Imperialismo social ou social-imperialismo é o termo político usado para descrever a ideologia política de pessoas, partidos ou nações que são, de acordo com o líder soviético Vladimir Lenin, "socialista em palavras, imperialista em ações".

Uso político O termo "imperialismo social" é uma expressão marxista, normalmente usada de forma depreciativa. Foi usado pela primeira vez nos círculos marxistas durante as discussões do início do século XX sobre a posição do movimento internacional dos trabalhadores em relação à iminente guerra europeia e, particularmente, em relação ao Partido Social-democrático da Alemanha.

Nas últimas décadas, o uso mais significativo da frase foi na crítica maoísta à URSS. Mao Zedong argumentou que a própria URSS havia se tornado uma potência imperialista enquanto mantinha uma fachada socialista. O líder albanês e aliado chinês Enver Hoxha concordou com Mao nesta análise, antes de mais tarde usar a expressão para também condenar a Teoria dos Três Mundos de Mao em meio à ruptura sino-albanesa.

Uso acadêmico O termo também tem sido usado como um dispositivo conceitual por acadêmicos de esquerda, especialmente no que diz respeito à história moderna da Alemanha. Geralmente, é usado para descrever governos que se engajam no imperialismo com o objetivo de preservar a paz social doméstica. O historiador alemão Hans-Ulrich Wehler definiu o imperialismo social como "o desvio para fora das tensões internas e das forças de mudança a fim de preservar o status quo social e político" e como uma "ideologia defensiva" para combater os "disruptores efeitos da industrialização na estrutura social e econômica da Alemanha".Eley, Geoff. Modern Germany (em inglês). 2. Nova Iorque: Garland Publishing. pp. 925–926 Na opinião de Wehler, o imperialismo social era um dispositivo que permitia ao governo alemão desviar a atenção do público dos problemas domésticos e preservar a ordem social e política existente. Wehler argumentou que as elites dominantes usaram o imperialismo social para manter unida uma sociedade fraturada e para manter o apoio popular ao status quo social. Ele também argumentou que a política colonial alemã na década de 1880 foi o primeiro exemplo de imperialismo social em ação e foi seguida pelo Plano Tirpitz para expandir a Marinha Alemã a partir de 1897. Nessa ótica, grupos como a Sociedade Colonial e Liga da Marinha são vistos como instrumentos para o governo mobilizar o apoio público. As exigências para anexar a maior parte da Europa e da África na Primeira Guerra Mundial são vistas por Wehler como o auge do imperialismo social.

O historiador marxista britânico Geoff Eley afirma que há três falhas na teoria do imperialismo social de Wehler. A primeira é que Wehler atribui a líderes como o almirante Alfred von Tirpitz e o príncipe Bernhard von Bülow um grau de visão maior do que o que eles de fato possuíam. A segunda é que muitos dos grupos que defendiam uma política imperialista para a Alemanha não eram criações do governo e, de fato, muitas vezes exigiam políticas muito mais agressivas do que o governo estava disposto a adotar. A terceira era que muitos desses grupos exigiam reforma política e social no país, além do imperialismo no exterior. Eley argumentou que o que é necessário ao se pensar sobre o imperialismo social é um quadro mais amplo com uma interação de cima e de baixo, além de uma visão mais ampla da relação entre o imperialismo no exterior e a política doméstica.

Um dos usos mais notáveis ​​do conceito de imperialismo social foi feito pelo historiador marxista britânico Timothy Mason, que argumentou que a Segunda Guerra Mundial foi causada pelo mesmo. Na opinião de Mason, a política externa alemã foi impulsionada por considerações de política interna e o início da guerra em 1939 foi melhor entendido como uma "variante bárbara do imperialismo social".Kaillis, Aristotle (2000). Fascist Ideology (em inglês). Londres: Routledge. p. 7. Mason argumentou que "a Alemanha nazista sempre esteve empenhada em algum momento em uma grande guerra de expansão".Kaillis, Aristotle (2000). Fascist Ideology (em inglês). Londres: Routledge. p. 165. No entanto, Mason afirma que o momento de tal guerra foi determinado por pressões políticas domésticas, especialmente no que se refere a uma economia em crise.Kaillis, Aristotle (2000). Fascist Ideology (em inglês). Londres: Routledge. p. 165–166. Mason argumentou que, ao enfrentar uma profunda crise socioeconômica, a liderança nazista decidiu embarcar em uma política externa implacável de "esmagar e agarrar" territórios no leste Europeu que poderiam ser saqueados para sustentar os padrões de vida na Alemanha.Kaillis, Aristotle (2000). Fascist Ideology (em inglês). Londres: Routledge. p. 166. Mason descreveu a política externa alemã como impulsionada por uma síndrome oportunista de "próxima vítima" depois do Anschluss, na qual a "promiscuidade de intenções agressivas" era alimentada por movimento de política externa bem-sucedido.Kaillis, Aristotle (2000). Fascist Ideology (em inglês). Londres: Routledge. p. 151. Na opinião de Mason, a decisão de assinar o Pacto Molotov-Ribbentrop e atacar a Polônia, e com isso arriscar uma guerra com a Grã-Bretanha e a França, foi um abandono por Hitler de seu programa de política externa, delineado em Mein Kampf e Zweites Buch, e foi forçado a ele pela necessidade de tomar e saquear território no exterior para evitar o colapso da economia alemã.

Ver também

Fascismo social Império Soviético

Categoria:Imperialismo Categoria:Terminologia comunista Categoria:Relações entre China e União Soviética Categoria:Relações exteriores da União Soviética Categoria:Relações exteriores da China Categoria:Estudos do imperialismo Categoria:Termos de ciência política Categoria:Socialismo