miniaturadaimagem|299x299px|A conspiração ameaça as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira e foi repudiada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) Ratanabá é uma teoria da conspiração sobre uma suposta cidade perdida na Amazônia brasileira que teria sido construída por seres extraterrestres. "Falsificações do passado histórico e da realidade factual fazem parte da mentalidade dos anos Bolsonaro: vão da escravidão repaginada em luta meritocrática à negação das queimadas, à construção de falsas controvérsias em torno de vacinas e urnas, passando pelo saudosismo revisionista da ditadura. Ratanabá nunca existiu, mas como projeto e ideia é a capital intelectual do Brasil de Bolsonaro." "Ratanabá é o puro suco de lisergia bolsonarista. Neste sábado, Jair Bolsonaro desfilará sorridente em uma motociata na capital do Amazonas, poucos dias depois da confirmação dos assassinatos de Dom Phillips e Bruno. É um tipo de sadismo que deve fazer Olavo de Carvalho sorrir no inferno." Foi iniciada pelo ufólogo Urandir Fernandes de Oliveira, que alega ter contato com extraterrestres. A história foi compartilhada por páginas de fofocas como Choquei e também divulgada pelo então Secretário da Cultura, Mário Frias, durante o governo Jair Bolsonaro. Desde então se tornou um boato e um meme nas redes sociais do Brasil.
História A conspiração foi iniciada pelo empresário brasileiro Urandir Fernandes de Oliveira, um autoproclamado paranormal que promove conspirações terraplanistas e antivacina e alega contatos com seres extraterrestres em locais sob disputa judicial. Antes da teoria conspiratória de Ratanabá, Urandir apareceu na mídia em 2000 após criar o Projeto Portal no município de Corguinho, Mato Grosso do Sul, quando ganhou seguidores ao alegar contatos com extraterrestres. Ele chegou a ser preso por falsidade ideológica e estelionato por uma venda ilegal de terrenos onde tinha planos de erguer uma cidade para receber supostos seres de outros planetas. Em 2010, Urandir apareceu em uma reportagem do programa Domingo Espetacular, da TV Record, alegando ter contato com um ser chamado "ET Bilu", assunto que se tornou um meme nas redes sociais. O suposto extraterreste também foi assunto abordado pelo programa humorístico Custe o Que Custar, da TV Bandeirantes. Um nome importante para a difusão da teoria conspiratória foi o ator Sandro Rocha.
A teoria da cidade de Ratanabá também foi abordada pela escritora Isah Pavão, autora de um livro autopublicado sobre o tema e de vídeos da conspiração na plataforma YouTube. Oliveira e Pavão afirmam que a cidade dataria de 450 milhões de anos, dentre outras alegações pseudocientíficas e implausíveis.
No dia 10 de junho de 2022, a página Choquei — conta existente no Twitter e Instagram que costuma publicar notícias falsas, distorcidas ou sem checagem — publicou aos seus seguidores a teoria sobre Ratanabá. O assunto foi ao topo dos mais comentados no Twitter e também ganhou um salto de buscas no Google. O boato também foi divulgado pela influenciadora Dani Russo.
Pelo fato de a Choquei ter milhões de seguidores, muitos acreditaram na teoria infundada de Ratanabá. O professor de geografia Emanuel Daflon criticou a atitude da página por propagar uma mentira.
No mesmo dia, a Choquei se retratou ao público e apagou as postagens que falavam sobre Ratanabá. A página continuou sendo motivo de memes no Twitter.
Porém, a história continuou a ser espalhada. O ator e político Mário Frias, então Secretário de Cultura do Governo Bolsonaro (2019–2022) e que conhecia Urandir desde 2020, "Em agosto de 2020, enquanto salas de teatro, de cinema e pavilhões de exposição seguiam fechados por conta da pandemia, o então secretário de Cultura Mario Frias recebeu em seu gabinete o presidente da Associação Dakila de Pesquisas, Urandir Fernandes de Oliveira" divulgou a teoria em 14 de junho de 2022, na mesma semana em que o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips estava em evidência. Mário Frias foi criticado pela promoção da conspiração e do pânico moral sobre a soberania brasileira na floresta amazônica.Matsuki, 2022. A tal teoria só emergiu nesta semana porque se encaixa por completo em duas teses defendidas por grupos simpáticos a Bolsonaro. 1) Que os estrangeiros estão de olho em riquezas subterrâneas da Amazônia. 2) Porque reforça o argumento que Dom Phillips e Bruno “partiram em uma aventura”. E aí não temos uma, temos três falácias.
Por causa das ameaças ao patrimônio histórico causadas pela circulação de notícias falsas e desinformação nas redes sociais, relacionando a conspiração ao Real Forte Príncipe da Beira, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) declarou que tais teorias eram falsas e ressaltou que as informações arqueológicas sobre o Forte são públicas e facilmente acessíveis.
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