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thumb|260px|{ill|es|Barragem do Ebro}}, com aldeia de Quintana (Campoo de Yuso) ao fundo
Campoo-Los Valles (pronunciado Campó), também conhecida como Merindade de Campoo e Cantábria do Ebro, é uma comarca histórica e geográfica do norte de Espanha, na província e comunidade autónoma da Cantábria. Tem de área e em tinha habitantes. A comarca não tem estatuto administrativo, pois apesar de já existir uma lei para a divisão em comarcas da Cantábria desde 1999, esta ainda não foi regulamentada.
Ocupa a bacia do Alto Ebro e é a comarca mais meridional da Cantábria e a mais extensa, ocupando quase 20% do território da comunidade autónoma, apesar da sua população ser representar apenas cerca de 3,5%. Deve o seu nome ao , que ocupa a parte central da comarca.
Municípios Município Área(km²) População() Densidade(hab./km²) Geografia e ambiente Geografia política A comarca é uma das melhor delimitadas da Cantábria, pois é formada pelos municípios que desde o integraram a Merindade de Campoo. A sua denominação de Campoo-Los Valles faz referência ao facto do seu território ser formado pelas partes que compunham a entidade administrativa de Campoo, isto é, a cidade de Reinosa e as antigas irmandades de Suso, Enmedio, Yuso, , Los Carabeos, Valdeolea e Valdeprado, e pelos Vales, isto é Valderredible e de Valdebezana (este último integra a província de Burgos desde o ).
No entanto, a atual divisão municipal não é exatamente a mesma das antigas irmandades. Durante a Idade Moderna, especialmente quando as antigas irmandades doram convertidas em municípios, foram feitas algumas mudanças: em 1860 as irmandades dos Carabeos e de Valdeprado foram unidas para constituírem o município de Valdeprado del Río; em 1890 foi criado o município de Las Rozas de Valdearroyo por segregação de Campoo de Yuso; os municípios de Pesquera, San Miguel de Aguayo e Santiurde de Reinosa foram formados a partir da antiga Irmandade das Cinco Vilas.
Geografia física Na nasce o , cujo caudal é o principal aporte hídrico do rio Ebro, que aflora na aldeia de . A , nas vizinhanças de Reinosa, forma uma das maiores albufeiras da bacia hidrográfica do Ebro e atua como o principal regulador dos regadios da Rioja e de Navarra. Nas mesmas serranias, criadas por movimentos tectónicos ocurridos desde os finais do Cretáceo até ao Oligoceno (orogenia alpina), encontram-se as maiores alturas da comarca, o () e o (), este último assim chamado porque nas suas encostas nascem rios que desaguam nos três mares que banham a Espanha: o rio Híjar, afluente do Ebro, que desagua no mar Mediterrâneo; o rio Pisuerga, afluente do Douro, que desagua no oceano Atlântico, e o , que desagua no mar Cantábrico.
O Pico Três Mares é o local onde se encontram as serras de Híjar e (ou de Isar) e no seu sopé há um vale glaciar. Do cimo dele avistam-se o mar Cantábrico a norte, os Picos da Europa a noroeste, a Cordilheira Cantábrica e a Montaña palentina (serras da província de Palência) a sudoeste, a meseta castelhana a sul e os Vales Pasiegos e sas erras de a leste. Na vertente norte há florestas frondosas de faias carvalhos, que fazem parte do , uma importante reserva natural, onde abundam os veados, corças e águias-reais. A presença de lobos-ibéricos não é rara e há registos de avistamentos de ursos-pardos, o que essa revela a importância dessa zona como via de comunicação das populações isoladas deste plantígrado. Em e nos altos da serra de Híjar há colónias importantes de grifos. Outras espécies dignas de menção, são por exemplo, o bufo-real, a marta, o texugo, o arminho e a toupeira. A albufeira do Ebro albrega uma avifauna aquática notável. No que se refere a espécies vegetais, além das florestas de faias e de carvalhos já mencionadas, destacam-se uma população importante de azevinhos e bétulas, e bons exemplares de teixos, todas elas árvores protegidas pela lei espanhola.
