Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 – Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX.
Drummond foi um dos principais poetas da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos.
Os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas, familiares e políticas, como o socialismo, dialogando sempre com correntes tradicionais e contemporâneas de sua época. As características formais e estilísticas de sua obra também são vastas, destacando-se, por vezes, o dialeto mineiro.
Juventude thumb|esquerda|Casa de Drummond em Itabira Drummond nasceu na cidade de Itabira, em Minas Gerais. Sua memória dessa cidade viria a permear parte de sua obra. Seus antepassados, tanto do lado materno como paterno, pertencem a famílias de origem escoto-madeirense há muito tempo estabelecidas no Brasil.
Em 1916, foi estudar no Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte, colégio no qual desenvolveu amizades com figuras como o futuro Ministro da Educação Gustavo Capanema. Contudo, Drummond não concluiu seu estudos nesta instituição devido a sua contaminação por uma doença venérea, o que motivou sua família a retirá-lo do colégio e retorná-lo para sua cidade natal a fim de se tratar.
Três anos depois, Drummond é matriculado em novo colégio: o Colégio Anchieta, dos jesuítas, em Nova Friburgo. Nesse período, destacou-se entre os estudantes, passando a ser escritor do jornal escolar. Porém, ao observar as correções que seu professor de português efetuou em suas redações, discordou delas, o que ocasionou desavenças entre ambos e a posterior saída de Drummond do colégio por "insubordinação mental", sem terminar seu Ensino Médio.
Em 1920, seu pai decide se mudar para a cidade de Belo Horizonte com toda a família. Eles se alojaram em um hotel localizado no centro da cidade, enquanto a casa em Santa Tereza não estava concluída. Cobrado a ter um diploma de ensino superior, Drummond, mesmo sem ter terminado o ensino médio, matriculou-se em 1923 no curso de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, terminando seu curso em 1925. porém nunca exerceu a profissão. Logo em seguida, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou "A Revista", para divulgar o modernismo no Brasil.
Carreira miniaturadaimagem|Carlos Drummond de Andrade atrás do ministro Gustavo Capanema que discursa na construção do Edifício Capanema, no Rio de Janeiro, em 1937.|esquerda No mesmo ano em que publica a primeira obra poética, Alguma poesia (1930), o seu poema Sentimental é declamado na conferência "Poesia Moderníssima do Brasil", feita no curso de férias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, pelo professor da Cadeira de Estudos Brasileiros, Dr. Manoel de Souza Pinto, no contexto da política de difusão da literatura brasileira nas Universidades Portuguesas. Nos anos 1940, Drummond ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e chegou a dirigir um jornal do Partido no Rio de Janeiro, onde realizou uma entrevista com o dirigente do partido Luis Carlos Prestes ainda na cadeia. Existe colaboração de sua autoria no semanário Mundo Literário (1946–1948) e na revista luso-brasileira Atlântico.
Durante a maior parte da vida, Drummond foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguisse escrevendo até sua morte, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua filha. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas. Sua morte ocorreu por infarto do miocárdio e insuficiência respiratória.Veja. São Paulo: edição 990, 26 de agosto de 1987, pág. 109.
Estilo literário miniaturadaimagem|Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, 1954. Arquivo Nacional. thumb|Aníbal Machado, Carlos Drummond de Andrade e Marques Rebelo, 1960 Drummond, como os modernistas, segue a libertação proposta por Mário de Andrade e Oswald de Andrade; com a instituição do verso livre, mostrando que este não depende de um metro fixo. Se dividirmos o modernismo numa corrente mais lírica e subjetiva e outra mais objetiva e concreta, Drummond faria parte da segunda, ao lado do próprio Oswald de Andrade.
Quando se diz que Drummond foi o primeiro grande poeta a se afirmar depois das estreias modernistas, não se está querendo dizer que Drummond seja um modernista. De fato, herda a liberdade linguística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas. Contudo, nota-se em sua obra constantes efusões críticas, enfadadas ou mesmo fatigadas a respeito da modernidade e das consequências do progresso e seus excessos, característico de sua escrita que também era profundamente marcada pela reflexão e análise aprofundada de diversas temáticas.
