Sambas de Enredo 2012 é um álbum com as músicas das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o carnaval de 2012. Foi lançado no dia 1 de dezembro de 2011, pela Universal Music em parceria com a Gravasamba. O disco foi gravado entre outubro e novembro de 2011, após as agremiações realizarem suas disputas de samba-enredo. Na primeira fase da produção, foram gravadas ao vivo, na Cidade do Samba, a bateria das escolas e o coro com a participação das comunidades. Na segunda fase, foram gravadas as bases musicais e as vozes dos intérpretes no estúdio Cia. dos Técnicos, em Copacabana, no Rio. O álbum foi produzido por Laíla e Mário Jorge Bruno, com direção artística de Zacarias Siqueira de Oliveira, e arranjos musicais de Alceu Maia e Jorge Cardoso. Foi mantido o mesmo efeito de continuidade adotado no álbum de 2011, com o final de uma faixa e o início de outra sem alteração no som. Cada faixa inicia com uma locução de Jorge Perlingeiro anunciando a escola, o enredo e os intérpretes. As baterias ganharam mais destaque, fazendo rápidas introduções antes dos intérpretes iniciarem o canto.

Campeã do carnaval de 2011, a Beija-Flor abre o disco com um samba sobre a cultura e o misticismo de São Luís do Maranhão. A canção da Unidos da Tijuca homenageia os cem anos de nascimento de Luiz Gonzaga. Outro centenário comemorado é o de Jorge Amado, no samba da Imperatriz. A faixa da Mangueira, sobre o cinquentenário do bloco Cacique de Ramos, tem a participação de Beth Carvalho, Jorge Aragão, Sombrinha, Dudu Nobre e Xande de Pilares. A Vila Isabel inovou ao utilizar um contracanto em seu samba sobre a relação entre Brasil e Angola. A literatura de cordel é o tema do samba do Salgueiro. Nos cinquenta anos da morte de Candido Portinari, o pintor é homenageado no samba da Mocidade Independente de Padre Miguel. Após um ano fora do Grupo Especial, Wander Pires retornou ao carnaval carioca gravando o samba da Porto da Pedra, sobre o iogurte. A São Clemente usou da irreverência para fazer um samba sobre musicais. A obra da Grande Rio é inspirada em exemplos de superação.

A canção da Portela, sobre manifestações culturais e religiosas da Bahia, recebeu elogios por apresentar três refrãos, quebrando a estrutura comumente utilizada em samba-enredo; e se aproximar do samba de roda com uma letra criativa, que pouco se prendeu à sinopse do enredo. O samba da União da Ilha relaciona Londres ao Rio de Janeiros, as sedes das Olimpíadas de 2012 e de 2016. A obra da Renascer de Jacarepaguá, campeã do Grupo de Acesso em 2011 e estreante no Grupo Especial, homenageia o pintor Romero Britto.

O álbum recebeu críticas positivas dos especialistas e esteve entre os mais vendidos do país no período do seu lançamento até o carnaval, chegando a ocupar a terceira posição do Top 20 Semanal da ABPD. No Desfile das Escolas de Samba de 2012, apenas as obras de Portela e Vila Isabel receberam nota máxima de todos os julgadores. O samba da Portela recebeu todos os prêmios do carnaval e oito anos depois, em 2020, foi eleito o melhor samba da década por uma votação popular online promovida pelo jornal O Globo com participação de especialistas no quesito.

Antecedentes Campeã do carnaval de 2011, a Beija-Flor anunciou seu enredo em 18 de abril de 2011, logo após uma reunião com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, no Palácio dos Leões. Ficou definido que a escola faria uma homenagem a São Luís, capital do Maranhão, que completou quatrocentos anos em 2012. Com enfoque na cultura da cidade e destaque para as crenças e o misticismo local, o enredo "São Luís – O Poema Encantado do Maranhão" foi assinado pela comissão de carnaval da escola, formada por André Cezari, Fran Sérgio, Laíla, Ubiratan Silva e Victor Santos.

