o impeachment de Witzel, Castro assumiu o governo do estado definitivamente, em 1.º de maio de 2021. Dias depois, ainda em maio de 2021, trocou seu partido PSC pelo PL.

Investigação por recebimento de propina Em março de 2021, Bruno Selem, ex-funcionário da empresa Servlog, delatou ao Ministério Público (MP) que, em 2019, quando ainda era vice-governador, Cláudio Castro recebeu 100 mil reais em propina de um empresário investigado por corrupção. Vídeos divulgados na imprensa mostram o encontro de Castro com Flavio Chadud, dono da Servlog, empresa que tinha contratos com uma fundação subordinada à vice-governadoria do estado, a Fundação Leão XIII. No dia seguinte ao encontro, Chadud foi preso na primeira fase da Operação Catarata, que investigou justamente irregularidades em contratos da tal fundação. A investigação do MP apura se Cláudio Castro recebia propina da empresa Servlog desde quando era vereador da cidade do Rio, entre 2017 e 2018. Após a delação, Castro se manifestou por meio de nota afirmando estar processando o delator Bruno Selem em diversas instâncias por calúnia e denunciação caluniosa. Já em 4 de julho de 2022, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu enviar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um recurso do governador Cláudio Castro pedindo a anulação do acordo de delação premiada em que ele é acusado por suposta falta de transparência, fidelidade e a voluntariedade da delação.

Também em 2021, o MP abriu investigação contra Cláudio por suspeita de fraude na compra de mais de um milhão de cestas básicas durante a pandemia de COVID-19. Segundo o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE), o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 3,4 milhões de reais. A apuração do TCE apontou 11 irregularidades nos contratos de compra da Fundação Leão XIII, entre elas a suspeita de direcionamento das contratações e a escolha da proposta mais cara para a compra das cestas básicas. Mesmo após o procurador-geral de justiça Luciano Oliveira Mattos de Souza encaminhar ofício ao gabinete do governador solicitando que ele se manifestasse por escrito sobre as irregularidades constatadas nos processos do TCE, não houve retorno de Cláudio Castro.

Em janeiro de 2024, um relatório da Polícia Federal (PF) indicou sete ocasiões, entre 2017 e 2019, em que Castro recebeu propina. Os valores chegariam a 326 mil reais e também 20 mil dólares (que ele teria recebido durante uma viagem à Disney). Castro negou as acusações, dizendo que eram "infundadas, velhas e requentadas".

Em julho de 2024, a PF indiciou Cláudio Castro pelos crimes de corrupção e peculato e pediu seu afastamento. A defesa do governador afirmou que pediria a nulidade da investigação da PF, dizendo que as acusações eram "infundadas".

Investigação por abuso de poder nas eleições de 2022 Ainda em 2022, Castro foi alvo de denúncias referentes a contratações irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), envolvendo uma folha de pagamento secreta.

As denúncias descreviam 27 mil cargos temporários no Ceperj e 18 mil na Uerj, que teriam sido utilizados como cabos eleitorais com recursos do governo estadual durante a campanha de 2022, configurando abuso de poder econômico e político. As denúncias foram apresentadas após o Ministério Público do Rio de Janeiro identificar que houve, de 2020 a 2022, um aumento de 2.139% nas despesas da Fundação Ceperj.

O processo poderia resultar na cassação de Castro e na inegibilidade do presidente da Alerj afastado, Rodrigo Bacellar, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Thiago Pampolha, ex-vice-governador de Castro. Em março de 2026, Castro renunciou ao cargo, não podendo ser cassado, mas foi condenado e tornado inelegível por decisão do TSE.

