Politização da ciência para ganhos políticos ocorre quando governos, empresas ou grupos de interesse usam pressão legal ou econômica para influenciar os resultados de pesquisas científicas ou a forma como são divulgados, relatados ou interpretados. A politização da ciência também pode afectar negativamente a liberdade acadêmica e científica e, como resultado, é considerado um tabu misturar política com ciência. Historicamente, diferentes grupos conduziram várias campanhas para promover os seus interesses, desafiando o consenso científico em um esforço para manipular as políticas públicas.Intelligent Judging – Evolution in the Classroom and the Courtroom George J. Annas, New England Journal of Medicine, Volume 354:2277–2281 25 de maio de 2006 Muitos fatores podem atuar como facetas da politização da ciência e podem variar, por exemplo, desde o anti-intelectualismo populista e aquilo que é visto como "ameaça" à crença religiosa até ao subjetivismo pós-modernista, os interesses empresariais, preconceitos ideológicos acadêmicos institucionais ou preconceitos potencialmente implícitos entre os próprios pesquisadores.
A politização da ciência não deve ser confundida com o debate público legítimo sobre implicações sociais e éticas do conhecimento científico. A ciência, por sua própria natureza, está inserida em contextos sociais, econômicos e culturais, e suas aplicações frequentemente exigem decisões políticas. A politização torna-se problemática quando processos de pesquisa, avaliação e divulgação científica são distorcidos para atender a interesses externos, comprometendo a integridade metodológica, a transparência dos dados ou a autonomia dos pesquisadores. Nesse sentido, diferencia-se entre a “política da ciência”, que envolve a definição de prioridades de financiamento e agendas de pesquisa, e a “politização da ciência”, que implica a manipulação estratégica de evidências e consensos científicos.
A politização ocorre à medida que a informação científica é apresentada com ênfase na incerteza associada à interpretação das evidências científicas. A ênfase capitaliza a falta de consenso, que influencia a forma como os estudos são percebidos. O jornalista estadunidense Chris Mooney descreve como este ponto às vezes é intencionalmente ignorado como parte de uma "tática orwelliana". As organizações e os políticos procuram rejeitar qualquer discussão sobre algumas questões como “a conclusão mais provável ainda é incerta”, em oposição a “as conclusões são mais cientificamente prováveis”, com o objetivo de desacreditar ainda mais os estudos científicos. Táticas como mudar de assunto, não reconhecer os fatos e capitalizar as dúvidas sobre o consenso científico têm sido utilizadas para ganhar mais atenção para pontos de vista que foram minados por provas científicas.
William R. Freudenburg e colegas escreveram sobre a politização da ciência como uma técnica retórica e afirmam que é uma tentativa de transferir o ônus da prova num argumento. Ele dá o exemplo dos lobistas do cigarro que se opõem às leis que desencorajariam o fumo. Os lobistas banalizam as evidências como incertas, enfatizando a falta de conclusão. Freudenberg conclui que os políticos e os grupos de pressão são muitas vezes capazes de realizar "esforços bem-sucedidos para defender a plena 'certeza científica' antes de se poder dizer que uma regulamentação é 'justificada' e sustentam que o que é necessário é uma abordagem equilibrada que considere cuidadosamente os riscos de erros do Tipo 1 e do Tipo 2 em uma situação, observando que as conclusões científicas são sempre provisórias.
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