A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP, EP, POLI-USP ou simplesmente POLI) é a unidade da Universidade de São Paulo (USP) responsável pelo ensino, pesquisa e extensão universitária nas áreas de engenharia na cidade de São Paulo. Fundada em 1893 — antes mesmo da criação da USP — como a primeira escola de engenharia do estado de São Paulo, sob a denominação de Escola Politécnica de São Paulo, foi incorporada à USP em 1934, tendo sido também uma das fundadoras desta universidade. Seus alunos e ex-alunos são conhecidos como "politécnicos".
Em virtude de vários formandos desta instituição, ao longo da sua história, ocuparem cargos com exposição pública ou de liderança empresarial e industrial, atribuiu-se a ela a fama de formadora de líderes. É referência nacional pela sua tradição e qualidade, e é também a faculdade com maior quantidade de habilitações em engenharia da América Latina. A Escola Politécnica possui numerosas parcerias internacionais de intercâmbio e pesquisa.
Em 2013 foi considerada, juntamente com as outras unidades da USP que ministram cursos de engenharia ou TI, a 75.ª melhor escola de tecnologia do mundo e a melhor da América Latina, segundo o QS World University Rankings; a melhor escola de engenharia da América Latina segundo o Times Higher Education em 2014, 2015, 2016 e 2023; e entre as cem primeiras escolas de engenharia do mundo pelo Academic Ranking of World Universities no mesmo ano. Igualmente em conjunto com as demais escolas de engenharia da USP, os cursos de engenharia da Poli ficam entre as primeiras colocações em rankings e indicadores nacionais, como o Ranking Universitário da Folha de S.Paulo e indicadores do Ministério da Educação.
Ingresso miniaturadaimagem|250px|Prédio do Biênio, c. 2004 O ingresso nos cursos de graduação da Escola se dá, assim como para todos os outros cursos da USP, pela admissão no vestibular realizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST), sendo excluída em 2023 a admissão pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU). A instituição oferece 870 vagas anualmente. É tradicionalmente o maior vestibular de engenharia do Brasil, com cerca de 15 mil candidatos, sendo uma das carreiras mais procuradas e com maior nota de corte no vestibular da FUVEST. A Poli se posicionou contra a adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para a seleção de alunos em 2015; no entanto, essa posição foi modificada em 2016, e desde então 10% das vagas de cada curso são reservadas para o ingresso via Sistema de Seleção Unificada (SISU), no regime de livre-concorrência. Para alunos que já tenham cursado parte da graduação fora da Escola Politécnica, há a possibilidade de concurso de transferência externa, que é realizado anualmente. Em 2020, foram ofertadas 92 vagas nessa modalidade.
Finalmente, a Poli conta com uma significativa presença de alunos estrangeiros, tanto em cursos de graduação como nos de pós-graduação. A Poli conta com o iPoli, um grupo específico de alunos nacionais para auxiliar na recepção e integração dos alunos estrangeiros. Entre 2001 e 2015, cerca de 160 alunos estrangeiros vieram para a Escola Politécnica fazer um programa de duplo-diploma (intercâmbios diplomantes com duração de até 2 anos). A Poli também recebe alunos em intercâmbios de menor duração, chamados "aproveitamento de estudos".
Desde 2012 a escola tem se expandindo, principalmente com a oferta de novos cursos. A partir daquele ano, a Poli abriu seu primeiro campus fora da Cidade Universitária, para os alunos de engenharia de petróleo. A Poli inaugurou, em 2014, o curso de engenharia de computação com ênfase em sistemas corporativos, originalmente previsto para se instalar no campus da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Porém, devido a dificuldades iniciais com o campus, o curso é atualmente ministrado no campus principal da Poli.
Em 2013 foi realizada uma proposta de abertura de um curso de engenharia nuclear, em parceria com o IPEN, com aulas tanto no campus principal quanto no Centro Experimental Aramar, da Marinha. Uma nova proposta, que aproveita apenas a infraestrutura já disponível na Escola Politécnica, foi aprovada pelo Conselho Universitário da USP em 2020 com início de oferecimento em 2021. A Poli já possuía acordos com a Marinha desde meados da década de 1950, os quais permitiam que oficiais da Marinha cursassem matérias de graduação e pós-graduação.