Clima Campoo situa-se numa zona de transição entre o clima oceânico e o da Península Ibérica, podendo enquadrar-se no chamado clima oceânico de transição, com algumas componentes de clima de montanha devido à altitude. Na realidade, o clima da região é uma mistura dos tipos oceânico e mediterrânico, sofrendo influências continentais por estar aberta para a meseta castelhana e influências oceânicas, as quais são atenuadas pelas serras de Isar e pela Cordilheira Cantábrica, que separam parcialmente a região da costa. Pode considerar-se Reinosa, no centro do vale de Campoo, como a zona de charneira entre as duas zonas climáticas, com o clima das áreas a norte, como Pesquera e as zonas ao longo do , com características mais oceânicas, e as áreas a sul, como Valderredible e Valdeolea, com características mais mediterrânicas.
Esta transição climática manifesta-se em invernos muito frios, com nevadas e geadas noturnas frequentes entre novembro e abril, e verões relativamente quentes durante o dia e frescos à noite. No verão a amplitude térmica diária chega aos 20 °C, com máximas de 30 °C durante o dia e mínimas de 10 °C à noite. O clima é frio (bastante mais do que na costa cantábrica) e húmido (um pouco menos do que nas zonas mais baixas do resto da Cantábria). A Precipitação, ainda que elevada, é bastante menor do que nas regiões costeiras da Cantábria, e no inverno é frequente ser na forma de neve. Por estar rodeada de montanhas altas, a precipitação concentra-se nas zonas altas, onde é muito superior à das zonas baixas, no vale de Campoo.
Etnografia thumb|esquerda|Festejos do Dia de Campoo em setembro de 2015
O gentílico dos habitantes de Campoo é campurriano e a língua por eles usada é o castelhano, com influências de uma variante dialetal asturo-leonesa. O Dia de Campoo é celebrado no último domingo de setembro, integrado nas festas de São Mateus. O ato principal desse dia é um desfile de carros engalados que reproduzem cenas da vida quotidiana tradicional, puxados por bois e vacas de , . Outras festas importantes são as de Las Nieves, a 15 de agosto em e a em , realizada no primeiro domingo de setembro para comemorar o fim do estio.
Uma das características mais marcantes do vestuário tradicional são as , socas similares às madreñas asturianas, primorosamente talhadas em madeira, tradicionalmente de bétula, mas atualmente também fabricadas industrialmente em faia. Um adereço típico do campurriano é o palo pinto, uma vara de avelaneira gravada a fogo, que ajuda a andar nos montes e a pastorear o gado. A economia local está tradicionalmente ligada à pecuária de bovinos e os campurrianos tinham grande repuração como condutores de carroças e pedreiros. Eram os carroceiros campurrianos que realizavam o intercâmbio de mercadorias entre a meseta e a capital da província.
Arquitetura thumb|Castelo de Argüeso
Na comarca há numerosos exemplos magníficos do chamado românico montanhês, entre os quais se destacam as colegiadas e e as igrejas , de em , e . O , em Valdeprado del Río, é um edifício barroco-montanhês do que alberga a imagem da padroeira da Merindade de Campoo, que é objeto de grande devoção local. Foi construído a partir duma igreja rupestre e tem um retábulo do .
Na arquitetura civil destacam-se as numerosas casas solarengas de silhar, com varandas e brasonadas. Na arquitetura militar cabe mencionar o , construído no , desde o qual , administrou o senhorio de Campoo e o marquesado de Argüeso no . Outras edificações relevantes são as torres dos Bustamante em , a , a de , a dos Gómez Bárcena em San Miguel de Aguayo e a de Los Ríos em .
História thumb|left|Ruínas romanas de Retortillo, geralmente identificadas com Julióbriga, com as serras de Híjar e de Cordel ao fundo
A presença de populações pré-históricas na comarca é atestada pela existência de vestígios de arte esquemática em locais como o ou o , ambos nas imediações de , e de numerosos menires, especialmente no município de Valdeolea.
