Consumer Reports (CR), anteriormente Consumers Union (CU), é uma organização sem fins lucrativos e não partidária norte-americana dedicada a testes independentes e avaliações de produtos, jornalismo investigativo, pesquisas voltadas ao consumidor, educação pública e defesa dos direitos do consumidor. Em 2025, assumiu como presidente e CEO da organização.
Fundada em fevereiro de 1936, a organização conta com mais de cinco milhões de membros e publica conteúdo por meio de seu site e da revista homônima Consumer Reports. Ambos são baseados em assinatura e oferecem análises, classificações, recomendações e orientações sobre uma ampla gama de produtos e serviços. A organização também está presente em outras plataformas digitais. A Consumer Reports mantém uma política de independência, comprando produtos de forma anônima em lojas de varejo e recusando publicidade tradicional. Ao longo de sua história, influenciou legislações de proteção ao consumidor e contribuiu para recalls e redesenhos de produtos.
História direita|miniaturadaimagem|Consumers Want to Know, documentário de 1960 sobre a Consumer Reports Fundada em 1936, a CR foi criada para fornecer informações que permitissem aos consumidores avaliar a segurança e o desempenho dos produtos. Desde então, mantém testes e análises de produtos e serviços e atua na defesa do consumidor em áreas legislativas e regulatórias. Entre as reformas em que a CR teve papel estão a criação de leis de uso obrigatório do cinto de segurança, a exposição dos efeitos do tabagismo na saúde, e, mais recentemente, o fortalecimento da proteção financeira ao consumidor, o aumento do acesso a cuidados de saúde de qualidade e a defesa da privacidade e segurança de dados. Os esforços de defesa da CR concentram-se em melhorar a segurança de produtos e a saúde pública, economizar dinheiro dos consumidores (inclusive em energia e serviços públicos) e garantir a privacidade e a segurança digital.
Fundação e primeiros anos Em 1927, e publicaram o best-seller , que alcançou grande público devido ao movimento consumidor. A demanda por pesquisas de marcas levou Schlink a fundar a empresa em 1927. A organização publicava o boletim Consumers’ Research Bulletin (anteriormente chamado Consumer Club Commodity List). Em 1933, o número de assinantes ultrapassava 42 mil. Nesse ano, a Consumers' Research mudou-se para Nova Iorque. Após a mudança, funcionários começaram a se sindicalizar, alegando salários injustos. Schlink demitiu os grevistas. Os ex-funcionários da Consumers' Research, junto com "jornalistas, engenheiros, acadêmicos e cientistas", fundaram a Consumers Union — hoje conhecida como Consumer Reports — em fevereiro de 1936.Derdak, Thomas, and Laura Rydberg. "Consumers Union". International Directory of Company Histories, edited by Jay P. Pederson, vol. 118, St. James Press, 2011, pp. 115-119. Gale eBooks, link.gale.com/apps/doc/CX1722000031/GVRL?u=euge94201&sid=bookmark-GVRL&xid=ccebf4ee. Consultado em 1 de novembro de 2023. A Consumers Union se diferenciou da Consumers' Research ao criar uma comunidade entre os leitores. Dentro da missão de formar consumidores mais informados, uniu-se a clubes femininos e grupos cívicos, transmitindo uma mensagem progressista. Em 1940, a Consumers Union já superava a Consumers' Research em número de assinantes, alcançando 71 mil.
Resistência Diversas empresas e corporações tentaram suprimir as ações da Consumers Union. Para desacreditar as críticas, o New York Herald Tribune criou um instituto com o objetivo de demonstrar que os esforços de grupos de consumidores eram inúteis, já que as empresas já realizavam extensos testes de produtos.
Mais tarde, o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara (criado em 1938) incluiu a Consumers Union em uma lista de organizações “subversivas”. Isso ocorreu devido à associação da organização com líderes sindicais e à sua recusa em usar publicidade, vista como uma conspiração contra o livre mercado. Posteriormente, a Consumers Union foi retirada da lista, e a tentativa de supressão acabou fortalecendo a opinião pública em seu favor.
