A língua limbu (Limbu: ᤕᤠᤰᤌᤢᤱ ᤐᤠᤴ, yakthuṅ pan / transliteração fonética: [devanägari]) é uma língua pertencente à família sino-tibetana, dentro do ramo kiranti. Ela é falada pelo povo étnico Limbu no Nepal e no nordeste da Índia, especialmente nos estados de Bengala Ocidental, Siquim, Assão e Nagalândia, além de comunidades expatriadas no Butão.
Atualmente, devido a fatores sociolinguísticos, o Limbu está em risco de extinção. A língua conta com aproximadamente 407.000 falantes e possui um sistema de escrita próprio, conhecido como escrita limbu.
Antes da introdução da escrita própria dos Limbu, a escrita Róng era amplamente utilizada no leste do Nepal, especialmente no antigo estado de Maurong. A escrita Sirijanga permaneceu quase esquecida por cerca de 800 anos até ser revitalizada pelo estudioso Tye-Angsi Sirijanga Thebe, de Tellok Sinam, na região de Limbuwan, no atual Nepal. A escrita Limbu passou a ser conhecida como "Sirijanga" em homenagem a Tye-Angsi Sirijanga Thebe, que desempenhou um papel fundamental em sua recriação e difusão. Sua contribuição foi essencial para a preservação da cultura e identidade do povo Limbu.
A língua limbu apresenta uma morfologia verbal apresenta uma rica morfologia verbal, destacando-se pela concordância entre o verbo e seus sujeitos ou objetos. Seus verbos são polissintéticos, incorporando negação dupla e concordância com objetos, embora não concordem com sujeitos de terceira pessoa nem permitam a incorporação de substantivos. Estruturalmente, o Limbu segue um sistema ergativo-absolutivo, no qual o agente de um verbo transitivo recebe marcação ergativa, enquanto o sujeito de um verbo intransitivo e o paciente de um verbo transitivo são marcados pelo caso absolutivo. Além disso, trata-se de uma língua pós-posicional (em vez de usar uma preposição antes da palavra, essas línguas colocam o equivalente da preposição depois do substantivo), empregando sufixos para indicar casos gramaticais e relações sintáticas. No campo fonológico, o Limbu apresenta uma diversidade de vogais e consoantes, algumas das quais foram influenciadas por empréstimos do nepalês.
Etimologia O termo "Limbu" significa "arqueiro" e é o nome pelo qual esse idioma é mais conhecido, embora sua designação indígena seja yakthuŋbapān ou yakthuŋpān.
O limbu comum é chamado de tajeŋpān, enquanto mundumban refere-se a uma forma sacerdotal mais refinada, conhecida principalmente por algumas pessoas mais velhas. Os Limbu costumam se autodenominar yakthu ou yakthuŋba, mas são amplamente reconhecidos internacionalmente como "Limbu". A região onde vivem é chamada de pallo-kirānt (ou "Far Kirant") e também de Limbuwān, que significa "Terra dos Limbu".
Distribuição A língua limbu pertence ao ramo kiranti da família de línguas sino-tibetanas. Ele é falado principalmente no Nepal e na Índia por cerca de 407.000 pessoas.
Os falantes nativos do limbu estão concentrados no leste do Nepal e em diversas regiões da Índia, incluindo Darjeeling, Kalimpong, Sikkim, Assam e Nagaland. Além disso, há comunidades expatriadas que falam Limbu em países como Butão, Mianmar, Tailândia, Reino Unido, Hong Kong, Canadá e Estados Unidos.
A língua limbu é falada principalmente no Nepal e na Índia, mas também há comunidades expatriadas em diversos países. Os falantes de Limbu fazem parte da diáspora que se espalhou no Terai ao sul e as montanhas do Himalaia ao norte. Os Limbus vivem principalmente nas colinas médias, em altitudes que variam de 2.500 a 5.000 pés (aproximadamente 760 a 1.520 metros), sendo um fator que afeta na disseminação do limbu, além do fato que o nepalês é a língua oficial, e o limbu, apesar de reconhecido como uma língua minoritária, não tem o mesmo status e suporte institucional.