Vice-campeã de 2011, a Unidos da Tijuca decidiu homenagear Luiz Gonzaga, morto em 1989. O cantor completaria cem anos em 2012. No enredo proposto pelo carnavalesco Paulo Barros, reis e rainhas do mundo real e da ficção desembarcam no Brasil para coroar Gonzaga como o Rei do Sertão. A Mangueira trocou de carnavalesco, contratando Cid Carvalho, que no ano anterior estava na Mocidade Independente de Padre Miguel. Junto com Beth Carvalho, Sergio Cabral e Bira Presidente, o carnavalesco desenvolveu um enredo sobre os cinquenta anos do bloco Cacique de Ramos.

Quarta colocada no carnaval de 2011, a Unidos de Vila Isabel manteve a carnavalesca Rosa Magalhães, que desenvolveu, junto com o pesquisador Alex Varela, um enredo sobre a relação entre Brasil e Angola, focando no aspecto histórico-cultural. O Salgueiro escolheu um enredo sobre a literatura de cordel, desenvolvido pelo casal de carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage junto com o Departamento Cultural da escola. A Imperatriz Leopoldinense manteve o carnavalesco Max Lopes, que desenvolveu um enredo sobre Jorge Amado, morto em 2001. O escritor completaria cem anos em 2012. A Mocidade contratou Alexandre Louzada, que no ano anterior estava na Beija-Flor. O carnavalesco escolheu um enredo sobre o pintor brasileiro Cândido Portinari, morto cinquenta anos antes, em 1962. A escola também trocou seu intérprete. Com o pedido de demissão de Nêgo, a agremiação contratou Luizinho Andanças, que no ano anterior estava na Porto da Pedra.

Oitava colocada no carnaval de 2011, a Unidos do Porto da Pedra foi uma das únicas escolas a apostar em um enredo patrocinado. A agremiação foi financiada pela Danone para realizar um desfile sobre o iogurte e recebeu muitas críticas pela escolha do tema. À princípio, o enredo seria desenvolvido por Roberto Szaniecki, mas o carnavalesco foi desligado da escola após divergências durante o processo de criação. Para seu lugar, a escola contratou o carnavalesco Jaime Cezário. Com a saída de Luizinho Andanças, Wander Pires foi contratado pela escola. O intérprete fez seu retorno ao carnaval carioca após ficar de fora do Grupo Especial em 2011. A São Clemente escolheu um enredo sobre musicais nacionais e internacionais. O enredo foi assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo e o pesquisador Marcos Roza. A Grande Rio não concorreu no ano anterior devido à um incêndio que destruiu seu barracão dias antes do carnaval. O episódio inspirou o carnavalesco Cahê Rodrigues a desenvolver um enredo sobre exemplos de superação.

A Portela foi outra escola atingida por um incêndio em 2011. Para 2012, a agremiação contratou o carnavalesco Paulo Menezes, que no ano anterior estava na Porto da Pedra. Paulo desenvolveu um enredo sobre manifestações culturais e religiosas da Bahia, tendo Clara Nunes como fio condutor. A escola teve apoio do governo do estado. Terceira escola que não concorreu em 2011 devido ao incêndio na Cidade do Samba, a União da Ilha do Governador escolheu um enredo do carnavalesco Alex de Souza sobre as cidades de Londres e Rio de Janeiro, as sedes das Olimpíadas de 2012 e de 2016. Campeã do Grupo A de 2011, a Renascer de Jacarepaguá escolheu fazer sua estreia no Grupo Especial com um desfile em homenagem ao pintor brasileiro Romero Britto. O enredo foi assinado pelo carnavalesco Edson Pereira.

Escolha dos sambas Mangueira e Renascer foram as primeiras escolas a definirem seus sambas para o carnaval de 2012. As duas finais de disputa foram realizadas na madrugada do sábado, dia 8 de outubro de 2011. Na Mangueira, venceu a parceria de Igor Leal, Lequinho, Júnior Fionda e Paulinho Carvalho. Mais de oito mil pessoas acompanharam a final na quadra da escola, entre elas, a cantora Alcione e o estilista Jean-Paul Gaultier. Após a escolha da obra, o presidente da escola, Ivo Meirelles, fez duas mudanças na letra. Foi incluída a palavra 'novo' no verso "Salve o novo Palácio do Samba", explicitando o desejo de construir uma nova quadra para a agremiação; e o verso que originalmente era "já começou a festa" foi alterado para "a Surdo Um faz festa", mencionando a bateria da escola, na época, chamada de Surdo Um. miniaturadaimagem|Cláudio Russo (ao centro) é um dos compositores do samba da Renascer. Na Renascer, a parceria de Cláudio Russo, Adriano Cesário, Fábio Costa e Isaac venceu outras três obras concorrentes. Pela quarta vez, Cláudio Russo assina uma obra da escola. O anúncio do samba campeão foi feito pelo presidente da agremiação, Antônio Carlos Salomão, por volta das quatro horas da manhã. Mais de cinco mil pessoas estiveram presentes na quadra da escola, no Tanque. Homenageado pelo enredo, o pintor Romero Britto viajou dos EUA, onde reside, para participar da festa.

