A Seleção Brasileira de Basquetebol Masculino é a representante do Brasil em torneios de basquetebol da FIBA. Foi convocada pela primeira vez em 1922, quando, por ocasião das comemorações do Centenário da Independência do Brasil, foram realizados os Jogos Olímpicos Latino-Americanos. Nesta competição, enfrentando as equipes da Argentina e do Uruguai, sagrou-se campeão.
A Federação Brasileira de Basketball, que posteriormente se tornaria a atual Confederação Brasileira de Basketball, só foi fundada em 25 de dezembro de 1933.
O Brasil é uma das seleções mais históricas de basquete do mundo, a segunda mais forte da América Latina (rivalizando com a Argentina), e com vários jogadores famosos presentes no Hall da Fama, como Oscar Schmidt. No entanto, desde o final da década de 1990, a seleção passa por um período de decadência, eventualmente perdendo torneios e não conseguindo se classificar para algumas das competições mais importantes do mundo.
História A primeira convocação da Seleção Brasileira se deu através da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para a disputa dos Jogos Olímpicos Latino-Americanos, disputado em 1922, no Rio de Janeiro.cbb.com.br/ CBB lança selo comemorativo em homenagem aos 100 anos da Seleção Brasileira
A equipe, que sagrou-se campeã do torneio (sendo, portanto, o primeiro título da seleção), teve os seguintes atletas selecionados:
Guardas: André Richer, José Valente, Salvador Calvente e Francisco Antunes Alas: Paulo Valente, Paulo Rodrigues, Zefrino Goulart e Rizzo Baptista Pivôs: Hugo Hamann e Oscar de Almeida Treinador: Fred Brown
1948 a 1950 miniatura|A Seleção Brasileira de Basquetebol Masculino na revista argentina El Gráfico, em 1934
Nas primeiras edições do Campeonato Sul-Americano, o Brasil conquistou apenas dois títulos, um em 1939 e um em 1945. Neste período, o Uruguai foi o grande vencedor, em sete edições, contra cinco vencidas pela Argentina; Chile e Peru ganharam uma vez cada.
A primeira geração a alçar o basquete brasileiro para o patamar mundial foi a que conseguiu a primeira e mais expressiva conquista brasileira: a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres em 1948.
A equipe brasileira que disputou as Olimpíadas de 1948 tinha 10 jogadores, sob o comando do treinador Moacir Daiuto e foram os precursores do basquete brasileiro. Em tempos nos quais a viagem transatlântica era uma aventura, o time de basquete do Brasil foi para as Olimpíadas de Londres de 1948 sem saber o que teria pela frente. Foram quase três dias de viagens nos aviões da PanAir, saindo de São Paulo, com paradas no Rio de Janeiro, em Natal, na África, em Lisboa, até por fim chegar a Londres.
Os brasileiros não tinham qualquer conhecimento sobre seus adversários, não existia nenhum intercâmbio; enquanto os Estados Unidos faziam aquecimento com uma bola por jogador, no time brasileiro era uma única bola para o time inteiro.
A delegação brasileira ficou hospedada a 80 km de Londres, numa base militar que havia sido bombardeada pela Alemanha na 2ª Guerra Mundial, onde não havia nenhuma cesta ou quadra para treinamento, que se restringia a exercícios físicos.
O time era formado por: Ruy de Freitas (A.A. Grajaú - RJ), Alfredo da Motta (Flamengo - RJ), Algodão (Flamengo - RJ), o veterano Affonso Évora (Flamengo - RJ), Nilton Pacheco (Fluminense - RJ), Marcus Vinícius Dias (Fluminense - RJ), João Francisco Braz (Corinthians - SP), Alberto Marson (Tênis Clube Paulista - SP), Alexandre Gemignani (Espéria - SP) e Massinet Sorcinelli (Espéria - SP). O treinador era Moacyr Brondi Daiuto, do Corinthians.
A campanha: 45 x 41 Hungria (39 x 39 no tempo normal) 36 x 32 Uruguai 76 x 11 Inglaterra 57 x 35 Canadá 47 x 31 Itália 28 x 23 Tchecoslováquia
Na semifinal, derrota por 33 x 43 para a França. Na decisão da medalha de bronze, vitória por 52 x 47 sobre o México. O ouro ficou com os EUA e a prata com a França. Os maiores pontuadores do Brasil foram Alfredo da Motta (115 pontos), Algodão (67) e Braz (49).
Motivado pela medalha em Londres, o Brasil foi disputar o 1º Mundial, em 1950, em Buenos Aires.
O time titular de Moacyr Daiuto jogava com: Ruy de Freitas, Angelim, Algodão, Alfredo da Motta e Alexandre Gemignani. Era a base medalhista de 1948, acrescida de Angelo Bonfietti, o "Angelim", então principal jogador do Corinthians.
