Durante a Crise na Venezuela, os Estados Unidos aplicaram sanções contra entidades específicas do governo da Venezuela e indivíduos associados à administração de Nicolás Maduro, juntamente com as sanções aplicadas pela União Europeia, Canadá, México, Panamá e Suíça. Até abril de 2019, os EUA haviam sancionado mais de 150 empresas, embarcações e indivíduos, além de revogar os vistos de 718 pessoas.
As primeiras sanções vieram em resposta à repressão durante os protestos de 2014 e os protestos de 2017, bem como a atividades tanto durante a eleição da Assembleia Nacional Constituinte de 2017 quanto durante a eleição presidencial de 2018. Sanções foram impostas a atuais e ex-funcionários do governo, incluindo membros do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e da Assembleia Nacional Constituinte de 2017 (ANC), membros das forças armadas e de segurança, e indivíduos do setor privado acusados de envolvimento em violações de direitos humanos, deterioração do Estado de direito, repressão da democracia e corrupção. Em março de 2015, o governo dos EUA sob Barack Obama impôs sanções de bens e vistos contra 110 indivíduos venezuelanos e oito entidades. Em agosto de 2017, a administração de Donald Trump impôs sanções que proibiram o acesso da Venezuela aos mercados financeiros dos EUA e, em maio de 2018, ampliou-as para bloquear a compra de dívida venezuelana.
A partir de janeiro de 2019, durante a crise presidencial venezuelana, os EUA aplicaram sanções econômicas adicionais a indivíduos ou empresas dos setores de petróleo, ouro, mineração e bancário, além de a um programa de subsídio alimentar. Empresas do setor petrolífero contornaram as sanções à empresa estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, para continuar os embarques de petróleo. Em outubro de 2023, a administração de Joe Biden suspendeu temporariamente algumas sanções dos EUA sobre as indústrias de petróleo, gás e ouro em troca da promessa de libertação de presos políticos e da realização de eleições livres em 2024. A maior parte das sanções foi restabelecida em abril, quando o Departamento de Estado dos EUA declarou que o Acordo de Barbados para realização de eleições livres não havia sido plenamente cumprido, embora isenções tenham sido concedidas a algumas empresas na forma de licenças individuais para continuar operando no setor de petróleo.
Até abril de 2019, os EUA haviam sancionado mais de 150 empresas, embarcações e indivíduos, além de revogar os vistos de 718 pessoas associadas a Maduro.
História e legislação thumb|Hugo Carvajal em 2016; o ex-chefe de inteligência e confidente de Chávez foi sancionado pelos Estados Unidos em 2008, preso na Espanha em 2019 e declarou-se culpado de acusações de narcoterrorismo nos Estados Unidos em 2025. Os Estados Unidos demonstravam preocupação com o tráfico de narcóticos venezuelano desde 2005 e com a falta de cooperação da Venezuela no combate ao terrorismo desde 2006. Os Estados Unidos implementaram sanções como instrumento de política para combater atividades relacionadas ao terrorismo, bem como tráfico de drogas e de pessoas, corrupção e violações de direitos humanos, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso. Em 2008, a Ordem Executiva (Executive Order, EO) 13224 buscou reduzir o financiamento do terrorismo na Venezuela por meio de sanções; o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos tem usado a Lei de Designação de Chefões do Narcotráfico Estrangeiro (Kingpin Act) para sancionar pelo menos 22 venezuelanos até 2019.
Antes da atual Crise na Venezuela, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Office of Foreign Assets Control, OFAC) sancionou três funcionários do governo venezuelano, atuais ou antigos, em 2008, afirmando haver evidências de que eles ajudaram materialmente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no tráfico de drogas. A ordem "[congelou] quaisquer bens que as entidades e indivíduos designados possam ter sob jurisdição dos Estados Unidos e [proibiu] que pessoas dos Estados Unidos realizem transações financeiras ou comerciais envolvendo [esses] bens" de Hugo Carvajal, ex-diretor da Direção Geral de Inteligência Militar (DGIM) da Venezuela; Henry Rangel Silva, diretor da Diretoria Nacional de Serviços de Inteligência e Prevenção (DISIP); e Ramón Rodríguez Chacín, ex-ministro do Interior. Em 2021, Carvajal foi preso pela polícia espanhola em Madri e extraditado para os Estados Unidos em julho de 2023. Ele se declarou culpado de todas as acusações em um tribunal dos Estados Unidos em 2025.
Em 2011, quatro aliados de Hugo Chávez, incluindo um general, dois políticos e um agente de inteligência, foram sancionados por supostamente ajudarem as FARC a obter armas e contrabandear drogas.
O presidente dos Estados Unidos Barack Obama sancionou a Lei de Defesa dos Direitos Humanos e da Sociedade Civil da Venezuela de 2014 (Venezuela Defense of Human Rights and Civil Society Act of 2014), impondo sanções a indivíduos venezuelanos considerados responsáveis pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos durante os Protestos na Venezuela em 2014. A lei foi prorrogada em 2016 até 31 de dezembro de 2019. Em 2 de fevereiro de 2015, o Departamento de Estado dos Estados Unidos impôs restrições de visto a funcionários venezuelanos ligados a supostas violações de direitos humanos e corrupção política. As restrições de visto incluíam os familiares. Obama emitiu a Ordem Executiva 13692 em março de 2015 para bloquear bens ou impor proibições de viagem àqueles "envolvidos ou responsáveis pela erosão das garantias de direitos humanos, perseguição de opositores políticos, restrição das liberdades de imprensa, uso de violência e violações e abusos de direitos humanos em resposta a protestos antigovernamentais, e prisão e detenção arbitrária de manifestantes antigoverno, bem como significativa corrupção pública por altos funcionários do governo no país".
