Corumbella é um gênero extinto de cnidários do período Ediacarano (545 milhões de anos atrás), pertencente a família monotípica Corumbellidae, cujo único representante é a Corumbella werneri (Hahn et al, 1982). É um dos representantes da Assembléia de Nama, quando surgiram os primeiros animais com corpo biomineralizados.

É reconhecido como um dos mais antigos cifozoários, sendo registrada até o momento apenas nas Américas, descoberto em Mato Grosso do Sul, no Brasil.

História Inicialmente, foi descoberta na pedreira calcária Saladeiro, situada nos limites dos municípios de Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul.

Em Corumbá, Corumbella ocorre na mesma formação que o fóssil Cloudina, porém, diferentemente deste, os fósseis de C. werneri não ocorrem em carbonato, mas em margas e folhelhos. Outros registros também foram observados nos arenitos de Great Basin (membro inferior da Formação Wood Canyon, EUA, nos grainstones e lamitos do Grupo Itapucumi, Paraguai, e mais recentemente, no Grupo Bambuí, Brasil.

Descrição Corumbella apresenta uma seção transversal circular que grada ao longo de sua carapaça para uma geometria poliédrica piramidal, culminando em uma região oral, com anéis dispostos de forma angular ao longo da borda lateral, nas faces. A linha mediana é marcada pela confluência alternada de anéis poligonais na região de apótema das faces, apresentando espessamentos internos.

Os anéis poligonais de Corumbella encontram-se organizados continuamente, com diferentes graus de imbricação, ao longo do tubo. O arranjo dos anéis em alguns espécimes maiores de Corumbella corrobora a articulação da carapaça, evidenciada em coronados, mas não em conulários. Estudos de micromorfologia e ultraestrutura dos exoesqueletos de Corumbella têm revelado afinidades evolutivas desse fóssil com coronados e conulários.

A microestrutura de placas poligonais dos exoesqueletos de Corumbella do Grupo Itapucumi são morfologicamente compatíveis com a microestrutura resultante da interação entre quitina e cálcio em esqueletos de organismos biomineralizadores, tais como os Bryozoa. Neste sentido, há um forte indicativo de esqueleto organo-mineralizado para Corumbella.

Taxonomia e filogenia A partir das análises filogenéticas aplicadas nos estudos de Corumbella e outros cifozoários a matriz previamente construída por Van Iten foi atualizada e incrementada com novos caracteres. Caracteres foram atualizados para englobar o fóssil de C. werneri. Ainda, foram adicionados seis novos caracteres pertencentes a coronados e Corumbella na matriz. Devido à falta de amostras do registro fóssil, ainda é incerto se Corumbella werneri possuía uma forma de vida medusoide, assim caracteres relacionados a este traço foram considerados como de estado desconhecido(?). Baseado nos resultados, Corumbella é interpretada como grupo irmão de Conulatae. Junto com conulários, Corumbella forma Paleoscyphozoa: um grupo irmão de Coronatae.

Cladograma da relação entre Cnidaria (Comprimento= 125 passos, Índice de Consistência= 0.77, Índice de Retenção= 0.74)

Referências

Categoria:Gêneros de animais Categoria:Vida no Ediacarano Categoria:Fósseis do Brasil Categoria:Fósseis do Paraguai Categoria:Brasil no Ediacarano Categoria:Cnidaria pré-históricos