A campanha: 40 x 33 Peru 38 x 19 Egito 59 x 27 França
A equipe do Brasil sofreu derrotas apertadas para Argentina (35 x 40), EUA (42 x 45) e Chile (40 x 51), voltando para casa com um 4º lugar. Os maiores pontuadores do time continuavam sendo Alfredo da Motta (48 pontos) e Algodão (36 pontos). Mesmo com os bons resultados em 1948 e 1950, apostou-se em renovação no comando para o ciclo seguinte.
Em 1951, começa a "Era Kanela" na Seleção.
1951 a 1959 - Primeiros anos da era Kanela
O paraibano Togo Renan Soares, mais conhecido como "Kanela", foi treinador do Flamengo de 1948 a 1970 e da Seleção Brasileira de 1951 a 1971 (com intervalos). O curioso é que Kanela começou sua carreira como técnico de futebol, foi treinador do Sport Club Brasil (extinto clube do Rio de Janeiro), do Bangu e do Vitória, do Espírito Santo, e foi técnico também do futebol do Flamengo antes de assumir o time de basquete (tinha sido treinador do time de basquete do Botafogo nos anos 1930). No basquetebol, depois que deixou o Flamengo, treinou o Palmeiras em 1971 e 1972 e o Vila Nova, de Goiás, em 1973, time com o qual conseguiu sagrar-se Campeão Brasileiro, vencendo os paulistas do Trianon na decisão da Taça Brasil.
Kanela foi um verdadeiro revolucionário no basquete brasileiro. Num momento em que se fazia um jogo parado, só de passes e arremessos, ele introduziu uma dinâmica de saída em velocidade para o ataque, realizando uma verdadeira revolução neste esporte no Brasil. É justo dizer que o basquete brasileiro em 1951, quando ele chegou à Seleção, era um, e vinte anos depois, em 1971, quando deixou a Seleção, era outro completamente diferente. Ademais de seu estilo firme e enérgico de liderança dos times que comandou. Com a Seleção Brasileira, foi vice-campeão Mundial em 1954 no Rio de Janeiro, foi Bicampeão Mundial, em 1959, em Santiago e, em 1963, no Rio de Janeiro. Em 1970, voltou a ser vice-campeão Mundial, em Liubliana, na então Iugoslávia. Em Jogos Pan-Americanos, ganhou a medalha de prata em 1963, e medalha de bronze em 1951, 1955 e 1959. Foi ainda medalha de bronze nos Jogos Olímpicos em 1960 e cinco vezes Campeão Sul-Americano com o Brasil, em 1959, 1960, 1961, 1963 e 1971.
Nos Jogos Pan-Americanos de 1951, em Buenos Aires, a base que defendeu a Seleção Brasileira era o time do Flamengo, com 6 convocados: Algodão, Godinho, Alfredo da Motta, Mário Hermes, Tião Gimenez e Zé Luiz. O time tinha ainda Angelim, Alberto Marson e Massinet Sorcinelli. Este time ganhou a primeira medalha em Jogos Pan-Americanos, o bronze. Os principais pontuadores da seleção foram: Alfredo da Motta (68 pontos), Mário Hermes (55) Algodão (42), Thales Monteiro (40), Godinho (34), Alberto Marson (27) e Tião Gimenez (17).
A campanha brasileira: 62 x 44 Panamá 47 x 58 Argentina 58 x 39 Chile 57 x 46 Cuba 42 x 74 EUA 51 x 70 Panamá.
O ouro ficou com os EUA e a prata com a Argentina.
No ano seguinte, o Brasil foi 6º lugar na Olimpíada de Helsinque 1952, na Finlândia. O técnico desta vez não foi Kanela, mas Manoel Pitanga. A base do time titular era mais uma vez o quinteto titular do Flamengo, substituindo Godinho por Angelim, do Corinthians: Angelim (fez 90 pontos), Algodão (60 pts), Alfredo da Motta (102 pts, mais uma vez o cestinha do time), Mário Hermes (46) e Zé Luiz (63). O time tinha ainda Godinho, Mayr Facci, Thales Monteiro e o veterano Ruy de Freytas.
