miniatura|240px|O pátio externo da prisão do Bastião Trubetskoy, na Fortaleza de Pedro e Paulo, na década de 1920.

A execução dos grão-duques na Fortaleza de Pedro e Paulo foi o fuzilamento de quatro grão-duques russos da dinastia Romanov no final de janeiro de 1919. A ação ocorreu por decisão da Tcheka, que os manteve como reféns e ordenou a execução por retaliação ao assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht na Alemanha.

Os grão-duques mortos, Nicolau Mikhailovich, Jorge Mikhailovich, Dmitri Constantinovich e Paulo Alexandrovich, foram canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior como parte do conjunto dos novos mártires.

Prisão Em 26 de março de 1918, no jornal Krasnaia Gazeta da cidade de Petrogrado, foi publicado um decreto assinado por G. Zinoviev e M. Uritski:

Após o assassinato do grão-duque Miguel Alexandrovich em Perm, as autoridades centrais e locais disseminaram-se oficialmente informações falsas sobre a sua "fuga". Depois disso, as condições de detenção para representantes da ex-Casa Imperial Russa foram endurecidas. Foi divulgado: Vologda. 1º de julho, PTA. Foram presos os grão-duques Nicolau Mikhailovich, Jorge Mikhailovich e Dmitri Constantinovich.

miniatura|240px|O ex-príncipe de sangue imperial Gabriel Constantinovich, com sua esposa Antonina Nesterovskaya, na década de 1920. Primeiro, eles foram colocados na prisão de Vologda e, três semanas depois, a Tcheka de Petrogrado os transferiu para a Casa de Detenção Preventiva de Petrogrado e, posteriormente, para a Fortaleza de Pedro e Paulo. A condição de prisioneiros também passou a valer para os que permaneceram em Petrogrado: o grão-duque Paulo Alexandrovich e o príncipe de sangue imperial Gabriel Constantinovich. O último conseguiu escapar do destino comum: Gabriel Constantinovich foi preso em 15 de agosto de 1918 e passou cerca de um mês na prisão. Sua esposa, a ex-bailarina Antonina Nesterovskaya, alegando que ele sofria de tuberculose e recorrendo a Maksim Górki, travou uma intensa campanha e obteve sua libertação. Logo depois, receberam autorização para deixar o país e partiram para a Finlândia e, mais tarde, para a França. Os irmãos de Gabriel Constantinovich, João, Igor e Constantino Constantinovich, foram, todavia, fuzilados perto de Alapayevsk (conhecidos como "mártires de Alapayevsk").

Maksim Górki também solicitou a Lenin clemência para Nicolau Mikhailovich, que era respeitado até mesmo entre os altos círculos bolcheviques por seus valiosos trabalhos históricos e pelo pensamento avançado que lhe era amplamente reconhecido. A revolução não precisa de historiadores, teria respondido Lenin.Alexandre Mikhailovich. Capítulo XIX. Depois da Tempestade – Livro de Memórias (em russo). Paris, 1933-1934. Biblioteca da Rússia Ilustrada. Livros 37, 38, 48. Em uma sessão do Conselho de Comissários do Povo da RSFSR, presidida por Lenin, em 16 de janeiro de 1919, foi analisada a petição da Academia de Ciências da Rússia para a libertação do grão-duque Nicolau Mikhailovich, reconhecido historiador e cientista. A decisão final do Sovnarkom foi: Solicitar informações à Tcheka de Petrogrado e ao camarada Eliava e adiar a resolução da questão até receber a resposta, caso o camarada Lunacharski não forneça dados completos até lá. O assunto não voltou a ser discutido, mas no mesmo processo consta a resposta da Tcheka de Petrogrado: A Comissão Extraordinária para o Combate à Contrarrevolução e à Especulação, junto ao Conselho das Comunas da Região Norte, considera que não se deve fazer exceção para o ex-grão-duque N. M. Romanov.

Execução Após o atentado contra Lenin e o assassinato de Moisei Uritski, em 30 de agosto de 1918, foi declarado o Terror Vermelho. Em muitos jornais, noticiou-se:

Como resultado, os parentes do ex-czar foram executados como reféns. Posteriormente, as autoridades afirmaram que a execução havia sido uma resposta ao assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht na Alemanha, embora a decisão sobre a execução tenha sido tomada em 9 de janeiro de 1919, enquanto Luxemburgo e Liebknecht só foram mortos em 15 de janeiro.

