Poison é uma banda americana de glam metal formada em 1983 em Mechanicsburg, Pensilvânia. A encarnação de maior sucesso da banda consiste no vocalista e guitarrista base Bret Michaels, o baterista Rikki Rockett, o guitarrista principal e backing vocal CC DeVille e o baixista Bobby Dall. Até o momento, já vendeu mais de 40 milhões de discos ao redor do mundo, sendo mais de 20 milhões só nos EUA. A Banda também já colocou dez singles no Top 40 da Billboard Hot 100, incluindo seis singles Top 10 e o single 1º lugar do Hot 100, "Every Rose Has Its Thorn".
Nos anos 2000, com a formação original de volta, a banda encontrou nova popularidade após a bem-sucedida turnê de retorno em 1999. A banda excursionou em quase todos os anos da década de 2000 em estádios e arenas superlotados. Membros da banda já lançaram vários álbuns solo e estrelaram bem-sucedidos reality-shows de TV. Após 25 anos, a banda continua gravando e excursionando em turnês.
Desde sua estreia em 1986, eles já lançaram nove álbuns de estúdio, quatro álbuns ao vivo, cinco coletâneas, e já emplacaram 28 singles nas rádios.
Biografia O início (1983-1986)
A banda foi formada em 1983, consistindo no vocalista principal Bret Michaels, o guitarrista Matt Smith, o baixista Bobby Dall, e o baterista Rikki Rockett. Michaels e Rockett primeiramente se juntaram para formar uma banda chamada The Spectres, em Machanicsburg, Pensilvânia, EUA, e recrutaram Matt Smith e Bobby Dall, formando a banda Paris. Após tocarem na maior parte covers de canções de rock nos bares do lugar, eles finalmente se mudaram para Los Angeles em 06 de março de 1984, e mudaram o nome da banda para "Poison".
A fama (1986-1992)
thumb|right|200px|CC DeVille no Moondance Jam, 2008
O Poison promoveu-se ao longo da Sunset Trip, em Hollywood, passando de uma banda de estrada e tocando em famosos clubes locais. Durante este período, o empresário da banda negociou um acordo no qual um clube de West Hollywood, The Troubador, pagaria por shows. A esta altura, Matt Smith, que havia acabado de se tornar pai e preocupava-se com o futuro da banda, abandonou o projeto e voltou para a casa, na Pensilvânia. A banda realizou audições para contratar um substituto, chegando ao fim com três possíveis candidatos: Slash, que mais tarde viria a integrar o Guns N' Roses; Steve Silva, que tocava no The Joe Perry Project, junto com Joe Perry, lendário guitarrista do Aerosmith; e um guitarrista de Nova Iorque chamado C.C. DeVille. Embora Michaels e Dall inicialmente não gostaram de DeVille, no fim das contas a banda concordou que ele era a melhor escolha, devido a seu figurino e sua presença de palco.
Michaels, Dall, Rockett e DeVille assinaram com o selo independente Enigma Records, em 1986, por aproximadamente 30 mil dólares. O álbum de estreia, Look What the Cat Dragged In, foi lançado em 02 de agosto de 1986. Originalmente incluía apenas um single, "Cry Tough", mas o disco alcançou inesperado sucesso e subsequentemente emplacou outros três hits nas paradas: "Talk Dirty To Me" (composta por DeVille e tocada por ele na audição para ser membro da banda), "I Want Action" (que até hoje é clássico absoluto em todos os setlists dos shows), e "I Won't Forget You" (dedicada às famílias dos membros que ficaram na Pensilvânia). O álbum tornou-se o mais vendido da história da Enigma Records. Com pesada rotação na MTV, o álbum de estreia rendeu à banda turnês com companheiros de Glam Metal, como Ratt, Cinderella, e Quiet Riot, assim como uma participação no "Texxas Jam", em Dallas, EUA. As vendas do álbum já chegam a quatro milhões de cópias.
Em 1987, a banda gravou um cover de Rock And Roll All Nite, do Kiss, para a trilha-sonora de Less Than Zero.