Orçamento miniaturadaimagem|250px|Prédio da Engenharia Civil da EPUSP A Escola Politécnica possui o maior orçamento dentre as escolas de engenharia públicas brasileiras. O orçamento anual da Escola, provindo do tesouro do estado e distribuído pela administração da USP, é de R$ 96 833 056,00.
Além do dinheiro do Estado, a Poli recebe investimentos de parcerias com a iniciativa privada. Atualmente a Escola possui 323 convênios e contratos com empresas.
Uma das parcerias de sucesso com que a Poli conta é com o grupo PACE, maior financiador de escolas de engenharia do mundo, formado por empresas como General Motors, HP, Siemens, Sun Microsystems, etc., e que também patrocina escolas como o Instituto de Tecnologia de Massachussets e Virginia Tech, o que permite que a Poli tenha laboratórios de CAD/CAE/CAM ao nível dessas universidades.
Em 2011 foi criado o Endowment da Escola Politécnica, com o objetivo de levantar recursos adicionais de ex-alunos da instituição e de empresas, um modelo semelhante ao de instituições europeias e americanas. Foi a primeira vez que uma universidade brasileira criou um fundo permanente, baseado em doações, para reforçar seu orçamento.
Em 2004, a Poli foi a primeira instituição de fora da Europa a fazer parte do T.I.M.E..T.I.M.E. - Top Industrial Managers Europe Programas de duplo diploma - mobilidade de estudantes (Top Industrial Managers for Europe), instituição que reúne escolas de engenharia líderes para promover o intercâmbio de alunos. Em 2015, o grupo Paristech, que agrupa os mais prestigiosos institutos de ensino superior em engenharia da França, abriu seu escritório permanente no Brasil nas dependências da Poli, a fim de aproximar as atividades de ensino, pesquisa e extensão entre essas instituições e a Poli, incluindo intercâmbios A Poli também possui parceria com o grupo TU9, que agrupa as mais importantes universidades de engenharia da Alemanha e com o grupo Centrale, na França. Além de ser um grande avanço no sentido de facilitar a ida de estudantes brasileiros para o exterior, essas parcerias representam o reconhecimento das instituições europeias à excelência do ensino na Escola Politécnica.
Alunos que partem nessas modalidades de estudos dispõem de várias oportunidades de bolsa, a depender do país que o receberá.
Duplo diploma Entre 2001 e 2015, 839 alunos vindos da Poli partiram em programa de duplo-diploma no exterior, o que representa cerca de 10% de seu corpo de alunos no período. Deve-se ressaltar que os alunos que fazem o percurso contrário, ou seja, partem de uma universidade estrangeira para vir à Poli em duplo-diploma são também uma fração significativa do corpo estudantil, cerca de 164 alunos durante o mesmo período. Em 2015, a Poli celebrou seu milésimo duplo-diploma.
