Arthur Verocai é o álbum de estreia do musico brasileiro Arthur Verocai, lançado no final de 1972 pela gravadora Continental. O álbum acabou sendo um fracasso de vendas e sendo esquecido pela critica especializada da época. Tal fiasco fez Arthur repensar sua carreira como cantor solo, migrando para a área de composição, arranjos e produção musical nas próximas décadas.

O álbum se manteve num certo anonimato até o meio da primeira década do século XXI, quando vários artistas de rap e hip-hop estadunidenses, fizeram samples com músicas do álbum, entre elas, "Na Boca do Sol", usada por MF Doom na música "Orris Root Powder" em 2005, e a dupla de hip-hop Little Brother sampleou, também em 2005, a música "Cabocla" para a faixa "We Got Now".

Antecedentes e gravação Em 1968, Arthur Verocai saiu do curso de engenharia civil para se dedicar a música. Ele começou no ramo musical dois anos antes, recebendo créditos de composição pela canção "Olhando o Mar", do álbum Estamos aí, de Leny Andrade. No final da década de 60 e início da década de 70, Verocai trabalhou como como arranjador e instrumentista para nomes como Jorge Ben, Ivan Lins, Gal Costa, Célia e Marcos Valle.

Em 1972, Verocai decidiu fazer seu próprio disco, dizendo que "a gravadora me deixou fazer o que eu queria". A confiança no dono da então Continental Records fez o músico ganhar 100% de sua liberdade criativa para a produção de seu disco.

A gravação do álbum ocorreu em um estúdio no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.

Composição Verocai escolheu todos os músicos de gravação, que incluía um naipe de doze violinos, quatro violas e violoncelos, duas percussões e saxofones, um trombone, uma flauta, um piano elétrico e um time de vocais que se revezaram entre as nove canções do disco. As letras foram quase todas escritas por Vítor Martins, que era contra a ditadura militar no Brasil.

Estilo musical e tema lírico O álbum mistura elementos do pop brasileiro com o soul e o funk americanos, junto com o folk. Superficialmente, parecia conectar a Tropicália a uma sonoridade mais progressiva, embora o artista posteriormente tenha negado qualquer ligação com o movimento artístico transgressor. Por volta da época da gravação, Verocai ouvia frequentemente músicos americanos de funk e soul, que influenciaram fortemente o som do álbum; alguns desses artistas incluíam Frank Zappa, Miles Davis, Stan Kenton e Wes Montgomery. O álbum possui vários solos de artistas, alguns deles com pitadas da música tradicional brasileira, como nos casos de "Pelas Sombras" e "Karina". Algumas canções no álbum têm críticas abstratas para ditadura militar brasileira que conseguiram passar pela censura federal, segundo Verocai, pela falta de compreensão dos censores.

Lançamento O álbum foi lançado quase na metade da ditadura militar autoritária que governou o Brasil por mais de 20 anos, começando em 1964. A Continental lançou o LP nas lojas em 1973.

Recepção crítica

Recepção inicial O álbum foi um fracasso de vendas, ficando encalhado nas prateleiras das lojas brasileiras de vinis. A crítica também não deu notas ao álbum; "ninguém disse nada", diz Verocai. O baixo desempenho do álbum motivou Verocai a repensar sua carreira como músico solo, decidindo seguir uma carreira musical na publicidade. "Fiquei decepcionado, porque percebi que não era possível fazer o que eu queria, os arranjos que eu gostava – eu não queria fazer arranjos que seriam alterados pelas gravadoras. Eu estava muito empenhado em fazer aquele disco. Então pensei: estou no lugar errado." Um ex-funcionário não identificado da Continental, conta que, como a gravadora passava por dificuldades financeiras à época, ela resolveu recolher todos os vinis de Verocai estocados nas lojas para derretê-los e reutilizá-la para fazer mais discos dos Secos & Molhados.

Redescoberta No ano 2000, o produtor musical carioca Alexandre Kassin descobriu o disco em uma loja dedicado em vinis brasileiros durante de uma viagem a Tóquio, no Japão. Segundo o produtor e DJ Rodrigo "Nuts" Teixeira, a redescoberta do álbum tem dois motivos: a raridade do LP e a reedição dele pela Ubiquity nos EUA.

O produtor 9th Wonder foi o primeiro americano em fazer um sample de Verocai na música "We Got Now", do disco de 2005 do grupo de rap Little Brother, que usa colagens da faixa "Caboclo". No mesmo ano, o rapper e produtor britânico, MF Doom, usou a faixa "Na Boca do Sol" como base para as batidas de "Orris Root Powder", do grupo Metal Fingers. Outros artistas que o samplearam são Ludacris, Baco Exu do Blues, etc.

Recepção retrospectiva

As avaliações retrospectivas do álbum foram positivas. Jason Ankeny, da AllMusic, atribuiu ao álbum 4 estrelas e meia. Ankeny descreveu o álbum como "uma fusão da tropicália brasileira com o funk americano, resultando num mosaico sonoro cintilante e onírico que celebra e promove o espírito criativo". O produtor de hip-hop Madlib considera o álbum um dos seus favoritos, afirmando: "Eu poderia ouvir este álbum todos os dias pelo resto da minha vida".

As cópias originais do LP tornaram-se muito procuradas entre os fãs e colecionadores de vinil desde o ressurgimento do álbum. O mercado Discogs relata um preço médio de venda de dois mil euros.

É considerado a obra-prima de Verocai e fez o músico lançar outro álbum de estúdio trinta anos depois, em 2002, intitulado Saudade Demais.

Em 2003, o álbum foi relançado pela gravadora americana Luv N' Haight (da gravadora Ubiquity). Em 2009, fez um concerto em Los Angeles, na Timeless: The Composer/Arranger Series, cujo registro foi lançado este ano numa caixa com três DVDs - um do próprio Verocai, outro do compositor e músico etíope Mulatu Astatke e um terceiro com a "Suite for Ma Dukes", em tributo a James "Dilla" Yancey, morto em 2006.

Faixas Todas as faixas compostas por Vítor Martins e Arthur Verocai, exceto onde indicado.

Créditos Créditos adaptados das notas do encarte.

Arthur Verocai – arranjador, compositor, guitarrista, produtor, vocais Luiz Alves – baixo Vítor Martins – compositor Paulinho Tapajós – compositor Robertinho Silva – bateria, percussão Pascoal Meirelles – bateria Oberdan Magalhães – flauta, saxofone alto Pedro Santos – percussão Aloisio Milanez – piano, piano elétrico Paulo Moura – saxofone soprano e alto Nivaldo Ornelas – saxofone tenor Helio Delmiro – violão, solista Luis Paulo Vimana – sintetizador Edson Maciel – trombone Serginho Trombone – trombone Paulinho Trompete – trompete, vocais Hamilton Pereira da Cruz – trompete Luiz Carlos Batera – vocais Célia – vocais Carlos Dafé – vocais Gilda Horta – vocais Toninho Horta – vocais

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