O segundo álbum do Poison, Open Up and Say... Ahh!, foi lançado em 21 de maio de 1988. Alcançou o segundo lugar nas paradas americanas e até hoje já vendeu dez milhões de cópias no mundo todo. O disco inclui o maior hit da banda, Every Rose Has Its Thorn, junto com outros hits instantâneos, hoje tidos como clássicos, como "Nothin' But A Good Time", "Fallen Angel", e o cover dos Logins And Messina, "Your Mama Don't Dance". A primeira capa do álbum foi controversa, mostrando uma figura feminina demoníaca com uma longa e obscena língua. Uma versão censurada foi lançada em seguida, retratando apenas os olhos da figura. À altura em que a banda já havia excursionado com David Lee Roth em 1988, na Skyscraper Tour, ficou evidente que o Poison já tinha se tornado um sucesso ao vivo, podendo promover sua primeira turnê própria em Setembro de 1988. Em 1989, a banda consagrava-se como a sexta maior banda de Hard Rock dos EUA nos anos 80, atrás de Mötley Crüe, Def Leppard, Bon Jovi, Guns N' Roses e Aerosmith. Em 1989, lançaram seu primeiro álbum em vídeo, intitulado Sight for Sore Ears, que apresentava todos os clipes dos primeiros dois discos.
Conflitos persistiam em perseguir a banda. Bryn Bridenthal, chefe de publicidade da Geffen Records, deu um tapa de 1 milhão e cem mil dólares na banda, numa ação judicial em que os processou por ter sido banhada com bebidas e um balde de gelo numa festa da gravadora. Depois, a Sanctuary Music, primeira companhia empresarial da banda, teve arquivado um processo de 45 milhões de dólares contra a banda, por quebra de contrato. O Poison retaliou com acusações de gestão fraudulenta de fundos. As constantes brigas envolvendo Michaels lhe renderam mais ações judiciais em Tallahassee, Atlanta e Los Angeles.
thumb|left|200px|Bret Michaels em 1990
O Poison continuou a aderir ao lema "trabalhar duro e tocar bastante", do qual seguiu-se o terceiro álbum, Flesh & Blood, lançado em 21 de julho de 1990. Também fez estrondoso sucesso, alcançando o segundo lugar nas paradas e vendendo mais de oito milhões de cópias no mundo todo. O sucesso do disco solicitou mais uma turnê mundial. Deixando de lado sua imagem Glam e entrando de fato na década de 90, o Poison assumiu uma postura mais madura neste álbum. Numa entrevista à Screamer Magazine, Michaels explicou como o disco assinalou uma mudança no grupo: "Acho que, da mesma forma em que chocamos pessoas no início com o visual, agora vamos chocá-las um pouquinho com a música. Este disco é onde mostramos um pouco do outro lado da banda."
O Poison recebeu uma carta de agradecimento do Secretário da Defesa Americana Dick Cheney, por contribuir com 20 mil discos do álbum para elevar a moral das Tropas Americanas no Desert Storm, bem como por seu constante apoio às Forças Armadas.
O disco também apresentou uma capa alternativa, uma vez que a original apresentava o que parecia ser tinta e sangue escorrendo de uma tatuagem (algumas versões removeram a tinta). O disco tornou-se multiplatina, rendendo três singles-ouro: "Unskinny Bop", "Ride The Wind", e a balada "Something To Believe In", dedicada ao falecido James Kimo Maano, segurança da banda e melhor amigo de Bret Michaels. "Life Goes On" foi o quarto single lançado, e o último foi a faixa-título, "Flesh & Blood (Sacrifice)", cujo clipe foi banido da MTV por sua natureza explícita, mas que voltou à tona em 1991, na segunda coletânea de vídeos lançada, Flesh, Blood, & Videotape.
Uma das poucas aparições da banda no Reino Unido foi em 18 de agosto de 1990, no festival Monsters Of Rock, no verão de 1990. Whitesnake e Aerosmith, com as bandas Quireboys e Thunder no apoio. O evento foi transmitido pela BBC Radio 1.
Após dois anos consecutivos na estrada, os membros da banda se voltaram uns contra os outros em diferenças pessoais, vícios em drogas, etc. O Poison gravou inúmeras performances ao longo de 1990/1991 durante a Flesh & Blood World Tour, que foram lançadas em Novembro de 1991 como o quarto álbum da banda, Swallow This Live. O disco duplo apresentou faixas ao vivo dos três primeiros álbuns e quatro novas músicas de estúdio, incluindo "So Tell Me Why", que fora a última gravação antes da saída de C.C. DeVille da banda, ainda naquele ano. Eles também lançaram seu primeiro show em vídeo daquela mesma turnê, um VHS intitulado Swallow This Live: Flesh & Blood Tour.