A campanha brasileira: 57 x 55 Canadá 71 x 52 Filipinas 56 x 72 Argentina 75 x 44 Chile 49 x 54 União Soviética 53 x 57 EUA 59 x 44 França 49 x 58 Chile
Em 1954, o Brasil iniciou sua era de grandiosos resultados sob o comando de Kanela, e desta vez jogando em casa, no Campeonato Mundial de Basquetebol Masculino de 1954 realizado no Rio de Janeiro, sagrou-se vice-campeão mundial, em um torneio disputado integralmente no ginásio do Maracanãzinho, que esteve absolutamente lotado em todos os jogos. Os convocados de Kanela eram: Angelim (Corinthians - SP), Wlamir Marques (CR Tumiaru/São Vicente - SP), Amaury Pasos (Tietê - SP), Fausto (Paulistano - SP), Wilson Bombarda (Pinheiros - SP), Mayr Facci (Guarani EC/Ponta Grossa - PR), Algodão (Flamengo - RJ), Alfredo da Motta (Flamengo - RJ), Godinho (Flamengo - RJ), Mário Hermes (Flamengo - RJ) e Gedeão (Flamengo - RJ). No Mundial de 54, chegava à seleção uma nova geração, com dois garotos que viriam a ser ícones do basquete: Amaury e Wlamir, então com 18 e 17 anos respectivamente. Amaury Pasos que, curiosamente jogava basquete e vôlei ao mesmo tempo, tendo sido campeão paulista de volibol (como se chamava o vôlei naquela época). O time titular do Brasil era: Angelim, Algodão, Wlamir Marques, Amaury e Mayr Facci.
A campanha brasileira: 99 x 62 Filipinas 61 x 52 Paraguai 61 x 44 Formosa 68 x 46 Israel 82 x 67 Canadá
Na segunda fase voltou a bater as Filipinas (57 x 41), além de vencer França (49 x 36) e Uruguai (60 x 45). A Seleção Brasileira foi para a final contra o Estados Unidos, e perdeu por 41 x 62. Os jogadores que mais pontuaram no Mundial foram Amaury (100 pontos), Angelim (97) e Wlamir (95). Ao final do torneio, o jovem Wlamir, de apenas 17 anos, e o veterano Algodão, foram escolhidos para o Quinteto Ideal do Mundial.
A carreira de mais alguns dentre os principais jogadores brasileiros desta década:
Angelim: 1947-58 Corinthians (SP).
Wlamir Marques: 1953-54 Clube de Regatas Tumiaru (SP), 1955-61 XV de Piracicaba (SP), 1962-72 Corinthians (SP) e 1973 Tênis Clube Campinas (SP).
Amaury Pasos: 1951-57 Tietê (SP), 1958-65 Sírio (SP) e 1966-72 Corinthians (SP).
Em 1955, o Brasil obteve mais um bronze em Jogos Pan-Americanos, jogando na Cidade do México. O time brasileiro, jogando com Algodão, Wlamir, Almir, Amaury e Mayr Facci como quinteto titular, venceu Venezuela, Cuba, México e superou a Argentina (61 x 57). Caiu só perante os EUA: 49 x 78.
No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Melbourne 1956, o Brasil, com Mário Amândio Duarte como treinador (na época técnico do São Carlos Clube), ficou com um modesto 6º lugar. Neste time, destacou-se Edson Bispo, então jogador do Vasco da Gama.
A campanha brasileira: 78 x 59 Chile 89 x 66 Austrália 68 x 87 União Soviética 51 x 113 Estados Unidos 73 x 82 Bulgária 89 x 64 Chile 52 x 64 Bulgária (quatro vitórias e três derrotas)
Em 1958, volta a ser comandada por Kanela, jogando em Santiago, no Chile, a Seleção Brasileira vence pela 3ª vez em sua história o Campeonato Sul-Americano (desde 1945 não era campeã), iniciando a série que a levaria a um Tetracampeonato 1958-60-61-63. Esta era a 17ª edição do Campeonato Sul-Americano e somente o 3º título do Brasil. Até este momento, Argentina e Uruguai tinham cinco títulos cada, Brasil três, e Chile, Peru e Paraguai, um título cada.
O quinteto titular do Brasil foi o mesmo que um ano depois, também em Santiago, iria se sagrar campeão mundial: Algodão, Wlamir Marques, Amaury Pasos, Édson Bispo e Waldemar Blatskauskas.
A seleção convocada para o Mundial de 1959 pelo técnico Kanela, do Flamengo, e pelo assistente-técnico João Francisco Braz, do XV de Piracicaba, tinha: Amaury Pasos (Sírio - SP), Wlamir Marques (XV de Piracicaba - SP), Pecente (XV de Piracicaba - SP), Waldemar Blatskauskas (XV de Piracicaba - SP), Jatyr Schall (Palmeiras - SP), Rosa Branca (Palmeiras - SP), Édson Bispo (Vasco da Gama - RJ), Algodão (Flamengo - RJ), Fernando Bro Bro (Flamengo - RJ), Waldir Boccardo (Flamengo - RJ), Otto Nóbrega (Fluminense - RJ) e Zezinho (Tijuca Tênis Clube - RJ).