A língua pangkhua (AFI: [pɑŋkʰuɑ]) é uma língua pertencente à família sino-tibetana, especificamente ao ramo tibeto-birmanês, subgrupo kuki-chin (sul-central). É falada especialmente pelo povo pangkhua, que habita o distrito de Rangamati, nas Colinas de Chatigão, em Bangladesh, com cerca de 2.000 falantes.

Embora seja considerada vulnerável, de acordo com o projeto Endangered Languages (Línguas em Perigo), o projeto de pesquisa Ethnologue classifica a língua como estável, pois, apesar da falta de apoio institucional formal, ela continua sendo aprendida e usada por todas as crianças dentro da comunidade.

Historicamente, o nome do idioma foi registrado de diferentes formas, como "paang", "pang" e "pangkhu", refletindo a evolução na romanização. Uma das primeiras documentações formais do pangkhua foi realizada por Sten Konow no Linguistic Survey of India (1903), que representou um marco importante no estudo e sistematização da língua.

Embora o pangkhua não possua um sistema de escrita próprio, ele é transcrito por meio do alfabeto latino e do alfabeto fonético internacional (AFI) para representar com precisão seus sons e tons. O pangkhua é uma língua analítica e aglutinante, caracterizada por uma estrutura sintática simples, onde o significado é frequentemente construído pela combinação de raízes e afixos. Não possui um sistema de adjetivos próprios; em vez disso, utiliza verbos estativos para expressar qualidades. A língua também emprega alternância tonal, com dois tons contrastivos, e não apresenta marcação de gênero ou artigos. Essas características conferem ao pangkhua uma gramática flexível e dinâmica, com foco na morfologia para expressar diferentes significados.

Etimologia thumb|Flor Bombax ceiba na ilha Lantau, Hong Kong|esquerda|272x272px

O nome da língua pangkhua é um autônimo utilizado por seus falantes e pelas administrações locais nas Colinas de Chatigão. O termo "pangkhua" é um composto formado por duas palavras da própria língua: “pang”, que se refere a uma flor nativa da região, identificada cientificamente como Bombax ceiba ou Paineira-vermelha-da-índia, e “khua” (ou “khoa”), que significa “aldeia” ou “vila”. Assim, a palavra “pangkhua” pode ser interpretada literalmente como “vila da flor Pang”, o que sugere uma relação entre a identidade do grupo e a paisagem natural onde vivem.

O nome "pangkhua" também está associado ao principal assentamento da etnia, chamado pangkhua Para. O termo "para" é um empréstimo do bangla, no qual significa “vizinhança” ou “pequeno distrito”, mas entre os pangkhua é utilizado como sinônimo de “vila”. Além disso, os pangkhua também se referem à sua aldeia como Dinthar (d̪int̪ʰar), uma palavra composta em que “d̪in” significa “ficar” em mizo e “t̪ʰar” significa “novo” tanto em mizo quanto em pangkhua. O nome Dinthar, portanto, significa “nova moradia”, refletindo a migração recente dos pangkhua para a sua localização atual.

A literatura acadêmica registra diversas variantes exônimas para a língua pangkhua. Algumas das grafias documentadas incluem: paang, pang, pang khua, pangkhu, pangkho, pankhu, pankho, pankhawi, panghoi, pangkua e paangkhua. No Linguistic Survey of India (1903), Grierson utilizou a forma "pānkhū", adicionando diacríticos (barras sobre as vogais “ā” e “ū”) para indicar a pronúncia alongada desses sons.A multiplicidade de grafias e formas exônimas se deve, às variações de pronúncia e escrita ao longo do tempo e entre diferentes pesquisadores e fontes.

Distribuição pangkhua é uma língua da família tibeto-birmanesas, que faz parte do ramo sino-tibetano, abrangendo uma área que se estende do Himalaia até o Sudeste Asiático, e integra o subgrupo kuki-chin, que inclui várias línguas do nordeste da Índia, oeste de Myanmar e sudeste de Bangladesh. A língua é falada principalmente nas Colinas de Chatigão, em Bangladesh, onde os idiomas tibeto-birmaneses representam cerca de 50% das línguas locais, embora os falantes constituam apenas 0,24% da população total.

