The Emancipation of Mimi é o décimo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Mariah Carey, lançado em 12 de abril de 2005 no México, e disponibilizado em outros territórios nos dias seguintes, através da Island Records. Após a recepção crítica e comercial relativamente fraca de seus dois projetos anteriores, Glitter (2001) e Charmbracelet (2002), Carey começou a desenvolver seu novo disco. Ela trabalhou com produtores como Jermaine Dupri, Swizz Beatz e Rodney Jerkins, e serviu como produtora executiva ao lado de L.A. Reid, então presidente da Island. A artista optou em usar seu apelido nome pessoal Mimi no título, revelando um lado mais intimista, visto no tema declarativo do álbum, que é a emancipação dos seus contratempos pessoais e comerciais.

The Emancipation of Mimi foi concebido e gravado ao longo do ano de 2004, sob a produção de Carey, Dupri, Beatz, Jerkins, Manuel Seal, Bryan-Michael Cox, LRoc, The Legendary Traxster, James "Big Jim" Wright, The Neptunes, Kanye West, James Poyser, Nelly e Mahogany Music. Em termos musicais, The Emancipation of Mimi é um notável afastamento de Charmbracelet, altamente influenciado por gêneros como pop e adult contemporary, apresentando como estilos musicais predominantes o R&B e o soul retrô da década de 1970, bem como influências do gospel, do pop e do hip hop, incorporando também gêneros inspirados pela dance music para manter seu motivo celebrador. Suas canções tratam de temas como amor e dança e, nelas, Carey apresenta uma forte entrega vocal, embora apresente uma produção vocal semelhante aos trabalhos anteriores. Profissionais notaram o tema de independência do trabalho, descrevendo-o como um álbum "festeiro".

The Emancipation of Mimi obteve análises positivas de críticos musicais, que elogiaram os vocais da intérprete e a mistura de estilos musicais. Como resultado, foi indicado a um total de oito categorias nos Grammy Awards, incluindo Álbum do Ano. Venceu três, entres eles Melhor Álbum de R&B Contemporâneo. Além disso, foi posicionado na 389.ª colocação da lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Comercialmente, o projeto também registrou uma recepção positiva, listando-se nas dez primeiras colocações de diversos países, como Alemanha, Austrália, Canadá, França, Japão, Nova Zelândia, Reino Unido e Suíça. Em território estadunidense, debutou no topo da Billboard 200 com 404 mil unidades vendidas em sua semana de estreia, marcando o primeiro número um de Carey no periódico desde Butterfly (1997) e obtendo o segundo maior número de vendas da artista em sete dias, ficando apenas atrás de E=MC² (2008). Como resultado, converteu-se no mais comprado na nação em 2005, com quase 5 milhões de cópias comercializadas. Em âmbito global, foi o segundo álbum mais vendido de 2005 — ficando apenas atrás de X&Y, da banda inglesa Coldplay —, e vendeu mais de 10 milhões de exemplares até a data.

Foram lançados seis singles do disco, dos quais "It's Like That", "We Belong Together" e "Shake It Off" obtiveram melhor desempenho, com destaque para o segundo, que culminou na Billboard Hot 100 por 14 semanas não-consecutivas e converteu-se na mais bem sucedida da tabela em 2005 e na década de 2000. "Don't Forget About Us", retirada da edição Ultra Platinum, também liderou a parada, rendendo a Carey seu 17.º tema a atingir tal feito. "Get Your Number", "Say Somethin'" e "Fly Like a Bird" receberam um lançamento limitado e obtiveram um fraco desempenho comercial. A divulgação de The Emancipation of Mimi consistiu em apresentações feitas em diversos programas televisivos e premiações ao redor do mundo, além da turnê The Adventures of Mimi Tour (2006), que visitou a África, a América do Norte e a Ásia e foi registrada no DVD homônimo. O sucesso crítico e comercial do trabalho, aliado ao bom desempenho de seus singles, fez com que fosse considerado como o seu verdadeiro "retorno" e responsável por re-introduzir Carey aos holofotes após um período de pouco reconhecimento, rendendo também uma série de recordes nas paradas.

