Good Night Stories for Rebel Girls, lançado no Brasil como Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes e em Portugal como Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, é o primeiro de série de livros contando a história de cem mulheres notáveis na forma de contos de ninar, para um público-alvo de 6 a 9 anos. Lançada em 2016 através de uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Kickstarter, o projeto alcançou uma marca 15 vezes superior ao orçamento inicial de 40 mil dólares, quebrando os recordes da plataforma para o financiamento coletivo de obras literárias.

O primeiro livro, com o subtítulo Cem fábulas sobre mulheres extraordinárias (em Portugal, Cem histórias sobre mulheres extraordinárias) traz de forma sucinta histórias de cem mulheres inspiradoras, de Frida Kahlo à Cleópatra, passando pelo ativismo de Malala Yousafzai e o gênio visionário de Ada Lovelace, assim como as brasileiras Cora Coralina e Maya Gabeira, com textos simples, de uma página, acompanhadas de uma ilustração, também desenhadas por mulheres.

A primeira edição figurou na lista de livros infantis mais vendidos do New York Times por 39 semanas, sendo traduzido para 50 idiomas e publicado em mais de 110 países. Uma versão expandida do primeiro livro foi lançada em 2025, incluindo 22 histórias adicionais.

O segundo volume da série, Good Night Stories for Rebel Girls 2, também foi financiado através do Kickstarter no ano de 2017, superando o valor recorde do primeiro volume e sendo o projeto com o financiamento mais rapidamente atingido na plataforma até então.

Ilustrações A primeira edição do livro conta com a participação da artista portuguesa Helena Morais Soares, responsável pelos desenhos que ilustram as histórias de Miriam Makeba e Frida Kahlo. Já a segunda edição conta com a portuguesa Joana Estrela, que ilustrou as histórias da astrofísica Sara Seager e da ativista norte-coreana Park Yeon-mi.

Recepção

O primeiro livro vendeu mais de um milhão de cópias até 2017, com a série chegando a 7 milhões de exemplares vendidos em 2021. Críticos o avaliaram positivamente como sendo uma alternativa a como meninas e mulheres são retratadas na ficção (tais como princesas da Disney), ou livros sobre heróis tipicamente masculinos. Ele foca em contar a meninas que elas podem ser o que quiserem ser quando crescer, independente da opinião de outras pessoas.

Em setembro de 2019, o conselho do governo turco para a proteção de menores contra publicações obscenas determinou que o livro só poderia ser vendido a adultos e deveria ser mantido fora da vista nas lojas, afirmando que "alguns dos escritos no livro terão uma influência prejudicial na mente de menores de 18 anos".

A inclusão de Aung San Suu Kyi no livro foi criticada por ela não ter condenado a perseguição em curso aos rohingya em Myanmar. Favilli e Cavallo comentaram que consideram (mas não se comprometem a) removê-la de futuras edições do livro.

Tricia Lowther criticou o título do livro por exclusividade de gênero, considerando que ele implica que apenas meninas deveriam aprender sobre as mulheres no livro.

Em Portugal, a comentarista de livros Paula Cosme Pinto do jornal Expresso publicou: "Espero que a ironia da palavra ‘rebeldes’ no título do livro um dia deixe de ser necessária. Mas para já, sim, é uma rebeldia dar prioridade a exemplos femininos enquanto fonte de inspiração. Vivemos num mundo onde os heróis são maioritariamente masculinos. Mais uma vez, nada contra a homens que são super-heróis, obviamente. Mas não continuemos a fazer deles heróis maiores e tantas vezes exclusivos, esquecendo ou menosprezando as múltiplas qualidades e capacidades de tantas mulheres mundo fora, cujos feitos extraordinários são igualmente heroicos e geniais. Se o mundo da ficção ainda não consegue ter ideias para fazê-lo com a constância com que o faz para a figura masculina, então deixemos que a realidade sirva de fonte de inspiração. Este é um belíssimo exemplo de como isso é possível."

Série de livros

Outros livros (spin-off) da série foram lançados, tais como 100 Immigrant Women Who Changed the World (lançado em 2021 no Brasil como Historias de Ninar para Garotas Rebeldes: 100 mulheres imigrantes que mudaram o mundo) e Rebel Girls Celebrate Pride (lançado em Portugal como Raparigas Rebeldes - Celebrar o Orgulho), com 25 histórias de pessoas da comunidade LGBT, assim como uma série voltada para adolescentes, Growing Up Powerful.

Em 2023 houve o lançamento de uma versão exclusiva brasileira: Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes: 100 Brasileiras Extraordinárias, com perfis que vão desde as artes, com Clarice Lispector e Conceição Evaristo até a política, com Dilma Rousseff e Marielle Franco.

