Ubatuba, oficialmente Estância Balneária de Ubatuba, é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localizada na Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista e na Microrregião de Caraguatatuba, trata-se de uma estância balneária cujo território ocupa uma área de km², sendo 83% coberto pelo Parque Estadual da Serra do Mar. O Censo 2022 apontou que sua população era de 92 981 habitantes, resultando em uma densidade populacional de 131,1 hab/km². O município é formado pela sede e pelo distrito de Picinguaba.
A região atual do município era ocupada pelos tupinambás muito antes da chegada dos portugueses ao Brasil. O povoado foi elevado à Vila em 28 de outubro de 1637.
Ubatuba foi palco de importantes eventos para a história brasileira, como um dos primeiros conflitos e tratados do país: a Confederação dos Tamoios. No século XIX, tornou-se um importante polo portuário e econômico.
Devido às suas praias paradisíacas, muitas delas cercadas pela Serra do Mar e consideradas entre as mais bonitas do país, às belezas naturais e à rica cultura e culinária caiçara, com locais tombados pelo Condephaat como Patrimônio Histórico, Ubatuba é considerada um dos mais belos e famosos destinos turísticos brasileiros e atrai milhões de turistas anualmente, sendo reconhecida como uma Estância Balneária e a "Capital do Surfe".
Estância balneária
São Sebastião é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprir determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar a seu nome o título de Estância Balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
Toponímia
Há pelo menos duas interpretações para "Ubatuba". Em tupi, ubá significa canoa, enquanto u'ubá significa cana-do-rio, que corresponde a uma gramínea que era utilizada na confecção de flechas pelos indígenas.NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p. 205 Como tyba indica "ajuntamento", os dois termos, formando uma relação genitiva, podem significar tanto "ajuntamento de canoas" como "ajuntamento de canas-do-rio".
Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), explica que ubá no sentido de canoa surgiu apenas no final do século XVII, enquanto o nome Ubatuba data do século XVI. Portanto, a segunda hipótese seria mais plausível.NAVARRO, Eduardo de Almeida. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013
História Ocupação indígena No século XVI, Ubatuba fazia parte de uma região litorânea maioritariamente ocupada pelos indígenas tupinambás. A primeira possível referência ao local aparece na obra de Hans Staden, que permaneceu cativo numa aldeia chamada Uwatibi, em Angra dos Reis. Essa aldeia tinha o mesmo nome do local da atual cidade de Ubatuba, sítio em que os índios tupinambás se reuniam com muitas canoas para expedições de guerra contra os tupiniquins e os portugueses em Burikioca (Bertioga) e Upau-Nema (São Vicente).
Tanto Hans Staden quanto outros autores europeus da época mencionam que o chefe supremo dos tupinambás era Cunhambebe e que seu território se estendia desde o Rio Juqueriquerê, em Caraguatatuba, até o Cabo de São Tomé, no leste do estado do Rio de Janeiro, abrangendo também todo o território ao longo do Rio Paraíba do Sul. Apenas décadas mais tarde, nos relatos de José de Anchieta, é que encontramos menção à aldeia de Iperoig, que pode significar "rio do tubarão" ou "rio das perobas".
Iperoig e a luta contra os franceses
Os índios tupinambás estiveram entre os primeiros índios brasileiros a sofrer o impacto dos portugueses, uma vez que foram escravizados para os engenhos de cana-de-açúcar em São Vicente. Isso motivou uma firme aliança dos tupinambás com os franceses da França Antártica, que ocuparam a região da baía de Guanabara. Essa aliança, liderada por Cunhambebe, ficou conhecida como Confederação dos Tamoios.
Em 1563, José de Anchieta partiu com Manuel da Nóbrega de São Vicente para a aldeia de Iperoig, com o objetivo de pacificar os tupinambás. Anchieta permaneceu refém durante vários meses em Iperoig, enquanto Manuel da Nóbrega voltou a São Vicente acompanhado de Cunhambebe para acertar o tratado de paz conhecido como Paz de Iperoig.
Com a paz estabelecida com os índios tupinambás fronteiriços a São Vicente, os portugueses destruíram boa parte da nação tupinambá em conflitos na baía de Guanabara (em Uruçumirim - atual aterro do Flamengo) e em Cabo Frio, expulsando os franceses da região.Cartas Jesuíticas, séc. XVI
Criação da vila Enquanto os remanescentes tupinambás da Guanabara e de Cabo Frio se embrenharam mata adentro, abrindo espaço para a fundação do Rio de Janeiro, a população da região de Iperoig, em sua maioria, permaneceu em seus locais. Com o objetivo de assegurar a posse portuguesa da colônia, o então governador-geral empreendeu um esforço para colonizar a área. Assim, em 28 de outubro de 1637, a Aldeia de Iperoig foi elevada a vila, com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, subordinada à sessão norte da Capitania de Itanhaém. Entre os primeiros sesmeiros de Ubatuba estão lnocêncio de Unhate, Miguel Gonçalves, Capitão Gonçalo Correa de Sã, Martim de Sã, Capitão Jordão Homem Albernaz da Costa, Diogo Conqueiro (primeiro juiz ordinário da região) e Belchior Conqueiro, filhos do Capitão-mor da Capitania de São Vicente Gaspar Conqueiro.
Ao longo do século XVIII, a produção agrícola cresceu e a Baía de Ubatuba se transformou no mais movimentado porto da Capitania de São Vicente. Em 1789, entretanto, o governo de Lorena determinou que toda exportação só poderia ser feita pelo Porto de Santos, o que levou à primeira decadência econômica de Ubatuba. O governador seguinte, Melo de Castro e Mendonça, concedeu novamente o direito ao livre comércio da vila.