Antecedentes Depois de divorciar-se de seu ex-marido, mentor e então chefe executivo da Columbia Records, Tommy Mottola, Mariah Carey conquistou maior controle criativo em sua carreira, lançando em Butterfly (1997), seu primeiro álbum de estúdio distribuído após a separação no qual retratou, através de letras pessoais em algumas canções, sua perspectiva sobre a relação com Mottola. Com seu disco posterior Rainbow (1999), ela continuou a tendência de explorar novos elementos musicais, mais notavelmente com o primeiro single do trabalho, "Heartbreaker", no qual ela usou o hip hop com maior predominância até então. Comparando a mudança musical da cantora com "Dirrty", de Christina Aguilera, Andre Meyer, da CBC News, comentou que "Mariah talvez esteja se vendendo, mas ela está fazendo isso com um piscar de olhos". De acordo com o profissional, Carey fez isso para "permanecer um objeto pop". Ao longo dos seus trabalhos na década de 1990, a intérprete começou a usar menos sua voz e, segundo Meyer, permitiu-a soar "mais [do] gueto". Ela também parou de trabalhar com seus parceiros de composição e produção de longa data como Babyface e Walter Afanasieff, a fim de buscar um novo som e conquistar um novo público, colaborando com produtores como Sean Combs e Jermaine Dupri — algo que, segundo Meyer, foi realizado com grande inspiração, embora não tenha sido a primeira a explorar o hip hop.

Depois de conquistar sucesso mundial com Rainbow, Carey concluiu seu contrato com a Columbia e, em 2001, estreou nos cinemas interpretando a protagonista do filme Glitter, recebido com análises negativas e baixo desempenho comercial — apenas 8 milhões de dólares foram arrecadados em âmbito global, em contrapartida aos 22 milhões de dólares gastos na produção do trabalho. Sua trilha sonora correspondente também obteve uma baixa repercussão, com apenas 3 milhões de unidades vendidas, inferior a todos os outros álbuns da intérprete, e o single inicial atingindo a vice-liderança na Billboard Hot 100, sendo o primeiro de sua carreira a não liderar a parada. Com a fraca recepção dos projetos, a Virgin Records cancelou o contrato de 100 milhões de dólares com a artista e pagou-lhe apenas 28 milhões de dólares com a rescisão. Em meio à divulgação do trabalho, Carey deixou mensagens preocupantes em sua página na Internet e internou-se em um hospital em Connecticut citando um "colapso emocional e físico", após uma controversa participação no televisivo Total Request Live na qual demonstrou um "comportamento errático" em frente às câmeras. Posteriormente, ela viajou para Capri, Itália após duas semanas de tratamento, permanecendo lá por cinco meses, período no qual começou a desenvolver material para um novo álbum de estúdio, decorrente das experiências que sofreu em 2001. Depois de ser contratada Island Records e iniciar sua própria empresa, a MonarC Entertainment, Carey preparou-se para o seu pretendido lançamento de retorno, Charmbracelet (2002). Críticos musicais descreveram o álbum como uma forte melhoria de Glitter, mas que não era algo que recapturaria os públicos ao redor do mundo e voltaria com a popularidade da artista como era nos anos 1990. Muitos notaram os vocais mais arejados e leves de Carey, e criticaram-na por não ser capaz de atingir o mesmo nível de talento vocal que a fez ser conhecida no início de sua carreira.

