thumb|200px|Jesus no limbo, por Domenico Beccafumi. Limbo (do latim, "limbus": orla, debrum, margem, franja), segundo a teologia cristã, é um conceito de caráter escatológico presente, por exemplo, na Igreja Católica, que identifica locais que estão "à margem" de um lugar principal.QUINSON, Marie-Therese (1999). Dicionário cultural do cristianismo. Edicoes Loyola. p. 181. ISBN 978-85-15-01330-2.
Conceito católico O primeiro conceito de Limbo, na Igreja Católica Apostólica Romana, refere-se ao lugar para onde vão as crianças que morrem sem o batismo antes de terem chegado à idade da razão e que não cometeram pecados pessoais, onde viverão sem nenhuma pena, mas privadas da visão beatífica de Deus, ainda que gozem de máxima felicidade natural, mas não sobrenatural."Limbo", do site Doutrina Católica
Mais precisamente, o limbo é o lugar para onde vão as almas que, sem terem cometido pecados pessoais, estão para sempre privadas do dom gratuito da visão sobrenatural de Deus, pois o pecado original em suas almas não foi perdoado pelo batismo, embora, nesse lugar, gozem de plena felicidade natural.
Também é chamado de Limbo, Seio de Abraão, Mansão dos Mortos ou Infernos o lugar onde os justos do Antigo Testamento esperavam a Redenção do Messias.
Limbo dos patriarcas O Limbo dos patriarcas (ou, em latim, "limbus patrum"), que é um dogma da Igreja Católica, é um lugar provisório para onde vão os justos do Antigo Testamento "que creram no Messias, tendo feito a contrição de seus pecados, mas ainda possuindo a marca do pecado original", porque a "missão salvífica" de Jesus ainda não havia sido realizada na Terra. Neste limbo, chamado também de "sheol" (ou "Hades" ou "Seio de Abraão" — vide estado intermediário), os justos que o habitam "aguardavam […] o momento de serem levados à presença de Deus, pela redenção completa operada pelo Cristo" através da sua morte na cruz.
Depois da sua morte redentora, Jesus Cristo, desceu à "mansão dos mortos", ou seja, ao "limbo dos patriarcas", um dos lugares do chamado "infernos" (lugares inferiores), para conceder às almas que o habitavam, mortas antes de Jesus morrer na cruz, "os benefícios do seu sacrifício expiatório; estas almas foram, então, alcançadas pelo sangue do Cordeiro ()", podendo assim serem salvas. Em seguida, Jesus transportou todas estas almas santas para o Céu, deixando vazio assim o "limbo dos patriarcas".
Limbo das crianças Segundo a Tradição Católica, o Novo Testamento não contém nenhuma declaração definitiva de tipo positivo a respeito do destino daqueles que morrem em pecado original sem estarem com grave culpa pessoal. Mas, ao insistir na necessidade absoluta de "nascer de novo da água e do Espírito Santo " (João 3, 5) para entrar no reino dos céus, Jesus Cristo claramente implica que os homens nascem neste mundo em estado de pecado, e o ensinamento de São Paulo no mesmo sentido é bastante explícito (Romanos 5:12 e seguintes).
Por outro lado, é claro nas Escrituras e na Tradição Católica que os meios de regeneração fornecidos para esta vida não permanecem disponíveis após a morte, de modo que aqueles que morrem não regenerados, ou seja, apenas em pecado original, ainda que sem pecado mortal, são eternamente excluídos da felicidade sobrenatural da visão beatífica (João 9, 4, Lucas 12, 40, 16, 19 e seguintes, 2 Coríntios 5,10). Ludwig Ott afirma que essa doutrina é dogma de fé.Fundamentals of Catholic Dogma - Ludwig Ott, pg. 113 miniaturadaimagem|Limbo das crianças, representadas alegres, século XVII.
