Emi Koyama (nascida em 1975) é uma ativista, artista e pesquisadora independente nipo-americana. O trabalho de Koyama aborda questões como feminismo, direitos humanos de pessoas intersexo, violência doméstica e prostituição, entre muitas outras. Koyama é mais conhecida por seu ensaio de 2000, "O Manifesto Transfeminista", que foi republicado em diversas antologias e periódicos de estudos transgênero. Ela é fundadora do grupo de defesa Intersex Initiative.
Ativismo Em 2001, Koyama trabalhou como estagiária e assistente de programa na Sociedade Intersexo da América do Norte, antes fundar seu próprio grupo de defesa, a Intersex Initiative Portland (ipdx). A organização oferece aulas, workshops e palestras para discutir questões sociais, culturais e médicas enfrentadas por pessoas intersexo. Koyama e a também ativista intersexo Betsy Driver fundaram o Dia da Conscientização Intersexo em 2003, comemorando a primeira manifestação oficial de ativistas intersexo na América do Norte.
Koyama é uma defensora do feminismo da terceira onda e do transfeminismo, sendo sua publicação de 2000, "O Manifesto Transfeminista", um dos primeiros usos do termo. Conforme definido por ela, o transfeminismo é "um movimento feito por e para mulheres trans que veem sua libertação como intrinsecamente ligada à libertação de todas as mulheres e além". Juntamente com Diana Courvant, também membra do Survivor Project, Koyama fundou o site Transfeminism.org. O site, agora extinto, foi criado originalmente para promover o Transfeminism Anthology Project (Projeto Antologia do Transfeminismo, em tradução livre), que visava criar a primeira antologia centrada em perspectivas feministas intersexo e trans. O site também serviu como um recurso geral para discussões sobre transfeminismo na academia e no ativismo.
Koyama é defensora da descriminalização do trabalho sexual e atualmente é membra da Coalizão pelos Direitos e Segurança das Pessoas no Comércio Sexual, em Seattle. Koyama também foi anteriormente membra do conselho do Survival Project, uma organização agora extinta que atendia sobreviventes intersexuais e transgêneros de abuso sexual e violência doméstica.
Em 2001, Koyama ajudou a formar o Grupo de Interesse em Feminismos da Terceira Onda na Associação Nacional de Estudos da Mulher (NWSA). O grupo tinha como objetivo "impulsionar a discussão sobre os feminismos da terceira onda, desviando o foco da política geracional ou de grupos identitários e direcionando-o para as mudanças epistemológicas e ontológicas possibilitadas pela adoção do rótulo 'terceira onda. Embora Koyama tenha sido uma participante e palestrante assídua nas conferências da NWSA, ela também tem sido notavelmente crítica da organização. Em 2008, ela publicou um post de blog intitulado "Isto não é uma homenagem a Audre Lorde", criticando o tratamento dado a ela e a outras mulheres de cor pela conferência.
Em 2013, Koyama também se manifestou contra a conferência Forging Justice, patrocinada pela Organização Nacional de Homens contra o Sexismo (NOMAS) e pela organização de combate à violência doméstica de Michigan, HAVEN. Os palestrantes da conferência supostamente se recusaram a transmitir ao vivo seu painel sobre feminismo interseccional e ameaçaram interrompê-lo completamente. Os escritos de Koyama sobre tráfico sexual também foram criticados pelo cofundador da NOMAS, Robert Brannon; ela descreveu Brannon como alguém que "violou seus limites" durante interações posteriores na conferência. Koyama, juntamente com outras palestrantes mulheres na conferência, criou uma lista de reivindicações para a NOMAS, defendendo a reforma das políticas internas da organização para evitar o silenciamento e o tratamento inadequado de ativistas mulheres.
