The Wizard of Oz (em Portugal, O Feiticeiro de Oz; no Brasil, O Mágico de Oz) é um filme americano do gênero fantasia e musical familiar, lançado em 1939 pela Metro-Goldwyn-Mayer, baseado no livro The Wonderful Wizard of Oz de L. Frank Baum. O filme foi parcialmente dirigido por Victor Fleming (que deixou a produção para dirigir Gone with the Wind), com a produção de Mervyn LeRoy e o roteiro escrito pelo trio Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf. Contando com as atuações de Judy Garland, Frank Morgan, Ray Bolger, Bert Lahr, Jack Haley, Billie Burke, Margaret Hamilton e Charley Grapewin, o filme narra a história de uma garota órfã chamada Dorothy Gale, que, após ser levada por um tornado, viaja para a Terra de Oz e tenta encontrar o caminho de volta para sua casa.
Após o sucesso de Branca de Neve e os Sete Anões, a MGM decidiu fazer um filme sobre contos populares e, em 1938, comprou os direitos do livro de Frank Baum. Porém, como filmes altamente fantasiosos não eram bem vistos pelo público da época, William H. Cannon recomendou que fossem diminuídos ou retirados os elementos de fantasia do filme. Isso fez com que o roteiro fosse reescrito várias vezes, sendo finalizado apenas em 8 de outubro de 1938. As filmagens começaram em outubro e terminaram em fevereiro de 1939, e seus bastidores foram marcados por agressões dos diretores aos atores, assédios sexuais a Judy Garland, intoxicações e até um possível (ainda não confirmado) suicídio de um dos figurantes anões do filme.
Lançado oficialmente em 15 de agosto de 1939, o filme não teve bom desempenho nas bilheteiras, apesar da boa recepção da crítica, o que resultou em seis indicações ao Oscar. No entanto, suas exibições na televisão, seus efeitos especiais inovadores para a época, os constantes relançamentos e seu sucesso nas mídias domésticas fizeram com que o filme ganhasse uma fama de cult, sendo hoje considerado um dos melhores musicais de todos os tempos e um dos primeiros filmes a ser preservado no National Film Registry por ser "cultural, histórica ou esteticamente significativo". A trilha sonora do filme também é amplamente conhecida, graças à música "Over The Rainbow", que foi considerada pelo AFI uma das melhores músicas presentes em filmes. O filme e a música são considerados um marco cinematográfico da era de ouro de Hollywood, gerando até hoje várias paródias e sendo referenciados por suas músicas e cenas em séries, novelas, filmes, músicas e na cultura pop em geral.
Enredo thumb|180px|Dorothy Gale (Judy Garland) e Totó, interpretado pelo cairn terrier Terry. No Kansas vive Dorothy Gale (Judy Garland), uma aluna de 12 anos que vive na fazenda dos seus tios Henry (Charley Grapewin) e Em (Clara Blandick). Após o cão de Dorothy, Totó, 'atacar' a insuportável Srta. Gulch (Margaret Hamilton), esta, irritada, vai até Henry e Em com uma ordem judicial que a autoriza pôr o Totó "para dormir". Apesar dos apelos de Dorothy, os tios dela se sentem obrigados em cumprir a lei, então Gulch pega Totó e o coloca em uma cesta na bicicleta dela. Porém o cachorro foge e corre de volta para a fazenda. Temendo que Gulch volte para pegar Totó, Dorothy foge. Na estrada conhece o professor Marvel (Frank Morgan), um charlatão que deixa Dorothy fascinada com seus "dons". Ele entende que Dorothy fugiu de casa, então sutilmente a persuade para voltar para casa.
