O Cerro da Mangancha, igualmente conhecido como Castelo da Mangancha, é um sítio arqueológico situado na atual freguesia de Aljustrel e Rio de Moinhos, no Município de Aljustrel, no Distrito de Beja, em Portugal. Corresponde a um antigo povoado fortificado da Idade do Bronze, que continuou a ser ocupado durante o período romano, acabando por ser abandonado no século I, com a transferência dos habitantes para o importante núcleo mineiro de Vipasca.

O Cerro da Mangancha foi classificado como Sítio de Interesse Público pela Portaria n.º 401/2011, de 15 de Fevereiro.PORTUGAL. Portaria n.º 401/2011, de 15 de Fevereiro. Gabinete do Secretário de Estado da Cultura. Publicado no Diário da República n.º 43, Série II, de 2 de Março de 2011.

Descrição O sítio arqueológico está situado no alto de uma colina, conhecida como cerro dos Penedrões,LOBATO, 1983:17 num local de onde se podia controlar uma grande porção do território em redor, principalmente o importante couto mineiro de São João do Deserto, situado nas proximidades. Com efeito, a sua comunidade seria provavelmente composta por mineiros, aproveitando os jazigos que provavelmente afloravam à superfície. Também nas imediações situa-se outro importante monumento histórico de Aljustrel, o Santuário de Nossa Senhora do Castelo.

O núcleo do Cerro da Mangancha é considerado como um castro típico da região Sudoeste da Península Ibérica, e consistiria num povoado rodeado por muralhas, tendo sido encontrados vestígios de várias estruturas, incluindo dois taludes, que fariam parte do aparelho defensivo. Em termos de espólio, foram encontrados fragmentos líticos e de cerâmica da Idade do Bronze, alguns deles com decoração, enquanto que do período romano foram recolhidas peças igualmente em cerâmica, e metálicas.

História Este sítio foi ocupado em duas fases, tendo a primeira começado nos finais da Idade do Bronze e terminado durante a Idade do Ferro, enquanto que a segunda foi entre os finais do século I a.C. e o século I, já durante a época romana. Esta última fase poderá corresponder à instalação de uma guarnição militar naquele local, no sentido de preparar o terreno para as futuras explorações mineiras em São João do Deserto e em Algares. Com efeito, terá sido abandonado na sequência do desenvolvimento das minas, tendo a comunidade sido transferida para um novo povoado, conhecido como Vipasca, que se afirmou como um importante centro mineiro. Esta fase de abandono do local poderá estar igualmente relacionada com o processo de pacificação do território pelas forças romanas, conhecida como Pax Romana.

As primeiras pesquisas arqueológicas foram feitas em 1967 pelo professor Claude Domegue, em colaboração com o engenheiro Rui Freire de Andrade, tendo este último sido responsável pelo reconhecimento do arqueossítio, além de ter feito outros estudos no terreno, com a participação de algumas das figuras mais importantes da arqueologia nacional. Por exemplo, no último quartel do século XX, esteve a trabalhar no Cerro com o engenheiro Octávio da Veiga Ferreira, dos Serviços Geológicos de Portugal. Os trabalhos nos anos 60 permitiram a descoberta de estruturas defensivas, desacreditando a teoria avançada por alguns autores que não se tratava de uma povoação fortificada. Em 1998 foi feita uma intervenção de relocalização e identificação, e entre 2010 e 2011 foram feitas escavações no local. Foi alvo de trabalhos arqueológicos no âmbito do programa Vipasca, realizado em parceria entre a Câmara Municipal de Aljustrel e a Universidade de Huelva.

Entretanto, em 1991 iniciaram-se os primeiros esforços para a classificação do imóvel, mas o processo só foi concluído em 2011, com a emissão de uma portaria que o classificou como Sítio de Interesse Público.

Ver também Lista de património edificado no concelho de Aljustrel Lista de castros de Portugal Castelo de Aljustrel Castelo de Cola Castelo Belinho Castelo Velho do Roxo Povoado das Mesas do Castelinho Povoado do Outeiro do Circo Povoado do Porto Torrão Sítio arqueológico de Vale Frio

Bibliografia

Leitura recomendada

Ligações externas

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