Os Estados Unidos mantiveram sanções amplas e direcionadas contra a liderança dos governos de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Até 2020, Trump expressou que acreditava que a remoção de Maduro do cargo estava ocorrendo de forma muito lenta e que processos graduais, como sanções, não produziam resultados; ele passou a considerar opções militares, incluindo um bloqueio naval.
Sobre indivíduos No âmbito da Ordem Executiva 13692, o governo Obama sancionou 7 indivíduos, e o governo Trump havia sancionado 73 até 8 de março de 2019. Em 7 de agosto de 2023, o Serviço de Pesquisa do Congresso afirmou que os Estados Unidos mantinham sanções sobre mais de 110 indivíduos.
2015 Obama emitiu uma ordem presidencial em 9 de março de 2015 declarando a Venezuela uma "ameaça à [segurança nacional dos EUA]" e ordenou ao Departamento do Tesouro que congelasse os bens e ativos de sete funcionários venezuelanos que considerava responsáveis por violações de direitos humanos, repressão e por pelo menos 43 mortes durante manifestações. Entre os sancionados estavam Antonio Benavides Torres, ex-comandante da Guarda Nacional Bolivariana, e os diretores do SEBIN Manuel Bernal Martínez e Gustavo González López.
2017 thumb|upright=0.9|Tibisay Lucena (morta em 2023), sancionada por seu papel nas eleições venezuelanas Tareck El Aissami, vice-presidente da Economia e ministro da Indústria e Produção Nacional, e seu laranja Samark Jose Lopez Bello foram apontados em fevereiro, ao abrigo da Lei de Designação de Chefes do Narcotráfico Estrangeiro (Kingpin Act), como importantes traficantes internacionais de drogas. Cinco empresas norte-americanas na Flórida e um avião registrado nos Estados Unidos também foram bloqueados.
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Maikel Moreno e sete membros do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela (TSJ) em maio, por usurparem as funções da Assembleia Nacional venezuelana e permitirem que Maduro governasse por decreto.
Em julho, treze altos funcionários do governo venezuelano associados às eleições da Assembleia Nacional Constituinte de 2017 foram sancionados pelo que os Estados Unidos qualificaram como seu papel em minar a democracia e os direitos humanos. Entre os sancionados estavam Elías Jaua, presidente da Comissão Presidencial para a ANC e ministro da Educação; Tibisay Lucena, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) controlado por Maduro; Néstor Reverol, ministro do Interior e ex-comandante-geral da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), acusado em 2016 nos EUA de conspiração para o tráfico de drogas; Tarek William Saab, defensor do povo e presidente do Conselho Moral; e Iris Varela, membro da ANC e ministra das Prisões.
thumb|upright=0.85|esquerda|Freddy Bernal em 2003 O Departamento de Estado dos EUA condenou a eleição da Assembleia Constituinte venezuelana e recusou-se a reconhecê-la. No dia seguinte à eleição, os Estados Unidos sancionaram Maduro, afirmando que a eleição "aspira, de forma ilegítima, usurpar o papel constitucional da Assembleia Nacional democraticamente eleita, reescrever a constituição e impor um regime autoritário". Maduro tornou-se o quarto chefe de Estado a ser sancionado pelo governo dos EUA, depois de Bashar al-Assad da Síria, Kim Jong-un da Coreia do Norte e Robert Mugabe do Zimbábue. Maduro respondeu às sanções durante seu discurso de vitória dizendo: "Eu não obedeço a ordens imperiais. Sou contra a Ku Klux Klan que governa a Casa Branca, e tenho orgulho de sentir isso."
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou oito funcionários associados à Assembleia Nacional Constituinte de 2017 (ANC) em agosto, por participarem de "ações antidemocráticas, de acordo com a Ordem Executiva 13692", ao facilitarem a "Assembleia Constituinte ilegítima para aprofundar a ditadura de [Maduro]". Os indivíduos sancionados incluíam Francisco Ameliach e Adán Chávez, irmão de Hugo Chávez.
Em novembro, outros dez funcionários do governo foram adicionados à lista da OFAC de venezuelanos sancionados após as eleições regionais de 2017; o Departamento do Tesouro descreveu os indivíduos como "associados a ações que minam processos eleitorais, à censura da mídia ou à corrupção em programas de distribuição de alimentos administrados pelo governo na Venezuela". Entre os sancionados estava o ministro Freddy Bernal, que chefiava o programa de subsídio alimentar dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP) e havia sido anteriormente apontado, em 2011, como traficante de drogas nos termos da Kingpin Act por auxiliar as FARC.
2018
O Departamento do Tesouro dos EUA afirmou, em 5 de janeiro, que a corrupção e a repressão continuavam na Venezuela e sancionou quatro altos oficiais militares. Outros quatro funcionários atuais ou antigos foram adicionados à lista de sancionados em março de 2018.
Pouco antes da eleição presidencial venezuelana de 2018, os Estados Unidos sancionaram quatro venezuelanos e três empresas que, segundo Washington, estavam envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo Diosdado Cabello, o número dois do Chavismo e presidente da ANC, a esposa de Cabello, Marleny Contreras Hernández de Cabello, ministra do Turismo da Venezuela, e o irmão de Cabello, José David Cabello Rondón, presidente da autoridade tributária SENIAT. As empresas da Flórida eram de propriedade ou controladas pelo laranja sancionado Rafael Sarria. Outros quatorze imóveis de Sarria na Flórida e em Nova Iorque também foram sancionados. O Departamento do Tesouro afirmou que os irmãos Cabello haviam "aprovado um esquema de lavagem de dinheiro baseado em atividades financeiras ilícitas direcionadas à empresa petrolífera estatal venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA)".