No decorrer dos séculos de ensino católico, o destino eterno daqueles que partem desta vida apenas em pecado original foi mencionado algumas vezes por Papas e Concílios. Muitas vezes utiliza-se o termo "inferno" ou "infernos" para contrapor o destino eterno daqueles que não estão na visão beatífica, embora não se considere necessariamente que se trata do inferno dos condenados por pecado mortal. Exemplos de citações magisteriais, conciliares ou de pais da Igreja a respeito do assunto são:“As almas daqueles que morrem em pecado mortal ou somente com o pecado original... descem imediatamente ao inferno, para ali serem punidas com penas diferentes.”Papa Gregório X, Segundo Concílio de Lião, 1274, ex cathedra (Papa Gregório X, Segundo Concílio de Lião, 1274, ex cathedra)
“...as almas daqueles que partem desta vida em pecado mortal atual, ou somente em pecado original, descem imediatamente ao inferno para serem punidas, mas com penas desiguais.”Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Laetentur Caeli, 6 de julho de 1439 (Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Laetentur Caeli, 6 de julho de 1439)
“A Igreja Romana ensina... que as almas daqueles que morrem em pecado mortal ou apenas com o pecado original descem imediatamente ao inferno, sendo, contudo, punidas com penas diferentes e em lugares distintos...”Papa João XXII, Nequaquam Sine Dolore, 1321 d.C. (Papa João XXII, Nequaquam Sine Dolore, 1321 d.C.)
“O Batismo é dado para a remissão dos pecados; e segundo o uso da Igreja, o Batismo é conferido também aos infantes. E, de fato, se não houvesse nada nos infantes que requeresse a remissão dos pecados e nada neles relacionado com o perdão, a graça do Batismo seria supérflua.”Orígenes, Homilia sobre Levítico 8:3 – Ano 244 (Orígenes, Homilia sobre Levítico 8:3 – Ano 244)
“Quanto à questão dos infantes, sobre a qual dizes que não devem ser batizados no segundo ou terceiro dia após o nascimento, e que a lei da antiga circuncisão deveria ser observada, de modo que pensas que o recém-nascido não deve ser batizado e santificado antes do oitavo dia... Então, caríssimo irmão, foi esta a nossa opinião no concílio: que ninguém deve ser impedido de receber o Batismo... pensamos que isso deve ser ainda mais observado no caso dos infantes e recém-nascidos.”São Cipriano, Epístola 58 a Fides – Ano 251 (São Cipriano, Epístola 58 a Fides – Ano 251)
“Batizamos os infantes, embora eles não sejam culpados de pecados [pessoais].”São João Crisóstomo, Padre e Doutor da Igreja, Ad Neophytos – Ano 388 (São João Crisóstomo, Pai e Doutor da Igreja, Ad Neophytos – Ano 388)
“A não ser que alguém renasça da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no Reino de Deus. Ninguém é exceção: nem o infante; nem aquele impedido por necessidade.”Santo Ambrósio de Milão, Pai e Doutor da Igreja (Abraão 2,11:79 – Ano 387) (Santo Ambrósio de Milão, Pai e Doutor da Igreja (Abraão 2,11:79 – Ano 387)
“Que assim seja, alguém dirá: que isso vale para quem pede o Batismo; [então] e os que ainda são crianças, inconscientes tanto da perda quanto da graça? Devemos batizá-los também? Certamente, se houver qualquer perigo. Pois é melhor que sejam santificados inconscientemente do que partam sem o selo e sem a iniciação.”São Gregório Nazianzeno, Pai e Doutor da Igreja, Oração sobre o Santo Batismo, 40:28 – Ano 381 (São Gregório Nazianzeno, Pai e Doutor da Igreja, Oração sobre o Santo Batismo, 40:28 – Ano 381)
“Acontecerá, eu creio... que esses últimos mencionados [infantes que morrem sem batismo] não serão nem admitidos pelo justo juiz à glória do Céu, nem condenados a sofrer castigos, pois, embora não selados [pelo batismo], não são malditos... Pois do fato de alguém não merecer castigo, não decorre que seja digno de honra, assim como não se segue que quem não é digno de certa honra mereça por isso ser punido.”São Gregório Nazianzeno, Pai e Doutor da Igreja, Oração 40, 23 (São Gregório Nazianzeno, Pai e Doutor da Igreja, Oração 40, 23)