O Salgueiro foi a terceira escola a escolher o samba. A final da disputa salgueirense foi realizada na madrugada da quarta-feira, dia 12 de outubro de 2011. Mais de oito mil pessoas passaram pela quadra da escola, no Andaraí. O resultado foi anunciado após as cinco horas da manhã. A obra da parceria formada pelos compositores Marcelo Motta, Tico do Gato, Ribeirinho, Dilson Marimba, Dominguinhos PS e Diego Tavares venceu os sambas de outras duas parcerias: de Xande de Pilares e de Demá Chagas. miniaturadaimagem|Os compositores do samba da Porto da Pedra na festa de lançamento do álbum. Três escolas realizaram suas finais de disputa na madrugada do sábado, dia 15 de outubro de 2011. Na Porto da Pedra, o samba dos compositores Vadinho, Fernando Macaco, Tião Califórnia, Cici Maravilha, Bento, Denil e Oscar Bessa venceu outras três parcerias. Aos 76 anos, Vadinho venceu sua terceira disputa na escola. Cerca de oito mil pessoas acompanharam a final na quadra da agremiação, em São Gonçalo. O resultado foi divulgado por volta das cinco horas e quinze minutos da manhã do sábado. Na São Clemente, o samba da parceria de Ricardo Góes, Grey, Serginho Machado, Marcos Antunes, FM, Guguinha, Vania Soares e Flavinho Segal derrotou outras duas obras concorrentes.

Com sua quadra em reforma, a Portela realizou sua final na quadra da Caprichosos, em Pilares. A obra da parceria de Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento, Naldo e André do Posto 7 derrotou os sambas de outras duas parcerias: de Diogo Nogueira e de Neyzinho do Cavaco. Foi a terceira vitória de Wanderley e Luiz Carlos, que também assinam as obras de 2009 e 2011 da agremiação. Autor dos sambas de 2002, 2006, 2010 e 2011, Naldo venceu pela quinta vez na escola. André venceu pela segunda vez e Toninho conquistou sua primeira vitória. Para chegar à final, a parceria campeã gastou entre 25 e 30 mil reais. Desde seu lançamento, a obra conquistou admiradores na internet por apresentar uma estrutura com três refrãos e características que se aproximam do samba de roda, diferente do que era usual em samba-enredo na época."Desde que o samba começou na disputa ele estava crescendo e acabou ganhando admiradores em vários locais do país. A internet ajudou muito e virou um fenômeno. Fugimos do que as pessoas estão acostumadas e fomos buscar o diferente. A Portela está feliz."miniaturadaimagem|Pela primeira vez, Arlindo Cruz assinou um samba na Vila Isabel.|240px Outras três escolas realizaram suas finais na madrugada de domingo, dia 16 de outubro de 2011. Na Unidos da Tijuca, venceu a parceria de Vadinho, Josemar Manfredini, Jorge Callado e Silas Augusto. Na Grande Rio, venceu a obra dos compositores Edispuma, Licinho Jr., Marcelinho Santos, Foca, Melo. Foi a terceira vitória de Licinho, que também assina o samba do ano anterior. Após a escolha da obra, a direção da escola alterou o trecho "faço da vida um grande festival", modificado para "em Parintins um grande festival". Na Vila Isabel, a festa terminou após as seis horas da manhã de domingo. O samba dos compositores Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens venceu a obra da parceria de Mart'nália. Pela primeira vez, Arlindo participou e venceu uma disputa na Vila. André Diniz ganhou sua décima terceira disputa, se firmando como o segundo maior compositor da escola, atrás apenas de Paulo Brazão, que tem dezessete sambas na agremiação.