Esta é uma lista de pesquisas eleitorais para a eleição estadual no estado da Bahia. Desde as eleições de 2022, empresas de pesquisa de opinião publicam informações que rastreiam a intenção de voto para a eleição para governador em 2026. Os resultados estão listados abaixo em ordem cronológica reversa. Todas os cenários se referem a pesquisas estimuladas, quando uma lista de candidatos é apresentada ao entrevistado.
Contexto As pesquisas eleitorais realizadas na Bahia em 2026 apresentaram volume elevado e envolveram institutos nacionais e regionais, empresas de comunicação, partidos políticos e empresas privadas como contratantes. A Bahia possui eleitoras e eleitores aptos a votar nas eleições, constituindo o quarto maior eleitorado estadual do país, o que faz do estado um dos principais mercados para pesquisas eleitorais.
Ao longo do ano foram registrados levantamentos de institutos como Séculus, Quaest, Real Time Big Data, Paraná Pesquisas, Ipsensus, Veritá, DataTrends, ECM Pesquisas, Perfil Pesquisas Técnicas, Opnus e outros. A diversidade de empresas produziu levantamentos com diferentes tamanhos de amostra, métodos de coleta, contratantes e períodos de campo. Em agosto, por exemplo, havia pesquisas estaduais da Real Time Big Data, DataTrends, ECM, Perfil e outros institutos sendo realizadas ou divulgadas em períodos próximos.
As amostras utilizadas nas pesquisas baianas variaram consideravelmente. A pesquisa Séculus/Bahia Notícias realizada em fevereiro ouviu eleitores em 72 municípios, enquanto o Veritá realizou, em abril, entrevistas em todo o estado. O Paraná Pesquisas utilizou entrevistados em levantamento realizado entre 31 de julho e 2 de agosto, distribuídos por 60 municípios, e a Real Time Big Data realizou pesquisa estadual com entrevistados entre 6 e 10 de agosto.
Os métodos de coleta também foram distintos. O Veritá informou ter utilizado uma unidade automatizada de respostas por meio de ligações telefônicas, com questionário eletrônico e reconhecimento de voz, enquanto a Real Time Big Data declarou método misto e pesquisas de outros institutos utilizaram entrevistas presenciais ou telefônicas. As diferenças metodológicas são relevantes para a comparação entre levantamentos realizados em períodos próximos, pois pesquisas distintas podem apresentar resultados diferentes sem que essa diferença, por si só, caracterize irregularidade.
A proximidade entre os períodos de campo produziu diferenças consideráveis entre algumas pesquisas. O Paraná Pesquisas, realizado entre 31 de julho e 2 de agosto, utilizou entrevistados em 60 municípios, enquanto a Real Time Big Data, realizada entre 6 e 10 de agosto, utilizou entrevistados em todo o estado. A diferença entre as estimativas dos dois institutos foi objeto de análise na imprensa, que destacou que mudanças metodológicas, de amostragem e de período de coleta dificultam atribuir automaticamente divergências entre pesquisas a uma mudança real no comportamento do eleitorado.
A produção de pesquisas na Bahia também foi marcada por questionamentos perante a Justiça Eleitoral. Em março, o partido Avante apresentou representação ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) pedindo a suspensão da pesquisa registrada sob o número BA-09740/2026, realizada pela Séculus Consultoria e Assessoria. A legenda alegou problemas metodológicos, estatísticos e financeiros no levantamento.
Entre os argumentos apresentados pelo Avante estavam a falta de detalhamento sobre as cidades e bairros onde as entrevistas seriam realizadas e a ausência de indicação do número de entrevistados por localidade. A representação também questionou a forma de apresentação visual dos nomes dos candidatos aos entrevistados e alegou que a disposição gráfica poderia favorecer determinado nome. O partido pediu que a divulgação fosse suspensa até a análise das alegações pela Justiça Eleitoral.
A pesquisa Séculus estava registrada sob o número BA-09740/2026 e havia entrevistado pessoas em 72 municípios baianos, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Bahia Notícias. O caso tornou-se um dos primeiros episódios de judicialização de pesquisas estaduais na Bahia em 2026, envolvendo simultaneamente questionamentos sobre amostragem, questionário e apresentação dos candidatos.
Outro caso envolveu uma pesquisa realizada pelo Ipsensus em conjunto com o Paraná Pesquisas, registrada sob o número BA-07247/2026. O Democracia Cristã (DC) questionou judicialmente a divulgação do levantamento, alegando, entre outros pontos, a exclusão de seu pré-candidato do cenário apresentado e problemas relacionados ao registro da amostragem.
Nesse caso, entretanto, o TRE-BA rejeitou o pedido de anulação. O relator considerou improcedentes as alegações apresentadas pelo partido e acompanhou o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral. A decisão reconheceu a validade da pesquisa e constitui contraponto aos casos em que questionamentos metodológicos resultaram em restrições à divulgação.
O mesmo levantamento Ipsensus/Paraná Pesquisas havia ouvido eleitores da Bahia entre 9 e 13 de maio, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O caso demonstra que a existência de uma representação judicial contra uma pesquisa não implica automaticamente sua suspensão ou reconhecimento de irregularidade, uma vez que o tribunal pode rejeitar as alegações após examinar o registro e a metodologia apresentada.