Porém, quando Dorothy e Totó voltam, surge um tornado enorme, que se move pelas planícies na direção da fazenda. Os colonos Zeke (Bert Lahr), Hickory (Jack Haley) e Hunk (Ray Bolger) correm com Em e Henry para um abrigo, fechando as portas antes de verem Dorothy, que não teve tempo de se proteger com eles. Dorothy corre para dentro da casa, quando uma tela de janela arrancada pelo vento voa através do quarto e bate na sua cabeça. Logo ela descobre que a casa da fazenda foi arrancada do chão pelo ciclone e está sendo levada para o centro do tornado. Olhando pela janela, vê voando com a força do vento os animais de fazenda, um homem remando um barco e até mesmo uma mulher idosa, que calmamente tricota na cadeira de balanço. Dorothy também vê Gulch pedalando sua bicicleta, mas de repente se transforma em uma bruxa horrorosa montando uma vassoura e usando um chapéu pontudo. A casa começa a descer, girando até o solo e aterrissando com um estrondo. Apreensiva, ela abre a porta da casa e seus olhos se deslumbram com um lugar maravilhoso. Dorothy tem certeza que não está mais no Kansas, principalmente quando, através de uma bolha colorida, surge Glinda (Billie Burke), a Bruxa Boa do Norte, perguntando se Dorothy era uma bruxa boa ou má. O motivo da pergunta é que os munchkins, os pequenos habitantes daquele lugar, disseram a Glinda que uma bruxa derrubara uma casa sobre a Bruxa Má do Leste, matando-a e os libertando de suas maldades. A Bruxa do Leste foi esmagada e agora só se pode ver suas pernas, que usava mágicos sapatos de rubi. Porém uma nuvem de fumaça vermelha anuncia a chegada da Bruxa Má do Oeste, que é igual à Srta. Gulch, e ameaça Dorothy tentando arrebatar os sapatos de rubi, que permanecem nos pés da sua irmã morta. Entretanto a Bruxa do Oeste não tem nenhum real poder na terra dos munchkins e, antes que possa pôr as mãos nos sapatos mágicos, eles surgem nos pés de Dorothy, graças a uma magia de Glinda. A bruxa jura vingança diante de uma terrificada Dorothy, antes de desaparecer em outra nuvem de fumaça vermelha. Dorothy conta para Glinda que ela quer ir para sua casa no Kansas. Glinda não pode ajudá-la, só o grande e Todo-Poderoso Mágico de Oz (Frank Morgan). Glinda diz que ele tem este poder e Dorothy busca a ajuda dele na Cidade de Esmeraldas, onde ele reside. Glinda aponta para ela a Estrada de Tijolos Amarelos e lhe diz para seguir este caminho para chegar na Cidade de Esmeraldas. Antes de partir Glinda diz para ela nunca tirar os sapatos. No caminho conhece um espantalho (Ray Bolger) que quer ter um cérebro e como visitará um mago, pode ser que ele arrume um cérebro para o espantalho, assim resolvem viajar juntos. Mais adiante encontram um homem de lata (Jack Haley), que anseia por um coração, então os três passam a viajar juntos. Logo depois se deparam com um leão covarde (Bert Lahr), que quer ter coragem, então o quarteto fica mais do que determinado em achar o mágico de Oz.
Ao longo da sua jornada de volta para casa, Dorothy terá que enfrentar a Bruxa Má do Oeste que quer os sapatos de rubi mágicos, até se encontrar com o grande Mágico.
Mas “O Mágico de Oz” é desmascarado por Dorothy, que descobre ser tudo uma farsa cercado de artifícios e efeitos especiais e que ele não possuía nenhum poder especial. A sequência em que Dorothy abre a cortina e encontra quem realmente é o Mágico de Oz (um homem cruel, rude e inseguro que manipula um sistema que projeta a imagem de um Deus ameaçador em meio a trovões e jatos de fogo) é repleta de significados teosóficos.
Produção Desenvolvimento A produção do filme começou quando Branca de Neve e os Sete Anões (1937), de Walt Disney, mostrou ao público que filmes adaptados de histórias infantis populares e contos de fadas poderiam ser um sucesso.The Wonderful Wizard of Oz, the Making of a Movie Classic (1990). CBS Television, narrado pela Angela Lansbury. Co-produzido por John Fricke e Aljean Harmetz. Em janeiro de 1938, a Metro-Goldwyn-Mayer comprou os direitos do romance extremamente popular de L. Frank Baum. Samuel Goldwyn, que havia considerado a ideia de fazer o filme como um veículo para popularizar Eddie Cantor — que estava sob contrato com os estúdios Goldwyn e que Goldwyn queria escalar como o Espantalho — também esteve envolvido nesse processo.
