A musica no Estado de São Paulo é múltipla e conta com a presença de diversos estilos musicais distintos que se consolidam ao longo da história, os estilos vão desde as músicas religiosas das missões jesuíticas, manifestações culturais indígenas, a formação das bandas civis e militares até a musica sertaneja, a MPB, o rock e hip hop.

História

Período Colonial As origens da música do Estado de São Paulo são antigas, é possível identificar a presença da música como manifestação religiosa indígena e, posteriormente com a chegada da missão jesuítica no Brasil no século XVI. A música teve papel importante na missão de catequizar povos indígenas pelos jesuítas, fazendo o músico Antônio Rodrigues ganhar o título de primeiro mestre-escola de São Paulo. No período do século XVII as praças e igrejas desenhavam os perímetros das cidades, sendo tomadas como os centros de socialização, onde os eventos festivos e a música de desenvolviam. Os indígenas tinham grande importância para a música na época, pois, na época da catequização, na falta de músicos entre os colonizadores, eram os indígenas instrumentistas que tocavam nas igrejas.

Nesse período também estavam presentes as festas civis, que eram uma oportunidade de lazer para os moradores de São Paulo. As festas civis eram o ponto de encontro entre diversas classes da sociedade. A participação civil ocorria através da música e da dança.

As festividades feitas dentro das organizações do povo africano escravizado também tiveram papel importante na musica paulista do período colonial. As danças e músicas dramáticas introduziam o batuque, característico de suas músicas. Esses eventos não eram oprimidos na época pois tinham cunho religioso e introduziam as representações religiosas católicas.

A Música Paulistana do século XIX As bandas marcaram a história da música de São Paulo no século XIX, estavam presentes nas festividades dos municípios e eram muitas vezes utilizadas para campanhas políticas, seja para líderes ou partidos políticos. Na cidade de São Luiz do Paraitinga por exemplo, as bandas faziam parte de quase todos os eventos da época.

Para além das músicas tocadas por profissionais, no século XIX as cantigas faziam parte do dia-a-dia da crescente população paulistana. As cantigas por exemplo, faziam parte do cotidiano das crianças, seja nas brincadeiras de rua ou nos saraus familiares. As musicas infantis tinham um papel importante na formação educacional das crianças. Um exemplo de cantiga muito conhecida entre as crianças paulistanas que surgiu neste século é a "Ciranda cirandinha".

A Música do século XX O século XX, período do desenvolvimento industrial brasileiro, também foi um período chave para o desenvolvimento da música, com o advento do rádio e a expansão da indústria fonográfica no Brasil, a música popular se desenvolve drasticamente, principalmente a musica popular paulistana.

O Estado de São Paulo passa por diversas mudanças no século XX, no período 1930 o Estado, principalmente a cidade de São Paulo, passa pelo processo de industrialização e urbanização, que ocasionaram modificações na política e na economia. Nesse período de crescimento populacional urbano, surge também a cultura de massa, que vai afetar a música popular brasileira tanto de forma negativa, com a padronização cultura, quanto de forma positiva, com a introdução de novas técnicas musicais que aprimoraram o meio artístico. O processo de modernização, além de trazer inovações para a indústria fonográfica, também tinha caráter passadista, aderindo os ritmos e batuques das músicas do meio rural e do folclore brasileiro. Esse meio inovador tinha relação com a vontade por parte dos artistas em encontrar uma nova forma de produção musical. Esse novo movimento da musica no meio urbano vai ser chamado de "brasilidade modernista", e pode ser encontrada no samba, no choro e no frevo da época.

Com o advento da radiofonia, na década de 1930, as formas de produção e distribuição da música paulistana se modificaram radicalmente. O rádio foi importante na consolidação da música popular paulista, que é caracterizada pela sua pluralidade de estilos musicais e uma fusão de técnicas que traziam elementos da musica religiosa, profana, rural, urbana, africana e de outros imigrantes. O rádio era quem ditava os novos estilos musicais dominantes e os novos artistas famosos da época. Também foi graças ao advento do rádio que diversos artistas puderam se profissionalizar.

Com as inovações dessa nova era no estado, a vida social da população paulistana também se modificou, com a criação de novos espaços de lazer e entretenimento que, por consequência, aumentou a atividade musical. Diante disso, os teatros musicados ganham cada vez mais força no espaço urbano, promovendo novos instrumentistas, músicos, obras e artistas. Já na segunda metade do século, nos anos de 1970, as discotecas tomam as ruas dos espaços urbanos de São Paulo e elas, surge também a carreira dos Disc Jockeys(Djs). Anos mais tarde, na década de 1980, as discotecas dão espaço para as casas noturnas, onde novos estilos musicais como o rock e o hip hop. Algumas casas noturnas famosas da época são: Rose Bom Bom, Madame Satã e AeroAnta.

Estilos musicais consolidados

O samba paulistano O samba paulistano tem suas origens no interior do estado, em fazendas cafeeiras. Se desenvolveu inicialmente nas festas religiosas e profanas, como a Festa do Bom Jesus de Pirapora e os Carnavais de rua paulistanos. Por isso, o samba paulistano continha muitos elementos do meio rural, como o linguajar caipira, o batuque e a viola. Ao longo de sua história, o samba paulistano se concentrou nos bairros predominados pelas comunidades afrodescendentes e de imigrantes, como os bairros Barra Funda e Bixiga.

No bairro Barra Funda, é possível apontar o Largo da Banana, localizado perto da estação de trem Barra Funda. Surgiu entre a passagem do século XIX para o século XX, inicialmente recebeu esse nome de forma informal, pois na localidade era comum a venda de bananas. Nas redondezas residiam populações negras e imigrantes, que cultivaram a cultura do samba em seus momentos de lazer. A região ficou conhecida como o berço do Samba.