Em 9 de janeiro de 1919, o Presidium da Tcheka, cuja sessão participaram Iakov Peterss, Martin Latsis, Ivan Ksenofontov e o secretário O. Ia. Murnek, emitiu a seguinte resolução: Aprovar a sentença da Tcheka contra as pessoas da antiga camarilha imperial, comunicando isso ao Comitê Executivo Central.Ata da reunião do Presidium de 9 de janeiro (em russo). Arquivo da Cheka: Coleção de documentos. Ed. V. Vinogradov, A. Litvin, V. Khristoforov; compilado por V. Vinogradov, N. Peremyshlnikova. Moscou: Kuchkovo Pole, 2007. ISBN 978-5-9950-0004-4.

O pelotão de execução foi comandado pelo guarda prisional Gordienko, que, segundo o grão-duque Alexandre Mikhailovich, irmão de dois grão-duques mortos na ocasião, havia recebido anteriormente valiosos presentes do Gabinete de Sua Majestade.

A viúva do grão-duque Paulo Alexandrovich, a princesa Olga Paley, escreveu:

A notícia da execução dos grão-duques foi publicada em 31 de janeiro de 1919 no jornal Petrográdskaia Pravda, sem indicação das causas da execução, nem do local ou da data. Posteriormente, essa represália passou a ser explicada como uma resposta ao assassinato, em Berlim, de Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo.Margolis A.D. A Primeira Ilha do Arquipélago Gulag (em russo). Memorial 7ª leitura biográfica "Direito a um Nome: Biografias do Século XX": coleção 2010.

Alexandre Mikhailovich escreveu:

Um dos líderes mencheviques, Julius Martov, publicou em 6 de fevereiro de 1919 o artigo "Vergonha!" no jornal de esquerda socialista-revolucionário de Petrogrado, Sempre Avante!, dedicado à execução dos grão-duques. No texto, Martov afirmava que a execução dos grão-duques representava mais uma demonstração de "crueldade sem sentido do regime sangrento dos bolcheviques" e que tais execuções sumárias "prejudicavam a própria causa da revolução", especialmente no cenário internacional. Lembrando que os grão-duques foram mortos sob a justificativa de slogans socialistas, Martov defendia que, para um verdadeiro socialista, a vida de cada grão-duque "não é menos inviolável do que a vida de qualquer outro cidadão", e classificou a própria execução como uma "atrocidade".Kudrina Yu. V. Maria Feodorovna. Molodaya Gvardiya, 2009. p. 560. (em russo). ISBN 978-5-235-03220-0.

Local de sepultamento Os pesquisadores esclarecem que o local da execução mencionado por Olga Paley não corresponde à área do atual conjunto de edifícios dentro da fortaleza, mas sim ao terreno das construções que ficavam fora de seus muros, no polígono de Kronverk, próximo ao Bastião Golovkin. Gabriel Constantinovich, todavia, confirmou que o sepultamento ocorreu no pátio.""Dmitri Constantinovich, Nicolau e Jorge Mikhailovich, exilados em Vologda, onde gozavam de relativa liberdade, foram presos no final do verão de 1918, transportados para Petrogrado e, assim como Paulo Alexandrovich, colocados em um centro de detenção preventiva. Em janeiro de 1919, todos foram executados na Fortaleza de Pedro e Paulo e enterrados no pátio da mesma." – Gabriel Constantinovich

É provável que as vítimas tenham sido enterradas no próprio local da execução, em uma vala comum. Há relatos de contemporâneos de que junto ao muro foram sepultados dezessete corpos, incluindo os quatro grão-duques.

De qualquer forma, os Romanov mortos acabaram sendo enterrados nas proximidades imediatas da principal necrópole da família Romanov, localizada na Catedral de Pedro e Paulo.

Em março de 2009, o Museu de História de São Petersburgo (Fortaleza de Pedro e Paulo) enviou uma solicitação ao Departamento do FSB da Federação Russa para São Petersburgo e região de Leningrado sobre informações relativas à execução dos grão-duques em 30 de janeiro de 1919. Em 14 de abril de 2009, foi recebida a resposta informando a ausência, no arquivo do Departamento, de dados sobre o local da execução e do sepultamento.A Execução dos Grão-Duques: O Caso Foi Arquivado (em russo). Arquivado em 1 de junho de 2013. Consultado em 23 de maio de 2013.

Canonização Os grão-duques Jorge Mikhailovich, Dmitri Constantinovich e Paulo Alexandrovich foram canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior, como parte do conjunto dos Novos Mártires Russos, em 1 de novembro de 1981. A memória do conjunto dos Novos Mártires e Confessores Russos é celebrada no último domingo de janeiro.Lista dos Novos Mártires e Confessores da Rússia. Arquivado do original em 22 de março de 2018. Consultado em 14 de dezembro de 2019. Assim como outros príncipes mortos canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior (exceto a família imperial e Isabel Feodorovna), eles não são reconhecidos pela Igreja Ortodoxa Russa.

Ver também Execução da família Romanov Mártires de Alapayevsk

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