Mudanças (1992-1998)
thumb|right|200px|Richie Kotzen
Apesar do sucesso do Poison, o vício de DeVille em cocaína transformou-se num grande motivo de contendas na banda. Conflitos entre ele e Michaels culminaram numa briga física nos bastidores do MTV VMA de 1991, provocada por uma absurda performance ao vivo de DeVille. A banda havia sido escalada para tocar "Unskinny Bop", mas precisou ser interrompida durante a música por conta de uma parada comercial. Quando eles voltaram ao vivo, DeVille, sob efeito de álcool e drogas durante a performance, perdeu a noção e começou a tocar "Talk Dirty To Me". Durante a música, a guitarra de DeVille foi desconectada. Ele foi demitido e substituído pelo guitarrista pensilvaniano Richie Kotzen.
O quinto álbum do Poison, Native Tongue, foi lançado em 08 de fevereiro de 1993. O disco foi fortemente influenciado pelo estilo moderno de Kotzen, no que diz respeito a composição de letras e performances de guitarra. Marcou uma mudança para a banda, uma vez que abandonaram seus hinos sintonizados em festanças, para focarem assuntos mais sérios. O estilo musical, por sua vez, foi muito mais blues-rock orientado do que glam metal. Contendo os singles "Stand" (que apresenta o Primeiro Coral Gospel A.M.E. de Los Angeles nos vocais de apoio), "Until You Suffer Some (Fire And Ice)", e "Body Talk", o álbum recebeu resenhas em sua maioria positivas e recebeu Ouro, mas as vendas foram lentas, em comparação com os três trabalhos anteriores, vendendo apenas dois milhões de cópias no mundo todo. A banda saiu em turnê para promover o álbum, mas as tensões ressurgiram, desta vez entre Kotzen e o restante da banda. O futuro dele no grupo foi condenado ao fim quando descobriu-se que ele estava romanticamente envolvido com Deanna Eve, a noiva (à época) do baterista Rikki Rockett. Kotzen foi prontamente demitido, e substituído por Blues Saraceno, que completou a turnê mundial com a banda, incluindo os shows no famoso festival Hollywood Rock, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo, no Brasil, onde tocaram para cerca de 165 mil pessoas. Um show da Native Tongue World Tour foi lançado em VHS/DVD com o nome de Seven Days Live.
O Poison começou a gravar o sexto álbum, Crack A Smile, no início de 1994. As gravações foram bruscamente interrompidas em Maio daquele ano, quando Michaels envolveu-se num acidente de carro, onde ele perdeu o controle de sua Ferrari. Michaels teve fraturas no nariz, costelas, maxilar, dedos, e perdeu quatro dentes. Após sua recuperação em 1995, a banda continuou a gravação do álbum. O disco foi "arquivado" logo após isso, sem nenhuma previsão de data para lançamento. Ao invés disso, o selo de gravação optou por lançar uma coletânea, que apresentou duas novas faixas com Blues Saraceno na guitarra, "Sexual Thing" e "Lay Your Body Down". A primeira compilação da banda foi lançada em 26 de novembro de 1996 e alcançou o status de platina.
Bret Michaels voltou aos holofotes quando se envolveu com a modelo e atriz pornô Pamela Anderson. Uma versão resumida de uma fita de sexo explícito do casal apareceu na internet em 1998. Através de uma ação judicial, o casal conseguiu que o vídeo fosse removido da internet.
Bret Michaels e o ator e amigo Charlie Sheen fundaram uma companhia de produção chamada Sheen Michaels Entertainment. Em 1998, Michaels fez sua estreia como ator ao lado de Charlie e Martin Sheen no filme A Letter From Death Row, que foi escrito e dirigido por Michaels. Ele também lançou seu primeiro disco solo naquele mesmo ano, que foi a trilha-sonora do filme.
A volta da formação original, o retorno à popularidade, álbuns solo e reality shows de TV (1999-atualmente)
thumb|left|200px|Rikki Rockett no Moondance Jam, 2008
Após vários anos separados, Bret Michaels e C.C. DeVille puderam resolver suas diferenças, sendo DeVille reintegrado ao Poison em 1999, substituindo Blues Saraceno.