O termo "Cinema da Coreia" (ou "cinema coreano") abrange as indústrias cinematográficas das Coreias do Norte e do Sul. Como em todos os aspectos da vida coreana durante o século passado, a indústria cinematográfica esteve frequentemente à mercê de eventos políticos, desde a dinastia Joseon tardia até a Guerra da Coreia e interferências governamentais domésticas. Embora os dois países possuam indústrias cinematográficas relativamente robustas atualmente, apenas os filmes sul-coreanos obtiveram grande sucesso internacional. Os filmes norte-coreanos tendem a retratar seus temas comunistas ou revolucionários.
Os filmes sul-coreanos desfrutaram de uma "era de ouro" durante o final dos anos 1950 e 1960, mas na década de 1970, geralmente, são considerados como de baixa qualidade.Parc, J. 2017, The Effects of Protection in Cultural Industries: The Case of the Korean Film Policies, The International Journal of Cultural Policy 23(5): 618-633.Parc, J. 2018, “Evaluating the Effects of Protectionism on the Film Industry: A Case Study Analysis of Korea”, in Paul Murschetz, Roland Teichmann, and Matthias Karmasin (Eds.), Handbook of State Aid for Film, Springer: Cham, Switzerland, pp. 349-366. No entanto, em 2005, a Coreia do Sul havia se tornado um dos poucos países a consumir mais filmes nacionais do que importados nos cinemas devido, em grande parte, às leis que impõem limites ao número de filmes estrangeiros que podem ser exibidos nos teatros por ano. Nos cinemas, os filmes coreanos devem ser exibidos 73 dias por ano desde 2006. Na TV a cabo, a cota de filmes domésticos de 25% foi reduzida para 20% após o Acordo de Livre Comércio assinado entre a Coreia do Sul e os EUA.한미FTA 체결, 영화산업 타격은?, MBC (Korean)
Introdução aos filmes (até 1926) De acordo com a edição de 19 de outubro de 1897 do The Times, "os filmes foram finalmente introduzidos em Joseon, um país localizado no Extremo Oriente. No início de outubro de 1897, os filmes foram exibidos para o público em Jingogae, Bukchon, em um barracão gasto que foi emprestado de seu dono chinês por três dias. As obras exibidas incluíam curtas-metragens e filmes de atualidade produzidos pela francesa Pathe Pictures". Há relatos de outra exibição de um filme ao público em 1898, perto de Namdaemun, em Seul. No entanto, essas alegações foram refutadas pelo pesquisador Brian Yecies, que afirma não ter conseguido localizar uma edição do The Times, ou qualquer artigo semelhante, e considera a data de introdução de 1897 um mito.
O viajante e palestrante americano Burton Holmes foi o primeiro a filmar na Coreia como parte de seus registros de viagens. Além de exibir seus filmes no exterior, ele os mostrou à família real coreana em 1899. Um anúncio no jornal contemporâneo, Hwangseong sinmun (O Imperial), nomeia outra exibição pública antecipada em 23 de junho de 1903. Anunciado pela Dongdaemun Electric Company, o preço do ingresso para a visualização de fotografias cênicas era de 10 jeon (moeda) na época.
O primeiro cinema da Coreia, o Dongdaemun Motion Picture Studio, foi inaugurado em 1903.
Existem várias reivindicações sobre qual é o primeiro cinema do país. O Dansungsa, inaugurado em Seul em novembro de 1907, é amplamente considerado o primeiro cinema. No entanto, um artigo de 2021 no The Hankyoreh afirma que o Teatro Ae Kwan, com sede em Incheon, que abriu pela primeira vez sob o nome Hyŏmnyulsa (협률사; 協律舍) em 1895, é o primeiro. Antes da criação de uma indústria cinematográfica nacional, os filmes exibidos nos cinemas coreanos eram importados da Europa e dos Estados Unidos. Alguns dos filmes importados da época mais populares entre o público coreano foram Broken Blossoms (1919) e Way Down East (1920), de DW Griffith (1920), Robin Hood (1922) estrelado pelo ator Douglas Fairbanks, e os filmes sobre Nibelungen, Siegfried e Kriemhilds Rache (ambos de 1924) do diretor Fritz Lang.