Título e desenvolvimento Após três anos de "escrutínio" dos críticos, Carey começou a planejar seu retorno à música. Através de uma carta divulgada em sua página oficial em 18 de novembro de 2004, ela revelou que o nome de seu novo disco seria The Emancipation of Mimi, derivado de seu apelido Mimi. A cantora comentou que embora o produto tenha sido planejado para ser lançado em março do ano seguinte, ela queria explicar seu título por ter sido divulgado pela mídia mais cedo do que esperava. Carey descreveu como o nome do álbum era "muito diferente" para ela e esclareceu que Mimi era um "apelido muito pessoal" usado apenas por aqueles com quem tinha maior contato, e era "apenas uma dessas coisas pequenas que eu mantive para mim em uma tentativa de ter alguma delimitação entre uma personalidade pública e uma vida privada". Enquanto a artista gravava o álbum, L.A. Reid, então presidente da Island Records, descobriu que as pessoas referiam-se à cantora como Mimi e lhe disse: "Eu sinto seu espírito nesse disco. Você deveria usar esse nome no título, porque esse é o seu lado divertido que as pessoas não conseguem ver — o lado que pode rir das piadas de diva, rir das piadas sobre o [seu] colapso, rir do que elas quiserem dizer sobre você e [você] apenas vive sua vida e a aproveita". Em entrevista com o MSNBC, Carey revelou ter achado "obnóxio" intitular o disco de The Emancipation of Mariah Carey, e explicou de forma mais aprofundada o significado do título final:

Jennifer Vineyard, da MTV News, considerou que o título foi influenciado por Damita Jo (2004), de Janet Jackson, por também apresentar uma personalidade alternativa, e notou que The Emancipation of Mimi poderia fazer o que Charmbracelet não fez e poderia ser seu "retorno pós-colapso e pós-Glitter". A editora também sentiu que o álbum mostrou Carey finalmente "se livrando das correntes" de Mottola. A foto de capa do projeto, fotografada por Markus Klinko e Indrani, apresenta a artista em um vestido dourado e sapatos de salto alto. Seu cabelo está solto ao vento e seu braço aparece na altura da cabeça enquanto o outro está na cintura. Ela está em pé na frente de um fundo preto. A imagem foca no comprimento de suas pernas e a faz parecer mais alta. Carey revelou a Billboard: "Fizemos algumas fotos diferentes, e na verdade a minha favorita é a que aparece na Ultra Platinum. Aquilo que estou usando nem é um vestido. É algo que envolve o corpo. É tão estranho, mas você tinha que ter confiança para usar algo assim e estar se sentido bem. Eu estava em um momento em que pensei: 'Olha, as pessoas podem ter me descartado, mas eu nunca vou me descartar, e este é um momento importante para mim'".

Gravação 230px|thumb|left|Carey compôs e produziu quatro canções com Jermaine Dupri (imagem) durante uma viajem a Atlanta, Geórgia, incluindo "We Belong Together" e "It's Like That". Na altura de novembro de 2004, Carey já havia gravado diversas canções para o seu décimo segundo álbum de estúdio. Durante um encontro com L.A. Reid, ele sugeriu-lhe compor alguns singles mais fortes, para assegurar-se da boa estadia comercial do projeto, e também uma breve sessão em Atlanta com Jermaine Dupri, com quem Mariah, na opinião de Reid, havia elaborado alguns dos seus melhores trabalhos". Em conversa com a MTV, a intérprete lembrou como o processo surgiu: "L.A. ficou tipo, 'Você e Jermaine Dupri fazem mágica juntos, porque você não entra em estúdio com ele?', e eu disse 'Eu amo Jermaine, ele está livre? Eu sei que ele está fazendo um milhão de coisas, [com] Usher e tudo mais'. Mas Jermaine disse, 'Velha logo'". Durante a viagem de dois dias à Atlanta, a dupla compôs e produziu "Shake It Off" e "Get Your Number"; naquele ponto, Carey e sua gestão na Island decidiram selecionar outra canção para servir como a primeira faixa de trabalho — "Say Somethin'", criada em colaboração com Snoop Dogg e Pharrell Williams. A cantora lembrou que desde que ouviu a demo de "Shake It Off", ela sabia que "era sua canção favorita" e decidiu lançá-la como o single inicial do álbum, em substituição a "Get You Number". Em entrevista com a MTV, Carey falou sobre as diversas emoções e pensamentos que influenciaram o processo criativo do disco antes de sua viagem à Atlanta: