Textura do solo é uma característica física dos solos que descreve a distribuição das dimensões da partículas constituintes da parte mineral da matriz do solo com base no seu diâmetro eficaz, em geral considerando apenas as partículas com menos de 2 mm de diâmetro, o que inclui a areia, o silte e as argilas. Este parâmetro serve de base aos sistemas de classificação usados tanto no campo quanto no laboratório para determinar as classes do solo com base na sua textura física. A textura do solo pode ser determinada usando métodos qualitativos, como a determinação da textura pelo tacto, e métodos quantitativos, como o método do hidrómetro baseado na lei de Stokes. A determinação da textura do solo tem aplicações agrícolas, entre as quais a determinação da adequação do solo à cultura pretendida e prever a resposta do solo às condições ambientais e de maneio, como a resiliência à seca ou os requisitos de cálcio. Os sistemas de classificação de solos, com destaque para a sistema de Taxonomia dos solos do USDA e para o WRB, caracterizam os solos com recurso a classes texturais baseadas nas percentagens de areia, silte e argila no solo.Soil Science Division Staff. 2017. Soil survey sand. C. Ditzler, K. Scheffe, and H.C. Monger (eds.). USDA Handbook 18. Government Printing Office, Washington, D.C. História A primeira classificação dos solos, o denominado Sistema Internacional, foi proposta por Albert Atterberg em 1905 com base nos seus estudos realizados em solos do sul da Suécia. Atterberg escolheu o diâmetro esférico equivalente de 20 μm para o limite superior da fração de silte, porque partículas menores que esse tamanho não eram visíveis a olho nu. Para além disso, a suspensão de partículas abaixo desse limiar podia ser coagulada por sais, a subida capilar dentro de 24 horas era mais rápida nesta fração e os poros entre as partículas compactadas eram tão pequenos que impediam a entrada de pelos radiculares.Atterberg A (1905) Die rationalle Klassifikation der Sande und Kiese. Chemiker Zeitung 29, 195–198.
A Comissão Um da Sociedade Internacional de Ciência do Solo (ISSS) recomendou o seu uso no primeiro Congresso Internacional de Ciência do Solo, que se realizou em Washington no ano de 1927.Davis ROE, Bennett HH (1927) "Grouping of soils on the basis of mechanical analysis." United States Department of Agriculture Departmental Circulation No. 419. A Austrália adotou esse sistema, sendo que os seus intervalos logarítmicos iguais são uma característica atraente que vale a pena manter.Marshall TJ (1947) "Mechanical composition of soil in relation to field descriptions of texture." Council for Scientific and Industrial Research, Bulletin No. 224, Melbourne. Apesar disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) adotou o seu próprio sistema em 1938, e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) utilizou o sistema de classificação da USDA no mapa mundial de solos da FAO-UNESCO e recomendou o seu uso. Classificação A classificação textural dos solos é em geral baseada na criação de classes de tamanho das partículas (por vezes referido na sua designação em língua inglesa por soil separates) que correspondem a intervalos específicos de tamanhos de partícula. As menores partículas, com diâmetros menores do que 0,002 mm, são designadas por argilas, sendo que as partículas de argila são geralmente em forma de placa em vez de esféricas, permitindo uma grande área de superfície específica e a formação de complexos argilo-húmicos. A classe de tamanhos imediatamente acima das argilas é designada por silte e agrupa geralmente diâmetros entre 0,002 mm e 0,05 mm (na Taxonomia de Solo do USDA). As maiores partículas são as areias, sendo como tal consideradas as partículas maiores do que 0,05 mm de diâmetro (nalgumas classificações, maiores do que 0,063 mm). Além disso, as partículas grandes de areia podem ser descritas como grossas (ou grosseiras) ou como areão; as intermediárias como médias; e as menores como finas. Outros sistemas taxonómicos têm classificações de tamanho de partícula ligeiramente diferentes, conforme se pode ver na figura ao lado.
Fracção do solo Limites de diâmetro (mm)(classificação USDA) Limites de diâmetro (mm)(classificação WRB) Argila < 0,002 < 0,002 Silte 0,002 – 0,05 0,002 – 0,063 Areia muito fina 0,05 – 0,10 0,063 – 0,125 Areia fina 0,10 – 0,25 0,125 – 0,20 Areia média (ou mediana) 0,25 – 0,50 0,20 – 0,63 Areia grossa (ou grosseira) 0,50 – 1,00 0,63 – 1,25 Areia muito grossa (ou areão) 1,00 – 2,00 1,25 – 2,00
Um dos sistemas de classificação mais usados, o do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), utiliza 12 classes de textura dos solos, com base na proporção relativa de cada fração do solo. Essas classes são «arenoso», «arenoso-argiloso», «franco-arenoso», «solo franco», «franco-siltoso», «siltoso», «franco-argilo-arenoso», «franco-argiloso», «franco-argiloso-siltoso», «argilo-arenoso», «argilo-siltoso» e «argiloso». As texturas do solo são classificadas pelas frações de cada solo separado (areia, silte e argila) presentes no solo. As classificações são normalmente designadas em função do tamanho de partícula constituinte primário ou de uma combinação dos tamanhos de partícula mais abundantes, por ex. «argiloso-arenosa» ou «argiloso-siltoso». Um quarto termo, «franco», é usado para descrever proporções sensivelmente iguais de areia, silte e argila numa amostra de solo e permite a criação de ainda mais classificações, por exemplo, «franco-argiloso» ou «franco-siltoso».
A determinação da textura do solo geralmente é auxiliada pelo uso de um diagrama ternário (ou gráfico triangular) em que sobre cada um dos eixos é representada a percentagem de cada fração do solo (areai, silte e argila). Um exemplo de um triângulo de solo é encontrado na figura ao lado. Um lado do triângulo representa a percentagem de areia, o segundo lado representa a percentagem de argila e o terceiro lado representa a percentagem de silte. Com a determinação das percentagens de areia, argila e silte na amostra de solo, o triângulo pode ser usado para determinar a classificação da textura do solo. Por exemplo, se o solo é 70% de areia e 10% de argila, então o solo é classificado como franco-arenoso. O mesmo método pode ser usado começando em qualquer lado do triângulo do solo. Se o método de textura pelo tato foi usado para determinar o tipo de solo, o triângulo também pode fornecer uma estimativa aproximada das percentagens de areia, silte e argila no solo.
As propriedades químicas e físicas do solo estão relacionadas com a textura. O tamanho e a distribuição das partículas afetam a capacidade do solo de reter água e nutrientes. Solos de textura fina geralmente têm maior capacidade de retenção de água, enquanto solos arenosos contêm grandes espaços porosos que permitem a lixiviação. Metodologias de classificação Determinação da textura por métodos sensoriais
A análise manual é um meio simples e eficaz de avaliar e classificar rapidamente a condição física de um solo. Corretamente executado, o procedimento permite a avaliação rápida e frequente das características do solo com pouco ou nenhum equipamento. É, portanto, uma ferramenta útil para identificar a variação espacial dentro e entre os campos, bem como identificar mudanças progressivas e limites entre as unidades do mapa de solos (séries de solos). A textura por determinação sensorial, frequentemente referida por classificação táctil-visual, é um método qualitativo, pois não fornece valores exatos de areia, silte e argila. Embora qualitativo, o fluxograma de textura por sensação pode ser uma maneira precisa para analisar as proporções relativas de cada fração do solo e por essa via determinar a sua classificação textural.
O método de determinação sensorial da textura envolve recolher na mão numa pequena amostra de solo e fazer uma tira. A tira pode ser feita pegando uma bola de terra e empurrando a terra entre o polegar e o indicador, apertando-a para cima numa tira estreita. De seguida deixa-se a estender sobre o dedo indicador até que quebre com o próprio peso. Medir o comprimento da tira pode ajudar a determinar a quantidade de argila na amostra. Após fazer uma tira, molha-se até á saturação uma pequena pitada de terra na palma da mão e esfrega-se com o dedo indicador para determinar a quantidade de areia na amostra. Solos com alta percentagem de areia, como os solos franco-arenosos ou argilo-arenosos, têm uma textura arenosa. Solos com alto teor de argila, como os franco-argiloso, têm um toque pegajoso. Embora o método de textura ao toque exija prática, é uma maneira útil de determinar a textura do solo, especialmente no campo.
O sistema internacional de classificação dos solos, o World Reference Base for Soil Resources (WRB), usa um método alternativo para determinar a textura por toque, oferecendo outro fluxograma.
Método das peneiras
A peneiração é uma técnica de análise de solo estabelecida há muito tempo, mas ainda amplamente utilizada. No peneiramento, um peso conhecido do material da amostra passa por peneiras progressivamente mais finas. A quantidade coletada em cada peneira é pesada para determinar o peso percentual em cada fração de tamanho.
O método é usado para determinar a distribuição granulométrica de solos com diâmetro maior que 75 µm, pois o peneiramento tem uma forte desvantagem no limite inferior de medição. De facto, no caso das frações mais finas com alto teor de argila e silte (abaixo de 60 µm), a dispersão torna-se desafiadora devido à alta coesividade das partículas e especialmente devido a aderência da fração fina à peneira devido ao aparecimento de cargas eletrostáticas. Além disso, as partículas peneiradas passam com o lado menor pela abertura da malha, o que significa que as partículas de argila e silte em forma de placa também podem ser retidas nas peneiras de malha maior. A conjugação de todos esses factores leva a uma enorme subestimação da fração fina.
Para medir silte e argila (com um tamanho de partícula abaixo de 60 µm), um segundo método de dimensionamento independente (na maioria das vezes a utilização de um densímetro ou da técnica de pipeta) é usado na amostra retirada da peneira inferior. A distribuição de tamanho de partícula obtida da análise de peneira deve ser combinada com os dados de uma análise de sedimentação para estabelecer uma distribuição textural completa da amostra. Método hidro-densimétrico
A análise de sedimentação (por exemplo, método de pipeta ou do densímetro) é de uso comum em pedologia, sedimentologia, agronomia e em diversas aplicações de geologia e geotecnia para classificar sedimentos. O método densimétrico, mais conhecido por ensaio de sedimentação, foi desenvolvido em 1927,Bouyoucos G. 1951. A recalibration of the hydrometer method for making mechanical analysis of soils. American Society of Agronomy. mas continua a ser amplamente utilizado. O método densimétrico para determinar a textura do solo é uma medida quantitativa que fornece estimativas da percentagem de areia, argila e silte no solo com base na lei de Stokes, uma relação empírica entre a velocidade de sedimentação e o tamanho da partícula.Bouyoucos, George. 1936. Directions for making mechanical analysis of soils by the hydrometer method. Soil Science, vol. 42, issue 3: pp 225–230. De acordo com esta lei, as partículas quando dispersas num meio líquido sedimentam com uma velocidade que resulta da ação combinada do seu peso e da resistência ao seu movimento imposta pela viscosidade do meio envolvente. Em resultado destas forças atuando em direções opostas, se o percurso de queda for suficientemente longo atinge-se uma condição de equilíbrio na qual a partícula cai a uma velocidade constante chamada velocidade terminal.