thumb|310px|O Richelieu, membro da Classe Richelieu, em setembro de 1943 após passar por modernizações A Marinha Nacional Francesa construiu uma série de couraçados entre as décadas de 1890 e 1940. O comando naval francês no final do século XIX era formado por duas facções: a primeira defendia a construção de navios capitais, enquanto a segunda enfatizava o uso de embarcações menores. A saída de oficiais membros desta segunda facção no final da década de 1880 permitiu que o primeiro couraçado pré-dreadnought francês fosse construído, o . O Reino Unido iniciou uma grande expansão naval em 1889, que serviu de justificativa para os franceses embarcarem em um programa de expansão próprio. Quatro embarcações foram encomendadas no ano seguinte, com uma quinta adicionada durante o processo de projeto: , , , e . Estes eram navios experimentais construídos com projetos diferentes, mas sob as mesmas especificações. Todos foram considerados decepções pela Marinha Nacional.
Seguiu-se uma série de couraçados padronizados projetados por um único arquiteto naval. Estes foram os três navios da Classe Charlemagne, mais seus derivados e . A primeira leva de couraçados franceses teve uma atuação limitada que envolveu principalmente atividades de treinamento no decorrer das décadas de 1890 e 1900. Eles alternaram serviços entre as Esquadras do Norte e Mediterrâneo até serem removidos do serviço ativo no final da primeira década do século XX, enquanto embarcações mais modernas entravam em atividade. O governo francês iniciou a construção de uma nova leva de couraçados depois de 1900 com o objetivo de fazer frente à recente expansão naval da Alemanha, o que resultou em dois navios da Classe République e quatro da Classe Liberté; estes eram muito similares entre si, diferindo principalmente em suas baterias secundárias. Estas embarcações foram mais bem-sucedidas e formaram o núcleo da Esquadra do Mediterrâneo até 1914.
A construção de seis couraçados da Classe Danton foi aprovada em 1906. Entretanto, estes foram construídos após o lançamento do britânico , que revolucionou a construção naval, o que fez com que os navios fossem obsoletos antes de entrarem em serviço. A França ficou convencida de que necessitava construir couraçados dreadnought próprios, assim encomendou quatro embarcações da Classe Courbet, sucedida por três da Classe Bretagne. Estes seriam os últimos navios do tipo construídos por duas décadas, pois o início da Primeira Guerra Mundial em 1914 forçou os franceses a cancelarem as Classes Normandie e Lyon, quando recursos financeiros e industriais foram desviados para o Exército de Terra e limitações orçamentárias impediram mais construções. A maior parte da frota francesa se concentrou na patrulha da extremidade sul do Mar Adriático a fim de conter avanços da Marinha Austro-Húngara, enquanto os pré-dreadnoughts foram empregados em outros locais, especialmente na Campanha de Galípoli, onde o Bouvet e Masséna foram afundados em 1915. Os pré-dreadnoughts sobreviventes após a guerra foram desmontados ou colocados em funções secundárias.
Os franceses retomaram seu programa de construção naval na década de 1930 a fim de fazer frente à Alemanha e Itália, o que resultou em dois couraçados da Classe Dunkerque e quatro da Classe Richelieu. Entretanto, dois membros da Classe Richelieu foram cancelados depois do início da Segunda Guerra Mundial em 1939, com apenas um sendo finalizado em tempo para atuar na guerra. Um último projeto, a Classe Alsace, foi autorizado em 1940, porém cancelado logo depois da derrota francesa na Batalha da França. Os membros da Classe Dunkerque tiveram serviço limitado, com o e o sendo seriamente danificados no Ataque a Mers-el-Kébir, durante o qual o foi afundado. O foi tomado pelos britânicos e entregue para as Forças Navais Francesas Livres. O Dunkerque, Provence e foram deliberadamente afundados em 1942 para que não fossem tomados pelos alemães. O foi modernizado nos Estados Unidos e serviu com a França Livre a partir de 1943, enquanto o permaneceu incompleto e só foi finalizado na década de 1950. Estes dois últimos serviram com a Marinha Nacional até a década de 1960, sendo desmontados.
+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve
Couraçados pré-dreadnought Brennus
thumb|esquerda|240px|O Brennus O Brennus foi o primeiro couraçado pré-dreadnought da Marinha Nacional Francesa. Esta, no final do século XIX, tinha experimentado a Jeune École, que enfatizava navios baratos como barcos torpedeiros e cruzadores em vez de embarcações mais caras como ironclads, que tinham dominado a construção naval nas décadas de 1860 e 1870. A Marinha Nacional assim encomendou uma série de projetos experimentais para determinar os tipos de navio mais eficientes. O almirante Théophile Aube, então Ministro da Marinha e proponente da Jeune École, cancelou dois ironclads em 1886, porém logo deixou o cargo e seu sucessor permitiu que uma das embarcações fosse reprojetada como um couraçado moderno. O projeto do Brennus foi único e preparado por Charles Ernest Huin, mas serviu de base para navios posteriores. Ele se diferenciou dos ironclads franceses anteriores ao introduzir diversas inovações, como uma bateria principal de armas grandes montadas na linha central do navio, blindagem de aço homogênea e o uso de caldeiras Belleville.
