Dona Clotilde (no original, Doña Clotilde), popularmente conhecida como Bruxa do 71 (no original, La Bruja del 71), é uma personagem de Chaves, interpretada por Angelines Fernández. Na dublagem brasileira foi dublada por três dubladoras, sendo a voz de Helena Samara a mais clássica. Na versão animada, sua voz foi fornecida por Erika Mireles.

Uma mulher possivelmente aposentada e apaixonada por Seu Madruga, Clotilde sempre tenta agradá-lo. Por morar na casa de número 71 e sua casa se assemelhar a um ambiente bruxesco, frequentemente é chamada de Bruxa ou Bruxa do 71 pelos moradores da vila, e tem um cão (gato na imaginação das crianças) chamado Satanás. Na versão original, não dublada para o português, Seu Madruga (Don Ramón) costuma chamá-la como Cleotilde, apesar de seu nome ser Clotilde. A personagem de Fernández permaneceu durante a maior parte do programa, deixando a série em 1991, um ano antes do fim.

Criação

miniaturadaimagem|333x333px|Angelines Fernández (c.1940)|esquerda Angelines Fernández foi uma atriz nascida na Espanha que teve de fugir de seu país natal em 1947, em meio à crescente perseguição aos opositores políticos por parte da ditadura de Francisco Franco. Fernández havia apoiado o lado republicano durante a Guerra Civil Espanhola e suas consequências, e temia que seu apoio clandestino ao maquis pudesse colocar sua vida em risco. Primeiro, viveu em Cuba, onde obteve o status de refugiada, e depois mudou-se para o México, onde se estabeleceu e permaneceu até sua morte, em 1994.

No México, Fernández começou a trabalhar no cinema mexicano, conhecendo e fazendo amizade com o ator mexicano Ramón Valdés, com quem participou de vários filmes. Em 1971, Fernández pediu a Valdés que a ajudasse a encontrar um papel importante em um projeto de atuação. Valdés conversou com Roberto Gómez Bolaños "Chespirito", que estava reunindo um elenco para seu projeto, El Chavo. Posteriormente, Fernández reuniu-se com Chespirito, que decidiu contratá-la logo nessa primeira entrevista.

Carecterização miniaturadaimagem|Recriação do cenário de Chaves, onde Dona Clotilde mora no apartamento 71. Moradora do apartamento número 71 da vila, Dona Clotilde é uma mulher solteira de meia-idade que tende a se vestir e agir como uma mulher muito mais velha, o que faz com que tanto crianças quanto adultos zombem dela frequentemente. Devido ao seu mau humor habitual, à sua vida solitária e reservada, além de comportamentos erráticos — como um relacionamento amoroso e romântico com Seu Madruga (interpretado por Valdés) —, Dona Clotilde é apelidada de "Bruxa do 71" pelas crianças da vila, que zombam dela e a temem. Apesar de se chamar Clotilde, Seu Madruga a chama de Cleotilde.

Ela diz ter parentes em Guanajuato e certa vez afirmou ser de Campeche, e tem uma irmã mais nova que mora em Paris, na França. Desempregada ou aposentada, Dona Clotilde desfruta de uma situação econômica relativamente boa e viaja para visitar sua irmã na França. Em um episódio de 1973 (posteriormente refilmado em 1978 e em 1983), Dona Clotilde cuida de sua sobrinha, que lhe é enviada pela mãe do bebê.

A personagem, apesar das provocações das crianças sobre sua aparência, desenvolve laços estreitos com ...eles, convidando-os para comer e presenteando-os com pirulitos e chocolates. Os sentimentos de Dona Clotilde por Seu Madruga nunca são recíprocos, e este último sente arrepios, desconforto, vergonha e pena dela. As investidas de Dona Clotilde geralmente terminam com Seu Madruga fugindo ou evitando-a. No entanto, essa rejeição não a desencoraja; ela frequentemente prepara bolos e compra comida e remédios para Seu Madruga, enquanto a filha dele (Chiquinha) acredita que ela quer fazer feitiçaria contra seu pai.

Em um episódio de 1981 (como parte de um esquete do programa Chespirito), Dona Clotilde se casa com Seu Madruga em uma cerimônia católica clássica. O sketch de 10 minutos revela, ao final, que tudo não passou de um devaneio do Chaves. O curta-metragem foi transmitido apenas uma vez pela Televisa após provocar a reação da Igreja Católica no México, que considerou inapropriado que um homem leigo solteiro (Professor Girafales, interpretado por Rubén Aguirre) — que na série demonstrava fortes sentimentos românticos por Dona Florinda (Florinda Meza) — atuasse como o sacerdote do casamento imaginário.

Dona Clotilde aparece como uma bruxa de verdade apenas uma vez, quando é vista dentro de casa preparando uma poção do amor para o Seu Madruga. O episódio termina mostrando (de forma semelhante ao esquete do casamento) que tudo não passou da imaginação do Chaves e de outras crianças.

Em um episódio intitulado "Os Espíritos Zombeteiros" (uma referência aos poltergeists), Dona Clotilde acredita que uma série de desaparecimentos misteriosos de pratos da casa do Seu Madruga está relacionada ao paranormal. Convence Seu Madruga e Dona Florinda a realizar uma sessão espírita para resolver o problema, o que só piora a situação ao gerar medo e superstição nos personagens, incluindo as crianças. Ao final do episódio, revela-se que a origem do mistério é o sonambulismo de Seu Madruga.

Vestimentas Durante a maior parte da série, Dona Clotilde usa um vestido azul-cerúleo, sapatos pretos e um chapéu de festa azul combinando — embora surrado —, com os cabelos brancos presos em um coque. Em alguns episódios, ela veste um blazer preto brilhante e, a partir da década de 1980, substitui o chapéu azul-cerúleo por um de cor fúcsia.

Em um episódio de 1973, Dona Clotilde foi substituída por uma personagem quase idêntica interpretada por Janet Arceo: Dona Eduviges. Vestindo roupas semelhantes e exibindo comportamento excêntrico e um fascínio por Seu Madruga, ela despertou comparações imediatas com a personagem de Fernández. Arceo substituiu Fernández durante um problema de saúde que exigiu que esta última repousasse. As crianças zombam de Dona Eduviges e a apelidam de "A Louca da Escadaria", pois seu apartamento fica no topo da escada, no pátio principal.

Leitura adicional

Ligações externas

Categoria:Personagens de El Chavo del Ocho Categoria:Mexicanos fictícios Categoria:Personagens de televisão introduzidos em 1972