Defesa do consumidor Durante a Segunda Guerra Mundial, a Consumers Union apoiou o esforço de guerra. Incentivou seus apoiadores a consumir menos e seguir as políticas governamentais de racionamento. Também criticou empresas que usavam o período de guerra como oportunidade para anunciar produtos, desperdiçando papel.
Na década de 1950, já conhecida como Consumer Reports, a organização realizou análises de cintos de segurança em carros e destacou sua importância. Também alertou sobre os perigos do cigarro. O relatório do Cirurgião-Geral de 1964 sobre tabagismo citou pesquisas da Consumer Reports.
Em 2000, após anos de testes mostrando que muitos SUVs eram propensos a capotamento em curvas fechadas, a Consumer Reports testemunhou perante o Congresso que todos os carros deveriam passar por testes de capotamento como parte de um protocolo nacional de segurança. O teste de capotamento passou a integrar a avaliação de novos veículos pela Administração Nacional de Segurança Rodoviária.
Em 2017, a Consumer Reports liderou um consórcio que estabeleceu o Digital Standard, um conjunto de critérios para medir produtos digitais.
A organização também atuou em outras questões, incluindo:
Tecnologia
Fusão Sprint-T-Mobile: A organização se posicionou contra a fusão, defendendo a escolha do consumidor e a concorrência no setor. Aquisição da Mint pela T-Mobile: A Consumer Reports uniu-se a outros defensores do consumidor para pedir à FCC que impusesse o desbloqueio de celulares como condição para a aquisição da Mint Mobile pela T-Mobile US. Neutralidade de rede: A organização defendeu a manutenção das proteções de neutralidade de rede para oferecer melhores opções aos consumidores. Direito à reparação: Os defensores da Consumer Reports ajudaram a aprovar a primeira lei de “direito à reparação” nos Estados Unidos, em Nova Iorque. Essa lei dá aos consumidores mais opções para consertar produtos tecnológicos, sem depender apenas dos fabricantes ou de serviços autorizados.
Privacidade de dados
Escândalo Cambridge-Analytica: A organização defendeu leis mais rígidas de privacidade após o escândalo Cambridge-Analytica. Lei Estadual de Privacidade de Dados: A Consumer Reports e a EPIC elaboraram uma proposta de Lei Estadual de Privacidade de Dados para melhorar as proteções à privacidade na ausência de uma lei federal.
Inteligência artificial
Clonagem de voz por IA: A Consumer Reports alertou sobre riscos à proteção do consumidor com a proliferação de ferramentas de clonagem de voz por IA. A organização pediu à Comissão Federal do Comércio que ampliasse fiscalização e restrições. A investigação da CR, que mostrou como essas ferramentas podem ser usadas por golpistas para roubo de identidade e fraudes, recebeu o prêmio Anthem.
Justiça financeira
Seguro de automóvel: A Consumer Reports e a ProPublica revelaram disparidades raciais nos prêmios de seguro de carro.
Segurança alimentar
Metais pesados em alimentos infantis: A Consumer Reports participou da aprovação de uma lei que obriga fabricantes a testar alimentos infantis para metais pesados. Após a lei entrar em vigor, a organização, junto com a Unleaded Kids, investigou se as empresas cumpriam a norma e se mais medidas eram necessárias.
Método de avaliação e impacto A revista Consumer Reports utilizava anteriormente uma forma modificada de para comparações qualitativas. Os ideogramas circulares eram dispostos do melhor ao pior. À esquerda do diagrama, o círculo vermelho indicava a melhor classificação, o círculo meio vermelho e meio branco era a segunda melhor, o círculo branco era neutro, o círculo meio preto era a segunda pior e o círculo totalmente preto era a pior classificação possível.