Chacinas policiais miniaturadaimagem|Com Batalhão de Operações Policiais Especiais ao lado de governadores do Sul e Sudeste, como Tarcísio de Freitas, Eduardo Leite e Ratinho Júnior O governo de Cláudio Castro no Rio de Janeiro foi marcado por chacinas policiais. Entre elas, a Chacina do Jacarezinho, conhecida por ser a mais letal da história do Brasil; a Chacina da Vila Cruzeiro, que ocupa o segundo lugar; e a Chacina do Complexo do Alemão, o quinto. De acordo com o pesquisador Daniel Hirata, coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), a principal característica do seu governo é o negacionismo em segurança pública, ao incentivar a violência policial. Todas as operações foram feitas contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de restringir ações policiais durante a pandemia de COVID-19.

Já em outubro de 2021, a imprensa divulgou que pelo menos cinco membros dos Guardiões do Crivella, isto é, funcionários pagos com dinheiro público para impedir denúncias na Saúde durante a gestão municipal anterior, passaram a fazer parte do governo de Cláudio Castro.

Em 28 de outubro de 2025, a Operação policial nos complexos da Penha e do Alemão contra criminosos do Comando Vermelho deixou mais de 130 mortos. Moradores relataram que algumas das pessoas encontradas na mata estavam amarradas e tinham tiros na testa, nas costas, nas pernas e facadas, e outras marcas de execução.

Consórcio da Paz

Renúncia e inelegibilidade Em 23 de março de 2026, prestes a ter os resultados do julgamento por abuso de poder político e econômico em 2022, Cláudio Castro renunciou ao cargo de governador. No dia seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral tornou-o inelegível por oito anos. Em 2 de junho, os recursos apresentados pelo ex-governador foram rejeitados e a decisão foi confirmada por unanimidade.

Operações da Polícia Federal Em 15 de maio de 2026, Cláudio Castro foi alvo de buscas em um apartamento durante a Operação Sem Refino da PF na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A investigação apura um suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Os policiais apreenderam dois celulares e um computador.

Em 26 de maio de 2026, Castro foi alvo de dez mandados de busca e apreensão na própria casa, na cobertura de um prédio na Península, um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, durante a oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF. A investigação apurava a transferência de cerca de 3,7 bilhões de reais em recursos do Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Dois outros celulares foram apreendidos.

O nome de Cláudio Castro aparece em uma lista encontrada pela PF e atribuída ao bicheiro Adilsinho, alvo da quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada no dia 2 de julho de 2026. De acordo com a apuração da reportagem do portal G1, a lista cita uma doação de 3,2 milhões de reais para o candidato Cláudio Castro, que concorreu em 2022 à reeleição. Castro não é alvo dessa quinta fase da Unha e Carne.

Relação com Daniel Vorcaro Os relatórios da Polícia Federal revelaram que o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, viajou ao Peru com a família e convidados para assistir à final da Libertadores, em novembro de 2025, num avião cuja gestão é feita pela empresa Prime, que é ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Castro negou qualquer ligação entre a viagem e o fato do próprio governo.

Desempenho eleitoral Ano Eleição Partido Coligação Candidato a Votos % Resultado Ref 2012 Municipal do Rio de Janeiro PSC Somos um Rio (PMDB, PSC) Vereador 0,27% 2016 Municipal do Rio de Janeiro Sem coligação proporcional 0,35% 2018 Estaduais no Rio de Janeiro Mais Ordem, Mais Progresso (PSC, PROS) Vice-governador Titular: Wilson Witzel (PSC) 41,28% (1.º turno)rowspan=2; 59,87% (2.º turno) 2022 Estaduais no Rio de Janeiro PL Rio Unido e Mais Forte (PL, MDB, Avante, DC, PMN, PODE, PP, PROS, Republicanos, PRTB, PSC, PTB, Solidariedade, UNIÃO) Governador 58,27%

Ligações externas

Claudio Castro na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro Claudio Bomfim de Castro e Silva (Q57965921) no Wikidata Claudio Castro (Vice de Wilson Witzel) diz que prioridades são segurança e recuperação fiscal - Entrevista à Folha Dirigida em 24/10/2018