A Lagoa da Pampulha é uma lagoa situada na região da Pampulha no município de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Faz parte de um complexo de monumentos arquitetônicos concebidos por Oscar Niemeyer, com projetos estruturais do engenheiro Joaquim Cardozo, que foram construídos durante a gestão de Juscelino Kubitschek à frente da prefeitura de Belo Horizonte.
Nas proximidades da lagoa, encontram-se várias atrações turísticas, como o Parque Promotor Lins do Rego, o Jardim Botânico, o Jardim Zoológico de Belo Horizonte, o Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), o Ginásio Mineirinho, o Parque Guanabara, a Igreja de São Francisco de Assis e o Museu de Arte da Pampulha.
Embora a ideia original de criar a Lagoa da Pampulha tenha surgido sob a administração do prefeito Otacílio Negrão de Lima, o projeto se expandiu sob a gestão de Juscelino Kubitschek, transformando-se em um grande complexo arquitetônico. Criado por Oscar Niemeyer e com cálculos estruturais de Joaquim Cardozo, o projeto se tornou um marco de relevância internacional, destacando a capacidade de Kubitschek em conciliar a tradição com seu espírito inovador. A região também se tornou um centro de entretenimento, com locais como o Cassino e a Casa do Baile oferecendo ambientes luxuosos para a população.
A lagoa da Pampulha também é palco de grandes eventos esportivos como a Volta Internacional da Pampulha, entre outras competições nacionais e internacionais. Em 2010 recebeu um desfile com personagens da Disney.
História thumb|254px|direita|Contorno da lagoa e principais pontos turísticos thumb|254px|direita|Vista aérea da lagoa e do aeroporto da Pampulha Em 1936, o prefeito de Belo Horizonte, Otacílio Negrão de Lima, iniciou o represamento do Ribeirão Pampulha, objetivando a construção de uma lagoa, cuja finalidade seria amortecer enchentes e contribuir para o abastecimento da capital. A obra foi completada em 1943 na gestão de seu sucessor, Juscelino Kubitschek. Em seus planos de modernização da cidade, JK aproveitou a lagoa para construir um conjunto arquitetônico mundialmente famoso, desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer com projetos estruturais do engenheiro Joaquim Cardozo. Mais tarde a orla da Pampulha foi cercada por uma imensa estrutura de lazer, como o Estádio Mineirão, o Ginásio Mineirinho, o Zoológico de Belo Horizonte, o Centro de Preparação Equestre da Lagoa e pistas para ciclismo e caminhada.
Revitalização A lagoa da Pampulha já foi área de lazer, sendo frequentada por banhistas, desportistas e famílias, até os anos 1980, quando a começou a ser poluída pelos córregos e fábricas do seu entorno.
Nos anos de 1979 e 1996 foram realizadas obras de dragagem de sedimentos que causaram a perda de grande parte do espelho d'água original da lagoa, já que o gigantesco montante de sedimentos foi apenas remanejado no interior do reservatório, formando uma ilha na região de desembocadura dos córregos Ressaca e Sarandi, sobre a qual foi inaugurada, já década de 2000, o Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego.
Em julho de 2001, a prefeitura passou a realizar diversas obras de recuperação da Lagoa e entorno. Em 2002, foi inaugurado um vertedouro de Tratamento das Águas dos Córregos Ressaca e Sarandi, construído em parceria com a Copasa.Recuperação da Lagoa da Pampulha Fernando Pimentel Havia a intenção de completar a recuperação até a Copa do Mundo FIFA de 2014, mas a revitalização encontra entraves principalmente envolvendo os córregos que abastecem a lagoa: o Córrego Xangrilá recebe esgoto do bairro homônimo por falta de uma rede adequada, e uma grande ocupação de 3,9 mil famílias em Contagem despeja seu lixo no Córrego Sarandi.
Em 2006, foi inaugurado o Mirante Bandeirantes em frente à Casa Kubitschek, na orla da lagoa da Pampulha. No Mirante foram homenageados com esculturas de bronze em tamanho real Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Burle Marx.
Revitalização e retorno da navegação (2025) No final de 2025, a Lagoa da Pampulha passou por um marco significativo em seu processo de recuperação ambiental, culminando no retorno da navegação turística após décadas de interdição devido à poluição. Esta fase foi caracterizada pelo cumprimento de metas de qualidade da água estabelecidas pelos órgãos ambientais e pela inauguração de um sistema de transporte lacustre voltado ao turismo.
Avanços na despoluição Segundo relatórios apresentados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e pela Copasa em dezembro de 2025, a qualidade da água em pontos estratégicos da lagoa atingiu os parâmetros da Classe 3 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Esta classificação permite a navegação e o contato secundário com a água (sem mergulho ou ingestão).
A melhoria nos índices foi atribuída a um conjunto de ações intensificadas entre 2024 e 2025, que incluíram:
Investimentos em Saneamento: Aporte de recursos estaduais e municipais superiores a R$ 250 milhões visando a universalização do saneamento na bacia hidrográfica e o bloqueio de ligações clandestinas de esgoto em Contagem e Belo Horizonte. Tratamento da Água: Aprimoramento das estações de tratamento de afluentes (ETAs) localizadas nos córregos Ressaca e Sarandi, responsáveis pela maior parte do volume de água que chega à lagoa.
O Catamarã "Capivarã" Em 20 de dezembro de 2025, foi inaugurada a operação assistida de um catamarã turístico, marcando a volta de embarcações de passageiros ao espelho d'água. A embarcação, batizada popularmente como "Capivarã" — um neologismo que une "catamarã" e "capivara" (animal símbolo da fauna local) —, possui capacidade para transportar cerca de 30 passageiros.
A operação inicial foi estabelecida em regime de projeto-piloto gratuito, mediante agendamento eletrônico, com o objetivo de avaliar a logística e o impacto ambiental da atividade.
Roteiro e Integração O trajeto da embarcação conecta os principais edifícios do Conjunto Moderno da Pampulha, Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, incluindo:
Igreja de São Francisco de Assis; Museu de Arte da Pampulha (MAP); Casa do Baile.
O projeto visa integrar o turismo arquitetônico à experiência náutica, permitindo a visualização das obras de Oscar Niemeyer a partir da perspectiva da água, conforme a concepção original do projeto da década de 1940.254px|direita|thumb|Esculturas de Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Burle Marx.
Hidrografia A bacia hidrográfica da lagoa da Pampulha faz parte da bacia do Rio das Velhas, o qual desemboca no Rio São Francisco. Possui área de 97,91 km², dividida entre os municípios de Belo Horizonte e Contagem.
Os principais afluentes do ribeirão Pampulha, onde foi construído o reservatório, são os córregos Sarandi e Ressaca. A profundidade máxima medida na lagoa da Pampulha em 2007 foi de 16,17 m, nas proximidades da barragem.
Verticalização Em 2008, iniciou-se a discussão sobre um projeto de lei que visava a verticalização da região, permitindo a construção de prédios ao redor da orla da lagoa. No entanto, o projeto não obteve apoio da população e, em 2010, os vereadores rejeitaram a proposta, alinhando-se à nova lei de uso e ocupação do solo da cidade, aprovada pela Câmara Municipal.Vereadores vetam verticalização da região da Pampulha, em Belo Horizonte R7 Notícias
Ver também Conjunto Arquitetônico da Pampulha
Ligações externas
Categoria:Hidrografia de Belo Horizonte Pampulha