A embarcação passou a maior parte de sua carreira na Esquadra do Mediterrâneo, inicialmente como capitânia. Colidiu e afundou o contratorpedeiro Framée em 1900. Foi relegado à Esquadra de Reserva no início do século XX a medida que novos couraçados entravam em serviço; durante este período esteve praticamente inativo e com uma tripulação reduzida, reativado apenas para exercícios com o resto da frota. Foi usado como navio-escola de 1908 até 1914. Sua idade avançada e péssima condição impediram que atuasse depois do início da Primeira Guerra Mundial em 1914, assim permaneceu atracado e canibalizado por peças para outros navios. Foi removido do registro naval em 1919 e enviado para desmontagem três anos depois.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 3 × 340 mm 11 370 t 2 motores de tripla-expansão;17 nós (31 km/h) janeiro de 1889 outubro de 1891 janeiro de 1896 Desmontado em 1922
Charles Martel
thumb|240px|O Charles Martel O Charles Martel foi o primeiro de cinco couraçados muito similares entre si encomendados com o Estatuto Naval de 1890, parte da resposta da França ao programa de expansão naval do Reino Unido. Os cinco tinham os mesmos parâmetros de projeto básicos, porém os arquitetos individuais tinham permissão para modificar detalhes menores. As encomendas das embarcações ocorreram depois dos britânicos aprovarem o Decreto de Defesa Naval de 1889, que autorizou oito couraçados da Classe Royal Sovereign. O Estatuto Naval tinha a intenção de manter a Marinha Nacional em uma posição de relativa paridade com a Marinha Real. O programa francês previa a construção de 28 couraçados. Os deslocamentos dos navios foram limitados a doze mil toneladas a fim de reduzir custos e minimizar objeções na Câmara dos Deputados. O projeto básico do Charles Martel também foi preparado por Huin, que se baseou no Brennus, porém o armamento foi arranjado em uma disposição losangonal que tinha sido empregada em vários antigos ironclads.
O navio mostrou-se uma decepção depois de entrar em serviço, assim como seus quatro semelhantes. Todos os quais sofreram de estabilidade ruim, principalmente em consequência de seu casco que se afinava gradualmente acima da linha d'água e uma construção sobrecarregada. O Charles Martel passou boa parte da sua carreira servindo na Esquadra do Mediterrâneo, mas juntou-se em 1897 a uma Esquadra Internacional que interveio em 1897 e 1898 na revolta grega em Creta contra o domínio do Império Otomano, durante a Guerra Greco-Turca de 1897. O couraçado serviu como a capitânia da 2.ª Divisão da Esquadra do Mediterrâneo a partir de 1900, sendo transferido para a Esquadra de Reserva em 1902 e servindo como sua capitânia até o ano seguinte. O Charles Martel foi transferido para a 2.ª Esquadra de Batalha em 1910 e então para recém-criada 3.ª Esquadra de Batalha em 1911. Voltou para a reserva em 1912 e não teve mais nenhum serviço ativo, sendo desmontado em 1922.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 2 × 305 mm2 × 274 mm 11 880 t 2 motores de tripla-expansão;17 nós (31 km/h) agosto de 1891 agosto de 1893 fevereiro de 1897 Desmontado em 1922
Carnot
thumb|esquerda|220px|O Carnot O Carnot foi encomendado no mesmo programa de expansão naval que produziu o Charles Martel e, assim como seu predecessor, foi muito baseado no Brennus. O Estado-Maior da Marinha Nacional, em vez de repetir o mesmo projeto, permitiu que arquitetos navais diferentes elaborassem projetos diferentes a fim de comparar propostas para programas futuros. O Carnot foi projetado por Victor Saglio, o sub-diretor de construção naval em Toulon. O couraçado era bem similar ao Charles Martel, possuindo a mesma bateria principal, mas com uma superestrutura menor em uma tentativa de minimizar o peso acima da linha d'água e consequentemente melhorar a instabilidade que afligia muitos dos navios capitais franceses do período. O Carnot ainda assim ficou muito pesado e mostrou-se que também sofria de instabilidade. Modificações foram realizadas depois que ele foi finalizado, mas não foram capazes de solucionar os problemas e, assim como as outras embarcações do programa de expansão naval de 1890, não foi um navio bem-sucedido.
Seu início de carreira foi similar à do Charles Martel, passando boa parte dela na Esquadra do Mediterrâneo e também atuando em 1897 na Esquadra Internacional em Creta. Depois disso alternou passagens pelas Esquadras do Norte e Mediterrâneo; foi designado para a Esquadra do Norte em 1901, seguido por uma breve passagem na Esquadra do Mediterrâneo e depois colocado na Esquadra de Reserva em 1903. Retornou para o serviço ativo na Esquadra do Norte no ano seguinte, onde permaneceu até 1907, quando foi designado para a 2ª Esquadra de Batalha no Mediterrâneo. A unidade foi transferida para Brest no início de 1911, mas retornou para Toulon no final do ano, onde foi renomeada para 3ª Esquadra de Batalha. O Carnot voltou para a reserva em 1913 e foi desmontado em 1922.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 2 × 305 mm2 × 274 mm 11 955 t 2 motores de tripla-expansão;17 nós (31 km/h) julho de 1891 julho de 1894 julho de 1897 Desmontado em 1922
Jauréguiberry
thumb|240px|O Jauréguiberry O Jauréguiberry foi projetado por Amable Lagane, o arquiteto naval que tinha supervisionado a construção de um dos ironclads da Classe Magneta. Consequentemente, o couraçado foi muito influenciado por essa embarcação anterior, principalmente em seu casco comparativamente mais curto e largo. O ironclad chileno Capitán Prat, então em construção no mesmo estaleiro e também projetado por Lagane, foi outra inspiração. A bateria secundária do Capitán Prat era montada em torres de artilharia duplas a fim de economizar peso, com Legane adotando essa inovação no Jauréguiberry, a primeira vez que tal arranjo foi usado em um navio francês. Assim como seus contemporâneos, o couraçado era instável e sofria de navegabilidade ruim, consequência de seu deslocamento limitado.