Madonna é o álbum de estreia da artista musical estadunidense homônima. O seu lançamento ocorreu em 27 de julho de 1983, através das gravadoras Sire Records e Warner Bros. Records. Foi relançado em 1985 nos mercados europeus sob o título de Madonna: The First Album. Em 1982, enquanto estabilizava-se como cantora no centro de Nova Iorque, Madonna conheceu Seymour Stein, presidente da Sire Records, que contratou-a depois de ouvir seu single "Everybody". O sucesso da canção nas boates fez com que a gravadora contratasse-a para um acordo de diversos álbuns. Para o disco, Madonna decidiu trabalhar com Reggie Lucas, um produtor da Warner Bros.. Entretanto, ela não satisfez-se com as faixas completadas e não concordou com as técnicas de produção de Lucas, e procurou ajuda adicional para a produção. A cantora convidou seu então namorado John "Jellybean" Benitez, para ajudá-la à completar o projeto. Benitez remixou diversas canções e produziu "Holiday".
Gravado entre maio de 1982 e abril de 1983 nos estúdios Sigma Sound Studios em Nova Iorque e originalmente intitulado Lucky Star, Madonna possui uma sonoridade dissonante derivada do dance-pop e do pós-disco, bem como da forma do pop rock e do disco alegre e sintético, e utiliza parte da tecnologia da época, como o uso da máquina de ritmos Linn e os sintetizadores Moog e Oberheim OB-X. Suas canções são interpretadas pela cantora em um timbre vocal feminino e brilhante, e liricamente falam sobre amor, relacionamentos e diversão. Considerado um dos melhores álbuns dos anos 1980, foi recebido com análises geralmente mistas de críticos musicais na época de seu lançamento; contudo, análises em retrospecto prezaram sua produção, seu som e seus gêneros musicais. Em 2008, foi nomeado pela Entertainment Weekly como o quinto melhor disco dos 25 anos anteriores.
Comercialmente, obteve um desempenho positivo, listando-se nas dez melhores posições em diversos países, como Austrália, França, Nova Zelândia e Reino Unido. Nos Estados Unidos, Madonna atingiu a oitava colocação na Billboard 200 após pouco mais de um ano de seu lançamento, e vendeu 2 milhões e 800 mil unidades neste período. Foi o sétimo disco mais vendido no país em 1984, e recebeu uma certificação de platina quíntupla pela Recording Industry Association of America (RIAA), reconhecendo vendas de cinco milhões de cópias no território. No Reino Unido, o projeto obteve um desempenho semelhante, conquistando a sexta posição como melhor na UK Albums Chart após o lançamento de Madonna: The First Album em julho de 1985. Mundialmente, comercializou mais de 10 milhões de exemplares.
Cinco singles foram lançados a partir de Madonna. Os dois primeiros, "Everybody" e "Burning Up", não obtiveram um bom desempenho comercial, mas foram bem sucedidos na tabela genérica Hot Dance Club Songs. O terceiro, "Holiday", tornou-se a primeira música de Madonna a registrar entrada na Billboard Hot 100, onde atingiu como pico a 16.ª colocação, bem como a sua primeira obra a culminar na Hot Dance Club Songs. "Lucky Star", a quarta faixa de trabalho, converteu-se na primeira canção da artista a entrar nas cinco primeiras posições da Billboard Hot 100. O último foco de promoção, "Borderline", também obteve um desempenho positivo, liderando a tabela da Irlanda e listando-se nos dez melhores postos de diversas tabelas musicais. A divulgação do CD contou com apresentações em boates e programas televisivos, bem como com o lançamento do vídeo Madonna, que compilou também vídeos musicais de seu álbum seguinte Like a Virgin (1984), e a turnê The Virgin Tour (1985), que visitou cidades dos Estados Unidos e do Canadá e foi registrada no filme-concerto Live - The Virgin Tour, lançado em 1985. Madonna comentou que queria ter mais variedade nas canções do disco, e mais controle criativo em sua produção. O trabalho definiu o padrão do dance-pop e indiciou direção musical para outras cantoras, como Janet Jackson e Debbie Gibson. Também é notado por inserir sua intérprete no cenário musical e lançar sua carreira como uma diva da música pop.