Em maio, outro levantamento do Ipsensus foi alvo de críticas públicas por apresentar incongruências entre as informações registradas no sistema da Justiça Eleitoral e os dados divulgados. A pesquisa, que ouviu 1.500 eleitores entre 9 e 13 de maio e teve custo declarado de R$ 10 mil, apresentava no questionário aplicado perguntas sobre cargos que não constavam das informações registradas para a pesquisa.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, o questionário utilizado incluía análises para governador e presidente que não apareciam no registro correspondente. Também houve questionamento quanto ao momento de divulgação do resultado, que teria ocorrido após o prazo informado para sua publicação. A legislação eleitoral exige que o registro identifique a unidade da Federação e os cargos objeto da pesquisa, além das demais informações metodológicas e financeiras necessárias à fiscalização.
A controvérsia em torno do Ipsensus ilustra uma questão recorrente na fiscalização das pesquisas: a necessidade de correspondência entre aquilo que é informado no registro oficial e o que efetivamente é aplicado aos entrevistados. A existência de perguntas adicionais ou de alterações no levantamento pode comprometer a possibilidade de fiscalização quando essas informações não são apresentadas previamente no registro.
As pesquisas do Instituto Veritá também tiveram presença relevante na Bahia. O levantamento registrado sob o número BA-07637/2026 foi realizado entre 23 e 27 de abril, com entrevistas em todo o estado e margem de erro de 2,5 pontos percentuais. O instituto declarou que a pesquisa foi realizada por iniciativa própria, sem contratante externo, e que a amostra foi construída com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Censo 2022 e pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com ponderação por sexo, idade, escolaridade e distribuição geográfica.
O modelo de pesquisas realizadas por iniciativa própria do instituto tornou-se objeto de discussão mais ampla no setor em 2026. Levantamento baseado nos registros do sistema PesqEle identificou 35 pesquisas realizadas pela empresa 100% Cidades entre janeiro e agosto, abrangendo pesquisas nacionais e disputas estaduais em diferentes unidades da Federação, inclusive a Bahia. Em 33 desses levantamentos, que somavam R$ 3,312 milhões, a contratante indicada era a Futura Consultoria e Assessoria, embora os registros informassem recursos próprios do contratante e indicassem que as pesquisas não eram realizadas com recursos próprios.
O levantamento sobre a estrutura financeira da 100% Cidades e da Futura também identificou que os registros utilizavam a mesma estatística responsável em todas as pesquisas analisadas. A investigação jornalística chamou atenção para a relação entre as empresas envolvidas e para a forma como os recursos eram declarados nos registros da Justiça Eleitoral.
Na Bahia, a 100% Cidades/Futura também realizou levantamentos específicos. Uma pesquisa nacional realizada em janeiro, por exemplo, ouviu pessoas, teve custo declarado de R$ 160 mil e foi financiada com recursos próprios da Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. O levantamento utilizou margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A Bahia também esteve entre os estados pesquisados pelo grupo 100% Cidades/Futura em levantamentos posteriores. A existência de pesquisas financiadas pela própria estrutura empresarial do instituto e de pesquisas contratadas por veículos de comunicação ou empresas privadas mostra a diversidade das formas de financiamento utilizadas no mercado de pesquisas eleitorais em 2026.
A quantidade de pesquisas e a variedade dos institutos também produziram divergências entre levantamentos realizados em períodos próximos. Em março, pesquisas do Real Time Big Data, Séculus e Veritá apresentaram diferentes estimativas para a disputa estadual. Em abril, nova rodada de levantamentos de Veritá e Quaest apresentou diferenças associadas, entre outros fatores, às datas de coleta e às metodologias utilizadas.
Para fins de comparação, entretanto, é necessário considerar que pesquisas realizadas em datas diferentes medem o estado da opinião pública no período específico de suas entrevistas. Além disso, os institutos utilizam métodos de coleta, questionários, planos amostrais e procedimentos de ponderação distintos. Por essa razão, diferenças entre resultados de pesquisas não constituem, isoladamente, evidência de erro ou irregularidade metodológica.
A regulamentação eleitoral estabelece que pesquisas destinadas ao conhecimento público devem ser registradas previamente e que o cadastro deve conter informações sobre contratante, valor e origem dos recursos, metodologia e período de realização, plano amostral, ponderação, intervalo de confiança e margem de erro, entre outras informações.
A Justiça Eleitoral não realiza controle prévio sobre os resultados das pesquisas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, sua atuação ocorre quando provocada por meio de representação, cabendo aos interessados questionar judicialmente eventuais irregularidades no registro, na metodologia ou na divulgação dos levantamentos.
A Bahia também foi afetada pelas novas regras aplicáveis às pesquisas e enquetes durante o período eleitoral. O TRE-BA informou que, a partir de 16 de agosto, as enquetes relacionadas ao processo eleitoral passaram a ser proibidas e ficaram sujeitas à atuação do poder de polícia da Justiça Eleitoral em caso de divulgação irregular.
Os episódios registrados na Bahia em 2026 envolveram, portanto, diferentes aspectos da atividade de pesquisa. No caso da Séculus, foram questionados o detalhamento da amostra, o questionário e a apresentação dos candidatos; no caso do Ipsensus, foram discutidas a correspondência entre o questionário e o registro e a divulgação do levantamento; em outro processo envolvendo Ipsensus e Paraná Pesquisas, o TRE-BA rejeitou as alegações apresentadas contra a pesquisa; e os levantamentos do Veritá trouxeram à discussão a realização de pesquisas por iniciativa própria dos institutos e a declaração de sua fonte de financiamento.