“Do mesmo modo, quem disser que aquelas crianças que partem desta vida sem participar do Sacramento (do Batismo) estão vivas em Cristo, certamente contradiz a declaração apostólica e condena a Igreja universal, na qual é prática não perder tempo e correr apressadamente para administrar o Batismo aos infantes, pois se crê como verdade indubitável que, de outra forma, não podem ser vivificados em Cristo.”Santo Agostinho, Pai e Doutor da Igreja, Epístola 167, Ano 415 (Santo Agostinho, Pai e Doutor da Igreja, Epístola 167, Ano 415)
“Se queres ser católico, não creias, não digas, nem ensines que infantes levados pela morte antes de serem batizados podem alcançar a remissão do pecado original.”Santo Agostinho, Pai, Doutor e Bispo da Igreja, Sobre a Alma e sua Origem, Livro II (Santo Agostinho, Pai, Doutor e Bispo da Igreja, Sobre a Alma e sua Origem, Livro II)
“A ideia de que os infantes podem ser admitidos às recompensas da vida eterna sem sequer a graça do Batismo é absolutamente tola.”Papa São Inocêncio I, Carta aos Bispos da Igreja, Ano 417 (Papa São Inocêncio I, Carta aos Bispos da Igreja, Ano 417)
“Do mesmo modo, foi decidido que aquele que disser que infantes recém-saídos do ventre de suas mães não devem ser batizados... seja anátema.”Concílio de Cartago, Cânon 2, Ano 418 (Concílio de Cartago, Cânon 2, Ano 418)
"[Aqueles que morrem apenas com o pecado original em suas almas não sofrerão] nenhuma outra pena, seja pelo fogo material ou pelo verme da consciência, exceto a pena de serem privados para sempre da visão de Deus.”Papa Inocêncio III (1160–1216), Corpus Juris, Decret. l. III, tit. xlii, c. iii — Majores (Papa Inocêncio III (1160–1216), Corpus Juris, Decret. l. III, tit. xlii, c. iii — Majores)
“Pelo Batismo, o homem é ordenado à Eucaristia, e, portanto, pelo fato de as crianças serem batizadas, elas são destinadas pela Igreja à Eucaristia; e assim como creem pela fé da Igreja, assim desejam a Eucaristia pela intenção da Igreja, e, como resultado, recebem a sua realidade. Mas elas não estão dispostas ao Batismo por nenhum sacramento anterior, e, consequentemente, antes de receber o Batismo, de modo algum têm o Batismo de desejo; apenas os adultos o têm: por isso, não podem ter a realidade do sacramento sem receber o sacramento propriamente dito.”São Tomás de Aquino, Suma Teológica III, q. 73, a. 3 (São Tomás de Aquino, Suma Teológica III, q. 73, a. 3)
“Quanto às crianças, por causa do perigo de morte, que pode frequentemente ocorrer, visto que nenhum outro remédio pode ser-lhes dado senão o sacramento do Batismo, pelo qual são arrancadas do domínio do demônio e adotadas como filhos de Deus, [a sacrossanta Igreja Romana] avisa que o santo Batismo não deve ser adiado por quarenta ou oitenta dias... mas deve ser conferido assim que for possível convenientemente...”Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 4 de fevereiro de 1442 (Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, Cantate Domino, 4 de fevereiro de 1442)
“Se alguém negar que os infantes, recém-nascidos do ventre de suas mães, mesmo que descendam de pais batizados, devam ser batizados; ou disser que eles são de fato batizados para a remissão dos pecados, mas que não derivam de Adão nenhum pecado original a ser expiado pelo banho da regeneração para obter a vida eterna — do que se seguiria que, neles, a forma do Batismo para a remissão dos pecados não seria verdadeira, mas falsa — seja anátema. Pois o que o Apóstolo disse: Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram, não deve ser entendido de outro modo senão como a Igreja Católica difundida por toda parte sempre o entendeu. Por essa regra de fé, a partir da tradição dos apóstolos, até mesmo os infantes, que ainda não podem cometer qualquer pecado por si mesmos, são por isso verdadeiramente batizados para a remissão dos pecados, a fim de que neles seja purificado pela regeneração aquilo que contraíram pela geração. Pois, a não ser que alguém nasça da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus.”Concílio de Trento, Sessão 5, Parte 4 (Concílio de Trento, Sessão 5, Parte 4)