Universidades parceiras As escolas atualmente conveniadas com a Escola Politécnica da USP são:
Alemanha RWTH AACHEN University Technische Hochschule Georg Agricola Technische Universität Darmstadt Technische Universität Munchen Technische Universität Berlin Universität Duisburg-Essen Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg Austrália
Royal Melbourne Institute of Technology - RMIT University of Newcastle
Bélgica Universitè Catholique de Louvain Université de Mons Canadá Polytechinique Montréal University of Windsor Chile
Universidad de Chile Universidad Técnica Federico Santa Maria
China
EAST China University of Science and Technology
Colômbia Universidad Antonio Nariñas Universidad de Antioquia Universidad de Los Andes Universidad Tecnológica de Bolivar Coreia do Sul KAIST - Korea Advanced Institute of Science and Technology Equador
Escuela Superior Politecnica del Litoral
Espanha Basque Center for Applied Mathematics Universidad de Navarra Universidad Internacional de La Rioja Universidad Politecnica de Madrid Finlândia Aalto University França Agro ParisTech Arts et Metiers ParisTech CentraleSupélec (fusão da antiga École Centrale Paris e da Supélec) École Centrale de Lille École Centrale de Lyon École Centrale de Marseille École Centrale de Nantes École de Mines de Nancy École des Ponts ParisTech École Polytechnique ENS en Génie des Techonologies Industrielles ENS Chimie de Lille ENS des Ingenieurs en Arts Chimiques et Technologiques ENS des Industries Chimiques École des Mines de Saint-Étienne ESTP Paris - École Spéciale des Travaux Publics, du Bâtiment et de l'Industrie Institut Polytechnique Grenoble Institut National des Sciences Appliquées Institut National des Sciences Appliquées de Lyon - INSA Lyon Télecom ParisTech Holanda
University of Twente
Hungria
Budapest University of Technology and Economics University of Miskolc
Índia Centre for Incubation, Innovation, Research and Consultancy - Jyothy Institute of Technology PES University Irlanda
Waterford Institute of Technology Itália Politecnico di Milano Politecnico di Torino Università Degli Studi di Udine Università Degli Studi di Brescia Japão Disaster Prevention Research Institute, Kyoto University Shibaura Institute of Technology Osaka University Chuo University (tramitando) México Instituto Politécnico Nacional Panamá
Universidad Tecnologica de Panama
Peru Escuela Profesional de Ingeniería de Minas Pontificia Universidad Católica del Peru Universidad Católica San Pablo Universidad Nacional de Ingeniería Universidad Nacional de San Agustin de Arequipa Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas Portugal Instituto Superior Técnico Universidade do Porto Reino Unido
University of Strathclyde University of Birmingham University of Huddersfield (tramitando)
Singapura National University of Singapore Suécia Lund University Venezuela Universidad Simón Bolivar
Bibliotecas Em 1895, a abertura da biblioteca da Escola Politécnica foi responsável pela introdução da literatura sobre engenharia na capital de São Paulo, que até então somente dispunha da biblioteca da Faculdade de Direito, com obras sobre ciências jurídicas e sociais. Hoje, o acervo da Escola Politécnica da USP se distribui por uma rede de 8 bibliotecas, sendo o maior da USP, com mais de 570 mil itens bibliográficos, entre livros, periódicos, teses e dissertações. Juntas, as bibliotecas da Poli ocupam 5663 m².
Politécnicos célebres Arquitetos e urbanistas Carlos Cascaldi Francisco Prestes Maia - Considerado o maior urbanista de São Paulo, como cidadão e como prefeito João Batista Vilanova Artigas - Considerado o principal nome da história da arquitetura de São Paulo Luís Inácio de Anhaia Melo
Artistas Alberto Martino Caco Ciocler Carlos Zara Manuel Bandeira (não concluiu) Thomas Farkas Cleber Akira
Empresários João Augusto Amaral Gurgel - Fundador da Gurgel Motores S/A Olavo Egídio Setúbal - Foi o criador e um dos maiores acionistas da holding Itaúsa Pedro Luiz Barreiros Passos - Sócio-fundador e co-presidente da Natura Roberto Setúbal - Ex-presidente do banco Itaú Rubens Ometto Silveira Mello - Dono da Cosan, é o 18º homem mais rico do Brasil Sérgio Mindlin Fábio Levy Siqueira Henrique D. Carvalho Roberto Simonsen Ricardo Villela Marino - Diretor do Banco Itaú Romero Rodrigues - Fundador do Buscapé
Jornalistas Claudio Carsughi - Formado em Engenharia Civil Marcelo Tas - Formado em Engenharia Civil
Prefeitos de São Paulo Luís Inácio de Anhaia Melo (1931) Henrique Jorge Guedes (1931-1932) Francisco Prestes Maia (1938-1945 e 1961-1965) Paulo Maluf (1969-1971 e 1993-1997) José Carlos de Figueiredo Ferraz (1971-1973) Olavo Egydio Setubal (1975-1979) Reinaldo de Barros (1979-1982)