Dispersão da Língua O assentamento central da comunidade é a aldeia pangkhua Para, que é o centro cultural e religioso da comunidade e é reconhecida pelas administrações locais como a aldeia representativa dos falantes de pangkhua. Estima-se que somente 600 pessoas vivem nessa vila. A população restante vive em pequenos domicílios distribuídos nos distritos de Rangamati e Bandarban, localizados nas Colinas de Chatigão. Esses domicílios, conhecidos localmente como "para", compreendem aldeias como Raal Ao, Bethel, Harin Chara, Konda Chari, Thlangpui, Zoutui, Bungmun, Laizou, Saichal, Saijam e Barotali. pangkhua Para encontra-se aproximadamente a 14,6 km de Kaptai, o maior centro urbano próximo, sendo que o único meio de transporte até lá é por via fluvial. O rio, conhecido localmente como Raikhyang (ou Tatpong), exige uma travessia de barco motorizado que pode durar de quatro a cinco horas.

O relevo montanhoso e as fronteiras políticas com a Índia e Myanmar atuam como barreiras naturais e administrativas, limitando a disseminação da língua.

Varições Apesar de pangkhua não possuir dialetos, é uma língua do subgrupo Kuki-Chin, que inclui cerca de 54 línguas faladas principalmente no nordeste da Índia, oeste de Myanmar e sudeste de Bangladesh. A primeira classificação do subgrupo foi feita por Sten Konow em 1903, que posicionou pangkhua no grupo central das línguas kuki-chin. No entanto, estudos mais recentes, como os de VanBik (2009) e Peterson (2017), identificaram inovações fonológicas e lexicais – por exemplo, a alternância de raízes verbais e a mudança fonológica dos iniciais do prototibetano-birmanês (de *s/sy para *th) – que sustentam a coesão do subgrupo central, embora a posição exata de pangkhua dentro do kuki-chin ainda permaneça indefinida devido à falta de dados completos. alt=Lenguas tibeto-birmanas|esquerda|miniaturadaimagem|237x237px|Regiões de línguas tibeto-birmanesas

Línguas Relacionadas e Contato Linguístico pangkhua está inserida em um contexto multilíngue, onde o contato com outras línguas é frequente e contribui para a dinâmica cultural e linguística da região.

Família de Línguas tibeto-birmanesas Como membro do ramo tibeto-birmanesas da família sino-tibetana, pangkhua faz parte de um grupo que compreende cerca de 501 línguas. Essa família se estende desde a Caxemira, passando pelas regiões himalaicas e sub-himalaicas da Índia, Nepal, Butão, Bangladesh, Tibete e China, até alcançar o Sudeste Asiático (Myanmar, Tailândia, Laos, Vietnã).

Línguas tibeto-birmanesas em Bangladesh Em Bangladesh, aproximadamente 300 línguas tibeto-birmanesas são faladas, representando cerca de três quartos dos subgrupos principais dessa família. Atualmente, 18 línguas tibeto-birmanesas estão registradas no país, concentrando-se sobretudo nas Colinas de Chatigão. Dentre essas, as línguas do subgrupo kuki-chin – bawm, hyow, khumi, mizo, pangkhua e rengmitca – são notáveis, embora seus falantes representem apenas 0,24% da população total.

Classificação Interna do kuki-chin A classificação interna das línguas kuki-chin foi inicialmente estabelecida por Sten Konow em 1903. Estudos subsequentes, como os de VanBik (2009) e Peterson (2017), ampliaram essa análise ao identificar inovações fonológicas – como a alternância de raízes verbais e a mudança dos iniciais de *s/sy para *th – que reforçam a coesão do subgrupo central, mas que também evidenciam a complexidade e a variabilidade interna do grupo.

thumb|Demografia linguistica das Colinas de Chatigão|356x356px

Contato Linguístico pangkhua é cercada por diversas línguas que enriquecem o ambiente multilíngue da região. Ela está inserida em um contexto de contato com pelo menos seis idiomas: tanchangya (indo-ariana), marma (burmish), bawm (kuki-chin), riang (bodo-garo indo-ariana), chakma (indo-ariana) e chittagonian (indo-ariana). Interações entre falantes dessas línguas ocorrem predominantemente em chakma e chittagonian. A maioria dos falantes de pangkhua é multilíngue, dominando também línguas como chittagonian, chakma, mizo, bawm e tanchangya.