Em 2025, foi lançada 100 Mulheres Negras Extraordinárias, com o foco em mulheres negras, como a jogadora de tênis Naomi Osaka, figuras históricas como a aviadora Bessie Coleman, a cineasta Ava DuVernay, a musa do soul Aretha Franklin, a ativista Angela Davis e a política e ativista brasileira Erika Hilton, dentre outas.

A série de livros inspirou uma série semelhante voltada para um público masculino, Stories for Boys Who Dare to be Different (publicada no Brasil como Histórias para Rapazes Que Ousam Ser Diferente), escrita por Ben Brooks e ilustrada por Quinton Winter. Ambos também colaboraram em um livro voltado para um público neutro em termos de gênero, contendo uma mistura de modelos masculinos e femininos, Stories for Kids Who Dare to be Different, lançado em Portugal como Histórias para Ti que Ousas Ser Diferente.

O sucesso da série serviu como inspiração para publicações brasileiras com temática semelhante, como 50 Brasileiras Incríveis para conhecer antes de crescer, de Débora Thomé.

Podcast

Em 2018 foi lançado um podcast com o nome do livro na edição brasileira: Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes, produzido pela B9 com participações de Daniela Mercury, Jout Jout e Estela Renner.

Mulheres retratadas Segue a lista de personalidades retratadas no primeiro livro:

Ada Lovelace, matemática Alek Wek, supermodelo Alfonsina Strada, ciclista Alicia Alonso, bailarina Ameenah Gurib-Fakim, presidenta e cientista Amelia Earhart, aviadora Amna Al Haddad, halterofilista Ann Makosinski, inventora Anna Politkovskaya, jornalista Artemisia Gentileschi, pintora Ashley Fiolek, motociclista Astrid Lindgren, escritora Aung San Suu Kyi, política Balkissa Chaibou, ativista Brenda Chapman, diretora Catarina, A Grande, imperatriz Cholitas Escaladoras, alpinistas Claudia Ruggerini, partidária Cleópatra, rainha Coco Chanel, estilista Cora Coralina, poetisa e confeiteira Coy Mathis, aluna do ensino fundamental Elizabeth I, rainha Eufrosina Cruz, ativista e política Evita Perón, política Fadumo Dayib, política Florence Nightingale, enfermeira Frida Kahlo, pintora Grace Hopper, cientista da computação Grace O'Malley, pirata Harriet Tubman, defensora da liberdade Hatshepsut, rainha Helen Keller, ativista Hillary Rodham Clinton, política Hipátia, matemática e filósofa Irena Sendlerowa, heroína de guerra Irmãs Brontë, escritoras Irmãs Mirabal, ativistas Isabel Allende, escritora Jacquotte Delahaye, pirata Jane Austen, escritora Jane Goodall, primatóloga Jessica Watson, marinheira Jill Tarter, astrônoma Jingu, imperatriz Joan Jett, estrela do rock Julia Child, chefe de cozinha Kate Sheppard, sufragista Lakshmi Bai, rainha e guerreira Lella Lombardi, pilota de Fórmula 1 Lozen, guerreira Mae C. Jemison, astronauta e médica Malala Yousafzai, ativista Manal Al-Sharif, ativista Margaret Hamilton, cientista da computação Margaret Thatcher, primeira-ministra Margherita Hack, astrofísica Maria Callas, cantora de ópera Maria Montessori, médica e educadora Maria Reiche, arqueóloga Maria Sibylla Merian, naturalista Marie Curie, cientista Mary Anning, paleontóloga Mary Edwards Walker, cirurgiã Mary Kom, boxeadora Matilde Montoya, médica Maud Stevens Wagner, tatuadora Maya Angelou, escritora Maya Gabeira, surfista Melba Liston, trombonista Michaela Deprince, bailarina Michelle Obama, advorada e ex-primeira-dama Millo Castro Zaldarriaga, baterista Miriam Makeba, ativista e cantora Misty Copeland, bailarina Nancy Wake, espiã Nanny dos Maroons, rainha Nellie Bly, jornalista Nettie Stevens, geneticista Nina Simone, cantora Policarpa Salavarrieta, espiã Rita Levi Montalcini, cientista Rosa Parks, ativista Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte Ruth Harkness, exploradora Seondeok de Silla, rainha Serena e Venus Williams, tenistas Simone Biles, ginasta Sonita Alizadeh, rapper Sylvia Earle, bióloga marinha Tamara de Lempicka, pintora Virginia Woolf, escritora Wang Zhenyi, astrônoma Wangari Maathai, ativista Wilma Rudolph, atleta Xian Zhang, maestra Yaa Asantewaa, rainha guerreira Yoko Ono, artista Yusra Mardini, nadadora Zaha Hadid, arquiteta

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