O termo rococó forma da palavra francesa rocaille, que significa "monte de pequenas pedras",Dictionnaire de la langue française Littré também conhecido como Barroco Tardio, é um estilo excepcionalmente ornamental e dramático de arquitetura, arte e decoração que combina assimetria, curvas onduladas, dourado, cores brancas e pastéis, molduras esculpidas e afrescos trompe-l'oeil para criar ilusão de movimento, drama e surpresa. É frequentemente descrito como a expressão final do barroco. Foi muitas vezes alvo de apreciações estéticas pejorativas.

Era conhecido como "estilo Rocaille", rapidamente se espalhou para outras partes da Europa, particularmente no norte da Itália, Áustria, sul da Alemanha, Europa Central e Rússia. O estilo migrou também para a América e sobreviveu em algumas regiões até meados do século XIX. Também influenciou outras artes, especialmente escultura, móveis, prataria, vidro, pintura, música e teatro.

O Rococó nasceu em Paris em torno da década de 1720 e perdurou até aproximadamente 1770 como uma reação da aristocracia francesa contra o Barroco suntuoso, palaciano e solene praticado no período de Luís XIV. Caracterizou-se acima de tudo por sua índole hedonista e aristocrática, manifesta em delicadeza, elegância, sensualidade e graça, e na preferência por temas leves e sentimentais, onde a linha curva, as cores claras e assimetria tinham um papel fundamental na composição da obra. Da França, onde assumiu sua feição mais típica e onde mais tarde foi reconhecido como patrimônio nacional, o Rococó logo se difundiu pela Europa, mas alterando significativamente seus propósitos e mantendo do modelo francês apenas a forma externa, com importantes centros de cultivo na Alemanha, Inglaterra, Áustria e Itália, com alguma representação também em outros locais, como a Península Ibérica, os países eslavos e nórdicos, chegando até mesmo às Américas.Rococo style. Encyclopædia Britannica online. 4 de maio de 2009COHEN, George M. (ed). The Essentials of Art History. Research & Education Association, 1995. pp. 111-112OLIVEIRA, Myriam A. Rococó religioso no Brasil e seus antecedentes europeus Cosac Naify Edições, 2005. p. 43

História O rococó é um movimento artístico europeu, que aparece primeiramente na França, entre o barroco e o Arcadismo. Visto por muitos como a variação "profana" do barroco, surge a partir do momento em que o Barroco se liberta da temática religiosa e começa a incidir-se na arquitetura de palácios civis, por exemplo. Literalmente, o rococó é o barroco levado ao exagero de decoração.

A expressão "época das Luzes" é, talvez, a que mais frequentemente se associa ao século XVIII. Século de paz relativa na Europa, marcado pela Revolução Americana em 1776 e pela Revolução Francesa em 1789. No âmbito da história das formas e expressões artísticas, o Século das Luzes começou ainda sob o signo do Barroco. Quando terminou, a gramática estilística do Neoclassicismo dominava a criação dos artistas. Entre ambos, existiu o Rococó. Na ourivesaria, no mobiliário, na pintura ou na decoração dos interiores dos hotéis parisienses da aristocracia, encontram-se os elementos que caracterizam o Rococó: as linhas curvas, delicadas e fluídas, as cores suaves, o caráter lúdico e mundano dos retratos e das festas galantes, em que os pintores representaram os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca da felicidade, da alegria de viver, dos prazeres sensuais.

O Rococó é também conhecido como o "estilo da luz" devido aos seus edifícios com amplas aberturas e sua relação com o século XVIII. thumb|A Igreja de Santa Maria Madalena de André Soares Em Portugal aparece na numismática a cerca de 1726 e prolongou-se até 1790 nos principais domínios artísticos. Na corte e no Sul do país desaparece mais cedo, dando lugar ao neoclassicismo. É nas províncias do Norte, particularmente Noroeste, que se encontra a versão mais original do património artístico rococó metropolitano, graças à talha dourada de formas «gordas» de certas igrejas do Porto, Braga, Guimarães, etc., executada por notáveis artistas na segunda metade do século XVIII (Fr. José de Santo António Vilaça, Francisco Pereira Campanhã, André Soares etc.) e na escultura granítica, que decora numerosos edifícios religiosos e profanos na área: igreja da Ordem Terceira do Carmo (1758-68) por José Figueiredo Seixas, Capela do Terço (1756-75); em Viana do Castelo, a capela dos Malheiros Reimões, etc.