Entre as línguas do subgrupo kuki-chin, destacam-se:

Bawm: apresenta significativas semelhanças lexicais e fonológicas com pangkhua. Hyow: compartilha traços tonais e estruturais comuns. Khumi: exibe inovações fonológicas que ampliam a diversidade do grupo. Mizo: demonstra paralelismos lexicais e estruturais. Rengmitca: possui características morfológicas e fonológicas comparáveis.

Essas semelhanças refletem um processo evolutivo compartilhado – evidenciado por inovações fonológicas e alternância de raízes verbais – que sustenta a classificação de pangkhua dentro do subgrupo central do kuki-chin.

Árvore Genealógica das Línguas Abaixo se encontra a árvore genealógica a qual pangkhua pertence: Família Sino-Tibetana Tibeto-Birmanês Kuki-Chin Noroeste Thado, Sizang (Índia, Myanmar) Periférico Khumi (Myanmar, Bangladesh) Cho (Bangladesh) Hyow/Asho (Bangladesh) Central Core Central Lai (Índia, Myanmar) Hakha Thantlang Zokhua Falam Bawm Bualkhua Laizo Lente Khualsim Khuangli Sim Tlaisun Za-ngiat Mizo (Índia) Fan-ai Hualngo Lushai Hmar (Índia) Khosak Thiek Hrangkhol Biete Sakachep Faihriem Pangkhua (Bangladesh) Maraico Mara (Índia, Myanmar) Zotung (Índia, Myanmar) Senthang (Índia, Myanmar) L. Thet Laamtuk Ruavaan

+ Distribuição Geográfica das Línguas Subgrupo Região País(es) Família Sino-Tibetana Tibete, Yunnan, Sichuan China Nordeste da Índia (Arunachal Pradesh, Manipur, Mizoram, Nagaland) Índia Colinas de Chittagong Bangladesh Estado de Chin, Região de Sagaing Myanmar Norte da Tailândia Tailândia Norte e centro do Laos Laos Noroeste do Vietnã Vietnã Tibeto-Birmanês Região do Himalaia e Sudeste Asiático Vários Kuki-Chin Manipur, Mizoram, Tripura Índia Estado de Chin, Região de Sagaing Myanmar Colinas de Chittagong Bangladesh Kuki-Chin Periférico Sul do Estado de Chin Myanmar Colinas de Chittagong Bangladesh Kuki-Chin Central Mizoram Índia Hakha, Falam (Estado de Chin) Myanmar Manipur, Mizoram, Assam, Tripura Índia Colinas de Chittagong Bangladesh Kuki-Chin Maraico Sul de Mizoram Índia Paletwa (Estado de Chin) Myanmar Kuki-Chin Noroeste Manipur, Mizoram Índia Norte do Estado de Chin, Região de Sagaing Myanmar

História thumb|Vila Mizo construída no topo de uma montanha|esquerda|399x399px

História da Língua A história da língua pangkhua é marcada por transformações políticas, culturais e linguísticas significativas. A comunidade pangkhua, situada na vila de pangkhua Para, adotou práticas e costumes influenciados por eventos como migrações e interações com outras comunidades. A chegada de missionários lushai (mizo) em 1970 trouxe o cristianismo, impactando a vida material e espiritual dos pangkhua. Tradicionalmente, os pangkhua praticavam o Hinduísmo Shiva Dharma antes de sua conversão ao cristianismo, especificamente ao protestantismo. A vida material e espiritual dos pangkhua gira em torno da igreja de pangkhua Para, com várias comissões baseadas em idade e gênero responsáveis pela organização de serviços religiosos e eventos anuais.

História da Documentação O registro documental da língua pangkhua é escasso, especialmente em seus estágios iniciais. A primeira gramática ou trabalho linguístico significativo ainda não está bem documentado, embora haja indícios de registros orais ricos em literatura, como contos de fadas, lendas, cantos e canções. Esses registros orais são mantidos principalmente pelos membros mais velhos da comunidade e desempenham um papel crucial na transmissão cultural e linguística.