alt=Abscesso envolvendo primeiro molar decíduo inferior. Observa-se extensa destruição coronária e a formação de parúlide (nódulo de coloração vermelho-amarelada com pus dentro) indicando a presença de um abscesso periapical.|miniaturadaimagem|Abscesso envolvendo primeiro molar decíduo inferior. Observa-se extensa destruição coronária e a formação de parúlide (nódulo de coloração vermelho-amarelada com pus dentro) indicando a presença de um abscesso periapical. O abscesso dental é um acúmulo localizado de pus, associado a um dente. Ele pode ter diversas causas, sendo classificado a partir de sua origem:
Abscesso periapical: resultado de uma infecção localizada no periápice de um dente, ligado à necrose pulpar; Abscesso periodontal: tem origem em uma bolsa periodontal; Abscesso gengival: um abscesso de origem periodontal que envolve apenas a gengiva (tecidos moles); Abscesso pericoronal: envolvendo o tecido pericoronário, relacionado à pericoronarite Abscesso endo-perio: resultado de uma combinação entre o abscesso periapical e o abscesso periodontal.
Sinais e sintomas alt=Abscesso dental afetando o lado esquerdo do rosto, com edema de face no segundo dia (primeira foto) e terceiro dia (segunda foto).|miniaturadaimagem|Abscesso dental afetando o lado esquerdo do rosto, com edema de face no segundo dia (primeira foto) e terceiro dia (segunda foto). O abscesso dental apresenta dor contínua extrema, crescente e pulsante, com uma dor que se torna insuportável à percussão. A área ao redor do dente afetado pode ser sensível à palpação e com edema. O dente em si pode sofrer descoloração, fratura ou sua gengiva estar avermelhada e com edema.
Um abscesso agudo apresenta sintomatologia mais intensa, pela ausência de drenagem, e abscessos crônicos tendem a ser assintomáticos: a formação de uma fístula permite a drenagem do pus e o alívio da pressão nos tecidos dentários.
Em alguns casos, o abscesso dental pode perfurar a cortical óssea e começar a drenar nos tecidos adjacentes, criando edema de face ou até mesmo linfadenopatia.
Sinais e sintomas comuns dos abscessos dentais incluem:
Dor à palpação e percussão; Eritema facial; Trismo; Disfagia; Febre; Linfadenopatia.
Dispneia e estado mental alterado são sinais e sintomas que podem apontar para um comprometimento sistêmico grave e constituem emergência médica.
Aspectos radiográficos Normalmente, os abscessos dentais não aparecem radiograficamente, mas abscessos de tamanho exuberante ou de longa data podem se apresentar como lesões radiolúcidas de limites mal definidos.
A técnica de escolha é a radiografia periapical, mas a radiografia oclusal pode ser empregada, assim como a panorâmica, a última para pacientes com limitação da abertura bucal.
Causas O abscesso é um acúmulo localizado de pus, uma substância composta por células mortas, resíduos, neutrófilos e macrófagos. Ele se desenvolve em resposta a patógenos e inflamação.
Os abscessos dentais podem ser relacionados a diversas causas, a depender do tipo:
Abscesso periapical: lesão de cárie ou trauma resultando em necrose pulpar; Abscesso periodontal e gengival: doença periodontal prévia; Abscesso pericoronal: pericoronarite; Abscesso endo-perio: causas endodônticas (necrose pulpar) e periodontais (doença periodontal).
Epidemiologia Os abscessos dentais são comuns, e estima-se que 1 a cada 2600 internações hospitalares em hospitais nos Estados Unidos seja causada por abscessos dentais. Em crianças, esse número sobe para 47%. Fatores que contribuem para higiene oral inadequada como a desigualdade racial e socioeconômica influenciam sua frequência na população.
Diagnóstico O diagnóstico deve associar informações coletadas na história clínica, exame clínico e radiográfico.
História clínica: história prévia de lesões de cárie, trauma, ou de doença periodontal; Exame clínico: presença de lesões de cárie, fraturas, profundidade de sondagem (bolsa periodontal); Exame radiográfico: presença de perda óssea vertical ou horizontal, presença de rarefação óssea no periápice.
Algumas manobras semiotécnicas podem ter utilizadas para o diagnóstico diferencial entre os tipos de abscesso:
Teste de sensibilidade pulpar: normalmente positivo nos abscessos periodontais, negativo no abscesso periapical; Teste de percussão e palpação: normalmente o abscesso periodontal tende a ser mais sensível na percussão horizontal, e o abscesso periapical na percussão vertical; Rastreio de drenagem: abscessos periodontais tendem a drenar o pus pelo ligamento periodontal e sulco gengival, enquanto abscessos periapicais tendem a formar uma fístula próxima ao ápice radicular; Rastreio de fístula: essa técnica pode ser utilizada para encontrar qual o dente afetado; ao inserir um cone de guta-percha dentro da parúlide, o caminho do cone leva ao epicentro da lesão e ao ser radiografada, pode-se encontrá-la e facilmente identificar o dente associado.
Prognóstico e tratamento O prognóstico é excelente quando tratado, porém o não tratamento implica em mortalidade elevada: a mortalidade pode aumentar em até 40% se o paciente desenvolver mediastinite, assim como comprometimento das vias aéreas, requerendo intubação ou traqueostomia; infecções ascendentes para os seios da face ou para o cérebro possuem um prognóstico mais desfavorável.
Complicações dos abscessos dentais incluem:
Sinusite odontogênica; Celulite; Trombose do seio cavernoso; Angina de Ludwig;
Dentes com abscesso periapical necessitam de um tratamento endodôntico ou exodontia do dente associado, com ou sem drenagem do abscesso, para resolução dos sintomas. Abscessos periodontais requerem drenagem do abscesso e subsequente terapia periodontal após resolução dos sintomas agudos.
Ver também
Abscesso periapical Abscesso periodontal Lesão endo-perio
Categoria:Patologias orais