O bairro Bela Vista, mais conhecido como Bixiga, é uma das regiões paulistas percursoras do samba paulistano, o bairro é conhecido por sua população imigrante vinda da Itália e também por sua herança africana, pois desde a época da escravatura a população negra residia na área. As rodas de samba eram tradição da população local, a roda de samba mais conhecida pelos moradores é a "Toca da Capivara" fundado por Victor Cavalcante, e acontecida todos os sábados. Anos mais tarde, uma nova roda de samba que ficou conhecida no bairro foi a "Samba da Treze" localizada na rua Treze de Maio, idealizada pelo grupo Madeira de Lei.

Com a popularização do samba carioca através das rádios, o samba paulistano acabou perdendo seu protagonismo, mas, as populações locais preservam a cultura do samba, musica, rodas de samba e carnaval, até os dias atuais.

O Carnaval Paulistano A cultura do carnaval paulistano surge no início do século XX e tem origens nas festas de rua que eram promovidas por moradores dos bairros próximos ao centro da cidade de São Paulo, esses bairros eram ocupados por imigrantes e populações negras. Apesar de ser uma festa promovida pelas populações locais, o Estado também era responsável por estipular as datas da folia ( assim como acontece nos dias de hoje).

A musica característica do carnaval, o samba, tem origem na cultura africana, incorporando o batuque nas produções musicais. No seu início haviam três lugares da cidade que eram conhecidos por seus carnavais, como o Centro, onde as camadas mais populares se reuniam, no bairro do Brás, conhecida pelo carnaval dos imigrantes, e a Avenida Paulista, conhecida pelo desfile do corso, o "carnaval das elites".

Hip Hop O hip hop é um movimento que surgiu nos EUA, na década de 1970, e só nos anos de 1980 chega ao Brasil na cidade de São Paulo com os dançarinos de breakdance. Os dançarinos se reuniam na Galeria 24 de Maio e na Estação São Bento, inicialmente ouviam e dançavam as musicas americanas. Logo após a chegada da dança, a musica da cultura do hip hop, o rap, começou a ser produzida em território paulistano.

O rap era produzido nas periferias de São Paulo, e com o passar dos anos foi se consolidando como um estilo musical brasileiro, sofrendo influências do funk, samba e reggae. Na década de 1990 o hip hop se consolidou como um movimento cultural e político, ganhando cada vez mais visibilidade.

Rock Paulistano O Rock chega ao Brasil na década de 1950, inicialmente é por meio do cinema que os brasileiros tem seus primeiros contatos com o gênero do rock, através de filmes como "Sementes da violência" e "Ao balanço das horas", que continham músicas das bandas Bill Haley and His Comets, The Platters, Freddie Bell and the Bellboys. Neste mesmo período os filmes estrelados por Elvis Presley, considerado o rei do rock americano, também faziam sucesso nos cinemas brasileiros. A música "Ronda das Horas", interpretada pela cantora brasileira Nora Ney, é uma faixa retirada do filme "Ao balanço das horas", foi considerado como o primeiro compacto de rock gravado no Brasil, dando origem ao movimento do rock brasileiro. Também é possível apontar a cantora Celly Campello como uma das percursoras do rock brasileiro com a gravação da música "Estúpido Cupido", tradução da música "Estupid Cupid", interpretada pela cantora Connie Francis.

O Rock paulistano se consolidou nos anos de 1980, num período de crise da economia brasileira, com o processo de desindustrialização e da emergência dos movimentos sociais juvenis a favor de um governo democrático brasileiro. Foi durante o período de 1983 a 1987 o rock brasileiro (em especial o rock paulista) esteve em seu auge, mas foi durante os primeiros dois anos da década de 1980 que as bandas que fizeram sucesso durante esse período começaram a surgir, como a banda Ira!, que surgiu em 1981 e a banda Titãs, em 1982. As bandas paulistas surgiram dentro de movimentos alternativos da sociedade da época, como o punk e o pós-punk. Também é possível citar a vanguarda paulista como uma das percursoras desse novo estilo de rock, o movimento era comandado por estudantes universitários paulistanos e tinham como objetivo experimentar novas formas de se produzir música. Por tal motivo, a vanguarda paulistana não agradava a indústria fonográfica da época, a produção musical vanguardista era independente.

Principais artistas Por possuir uma extensão demográfica considerável, o Estado de São Paulo abriga diversos estilos musicais diferentes e, por consequência, é o berço de diversos artistas brasileiros consagrados dentro e fora do país. Alguns dos mais conhecidos são:

Adoniran Barbosa: nascido em Valinhos, interior de São Paulo, João Rubinato (nome de bastismo) é considerado o pai do samba paulista. Suas musicas tinham linguagem informal e tratavam do cotidiano paulistano, algumas de suas músicas mais conhecidas são "Trem das Onze" e "Saudosa Maloca".

Emicida: nascido na cidade de São Paulo, o compositor cantor e produtor musical faz parte do movimento do rap paulista e aborda temas sociais em suas letras, algumas mais conhecidas são "Passarinhos" e "AmarElo".

Rita Lee: cantora, compositora escritora e ativista, a artista era considerada pelo público como "a rainha do rock brasileiro", teve o início de sua carreira nos anos 1970. A cantora emplacou muitos sucessos no mundo do rock, sendo alguns deles "lança perfume" e "ovelha negra".

Racionais Mc's: um grupo de rap paulistano criado em 1988 e é formado por Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay, o grupo surgiu junto com o movimento do hip hop, também em São Paulo. Algumas de suas músicas mais conhecidas são "Nego Drama" e "Vida Loka, Pt 1".

Ver também

Hip Hop no Brasil Rap no Brasil Cidade de São Paulo

Referências

Categoria:Samba de roda