Os pintores mais representativos foram François Boucher, Antoine Watteau e Jean-Honoré Fragonard

No Brasil o estilo revelou-se tardiamente, pois já no início do século XIX, na escultura de madeira e de «pedra-sabão», na pintura mural e na arquitectura, com José Pereira Arouca, Francisco Xavier de Brito, Manuel da Costa Ataíde e António Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Diferenças entre o Barroco e Rococó

"De uma maneira mais filosófica, procura-se fazer a distinção entre o rococó e o barroco, que utilizaram um aparelho formal e decorativo para muitos objectivos diferentes, e que muitas vezes estiveram presentes, ao mesmo tempo, no mesmo país até na mesma obra, notando-se como o rococó procurava o bellum, ou seja, o agradável, o requintado, o desenvolto, o subtilmente sensual, enquanto o barroco se inclinava para o pulchrum, isto é, para o imponente, para o sublime, para o palaciano, para o grandiloquente". Pode-se concluir que a arquitetura Rococó, apropriando-se de princípios artísticos, soluções espaciais e elementos de linguagem do século anterior busca, paradoxalmente, a ruptura com uma das premissas básicas da arte barroca: o apelo persuasivo. O caráter envolvente impresso na tensão dramática oriunda das imagens derramadas pela retórica barroca cede lugar ao prazer “irresponsável” que os espaços do Rococó oferecem. A monumentalidade eloquente do barroco francês é substituída pela alegria “saltitante”, caprichosa, luminosa e descompromissada do estilo Rococó.

Na arquitetura francesa setecentista o empenho dirige para a concepção das pequenas residências urbanas construídas para a nobreza enfraquecida, principalmente o esforço de transformar o ambiente interno intimista dos hôtels em uma experiência de requinte e descontração. Desta forma, a luz, que quase sempre no barroco era direcionada – e às vezes escassa e misteriosa –, no Rococó passa a ser efusiva, abundante, iluminando todos os pormenores do espaço e particularmente a elegante decoração interna. As quinas vivas, os cantos, os ângulos mortos tendem a desaparecer, a se arredondar, para proporcionar uma luz regular em todo o ambiente. As paredes adquirem uma coloração quase sempre branca, irradiando a luz excessiva que penetra pelas grandes aberturas.

O Rococó deve-se distinguir da arquitetura do barroco Tardio que floresceu na Europa Central durante a primeira metade do século XVIII. Representa a expressão natural de uma tardia contrarreforma, e reflete muito bem a ambição de várias pequenas monarquias em imitar o palácio de Versalhes de Luís XIV. Mas o barroco alemão também assimilou ideias da corrente Iluminista e do Rococó e por isto chegou a uma síntese singular que fundiu monumentalidade e intimidade, retórica e encanto, abundância e claridade.

O abandono parcial da simetria, sendo tudo composto por linhas curvas graciosas, à semelhança da Art Nouveau; A enorme quantidade de curvas assimétricas e volutas em forma de C; A ampla utilização de flores na ornamentação, sendo um exemplo os festões feitos de flores; às vezes usando motivos do leste asiático (chinoiserie, japonismo); Suavidade e luminosidade das cores, com cores pastel quentes (amarelo esbranquiçado, creme, cinza pérola, azul muito claro); Leveza dos traços; Busca pelo refinado e exótico; Design elegante; Paisagens e representações da natureza pintadas nos tetos; Formatos ovais; Portas e janelas maiores com arcos; Menores proporções; Uso do ferro forjado em grades para varandas, lagos, portas e jardins; Salão principal como centro das dependências; Utilização de materiais que imitam mármores; paredes claras.

