O 3.º Batalhão de Infantaria de Selva (3.º BIS) é uma unidade do Exército Brasileiro sediada em Barcelos, Amazonas, e subordinada à 2.ª Brigada de Infantaria de Selva. Antes de sua transferência à região amazônica em 2007, ele foi sediado na Praia Vermelha, cidade do Rio de Janeiro, de 1920 a 1935, e em São Gonçalo, Rio de Janeiro, nos outros períodos desde sua fundação em 1908. Na Praia Vermelha, sob a designação de 3.º Regimento de Infantaria, estava localizado a poucos quilômetros do palácio presidencial. Foi este regimento que sitiou Copacabana na Revolta dos 18 do Forte, derrubou Washington Luís na Revolução de 1930 e se revoltou na Intentona Comunista de 1935. A revolta de 1935 foi o motivo de sua retirada do Rio de Janeiro, então capital federal. Em São Gonçalo, seu antigo quartel teve relevância histórica e arquitetônica.

História Praia Vermelha miniaturadaimagem|O quartel da Praia Vermelha em chamas na Intentona Comunista de 1935|esquerda A origem do atual batalhão é o 3.º Regimento de Infantaria (3.º RI), criado em São Gonçalo em 1908 e transferido às dependências da antiga Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, em 1920. O regimento organizava-se em três batalhões com três companhias de fuzileiros e uma companhia de metralhadoras cada e mais uma Companhia de Metralhadoras do Regimento, chegando ao efetivo de 1 700 homens em 1935. Ele estava subordinado à 2.ª Brigada de Infantaria da 1.ª Divisão de Infantaria (1.ª DI).. p. 337.

O quartel da Praia Vermelha estava a poucos quilômetros do palácio presidencial.. p. 69. Ele consistia em dois pavilhões de dois pavimentos cada, situados entre os morros da Babilônia e da Urca, fechando completamente a Praia Vermelha. O pavilhão principal, voltado à rua Pasteur, foi reformado em estilo neoclássico e encimado por uma cúpula. Ele sediava o 1.º e 2.º Batalhões e a 9.ª Companhia de Fuzileiros do 3.º Batalhão. O segundo pavilhão, voltado para a praia, sediava o 3.º Batalhão e a Companhia de Metralhadoras do Regimento. As baias ficavam na margem do morro da Babilônia. Uma balaustrada de três metros de altura separava o quartel da praia, de um morro a outro. Entre os dois pavilhões havia um pátio interno.. p. 89-90, 92-93, 95.

Praças do regimento foram presos em dezembro de 1915, acusados de um plano de golpe militar contra o presidente Venceslau Brás, no que ficou conhecido como a "Revolta dos Sargentos". O inquérito foi presidido pelo comandante do regimento, o coronel Abílio de Noronha. Em julho de 1922, na primeira das revoltas tenentistas, o regimento foi uma das primeiras forças legalistas a sitiar o Forte de Copacabana. A 6.ª Companhia de Fuzileiros, sob o capitão Pedro Fernandes Crisol Brasil, travou o tiroteio final com os "Dezoito do Forte" na avenida Atlântica.. cap. 14 e lista de personagens em julho de 1922. Ainda no período tenentista, em 2 de maio de 1925 um grupo de militares e civis tentou um golpe de mão sobre o quartel. Pretendiam assumir o controle do regimento e marchar sobre o Palácio do Catete em coordenação com outros levantes na capital, que não chegaram a ocorrer. O único resultado foi a morte de um dos líderes, o tenente Jansen de Melo.. p. 108-114, 420-425.

O golpe de Estado de 24 de outubro de 1930, que deu vitória à Revolução de 1930 e instalou uma junta militar, foi efetivado por uma coluna do 3.º RI e voluntários civis. O grupamento, liderado pelo coronel José Pessoa, ocupou sem resistência o Palácio Guanabara, onde estava o presidente Washington Luís.. p. 283, 286-289. Na Intentona Comunista de novembro de 1935, o regimento teve papel estratégico no plano de Luís Carlos Prestes para destituir o presidente Getúlio Vargas: ocupar os palácios Guanabara e do Catete e o Arsenal de Marinha.. cap. 7. Os insurretos, sob a liderança do capitão Agildo Barata, conseguiram dominar o regimento, mas a resposta legalista imediata prendeu-os às imediações do quartel, uma péssima posição defensiva. A revolta foi suprimida e o quartel foi devastado pelo bombardeio.. p. 482-486, 491-492.