Antecedentes e desenvolvimento 220px|thumb|left|Antes de ser contratada pela Sire, Madonna estava vivendo em Nova Iorque (imagem) e tentando configurar sua carreira musical. Em 1982, Madonna, então com 24 anos de idade, estava vivendo em Nova Iorque e tentando configurar sua carreira musical. Na época, ela era baterista de uma banda chamada Breakfast Club, liderada pelos irmãos Gilroy, Dan e Ed. No ano seguinte, após um desentendimento com Dan, Madonna deixou a banda. Ela então ligou para Stephen Bray, seu ex-namorado de Michigan, que "prontamente" concordou em ajudá-la em Nova Iorque com sua carreira. Junto com Gary Burke e Brian Syms, eles formaram uma banda chamada The Millionaires. Depois, quando os irmãos Gilroy voltaram ao grupo, mudaram o nome para Emmy, outro dos muitos apelidos de Madonna. Em 1981, depois de assistir a um dos shows do Emmy no Max's Kansas City, Adam Alter e Camille Barbone, executivos da Gotham Records, assinaram um contrato com a musicista que, a essa altura, já tinha um "pequeno fã clube na cena gay do centro da cidade". No entanto, a associação durou pouco e foi dissolvida no ano seguinte devido a diferenças criativas entre a gravadora e a cantora: Gotham queria que ela gravasse rock and roll enquanto a mesma queria focar no disco.
Em 1982, a cantora estava morando com Bray em um estúdio de ensaio não utilizado. Depois de perceberem que o "funk estavam se popularizando nas rádios e nas pistas de dança", eles criaram uma fita demo com quatro faixas nesse segmento, incluindo "Everybody", "Ain't No Big Deal" e "Burning Up". Como nenhuma gravadora queria apoiá-la, Madonna começou a distribuir a fita sozinha, visitando boates locais e tentando convencer disco-jóquei (DJ) a tocá-la. Ela conseguiu que Mark Kamins, o DJ residente da boate Danceteria, tocasse "Everybody", o que teve uma recepção positiva do público. Ele prometeu a Madonna que a ajudaria a conseguir um contrato de gravação com a condição de que ocupasse a função de seu produtor musical. Como ele também trabalhava no departamento de artistas e repertório (A&E) da gravadora Sire Records, Kamins levou a fita para seu chefe Chris Blackwell, mas ele não ficou impressionado nem interessado em contratar Madonna.
Kamins então abordou o presidente da Sire Records, Seymour Stein, que na época estava no Lenox Hill Hospital se recuperando de uma cirurgia cardíaca. Stein pediu a sua secretária que enviasse a fita ao hospital para que ele pudesse ouvi-la; "Gostei do refrão, gostei da voz da Madonna, gostei da sensação [...] gostei de tudo e a reproduzi novamente", lembrou o executivo. Madonna, por sua vez, mal se importou com o fato do executivo estar internado num hospital e assinou contrato com ele deitado na cama, em recuperação. Ele a contratou para lançar três singles em vinis de doze polegadas com opção de álbum; ela receberia 15 mil dólares por cada um, mas também teria que pagar por todos os custos de gravação. O executivo A&E da Sire, Michael Rosenblatt, que supervisionou todo o processo, queria lançar "Everybody" como um single duplo com "Ain't No Big Deal". Esta última faixa, porém, "não ficou boa", então Roseneblatt decidiu colocar "Everybody" nos dois lados do disco: uma versão durou 5:56, enquanto a outra, em formato dub, durava 9:23 minutos. Desde que gravou a demo, Bray argumentou que deveria ser o produtor do single, mas Stein decidiu nomear Kamins, "pelo puro interesse de ver onde isso iria". Kamins, no entanto, não estava interessado em produzir, querendo se concentrar em suas atividades como A&R; ele abordou o músico Kashif para ver se ele estava interessado em trabalhar na música, mas recusou a oferta.
