"Through the Valley" é o segundo episódio da segunda temporada da série de televisão americana pós-apocalíptica de drama The Last of Us. Escrito pelo cocriador da série Craig Mazin e dirigido por Mark Mylod, foi exibido na HBO em 20 de abril de 2025. O episódio acompanha Ellie (Bella Ramsey) e Jesse (Young Mazino) em patrulha enquanto procuram por Joel (Pedro Pascal) e Dina (Isabela Merced), enquanto Tommy (Gabriel Luna) se prepara para um ataque a Jackson, Wyoming, e Abby (Kaitlyn Dever) busca vingança contra Joel.

O episódio foi filmado no início de 2024. O ataque a Jackson, escrito para fornecer conflito contínuo entre os personagens e suas motivações, foi filmado ao longo de quase quatro semanas e exigiu mais de 600 cenas com efeitos visuais, cerca de 100 figurantes e dezenas de dublês. Os roteiristas optaram por retratar a morte de Joel no início da temporada, pois isso impulsiona a narrativa. Críticos elogiaram a direção, cinematografia, roteiro e as atuações de Pascal, Ramsey e Dever; alguns acharam que o ataque a Jackson ofuscou a morte de Joel, enquanto outros elogiaram o contraste. O episódio teve 643.000 espectadores na televisão linear.

Enredo Abrigada com seu grupo em um chalé abandonado próximo a Jackson, Wyoming, Abby tem um sonho no qual avisa a si mesma no passado para não entrar na sala onde seu pai foi morto. Ao acordar, ela se concentra em sua missão de matar Joel, enquanto seus amigos, preocupados com a segurança da cidade e a falta de um plano, consideram recuar. Abby sai para observar Jackson, e seu amigo Owen diz ao resto do grupo que tentará convencê-la a voltar para Seattle.

Ellie diz a Jesse que quer sair em patrulha com Joel, mas Jesse informa que ele já saiu com Dina. Abby acidentalmente desperta uma grande horda de infectados escondidos sob a neve, e é resgatada por Joel e Dina. Em Jackson, são descobertos tentáculos dos infectados, redirecionando a horda para a cidade, levando a uma batalha na qual Jackson sofre grandes danos e perdas; Tommy defende sua esposa Maria contra um bloater atraindo-o e matando-o com um lança-chamas.

Abby atrai Joel e Dina para o chalé, dizendo que tem amigos que podem ajudá-los a defender Jackson. Após nocautear Dina, Abby revela ser filha do médico dos Vagalumes que Joel matou em Salt Lake City. Ela atira no joelho de Joel com uma espingarda e acerta repetidamente o ferimento com um taco de golfe, espancando-o até que o taco se quebre ao meio. Ellie, que estava procurando por Joel e Dina, é imobilizada e forçada a assistir enquanto Abby mata Joel cravando o pedaço quebrado do taco em seu pescoço. Ellie jura matar Abby como vingança, mas o grupo poupa sua vida e vai embora. Jackson começa a se recuperar da destruição da batalha, enquanto Ellie, Dina e Jesse retornam para casa com o corpo de Joel.

Produção Concepção e roteiro

"Through the Valley" foi escrito pelo cocriador de The Last of Us Craig Mazin e dirigido por Mark Mylod. Mazin queria que Mylod trabalhasse na primeira temporada, mas ele estava ocupado dirigindo Succession. Após Mylod mencionar que gostaria de trabalhar com Mazin durante um painel, Mazin lhe enviou o roteiro do episódio, que Mylod leu e considerou irresistível. Mylod havia dirigido anteriormente o episódio "The Broken Man" de Game of Thrones, que marcou a estreia de Bella Ramsey (intérprete de Ellie) na atuação. Em The Last of Us Part II (2020), jogo no qual a segunda temporada é baseada, Joel faz patrulha com Tommy e Ellie com Dina; no episódio, Joel é emparelhado com Dina para mostrar sua relação, já que eles não interagem no jogo, e para conectá-la mais diretamente à morte de Joel. Manter Dina separada de Ellie também tornou a relação delas mais ambígua. Mazin considerou que isso deu outro motivo para Joel não se defender de Abby, pois fazer isso colocaria a vida de Dina em risco. Ramsey achou que isso acrescentou um elemento de ressentimento para Ellie, já que o último dia de Joel foi passado com Dina, e não com ela. Emparelhar Ellie com Jesse também permitiu foco na relação deles.