Dialetos e línguas relacionadas A língua limbu apresenta variações dialetais baseadas na geografia e nos grupos étnicos que falam o idioma. As quatro principais variações dialetais são o pacthare limbu (falado no distrito de Panchthar, Nepal); phedappe limbu (predominante no distrito de Dhankuta e áreas próximas); chathare limbu (encontrado nas regiões de Tehrathum e arredores); taplejune limbu (falado no distrito de Taplejung, próximo à fronteira com o Sikkim, na Índia)
As língua limbu é relacionada com o subtipo khambu; que inclui as línguas: sangpang, nechereng, rodong, waling, rungchenbung, lambichong, chingtang e yakkha ; e o subtipo bahing, que abrange: sunwari, dumi, khaling e rai.
História A língua limbu tem uma história marcada por transformações políticas, culturais e linguísticas que afetaram a vida de seus falantes e o papel do idioma ao longo do tempo. Originalmente falado pelos povos kiranti, no leste do Nepal e em partes do norte da Índia, o Limbu era uma língua de prestígio dentro de sua região, especialmente em Limbuwan, território governado por líderes tribais. No entanto, a expansão de reinos vizinhos e mudanças sociais impactaram seu uso e desenvolvimento.
No século XVIII, o Reino do Nepal anexou Limbuwan sob a liderança de Prithvi Narayan Shah, incorporando a população Limbu ao domínio dos Gurkhas. Com essa anexação, o nepali tornou-se a língua oficial da administração, enfraquecendo o status do limbu. Em paralelo, parte dos limbu permaneceu sob o controle do Reino de Sikkim, onde foram influenciados pela cultura tibetana e pela língua lepcha. A partir desse período, o uso do Limbu começou a se restringir a contextos comunitários e familiares, deixando de ser empregado em funções oficiais e educacionais.
Além da influência política, o limbu também sofreu impactos culturais. A expansão do hinduísmo e do budismo tibetano modificou práticas religiosas e tradições orais da comunidade, introduzindo novos vocábulos e conceitos ao idioma. O contato frequente com falantes de nepali resultou na adoção de termos e expressões dessa língua, alterando gradualmente a estrutura do limbu.
Atualmente, o limbu enfrenta desafios devido à predominância do nepali como língua oficial do Nepal. Embora haja esforços de revitalização, incluindo o ensino da língua em escolas e a produção de materiais escritos, a pressão política e social ameaça sua sobrevivência. Mesmo assim, o limbu mantém-se como um símbolo de identidade cultural para sua comunidade, refletindo um passado de resistência e adaptação diante das mudanças históricas.
História da documentação A língua limbu já possuía um sistema de escrita próprio, a escrita Kiranti, criada no século XVIII durante a expansão budista em Sikkim. Atribuída ao herói Sirija Agä, essa escrita surgiu junto com a Lepcha, mas teve uso restrito. No século XIX, estudiosos como Brian Hodgson e Sprigg documentaram manuscritos em Kiranti, mas sua distinção fonética era limitada.
No século XX, várias tentativas de revitalização foram feitas. imansin cemjon (1961) expandiu a escrita original, mas usou predominantemente Devanagari. B.B. Subba (1970-80s) aprimorou a escrita Kiranti, criando livros didáticos e um dicionário trilingue Limbu-Nepali-Inglês. J. Maden (1983-84) publicou guias para ensinar a escrita.
Atualmente, a maioria dos materiais escritos em Limbu utiliza Devanagari, e o dialeto Panchthare serve como base para o padrão escrito. Embora haja esforços de revitalização, o uso da escrita Kiranti ainda é limitado.
História do ensino Originalmente, o ensino do limbu era oral, transmitido de geração em geração dentro das famílias e comunidades. A língua era ensinada nas interações diárias, por meio de histórias, canções e práticas religiosas, principalmente nas áreas rurais. Como a escrita kiranti foi criada para a divulgação da cultura budista no século XVIII, o ensino formal da língua em termos de leitura e escrita não foi amplamente desenvolvido até o início do século XX.
Atualmente, o ensino do limbu enfrenta desafios significativos. Embora haja algumas iniciativas de revitalização por parte de linguistas e educadores locais, a língua ainda carece de um sistema educacional estruturado que a inclua de forma sistemática nas escolas.