Desenvolvimento e gravação
De acordo com Michael Rosenblatt, ele queria que o álbum tivesse um "toque R&B", por isso trouxe o produtor Reggie Lucas, da Warner Bros., que já havia trabalhado com artistas como Roberta Flack e Stephanie Mills. Rosenblatt também sentiu que Madonna precisava trabalhar com alguém que "pudesse realmente ajudá-la com seus vocais. A habilidade de Mark [Kamins] eram os grooves, não trabalhar com uma garota que nunca esteve em estúdio antes". Ao conhecê-la, Lucas não ficou impressionado com o "estilo punk" da cantora e achou que ela não parecia "particularmente vanguardista". Em abril de 1982, "Everybody" foi gravada nos Blank Tape Recording Studios, de Bob Blank, em um período de três dias. Barry Eastmond foi contratado como arranjador da faixa, mas deixou o projeto após discutir com Madonna; ela sentiu que o trabalho dele era "muito calmo" e não tinha o "estilo das boates que ela ansiava". Rosenblatt tomou a decisão de substituir as partes tocados por Eastmond nos teclados por Fred Zarr, que foi recrutado por Arthur Baker.
O restante das músicas foram gravadas nos Sigma Sound Studios, em Nova Iorque. Antes de entrar em estúdio, Madonna escreveu mais três canções para o álbum: "Think of Me", "I Know It" e "Lucky Star". A letra dessa última foi escrita em um bloco de notas amarelo, enquanto sua melodia foi criada em um teclado Casiotone com um toca-fitas que Kamins havia dado a ela. A cantora escreveu como um agradecimento a ele, e com a esperança de que ele a tocasse em sua set list na Danceteria. Uma das primeiras versões gravadas de "Lucky Star", que Madonna e Lucas criaram, foi descrita como contendo "uma vertente R&B", enquanto outra era pesada em guitarras, mas devido a uma experiência negativa envolvendo a cantora e um guitarrista de rock, foi rapidamente descartado. Logo, porém, ela percebeu que não havia músicas suficientes para o disco, para o qual Lucas trouxe então duas composições de sua autoria: "Physicaltraction" e "Borderline", escritas especificamente para ela. Esta última foi a primeira faixa em que Lucas usou uma bateria eletrônica em vez de um baterista; ele e Madonna trabalharam nela enquanto estavam no apartamento do artista Jean-Michel Basquiat. Surgiram problemas entre os dois, pois ela sentiu que ele estava "afastando [as músicas] da forma esparsa das demos originais", algo que ela não aprovava; o produtor acabou saindo do projeto sem alterar as faixas. A cantora então convidou John "Jellybean" Benitez, seu namorado na época, para trabalhar e mixar as músicas restantes. No caso de "Burning Up" e "Lucky Star", Benitez adicionou riffs de guitarra e vocais extras; para este último ele também adicionou uma "batida disco sintetizada com floreios comoventes" e elementos de new wave.
Outra questão surgiu depois que Madonna descobriu que Bray havia vendido a música "Ain't No Big Deal" para a banda Barracuda, tornando-a indisponível para seu álbum. Benitez abordou Curtis Hudson e Lisa Stevens-Crowder, da banda Pure Energy, e pediu-lhes uma canção. Intitulada "Holiday", a faixa foi escrita por Hudson e Stevens-Crowder para o grupo, mas sua gravadora Prism Records decidiu não gravá-la. "Holiday" já havia sido oferecido a Mary Wilson e Phyllis Hyman. Depois de receber a demo, Madonna rapidamente gravou os vocais. Benitez reuniu os músicos, cantarolou a música para eles e pediu a cantora que a interpretasse com uma "abordagem muito emocionante". Hudson tocou guitarra e seu irmão Raymond o baixo; a própria Madonna tocou o sino que pode ser ouvido no início, enquanto os vocais de fundo foram fornecidos por Norma Jean Wright e Tina Baker. Pouco antes de ser concluído, a cantora e Benitez levaram a fita para Zarr, para que ele pudesse acrescentar o que ela chamou de "Zarrismos": "floreios criativos" que dariam os "retoques finais", o que acabou sendo um solo de piano no final.
Estrutura musical