Caminho de Ferro de Nacala (CFN), também chamado de Caminho de Ferro do Corredor do Norte, Caminho de Ferro do Corredor de Nacala e Linha Nacala-Entre Lagos, é uma ferrovia que liga as cidades moçambicanas de Nacala e Moatize, atravessando o centro do Maláui. Possui cerca de 912 km de extensão, em bitola de 1067 mm.Mozambique Logistics Infrastructure: Mozambique Railway Assessment. Atlassian Confluence. 10 de dezembro de 2018.
Em toda a sua extensão sua gestão é feita por uma empresa de empreendimento conjunto chamada "Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Norte S.A.", composta por participações da mineradora Vale, da Central East African Railways (empresa privada malauiense) e da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).Entretanto, para financiar as suas operações, a Vale vendeu 50% da sua participação no Corredor ao conglomerado japonês Mitsui.
O seu ponto de escoamento principal é o Porto de Nacala.
Esta ferrovia é um dos componentes principais do mega-empreendimento logístico chamado "Corredor Logístico de Nacala", que além de ferrovia, inclui rodovias, portos e aeroportos.Vale conclui Project Finance do Corredor Logístico de Nacala. Vale. 23 de março de 2018.
História A construção do Caminho de Ferro de Nacala começou em 1915, inicialmente como um projeto de ligação do porto de Lumbo com a vasta hinterlândia até o Protetorado de Niassalândia.Baia, Alexandre Hilário Monteiro.. Os conteúdos da urbanização em Moçambique: considerações a partir da expansão da cidade de Nampula São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016. pp.32. Os primeiros 90 km, até Monapo, foram abertos à operação já em 1924, porém o projeto declinou por falta de recursos.Jesus Neto, António Gomes.. Entre trilhos e rodas: fluidez territorial e os sentidos da circulação de mercadorias em Moçambique. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016. pp.20.
Quando a construção foi retomada, no final da década de 1920, percebeu-se que o porto de Lumbo apresentava uma série de fragilidades projetuais, decidindo-se que Nacala deveria ser o terminal portuário para a linha. O traçado foi alterado e uma ligação entre Monapo e Nacala foi aberta.
Em 1932, a ferrovia alcançava 350 km já conectando Nacala a Mutivasse e, em 1950, estendia-se até Cuamba, a 538 km de Nacala. Partindo de Cuamba, foram construídos 262 km de um ramal até Lichinga.White, Landeg. Bridging the Zambezi: a Colonial Folly. Springer, 18 de junho de 1993. pp. 107-108.
Em 17 de maio de 1968 o governo do Maláui assinou um acordo com Portugal para abrir uma extensão que partiria da cidade de malauiense de Nkaya, para conectar-se com Cuamba. A estação de Nkaya formaria, assim, uma interconexão do Caminho de Ferro de Sena com o Caminho de Ferro de Nacala. A linha de Nacala é rota mais longa, mas mais direta, de conexão do Maláui ao mar, de maneira que a linha de Sena para o porto da Beira foi preterida, e a maior parte do tráfego de mercadorias malauienses mudou-se para o corredor de Nacala. A extensão Nkaya-Cuamba foi inaugurada pelo presidente malauiano Hastings Kamuzu Banda em 4 de julho de 1970, numa cerimônia conjunta com autoridades portuguesas em Cuamba; suas operações iniciaram em 3 de agosto de 1970.Perry, J.W.B.. Malawi's New Outlet to the Sea: Geography. Vol. 56, No. 2 (abril de 1971), pp. 138-140.Nkana, Robert.. Malawi Railways: an Historical Review. The Society of Malawi Journal. Vol. 52, No. 1 (1999), pp. 39-45
O governo moçambicano iniciou a reabilitação da linha em novembro de 2005,Phiri, Patson. Rehabilitation work starts on Nacala railway line. Southern African News Features 06 No 44, Southern African Research and Documentation Centre. Maio de 2006. dentro do mega-empreendimento "Corredor Logístico de Nacala", que enseja a hiper-conexão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Em 2010 a mineradora multinacional Vale conseguiu costurar a formação do empreendimento conjunto "Sociedade do Corredor Logístico Integrado do Norte", para administração da ferrovia, tendo liberdade para a construção da extensão do Caminho de Ferro de Nacala até o cinturão carbonífero de Benga-Moatize, onde mineradora possui concessões de exploração mineral. A extensão partiu da estação de interconexão de Nkaya e seguiu até Moatize, sendo concluída em 2017.Inauguração do Corredor Logístico de Nacala deverá multipicar exportações de Moçambique. Diário de Notícias. 20 de maio de 2017. O projeto incluiu um terminal de exportação e um pátio de armazenamento de carvão no porto de Nacala-a-Velha.
Estações principais As principais estações do CFN são: Estação de Nacala Estação de Monapo Estação de Nampula Estação de Cuamba Estação de Entre-Lagos Estação de Nayuchi Estação de Liwonde Estação de Nkaya Estação de Mwanza Estação de Cana-Cana Estação de Moatize
Ramais O CFN possui três ramais importantes: Ramal de Nacala-a-Velha;Estudo de Impacto Ambiental do Terminal Portuário e Ramal Ferroviário de Nacala-a-Velha: Relatório. George (RAS), Aurecon. 2010. vol. I. Ramal do Lumbo (inoperante); Ramal Cuamba—Lichinga.
Acidentes Em 4 de março de 1991 um comboio desgovernado descarrila em Nacala, causando a morte de 96 pessoas.Semmens, Peter W. B.. Katastrophen auf Schienen: Eine weltweite Dokumentation. Stuttgart: Transpress, 1996, ISBN 3-344-71030-3. pg. 223, 244. Em 13 de setembro de 1993 um comboio descarrilou no Caminho de Ferro de Nacala, causando a morte de 77 pessoas.
Nacala Categoria:Transportes do Malawi