Fonologia
Consoantes Weidert e Subba (1985) fornecem o seguinte inventário consonantal sonoro do Limbu. +Inventário consonantal do limbuLabialAlveolarDentalRetroflexaPalatalVelarGlotalPlosiva NasalVibranteAspiradacʰFricativaSussurradaAproximanteAproximante lateral
Em muitas línguas do sul da Ásia, incluindo o limbu, as oclusivas orais são divididas em quatro categorias: sonoras vs. surdas, e aspiradas vs. não aspiradas. Embora a aspiração e a sonoridade geralmente não ocorram juntas, algumas línguas, como o limbu, apresentam uma série de plosivas "aspiradas sonoras", que na realidade são plosivas sussurradas, onde a vogal seguinte não tem sonoridade retardada, mas é murmurada.
No limbu, existe uma relação fonológica clara entre as oclusivas aspiradas e as soprosas. As oclusivas sonoras não aspiradas são consideradas variantes das surdas não aspiradas, e as oclusivas murmuradas são variantes das aspiradas. Por exemplo, onde /k/ é pronunciado como [g], /kʰ/ se pronuncia também como [g]. Isso demonstra uma conexão fonológica direta entre as séries aspiradas e soprosas, destacando uma característica distintiva única no idioma Limbu.
Vogais
+Inventário vocálico do limbuAnteriorQuaseanteriorCentralQuaseposteriorPosteriorFechada SemifechadaSemi aberta Aberta
No limbu, o comprimento da vogal é distinto, exceto para as vogais médias fechadas /e/ e /o/, e também para a vogal média central /ə/, que é rara e não participa da oposição de comprimento.
No limbu, a nasalização não é distinta, exceto em algumas palavras emprestadas do nepali. Nenhuma das duas línguas possui tom fonêmico.
Ortografia thumb|300px|Escrita limbu. Letras cinzas estão obsoletas. A escrita limbu, também conhecida como escrita sirijonga, é um sistema de escrita fonográfico e silábico, usado para representar a língua limbu. A escrita é horizontal, fluindo da esquerda para a direita, como o alfabeto latino. Desenvolvida no século XVIII, a escrita original foi posteriormente modificada e revivida no século XX para padronizar o ensino do idioma.
A escrita sirijonga distingue sons consonantais e vocálicos, incluindo diacríticos para vogais. As consoantes possuem formas distintas e as vogais podem ser escritas como letras independentes ou como diacríticos anexos às consoantes, semelhante à escrita devanágari usada no nepali. Abaixo, uma tabela apresenta equivalências entre grafemas, fonemas e exemplos de sons aproximados em línguas conhecidas no Brasil.
+Tabela de Equivalência Grafema-FonemaGrafema (limbu)Fonema (IPA)Pronúncia Aproximadaᤁᤠ/k/casaᤂ/kʰ/kh em khan, em inglêsᤃ/ɡ/gatoᤄ/ɡʱ/gh em ghost, em inglêsᤅ/ŋ/ng em sing, em inglêsᤋ/t/torrarᤌ/tʰ/th em Thailand, em inglêsᤍ/d/diaᤎ/dʱ/d em this, em inglêsᤏ/n/novoᤐ /p/patoᤑ/pʰ/ph em photo, em inglêsᤒ/b/bolaᤓ/bʰ/próximo a b em boat, em inglêsᤔ/m/mãoᤕ/j/yo, em espanholᤖ/r/ratoᤗ/l/luaᤘ/w/water, em inglêsᤜ/h/house, em inglês
Regras de Escrita O sistema de escrita da língua limbu possui algumas regras ortográficas, como: As vogais independentes podem ser escritas como letras próprias no início de uma palavra ou após uma pausa. Os diacríticos vocálicos quando uma vogal segue uma consoante, ela aparece como um diacrítico ligado à consoante base. A aspiração e nasalização algumas consoantes possuem formas aspiradas (indicadas na tabela acima). O limbu não é um sistema tonal ao contrário de outras línguas tibeto-birmanesas, a escrita sirijonga não codifica tom fonêmico.
Gramática Artigo Na língua limbu, o uso de artigos apresenta complexidades específicas que diferem de línguas como o inglês. O numeral 'um' é expresso por lokthlk, uma forma composta por lok ('apenas') e thik ('um'), onde thik pode funcionar tanto como quantificador quanto como artigo indefinido ('um, um certo'). Para substantivos definidos, usa-se a desinência <-in> como um artigo definido pospositivo, por exemplo: - an yuktuq – "Eu montei num cavalo" (indefinido) - annin yukturj – "Eu montei no cavalo" (definido)