Arte rococó Música do período rococó O estilo de música utilizada no rococó é de difícil definição.

É caracterizado por sarabandas, gigas, minuetos e outras galanterias. Dois compositores importantes deste estilo são Johann Christian Bach, filho mais novo de Johann Sebastian Bach, e Johann Stamitz, fundador da Escola de Mannheim.

Arquitetura rococó

miniatura|Palácio da Solidão ( Estugarda, Alemanha) - um expoente da arquitetura rococó no sul da Alemanha.

Na arquitetura, o estilo rococó é reconhecido pelas linhas curvas e pela abundância de decorações (cabeças esculpidas na fachada). As habitações deste estilo possuem mezanino (como todos os edifícios até o século XIX), pequenas varandas arredondadas com mísulas e grades de ferro forjado. Notamos também a diminuição da altura dos pisos, sendo que o 1.º (ou 2.º) piso é um piso nobre.

A palavra "rococó" não deve ser usada no contexto da evolução dos estilos franceses nas artes decorativas. No máximo pode ser ligado ao estilo rocaille (1730-1745), embora os dois estilos não abranjam exatamente a mesma noção, o estilo rococó pontuando uma certa exuberância com superfícies lisas e amplas caracterizada por uma forma de vazio ornamental. O rocaille, na França, é um sub-estilo de Luís XV, vindo da Regência e seguido pelo rocaille simetrizado (de 1745). A sua vida útil é particularmente curta. O rocaille simetrizado classicizante (por volta de 1755) é uma evolução final ao lado do gosto grego. O Rococó, por sua vez, ainda estava muito presente na Itália, ou na esfera germânica na década de 1780. e

Este estilo expressivo atingiu o apogeu não na França, mas na Baviera (Pavilhão Amalienburg (1734-1739) do Palácio de Nymphenburg, e no século XIX com o reinado de Ludwig II da Baviera no Palácio Linderhof).

Na Prússia, o “rococó Frederico” está vividamente encarnado no Palácio Sanssouci em Potsdam, construído para Frederico, o Grande.

O Rococó nasceu na corte de Luís XIV, aparecendo pela primeira vez em alguns salões de Versalhes. O Rococó foi revivido em alguns palácios parisienses como o Hôtel de Soubise, e mais tarde irradiou-se por toda a Europa.Spiriti Andrea, Il primo e il secondo rococò: arte e spazio, Comunicazioni sociali. MAG. AGO., 2006 (Milano: Vita e Pensiero, 2006).

Uma das características do estilo Rococó é a marcante diferença entre exteriores e interiores. O interior é um lugar de fantasia e cor, enquanto a fachada se caracteriza pela simplicidade. As ordens clássicas são abandonadas e as fachadas dos edifícios distinguem-se por serem planas, quase sem molduras para separar pisos ou emoldurar portas e janelas.

A forma dominante nos edifícios rococó era a circular. O pavilhão central, geralmente entre duas alas baixas e curvas e, sempre que possível, rodeado por um jardim ou imerso num parque natural. Outros edifícios poderiam assumir a forma de pavilhões encadeados, em oposição ao típico edifício em "bloco" típico da fase anterior.

Em todos os casos, o aspecto mais notável dos interiores rococó é a disposição interna. Os edifícios possuem salas especializadas para cada função e um layout confortável. Os quartos são concebidos como um conjunto que, com marcada funcionalidade, combina ornamentação, cores e mobiliário.

O estilo era altamente teatral, projetado para impressionar e surpeeender à primeira vista. As plantas baixas das igrejas eram muitas vezes complexas, apresentando formas ovais entrelaçadas; Nos palácios, as grandes escadarias tornaram-se peças centrais e ofereciam diferentes pontos de vista da decoração. Os principais ornamentos do Rococó são: conchas assimétricas, acantos e outras folhas, pássaros, buquês de flores, frutas, instrumentos musicais, anjos e Chinoiserie (pagodes, dragões, macacos, flores bizarras e chineses).