Paula Beatriz de Souza Cruz (Taboão da Serra, 31 de janeiro de 1971) é uma educadora, diretora escolar e ativista brasileira pelos direitos da população LGBT. É responsável pela administração da Escola Estadual Santa Rosa de Lima, no Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, cargo que ocupa desde 2013.'Revolução começa na educação', diz 1ª diretora trans da rede pública de SP. Por Mariana Toledo. UOL, 22 de fevereiro de 2022.

Foi a primeira diretora trans de uma escola pública em São Paulo. Conduziu, de maneira pioneira, a mobilização em favor da inclusão de nome social de alunos(as) transexuais e travestis nas listas de chamada e nos diários de classe das escolas. Paula Beatriz de Souza Cruz. Tra(vestis)ns na Educação ESPALHA EDH - Informativo mensal sobre Educação em Direitos Humanos], 11ª edição, janeiro de 2021. Prefeitura da Cidade de São Paulo. Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, p. 4-7

Carreira na educação Paula Beatriz é educadora há mais de 35 anos, formada em pedagogia e pós-graduada em gestão educacional, pela Unicamp, e em Docência no Ensino Superior, pela Universidade Estácio de Sá.

Iniciou a carreira de professora aos 18 anos. Leciona na rede estadual de ensino de São Paulo desde 1989, quando ingressou na Escola Estadual Presidente Kennedy. Desde 2003, é diretora da E.E. Santa Rosa de Lima, com 1000 alunos do 1° ao 5° ano do ensino fundamental e 70 professores e funcionários.

Ativismo Paula tem organizado diversas atividades sobre o movimento LGBT na sua escola e na comunidade. Na escola, liderou estudos e discussões sobre pessoas LGBT no sistema educacional. Na comunidade, tem dado palestras em conferências, como a TODXS Conecta e o Congresso sobre Gestão de Pessoas do Setor Público Paulista. Além do mais, é ativa e reconhecida na comunidade afrodescendente.

Em 2012, filiada ao Partido Socialismo e Liberdade, candidatou-se ao cargo de vereadora pelo município de São Paulo, tornando-se suplente.

Prêmios e homenagens Tem sido reconhecida por sua trajetória e seu ativismo em diversas instâncias.

Em 2014 ganhou o 1º Prêmio Telma Lipp - categoria Educação, no IX Encontro Sudeste de Travestis e Transexuais.

Em 2016 ganhou o Prêmio Claudia Wonder, na 4ª SPTransvisão – em comemoração ao dia 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans.29 de janeiro: Dia da Visibilidade Trans, contrafcut.com.br, 27 de janeiro de 2022. Também em 2016 ganhou o Prêmio da Diversidade - 5ª Edição, na categoria Personalidade Transexual.Conheça os vencedores do Prêmio PapoMix da Diversidade – 5ª edição, acpspapomix.org.br, 6 de julho de 2016. Em 2017 o Ministério da Educação, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, a 1ª Revista da ABRAPEE (Associação Brasileira de Profissionais e Especialistas em Educação) e a Revista UOL on line publicaram matéria reconhecendo-a como a 1ª Diretora Transexual da Rede Estadual de Ensino de São Paulo.

Em 2018 foi palestrante do Ciclo Educar Hoje - As diferentes infâncias no território, realizado pelo Sesc São Paulo.As diferentes infâncias no território. SESC - SP, 7 de maio de 2018, e homenageada pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo pela notável participação na categoria Diversidade Sexual e de Gênero.

Em 2019, recebeu o Prêmio Ruth de Souza, oferecido pelo Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo (CPDCN), da Secretaria da Justiça e Cidadania. O prêmio celebra líderes afro-brasileiros. Também em 2019, foi homenageada durante o ato solene organizado pelo deputado Carlos Giannazi, na Alesp, por seu ativismo LGBTQIA+.

Em 2021, recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação, concedido pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.Prêmio Darcy Ribeiro 2021. Câmara dos Deputados. Comissão de Educação. Ainda em 2021, uma das travessas do Jardim Mitsutani, no Capão Redondo, passou a ser chamada "Professora Paula Beatriz", por iniciativa dos próprios moradores do bairro.1ª diretora trans de escola pública em São Paulo vira nome de travessa no Capão Redondo. Folha de S.Paulo, 6 de agosto de 2021.

Em 28 de junho de 2022, a Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa da vereadora Erika Hilton, concedeu-lhe o título de Cidadã Paulistana.Entrega do Título de Cidadã Paulistana à Sra. Paula Beatriz de Souza Cruz. 28 de junho de 2022.

Vida pessoal

De família modesta, nasceu num município da periferia da Região Metropolitana de São Paulo, recebendo o nome de Paulo. A mãe separou-se do pai quando os seis filhos do casal ainda eram pequenos.

Sua infância e adolescência foram marcadas por várias descobertas - entre elas, a de que era uma mulher trans e a de que queria ser professora.

Aos nove anos, Paulo foi levado a um psiquiatra, por recomendação da escola. O diagnóstico foi "homossexualismo", condição que, na época, era tida como doença, pela Organização Mundial da Saúde, e só em 1990 deixou de constar na CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde). Começou a tomar medicamentos, o rendimento na escola caiu, o comportamento mudou, até que sua mãe, Beatriz, jogou todas as drogas no vaso sanitário. Em entrevista, Paula atribuiu à mãe a fala: "Se for para ter filho gay, terei. Filho louco, não. Filho infeliz, não".Brasil é o céu e o inferno para os transexuais. Por Tom C. Avendaño. El País, 30 de dezembro de 2017. Dona Beatriz era servente escolar. Depois virou zeladora da Escola Estadual Presidente Kennedy e a família morou lá por cerca de sete anos lá, enquanto era construída a própria casa.

Paula Beatriz lembra que gostava de ir para a biblioteca. "Nas férias, também ajudava na secretaria, já que a minha caligrafia era boa. Quando decidi ser professora, muitos me desincentivaram, falando que era uma profissão que pagava muito mal. Aos 18 anos, comecei a alfabetizar crianças e adultos e, em 1989, iniciei a docência. Me formei em pedagogia, fiz pós-graduação em gestão educacional e em docência no ensino superior." Sempre teve uma boa relação com sua família e se refere à sua imagem anterior como a de seu "irmão gêmeo".PAULA CRUZ – Mais educação e menos fobia. Por Alecsandra Zapparoli. Itaú Social, 8 de setembro de 2020. Não se livra de fotos antigas, nem tenta esquecer seu passado.

Transição de gênero Em 2007, começou o processo médico para o procedimento de readequação de sexo. Anteriormente à sua transição de gênero, Paula era coordenadora, instrutora e diretora. Sua transformação foi completada quando ainda era diretora. Ela sentia que estava confortável durante sua transição, em parte por causa do apoio de seus colegas e alunos. Por esse motivo, faz um esforço para apoiar outras pessoas em transição, na comunidade escolar. Em 2013, retificou seus documentos para o sexo feminino e alterou seu nome civil para Paula Beatriz de Souza Cruz.

Filmografia Meu corpo é político, documentário de Alice Riff, com Fernando Ribeiro, Giu Nonato, Linn da Quebrada e Paula Beatriz.Mostra Ecofalante de Cinema 2023. Meu Corpo É Político, de Alice Riff. Brasil, 2017, 71' Transgente (2019), série documental exibida pelo Canal Brasil, em seis episódios de 30 minutos. Direção de Adriana Dutra e Malu de Martino.Série documental sobre transgêneros estreia na TV. Por Tony Goes. Folha de S.Paulo, 17 de junho de 2019.

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