Righteous Revenge, um drama kino (encenação com cenário de filme) de 27 de outubro de 1919 é amplamente considerado o primeiro filme coreano, embora esse rótulo seja contestado. Estreou no Dansungsa, no mesmo dia e logo após a estreia do documentário Gyeongseongjeonsiui Gyeong (). O aniversário de seu lançamento é agora considerado o Dia do Cinema Coreano na Coreia do Sul.
Nos anos seguintes, a produção cinematográfica na Coreia consistiu em dramas e documentários kino. Assim como na primeira exibição de um filme na Coreia, o primeiro longa-metragem produzido na Coreia também parece incerto. Alguns citam as filmagens de Chunhyang-Jeon () em 1921 (lançado em 1922) como o primeiro filme coreano. A história tradicional, Chunhyang, tornaria-se mais tarde o conto mais regravado da Coreia. Foi possivelmente o primeiro longa-metragem coreano e certamente o primeiro filme sonoro coreano, colorido e em formato widescreen. A versão pansori de Chunhyang gravada em 2000 pelo diretor Im Kwon-taek, elevou o número de filmes baseados em Chunyang para 14. Outras fontes, no entanto, nomeiam Ulha ui Mengse ("Amor embaixo da lua") de Yun Baek-nam, lançado em abril de 1923, como o primeiro longa-metragem coreano.
Em 1925, o padre alemão Norbert Weber capturou algumas das maiores imagens da Coreia já feitas por uma única pessoa até então. Ele fez isso para documentar a cultura coreana, caso ela fosse exterminada pela colonização japonesa. Ele então retornou à Baviera e editou as filmagens em um documentário de longa-metragem, Im Lande der Morgenstille (lit. Na Terra da Manhã Calma), bem como outros cinco curtas-metragens. O documentário foi ao ar até a década de 1930 na Alemanha e na Áustria e foi amplamente esquecido até ser redescoberto no final da década de 1970 por pesquisadores sul-coreanos. O filme já foi digitalizado e agora está disponível gratuitamente online.
Era de ouro dos filmes mudos (1926–1930) Os estúdios de cinema coreanos da época eram gerenciados pelo Japão. Um comerciante de chapéus, conhecido como Yodo Orajo, estabeleceu uma empresa de filmes chamada Choson Kinema Productions. Depois de aparecer na produção de 1926 da Choson Kinema, Nongjungjo (), o jovem ator Na Woon-gyu teve a chance de escrever, dirigir e estrelar seu próprio filme. O lançamento do filme de Na, Arirang () (1926) dá início a era do cinema mudo na Coreia.Books Map Out Korean Film History Lee Hyo Won
A canção popular "Arirang", na qual o título do filme se baseava, não tinha um tema abertamente político. No entanto, mensagens ocultas ou sutis podem ser ampliadas através do uso comum de um narrador ao vivo no teatro. Um artigo de jornal de 1908 mostra que essa tradição de "byeonsa" (, ou "benshi" em japonês) apareceu na Coreia quase desde o início da exibição de filmes no país. Como no Japão, isso se tornou parte integrante da exibição de filmes mudos, especialmente para filmes importados, onde o byeonsa forneceu uma alternativa econômica e divertida para a tradução de legendas. Em um aspecto interessante da tradição byeonsa na Coreia, quando as autoridades japonesas não estavam presentes, os narradores podiam injetar sátira e críticas à ocupação imperial que o país sofria na narrativa do filme, dando ao filme um subtexto político invisível aos censores do governo japonês.Wade, p.176-177. Alguns dos mais populares byeonsa possuíam uma melhor remuneração do que atores de cinema.
O sucesso de Arirang inspirou uma onda de atividades na indústria cinematográfica coreana no final da década de 1920, tornando esse período conhecido como "A Era de Ouro dos Filmes MUdos". Mais de setenta filmes foram produzidos nesse período, e a qualidade do filme melhorou, assim como a quantidade.
Após Arirang, Na Un-gyu seguiu com a produção de outros filmes populares e respeitados pela crítica, como Punguna () (1926) e Deuljwi () (1927). Ele estabeleceu a Na Un-gyu Productions junto com Park Sung-pil com o objetivo de produzir filmes de coreanos para coreanos. Embora sua empresa tivesse uma vida curta, ela produziu filmes importantes, como Jalitgeola () (1927), Beongeoli Sam-ryong () (1929) e Salangeul chajaseo () (1929).