Ascensão e decadência econômica Ao longo do século XIX, Ubatuba foi uma cidade rica, graças à atividade portuária. Em 1855, a cidade passou de vila a comarca. Alguns exportadores cogitaram a construção de uma ferrovia, para rivalizar com os portos de Santos e do Rio de Janeiro. Essa ferrovia foi impedida pelo governo brasileiro, através de moratória. Com a gradual perda de importância para suas concorrentes melhor abastecidas, no final do século, Ubatuba mergulhava em isolamento e decadência econômica.
Recuperação turística esquerda|miniaturadaimagem|Centro comercial na cidade Em 21 de abril de 1933, o engenheiro Mariano Montesanti inaugurou sua rodovia descendo para Ubatuba a partir de Taubaté, fazendo a primeira ligação por estrada com o planalto e o vale do Paraíba. Essa estrada deu grande impulso ao turismo no litoral recortado do município, principalmente da população de Taubaté. As casas de veraneio passaram a abundar na cidade. Em 1948, Ubatuba conquistou a categoria de estância balneária.
Em 1977, foi criado o Parque Estadual da Ilha Anchieta na ilha homônima, localizada a menos de um quilômetro do litoral de Ubatuba, que passou a ser área de proteção ambiental.Decreto n° 9.629, de 29/03/1977 Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo Entre 1908 e 1955, a ilha Anchieta abrigou um presídio federal, desativado três anos depois da Rebelião da Ilha Anchieta, protagonizada em 20 de junho de 1952.
A especulação imobiliária e turística, entretanto, contribuiu para a rápida destruição do patrimônio histórico de Ubatuba. Hoje, sobram poucas mostras da ocupação antiga: um exemplo notável é o Sobradão do Porto. Hoje, Ubatuba resgata seu passado na cultura caiçara, nas ruas, nas festas de origem portuguesa, na tradição quilombola e indígena, e nos edifícios históricos restantes, revelando seu potencial como estância balneária para o turismo.
Geografia miniaturadaimagem|Imagem do satélite Landsat 8 do território do município de Ubatuba. A cidade de Ubatuba está localizada no litoral norte do Estado de São Paulo, distante 250 quilômetros da capital estadual. Limita-se ao norte com Paraty (Rio de Janeiro), ao sul com Caraguatatuba, a oeste com Cunha, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra e a leste com o Oceano Atlântico, achando-se na latitude 23°26'21,45". A cidade é cortada pelo Trópico de Capricórnio, passando em frente à pista do aeroporto local. direita|miniaturadaimagem|219x219px|A cidade é cercada pela Serra do Mar Ubatuba é cercada pela Serra do Mar e sua exuberante Mata Atlântica. Quase oitenta por cento do território da cidade de Ubatuba consiste em áreas de preservação. O Parque Estadual da Serra do Mar, criado para proteger e preservar a mata atlântica, tem três núcleos dentro de Ubatuba: Cunha-Indaiá, Santa Virgínia e Picinguaba. Além disso, a cidade possui uma sede do Projeto TAMAR, destinada à conservação das espécies de tartarugas-marinhas do litoral brasileiro.
Hidrografia Os rios e córregos que cortam Ubatuba são: Rio da Prata, Rio Maranduba, Rio Escuro, Rio Grande de Ubatuba, Rio Indaiá, Rio Itamambuca, Rio Purumã, Rio Iriri, Rio Fazenda, Rio das Bicas, córrego Duas Irmãs, Córrego Lagoinha, Rio Acaraú, Rio Promirim, Rio Quiririm e Rio Ubatumirim.
Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Ubatuba por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 22/01/1976 Julho 07/07/1986 Fevereiro 13/02/1996 Agosto 17/08/1983 Março 12/03/1998 Setembro 28/09/1976 Abril 05/04/2005 Outubro 09/10/1992 Maio 03/05/1992 Novembro 27/11/1992 Junho 12/06/1989 Dezembro 19/12/1986 Período dos dados: 01/01/1961-31/08/1967, 01/07/1971-06/03/2009 O clima de Ubatuba é o tropical litorâneo úmido ou tropical atlântico, com chuvas abundantes ao longo do ano, mais frequentes no verão, sem estação seca, e com mês mais frio possuindo temperatura média igual ou acima de . Com quase horas de sol por ano, a umidade do ar é relativamente elevada e o índice pluviométrico é de milímetros/ano, o que é refletido pelo apelido Ubachuva que a cidade recebe, devido ao seu clima chuvoso.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1967 e 1971 a 2009, a temperatura mínima absoluta registrada em Ubatuba foi de em 1° de junho de 1979, e a maior atingiu em 9 de setembro de 1997. O maior acumulado de precipitação em 24 horas atingiu em 22 de janeiro de 1976. Outros grandes acumulados superiores a 200 mm foram em 5 de abril de 2005, em 5 de janeiro de 1992, em 1° de abril de 1985, em 13 de fevereiro de 1996, em 19 de abril de 1990, em 11 de janeiro de 1978 e em 12 de março de 1998. O menor índice de umidade relativa do ar foi de 21% em 1997, nos dias 8 de junho e 9 de setembro daquele ano.
Demografia miniaturadaimagem|Quilombo da Caçandoca
População
Composição étnica Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 49.447 brancos (53,18%), 34.925 pardos (37,56%), 7.364 pretos (7,92%), 698 amarelos (0,75%) e 546 indígenas (0,59%).
Religião miniaturadaimagem|Paróquia Exaltação da Santa Cruz, no Centro Histórico De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 73,32% da população do município é cristã, sendo 40,85% católicos e 32,47% evangélicos. Outras religiões representam 11,65% da população total.
O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus Cristo na cidade de Antioquia (Atos cap. 11, vers. 26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828