O roteiro passou por vários escritores e revisões antes das filmagens finais. O assistente de Mervyn LeRoy, William H. Cannon, apresentou um esboço razoável de quatro páginas. Como os filmes de fantasia recentes da época não tiveram um bom desempenho nas bilheteiras, ele recomendou diminuir ou remover os elementos mágicos da história. Em seu esboço, o Espantalho era um homem tão estúpido que o único emprego disponível para ele era literalmente assustar corvos nos campos de milho, enquanto o Homem de Lata era um criminoso tão sem coração que foi condenado a ser colocado em um robô de lata pela eternidade — uma tortura que o suavizou e o transformou em alguém mais gentil e amável.
Posteriormente, LeRoy contratou o roteirista Herman J. Mankiewicz, que entregou um rascunho de 17 páginas das cenas do Kansas e, algumas semanas depois, mais 56 páginas. Ele também convidou Noel Langley e o poeta Ogden Nash para escrever outras versões da história. Nenhum dos três sabia sobre os outros. Nash apresentou um esboço de quatro páginas, enquanto Langley apresentou um de 43 páginas. Um desses esboços se transformou em mais três, incorporando as canções que foram escritas por Harold Arlen, Yip Harburg, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf, que foram contratados para retocar a redação. Eles seriam responsáveis por garantir que a história continuasse fiel ao livro de Baum. No entanto, o produtor Arthur Freed não gostou do trabalho deles e o transferiu para Langley. Durante as filmagens, Victor Fleming e John Lee Mahin revisaram ainda mais o roteiro, adicionando e cortando algumas cenas. Além disso, Jack Haley e Bert Lahr são conhecidos por terem escrito alguns de seus diálogos para cenas no Kansas.
A versão final do roteiro foi concluída em 8 de outubro de 1938, após vários diálogos serem reescritos, mas somente Langley, Ryerson e Woolf receberam os créditos do filme. Junto com os contribuintes já mencionados, outros que ajudaram na adaptação sem receber crédito incluem: Irving Brecher, Herbert Fields, Arthur Freed, Yip Harburg, Samuel Hoffenstein, Jack Mintz, Sid Silvers, Richard Thorpe, George Cukor e King Vidor.
Muito cuidado foi dado ao uso de technicolor na produção, com a equipe de produção da MGM dando preferência a alguns tons específicos. O departamento de arte do estúdio levou quase uma semana para colorir a estrada de tijolos amarelos.
Escalação do elenco Dorothy e seus três companheiros de jornada|thumb|200px|esquerda Várias atrizes foram consideradas para o papel de Dorothy Gale, incluindo Shirley Temple, que na época era a estrela mirim mais famosa; Deanna Durbin, uma atriz recém-chegada com uma reconhecida voz operística; e Judy Garland, a mais experiente das três. Oficialmente, a decisão de escalar Garland para interpretar Dorothy foi atribuída a questões orçamentais.
Ray Bolger foi originalmente escalado como o Homem de Lata e Buddy Ebsen como o Espantalho. No entanto, Bolger ansiava por interpretar o Espantalho, personagem que seu ídolo de infância, Fred Stone, havia interpretado no palco em 1902. Com aquela performance, Stone o inspirou a se tornar um vaudevilliano. Agora insatisfeito com seu papel como o Homem de Lata (alegadamente afirmando: "Não sou um artista de lata; sou fluido"), Bolger convenceu o produtor Mervyn LeRoy a transferi-lo para o papel que tanto desejava. Ebsen não se opôs. Depois de examinar os fundamentos do andar distinto do Espantalho com Bolger (como dançarino profissional, Ebsen foi escalado porque o estúdio estava confiante de que ele conseguiria replicar o famoso "andar vacilante" do Homem de Lata), ele gravou todas as suas canções, passou por todos os testes de ensaio como o Homem de Lata e começou a filmar com o restante do elenco.Fricke, John and Scarfone e William Stillman. The Wizard of Oz: The Official 50th Anniversary Pictorial History, Warner Books, 1989