Outro diretor importante desse período, Shim Hun, dirigiu apenas um filme, Mondongi Tultte (). Embora as críticas a este filme tenham sido mais positivas quanto as de Arirang, Shim morreu aos 35 anos ao dirigir seu segundo filme, baseado em seu próprio romance, Sangroksu (상록수). O romance foi posteriormente filmado pelo diretor Shin Sang-ok em 1961 e por Im Kwon-taek em 1978.
Uma característica típica dos cinemas durante essa época foi a presença de um "narrador de filmes" conhecido como "pyŏnsa". O pyŏnsa operava como "um narrador que apresenta os personagens e o cenário, e explica as ações físicas e os dilemas psicológicos durante as exibições de filmes mudos". O pyŏnsa também funcionou "como um intermediário cultural durante a experiência de visualização de filmes do público coreano e utilizou sua narração para complementar a censura ou limitações tecnológicas durante o período do cinema mudo".Areum Jeong, “How the Pyŏnsa Stole the Show: The Performance of the Korean Silent Film Narrators,” 언론문화연구 [Journalism and Media Studies] 25 (2018), 25–54 (25).
Era tardia dos filmes mudos (1930-1935) A primeira metade da década de 1930 viu um declínio na indústria cinematográfica doméstica na Coreia. A censura e a opressão por parte das autoridades ocupantes contribuíram para reduzir o número de filmes produzidos no momento para apenas dois ou três por ano, e alguns cineastas fugiram da Coreia para a indústria cinematográfica mais robusta de Xangai.영화(MOVIE-Motionpicture)이야기
Os filmes importados substituíram amplamente os filmes domésticos, embora com a Lei Geral Coreana nº 40 de 1933, os japoneses determinassem que todos os filmes estrangeiros distribuídos na Coreia fossem importados pelo Japão. “Embora alguns deles fossem muito populares entre o público coreano, a oferta era limitada em geral, e alguns vindos do Japão estavam tão desgastados que as expressões faciais dos atores ficaram embaçadas. Os narradores poderiam, no entanto, tornar interessantes os filmes desgastados e compensar a fraca oferta de um cinema.”Roald Maliangkay, “ Dirt, Noise, and Naughtiness: Cinema and the Working Class During Korea’s Silent Film Era,” Asian Ethnology 70 (2011), 1–31 (17).
Talvez o filme mais importante dessa época, Imjaeobtneun naleutbae (Balsa Sem Capitão) (1932), dirigido por Lee Gyu-hwan (1904–1981), foi estrelado por Na Woon-gyu. O aumento da censura governamental fez com que os comentaristas o chamassem de o último filme de pré-libertação da Coreia a apresentar uma mensagem nacionalista significativa.
Início da era do som (1935–1945) O primeiro filme sonoro da Coreia foi Chunhyang-jeon de Lee Myeong-woo em 1935. Sua técnica do som era ruim, mas o público coreano apreciou ouvir seu próprio idioma no cinema.
O número de filmes produzidos aumentou durante a última parte da década. Na Woon-gyu começou novamente a fazer mais filmes, contando com obras importantes como Kanggeonneo maeul (1935) e Oh Mong-nyeo (1937), antes de sua morte prematura em 1937.
A Coreia foi um dos primeiros e mais importantes centros de produção de filmes coloniais do Japão. Curtas, noticiários e longas-metragens patrocinados pelo Japão promoveram fortemente a assimilação cultural ao público coreano colonizado. Para esse fim, foi criada a Unidade de Cinema Colonial Coreana (朝鮮 総 督府 キネマ) para produzir e distribuir filmes que promoviam a cultura e os costumes japoneses, bem como os benefícios da modernização sob os japoneses., pp. 20-28.Brian Yecies, The Korean “Cinema of Assimilation” and the Construction of Cultural Hegemony in the Final Years of Japanese Rule 日本統治下最晩年の韓国における「同化のシネマ」と文化的ヘゲモニーの構築Mika Ko, Japanese Cinema and Otherness, p.138