Como parte de um reposicionamento em setembro de 2016, o sistema de classificação da revista foi reformulado. As bolas de Harvey foram substituídas por círculos coloridos: verde para excelente; verde-limão para muito bom; amarelo para bom; laranja para razoável; e vermelho para ruim. A mudança foi justificada como uma forma de tornar as tabelas de classificação mais claras, utilizando uma metáfora “universalmente compreendida”.
Métodos de avaliação e revisão Em 2025, a Consumer Reports já havia publicado mais de 10 mil avaliações e análises independentes de produtos e serviços.
Os métodos da organização são transparentes, permitindo que consumidores e profissionais da indústria compreendam como as pontuações são calculadas. A CR utiliza compradores anônimos para adquirir todos os produtos avaliados em lojas físicas e online. As compras são feitas de forma anônima, e a CR não aceita amostras gratuitas para evitar suborno e garantir que não receba amostras acima da média.
Após a compra, a Consumer Reports conta com dezenas de laboratórios especializados para analisar tudo, desde equipamentos de ginástica até telefones, televisores e alimentos. Os produtos adquiridos passam por testes rigorosos e padronizados. A CR também coleta dados regularmente por meio de pesquisas com associados, incorporando essas informações às avaliações.
Durante grande parte de sua história, a CR evitou contato com especialistas do governo e da indústria “para não comprometer a independência de seu julgamento”. Em 2007, após erros em testes de cadeirinhas infantis, passou a aceitar orientações de diversos especialistas na elaboração de testes, mas não nas avaliações finais. Em alguns casos, a CR permite que fabricantes revisem críticas antes da publicação e implementem mudanças nos produtos. Isso às vezes resulta em redesenhos ou recalls.
Parte dos testes objetivos e comparativos publicados pela Consumer Reports é realizada sob a coordenação da organização internacional . A Consumer Reports também utiliza laboratórios externos para alguns testes, incluindo 11% dos realizados em 2006.
Impacto dos testes e investigações miniaturadaimagem|Pista de testes automotivos da Consumer Reports em , Connecticut. Os testes independentes e investigações da Consumer Reports levaram a recalls, redesenhos e correções de software por parte dos fabricantes. Alguns exemplos incluem:
Automotivo
Dodge Omni/Plymouth Horizon Na edição de julho de 1978, a Consumer Reports classificou o /Plymouth Horizon como “não aceitável”, a primeira vez que o fazia desde o AMC Ambassador em 1968. Nos testes, foi constatada a possibilidade de oscilação de guinada em resposta a uma entrada brusca no volante. O fabricante alegou que “alguns exemplares apresentam isso, outros não”, mas que não tinha “validade no mundo real de direção”."Storm over the Omni Horizon", Time, 26 de junho de 1978. No ano seguinte, esses modelos receberam um volante mais leve e um amortecedor de direção, e a Consumer Reports informou que a instabilidade anterior não estava mais presente.
BMW X5 A BMW alterou o software do controle de estabilidade do X5 após replicar um possível problema de capotamento identificado em testes."No Test Dummies" Fortune, 11 de junho de 2007
Lexus GX 460 Em 2010, a revista classificou o Lexus GX 460 como inseguro após falha em teste de segurança de emergência. A Toyota suspendeu temporariamente as vendas, realizou seus próprios testes, reconheceu o problema e emitiu um recall. O veículo passou em novo teste.
Tesla Model 3 Em maio de 2018, a revista afirmou que não recomendava o Tesla Model 3 devido à distância de frenagem longa. Dias depois, a Tesla lançou uma atualização remota de software. A revista realizou um novo teste dos freios e passou a recomendar o Model 3.
Tecnologia
Apple 2016 MacBook Pro Em 2016, a revista constatou variação inconsistente na duração da bateria em testes do MacBook Pro de 2016 da Apple. Isso levou à descoberta de uma falha no navegador Safari, corrigido pela Apple por meio de atualização de software.
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