Mazin soube da morte de Joel durante o desenvolvimento de Part II, antes de começar a escrever a primeira temporada da série. Ele considerou ser a decisão narrativa correta e não quis removê-la da série, argumentando que sua brutalidade era uma consequência eficaz das ações de Joel. Os roteiristas passaram muito tempo decidindo em qual episódio a morte de Joel deveria ocorrer e, após considerarem brevemente adiá-la por um episódio, decidiram não fazê-lo. Mazin achou apropriado colocá-la no segundo episódio após observar a relação tensa entre Joel e Ellie no episódio de estreia. Neil Druckmann, cocriador da série e responsável pelos jogos, acreditava que a morte deveria ocorrer no início da temporada para espelhar o ponto em que a história realmente começa e porque eles sentiram que adiá-la pareceria que estavam "enrolando". Mazin também considerou as implicações reais de adiar a morte de Joel, entendendo que os espectadores que jogaram o game ficariam constantemente cientes de que ela ainda não havia acontecido, e ele não queria parecer que os roteiristas estavam "brincando com todo mundo".

Mylod estava mais nervoso para filmar a morte de Joel do que qualquer cena de ação devido ao seu impacto e ao desejo de fazer justiça às performances do jogo. Druckmann acreditava que retratar a brutalidade permitia aos espectadores entender a mentalidade dos personagens e suas decisões subsequentes, embora tenha sido reduzida em relação ao jogo por conta do realismo da adaptação em live-action. Mazin e Mylod discutiram longamente qual nível de violência retratar, acreditando ser necessário justificar as ações de Abby sem glorificá-las. A brutalidade inicialmente seria mais sutil, mas Mylod achou que evitar mostrar a morte de Joel parecia "evasivo" e como se estivessem "fugindo". Mazin considerou que mostrar os punhos de Abby atingindo o rosto de Joel "teria sido gratuito e meio filme de ação", não refletindo a verdadeira tristeza e condenabilidade da cena, enquanto Mylod "quis evitar tortura explícita". O rosto de Ellie é a última coisa que Joel vê, e seu esforço para se mover após o pedido dela para que se levantasse demonstrou que ele estava consciente de sua presença, em contraste com o jogo. O rastejar de Ellie até ele estava presente no primeiro rascunho do roteiro de Mazin, refletindo sua necessidade de estar com ele; Mylod chorou durante uma take. Algumas tomadas mostravam Manny cuspindo no corpo de Joel, como no jogo, mas isso foi cortado em favor de uma tomada melhor no geral.

Os roteiristas sentiram que a ausência de um personagem jogável inerente ao jogo permitiu à série mostrar os ataques a Jackson que não são retratados no game. Druckmann apreciou a representação da escala dos infectados, que é apenas sugerida nos jogos e na primeira temporada, mas raramente mostrada. A familiaridade dos roteiristas com a produção da série permitiu mais sequências de ação, que mantinham conexões com o desenvolvimento dos personagens. Mazin sentiu que relacionamentos como o de Tommy e Maria aumentavam as apostas, fazendo com que não fosse "apenas uma luta". Druckmann achou que a inclusão do cerco adicionou mais conflito contínuo para os personagens, já que estavam lidando com mais perdas além de Joel, e Mazin sentiu que a perda de estabilidade e segurança em Jackson era palpável; o uso do lança-chamas por Tommy contra o bloater é uma referência a uma arma dos jogos e refletiu o medo que Mazin sentiu ao jogar. A batalha originalmente incluía dois ou três bloaters, mas foi reduzida para um na pós-produção. A sequência com os infectados congelados foi expandida a partir da mesma cena do jogo, enquanto outras, como Abby sendo perseguida pela horda e salva por Joel, foram adaptadas de forma mais fiel.