Desde 2000, Koyama se manifestou contra a política de "mulheres nascidas mulheres" no Michigan Womyn's Music Festival. Seu artigo "Whose Feminism is It Anyways? The Unspoken Racism of the Trans Inclusion Debate" ("De quem é o feminismo, afinal? O racismo silencioso do debate sobre inclusão trans", em tradução livre) criticou os organizadores do festival por uma política que "essencializa, polariza e dicotomiza os gêneros". Koyama também participou de uma mesa-redonda publicada na revista Bitch em 2002, focada no festival, escrevendo: "espaços exclusivos para mulheres não são tão seguros ou livres... mas estão repletos do mesmo racismo, classismo, capacitismo e até mesmo sexismo internalizado praticado por mulheres contra outras mulheres". Koyama defendeu, em vez disso, uma política ambígua de "exclusiva para mulheres" que não institua ou imponha uma definição específica de mulheres. O blog de Koyama, Eminism, apresenta um arquivo que resume o debate e compila documentos históricos relacionados ao festival.
Vida pessoal Koyama reside em Portland, Oregon, com seus dois cães. Ela escreve sobre questões de justiça social em seu blog, Eminism, e tem uma loja online onde vende botões, zines e roupas desenhadas por ela e outros ativistas.
Em uma entrevista de 2014 com a Source Weekly, Koyama se descreve como uma "adolescente fugitiva" e como tendo se envolvido com trabalho sexual na vida adulta.
Koyama usa os pronomes ela/dela, mas não se identifica com nenhum gênero específico, afirmando em seu blog que "ela acha que ter uma identidade - especialmente identidade de gênero - é meio estranho: como ela se vê depende dos relacionamentos e interações humanas que a cercam, em vez de surgir de algum senso central intrínseco de si mesma".
Koyama é bilíngue e publica artigos em inglês e japonês.
Bibliografia selecionada
"Whose feminism is it anyway? The unspoken racism of the trans inclusion debate" ("Afinal, de quem é o feminismo? O racismo velado no debate sobre a inclusão de pessoas trans") em The Transgender Studies Reader (O Leitor de Estudos Transgêneros), ed. Susan Stryker. New York: Routledge, 2006. [em inglês] "Disloyal to feminism: Abuse of survivors within the domestic violence shelter system" ("Deslealdade ao feminismo: abuso de sobreviventes no sistema de abrigos para vítimas de violência doméstica."), em The Color of Violence: INCITE! Anthology (A Cor da Violência: Antologia INCITE!), ed. Smith A, Richie B. E. , Sudbury J. Cambridge, Mass: South End Press, 2006. ISBN 978-0-8223-6295-1. [em inglês] "A new fat-positive feminism: Why the old fat-positive feminism (often) sucks and how to re-invent it" ("Um novo feminismo positivo em relação à gordura: por que o antigo feminismo positivo em relação à gordura (muitas vezes) é ruim e como reinventá-lo") em The Women's Movement Today: An Encyclopedia of Third-Wave Feminism (O Movimento Feminista Hoje: Uma Enciclopédia do Feminismo da Terceira Onda), ed. Heywood L. Westport, Conn.: Greenwood Press, 2005. ISBN 978-0-313-33133-6. [em inglês] "Douseikon wo meguru beikoku LGBT komyunitii no poritikusu." ("TA política sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo nas comunidades LGBT.") em Dousei paatonaa: Douseikon DP-hou wo shiru tameni. (Uniões entre pessoas do mesmo sexo: Entendendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o registro de união estável.) Eds. Akasugi Y, Tsuchiya Y, Tsutsui M, 2004. [em japonês] "The transfeminist manifesto." ("O manifesto transfeminista.") Em Catching a Wave: Reclaiming Feminism for the 21st Century (Aproveitando a onda: recuperando o feminismo para o século XXI). Eds. Dicker R, Piepmeier A. Boston: Northeastern University Press, 2003. ISBN 978-1-55553-570-4. [em inglês] "From social construction to social justice: Transforming how we teach about intersexuality." (Da construção social à justiça social: Transformando a forma como ensinamos sobre intersexualidade.) Co-autoria com Lisa Weasel, em Women's Studies Quarterly Vol. 30, No. 3/4, Fall/Winter 2002. [em inglês]
Referências
Categoria:Escritores dos Estados Unidos do século XXI Categoria:Feministas dos Estados Unidos Categoria:Transfeministas Categoria:Ativistas dos direitos intersexo Categoria:Pessoas vivas Categoria:Nascidos em 1975