Sobre a poesia política, algo incipiente até então, deve-se notar o contexto em que Drummond escreve. A civilização que se forma a partir da Guerra Fria está fortemente amarrada ao neocapitalismo, à tecnocracia, às ditaduras de toda sorte, e ressoou dura e secamente no eu artístico do último Drummond, que volta, com frequência, à aridez desenganada dos primeiros versos: A poesia é incomunicável / Fique quieto no seu canto. / Não ame.
Obra literária
Poesia/Crônica O Que Viveu Meia Hora (1927) Alguma poesia (1930) Brejo das Almas (1934) Sentimento do Mundo (1940) José (1942) A Rosa do Povo (1945) Novos Poemas (1948) Claro Enigma (1951) Fazendeiro do Ar (1954) Viola de Bolso (1955) A Vida Passada a Limpo (1959) Lição de Coisas (1962) Versiprosa (1967) Boitempo (1968) A Falta que Ama (1968) As Impurezas do Branco (1973) Menino Antigo (Boitempo II) (1973) A Visita (1977) Discurso de Primavera e Algumas Sombras (1977) O marginal Clorindo Gato (1978) Esquecer para Lembrar (Boitempo III) (1979) A Paixão Medida (1980) Corpo (1984) Amar se Aprende Amando (1985) Poesia Errante (1988) O Amor Natural (1992) Farewell (1996)
Antologia poética Poesia até Agora (1948) A Última Pedra no meu Caminho (1950) 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (1956) Antologia Poética (1962) Seleta em Prosa e Verso (1971) Amor, Amores (1975) Carmina Drummondiana (1982) Boitempo I e Boitempo II (1987) Minha Morte (1987)
Infantis O Elefante (1983) História de Dois Amores (1985) O Pintinho (1988) Rick e a Girafa
Prosa Confissões de Minas (1944) Contos de Aprendiz (1951) Passeios na Ilha (1952) Fala, Amendoeira (1957) A Bolsa & a Vida (1962) A Minha Vida (1964) Cadeira de Balanço (1966) Caminhos de João Brandão (1970) O Poder Ultrajovem e mais 79 Textos em Prosa e Verso (1972) De Notícias & Não-notícias Faz-se a Crônica (1974) Os Dias Lindos (1977) 70 Historinhas (1978) Contos Plausíveis (1981) Boca de Luar (1984) O Observador no Escritório (1985) Tempo Vida Poesia (1986) Moça Deitada na Grama (1987) O Avesso das Coisas (1988) Auto-retrato e Outras Crônicas (1989) As Histórias das Muralhas (1989)
Vida pessoal thumb|esquerda|Memorial Carlos Drummond de Andrade em Itabira (Oscar Niemeyer).
Em 1925, casou-se com Dolores Dutra de Morais, com quem teve dois filhos, Carlos Flávio, que viveu apenas meia horaSantiago, Silviano; Coelho Frota, Lélia. Correspondência de Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2002. pp. 282. (e a quem é dedicado o poema "O que viveu meia hora", presente em Poesia completa, Ed. Nova Aguilar, 2002), e Maria Julieta Drummond de Andrade.https://mid-educacao.curitiba.pr.gov.br/2019/4/pdf/00211605.pdf
Legado upright|thumb|Famosa estátua de Drummond na Praia de Copacabana.
Homenagens Em 1987, meses antes de sua morte, a escola de samba Mangueira o homenageou no Carnaval com o enredo "O Reino das Palavras", sagrando-se campeã do Carnaval Carioca naquele ano.Lp dos Sambas de Enredo das Escolas de Samba do Grupo 1-A. Rio de Janeiro: 1987.
A 5 de abril de 1975, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, de Portugal.
Represetações na cultura Drummond já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Carlos Gregório e Pedro Lito no filme Poeta de Sete Faces (2002) e Ivan Fernandes na minissérie JK (2006).
Também teve sua efígie impressa nas notas de NCz$ 50,00 (cinquenta cruzados novos) em circulação no Brasil entre 1988 e 1990.
Atualmente, também, há representações em Esculturas do Escritor, como é o caso das estátuas 'Dois poetas', na cidade de Porto Alegre, e também 'O Pensador', na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, além de um memorial em sua homenagem na cidade de Itabira. Uma das estátuas, que fica na praia de Copacabana, foi instalada em 2002, o ano do centenário do escritor.
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