São Gonçalo As unidades envolvidas na revolta de 1935 foram dissolvidas e substituídas por outras, "considerando ser ato de justiça e a fim de que perdure ele nos anais militares estigmatizando o crime de rebeldia que cometeram". O 3.º RI deu lugar ao 14.º Regimento de Infantaria,Decreto n.º 465, de 3 de dezembro de 1953. aproveitando efetivos e material remanescentes do velho regimento. Ele foi instalado no antigo quartel do 2.º Batalhão de Caçadores, em Venda da Cruz, na divisa de Niterói com São Gonçalo. Em 1938 sua subordinação foi transferida à Infantaria Divisionária da 1.ª DI (ID/1).Decreto-lei nº 609, de 10 de agosto de 1938. Outro decreto em 1939 reverteu a unidade à sua numeração original (3.º RI).Decreto nº 5.029, de 15 de dezembro de 1939. O novo regimento foi constituído com dois batalhões de infantaria. Um terceiro existiu em Campos, estado do Rio de Janeiro, de 1942 a 1945.. p. 580.

A unidade teve presença histórica e arquitetônica significativa em São Gonçalo, tendo contribuído efetivos à Força Expedicionária Brasileira. O quartel recebeu visitas ilustres, como Getúlio Vargas, Filinto Müller e Amaral Peixoto em setembro de 1941. No golpe de Estado de 1964, o 2.º Batalhão foi uma das unidades enviadas para enfrentar os revoltosos vindos de Minas Gerais na Operação Popeye, aderindo a eles após o comando legalista cessar a resistência.. p. 138. Na reorganização do Exército na ditadura militar, a ID/1 foi convertida em 2.ª Brigada de Infantaria, em 1968, e os dois batalhões do 3.º RI foram designados como 3.º e 56.º Batalhões de Infantaria (BI), num período de transição até a extinção do próprio regimento em 1975. O 56.º BI foi transferido a Campos, enquanto o 3.º BI permaneceu em São Gonçalo, sendo o descendente em linha direta do antigo regimento. Em 2007 a unidade foi desativada e transferida a Barcelos, Amazonas, para constituir o 3.º Batalhão de Infantaria de Selva (3.º BIS). O próprio comando da 2.ª Brigada de Infantaria fora transferido a São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, alguns anos antes.

O imóvel e o terreno do antigo 3.º BI em São Gonçalo foram transferidos pela União ao Estado do Rio de Janeiro, que tinha planos para instalar um quartel da Polícia Militar. Em 2010 parte do terreno abrigou famílias deslocadas pelo deslizamento do morro do Bumba, e outra parte recebeu instalações da Polícia Civil. O espaço foi tombado em 2011, o que foi questionado numa disputa política e urbana pelo destino a ser dado a ele. O Tribunal de Justiça declarou a lei de tombamento inconstitucional em 2013. A Polícia Militar operava no terreno em 2025.

Barcelos Em sua nova sede, o batalhão foi subordinado à 2.ª Brigada de Infantaria de Selva. As obras foram iniciadas em 2007 e a ativação ocorreu em 2010. Como unidade de infantaria de selva, os meios e pessoal foram adaptados ao ambiente amazônico. Em 2022 a organização ainda estava incompleta, com apenas uma companhia de comando e uma companhia de fuzileiros,. Duas companhias de fuzileiros adicionais eram planejadas para o futuro. O efetivo total era de 378 militares, dos quais 285 eram cabos e soldados cumprindo o serviço militar obrigatório — o equivalente a 9% da população jovem masculina do município. A remuneração do pessoal e os gastos públicos com as demandas operacionais da unidade tiveram impacto relevante na economia local.

3.º de Infantaria de Selva Categoria:Barcelos (Amazonas)