Elenco e personagens

Pedro Pascal, intérprete de Joel, já sabia da morte de seu personagem quando aceitou o papel. Ele disse que se sentia normal durante as filmagens até que a maquiagem e os efeitos prostéticos sangrentos foram aplicados, o que "matou completamente o clima assim que alguém olhou para mim", por causa do luto. Mazin não se preocupou em perder a popularidade de Pascal com sua saída da série, dizendo que o mundo e a história são "as verdadeiras estrelas". Pascal criou laços com Kaitlyn Dever, que interpreta Abby; ele achou irônico o quão próximos se tornaram, considerando o conflito entre os personagens, mas sentiu que isso os aproximou.

Ramsey sentiu náuseas e chorou ao ler o roteiro, a primeira vez que isso aconteceu com elus. Elu preparou-se para a cena tratando-a como algo cotidiano, ouvindo repetidamente "Peanut Butter Jelly Time" do Buckwheat Boyz para neutralizar a escuridão e o cansaço emocional e continuou ouvindo até segundos antes de cada tomada. Elu relembrou que "simplesmente tudo veio à tona" durante a gravação, mas achou mais fácil atuar nessa cena do que em outras, pois "sabia exatamente o que aquela cena precisava ser". Mazin sentiu que o pedido de Ellie para Joel "levantar" refletia o sentimento da audiência.

Gabriel Luna, intérprete de Tommy, aguardava ansiosamente a sequência do ataque a Jackson desde que leu o roteiro, comparando-a à "Battle of the Bastards" de Game of Thrones. Junto de Rutina Wesley, que interpreta Maria, ele passou por treinamentos com armas e cenas de ação, incluindo réplicas de armas do jogo, como o M1 Garand de Tommy. Luna aprendeu a manusear um lança-chamas; mais tarde, teve visões recorrentes de figuras em chamas correndo em sua direção, que ele suspeita terem sido causadas por trauma. Ele fez questão de ter seu amigo, o dublê Ty Provost, presente no set para ajudá-lo com as cenas de ação. Luna se incomodava com a incapacitação de Tommy durante a morte de Joel no jogo, e mais tarde ficou preocupado com sua ausência no episódio; sentiu-se aliviado quando Mazin lhe enviou uma longa mensagem detalhando os planos para a história de Tommy, incluindo a batalha em Jackson. Druckmann disse que o objetivo de Tommy muda: de proteger Jackson para salvar Maria, por quem ele se importa mais, junto com o filho. Wesley considerou que os dois personagens são "âncoras um para o outro". A figurinista Ann Foley se inspirou em um anúncio da Marlboro dos anos 1980 para o visual de Tommy, que Luna achou único em comparação aos jogos.

O corpo do pai de Abby foi mostrado intencionalmente no último episódio da primeira temporada, por sua relevância na segunda temporada, especialmente na sequência de sonho de Abby. Dever quis que o luto e a perda da personagem estivessem refletidos em seus olhos; ela a considerou "uma pessoa muito quebrada". Mazin considerou Abby "insatisfeita" após a morte de Joel, sem realmente alcançar o que buscava e frustrando seus amigos no processo; ele sentiu que ela "não estava no controle de si mesma" durante a cena. Dever achou a morte de Joel "devastadora", como espectadora da primeira temporada. A cena foi a primeira que ela gravou na série; as filmagens ocorreram algumas semanas após a morte de sua mãe e três dias após o funeral. Embora Pascal e Isabela Merced estivessem comprometidos com outras gravações, o cronograma de produção foi reorganizado para atender às necessidades de Dever, que escolheu o dia para filmar a cena da morte de Joel, pedindo o mínimo de equipe no set. Ela não conseguiu se preparar da forma habitual, o que achou que beneficiou a personagem por parecer mais natural. Mazin escreveu um monólogo para Abby que não estava presente no jogo, motivado pela revelação antecipada das motivações da personagem na série em relação ao jogo. Mylod achou que Dever "dava tudo de si", mesmo em tomadas que não focavam Abby, o que ele chamou de "meu sonho como diretor".

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