A comarca é uma das regiões da Cantábria com mais sítios arqueológicos romanos. Destacam-se especialmente as ruínas situadas na aldeia de Retortillo do município de Campoo de Enmedio, geralmente identificadas como sendo de Julióbriga, a cidade romana mais importante da Cantábria. Julióbriga foi fundada no pela sobre um antigo castro cântabro, que poderá ter sido , a cidade cântabra onde se travou uma das mais importantes batalhas das Guerras Cantábricas. Outra das localizações prováveis de Aracillum é , também situada no município de Campoo de Enmedio. Outros sítios arqueológicos importantes são o , perto de (Campoo de Yuso)e o de , no município de Valdeolea. O primeiro foi usado por legões romanas durante as ofensivas das Guerras Cantábricas imediatamente posteriores a O segundo teve origem noutro acampamento militar romano da Legio IV Macedonica e nele encontram-se restos de uma villa, duma povoação visigoda e, a algumas centenas de metros, de outro grande edificação dos séculos II e , cuja função não é claro, podendo ser militar ou uma pequena povoação.
Da época da cristianização há vestígios de várias igrejas e eremitérios rupestres no conjunto denominado "", um dos mais importantes do seu tipo em Espanha.
Há diversas menções à comarca durante a Idade Média. Em meados do , o território de Campo Pau, Campodii, Campo ou Campoo pertencia ao senhorio do conde Rodrigo, como parte do Condado de Castela. Em 1087 a comarca é mencionada como uma tenência de El Cid, concedida a esse caudilho castelhano por de Leão após a Batalha de Zalaca, e em 1122 aparecia como possessão do conde . Em meados do a maior parte do território estava sob a jurisdição do senhorio de Aguilar de Campoo e do seu titular, . Segundo o “Livro das Merindades de Castela” (conhecido como “”), publicado , a compreendia tanto municípios do sul da atual Cantábria como o norte das atuais províncias de Palência e de Burgos, tendo a sua capital em Aguilar de Campoo (atualmente da província palentina), que também foi a sede do vasto .
Em finais da Idade Média, a Merindade de Campoo, com capital em Reinosa, separou-se da de Aguilar de Campoo. e os dois territórios nunca mais voltaram a estar unidos. Com a divisão provincial do início do reconfirmou a separação entre o Campoo cântabro e o Campoo palentino, cujo território integra atualmente a extensa comarca da . O Campoo cântabro, com capital em Reinosa, pertenceu inicialmente à , que existiu entre 1528 e 1804, e em 1833 foi integrada na Província de Santander, antecessora da atual comunidade autónoma da Cantábria.
Demografia e economia thumb|Estação de esqui de Alto Campoo
Apesar da sua grande extensão, que cobre quase 20% do território da Cantábria, a densidade populacional é muito baixa e tem vindo a descer desde pelo menos a os anos 1970. Em meados dessa década, a região sofreu um um despovoamento e envelhecimento demográfico, devido sobretudo ao declínio da empresa nacional "La Naval" (Forjas e Aços de Reinosa), que no passado foi muito próspera e teve prestígio internacional nos setores de construção naval e de armamento. A indústria foi muito desenvolvida na zona da Reinosa, mas perdeu importância principalmente a partir de 1987. Em abril desse ano ocorreram vários distúrbios motivados pela tentativa de travar os despedimentos massivos planeados pela "La Naval". Os enfrentamentos em Matamorosa (uma localidade vizinha de Reinosa), entre sindicalistas e a Guarda Civil causaram a morte a um membro das Comissões Operárias. O sucedido provocou muitas reações e a viúva da vítima processou judicialmente a Guarda Civil.
Após uma traumática reconversão industrial, atualmente as duas principais atividades económicas da região são o turismo, a indústria siderúrgica e a pecuária, especialmente de bovinos e, em muito menor escala, de equinos. O turismo está orientado sobretudo para o alojamento rural, os desportos de aventura que se realizam nas imediações da albufeira do Ebro e os desportos de inverno que se realizam na estação de esqui de .
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